Nos jornais: presidente da Câmara monta bloco para pressionar Dilma

De acordo com a Folha de S. Paulo, lideranças de nove partidos se reuniram em Brasília com a intenção de criar dificuldades ao Palácio do Planalto no Congresso. Jornais destacam corte de R$ 44 bilhões no orçamento

Folha de S. Paulo

Presidente da Câmara monta bloco para pressionar Dilma

Principal aliado do PT na coalizão da presidente Dilma Rousseff, o PMDB organiza a criação de um bloco de nove partidos, na Câmara dos Deputados, para criar dificuldades ao governo em votações no Congresso Nacional.

Com aval do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o líder peemedebista Eduardo Cunha (RJ) acertou, em um jantar anteontem com o comando das bancadas do PP, PSD, PR, PTB, PDT, Pros, PSC e do oposicionista Solidariedade, uma ação conjunta a partir da semana que vem. As siglas somam 283 dos 513 deputados: 55% da Casa.

Petistas também se reúnem para criticar presidente

Na mesma noite e no mesmo prédio em que o PMDB costurava o "blocão" contra a presidente Dilma Rousseff, cerca de 40 deputados federais do PT promoveram reunião em que o alvo preferencial também foi o Planalto.

No apartamento do vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), os petistas reclamaram da morosidade do governo em liberar emendas no Orçamento, geralmente destinadas a pequenas obras em seus redutos eleitorais.

À beira de guerra civil, Ucrânia enfrenta dia mais sangrento

A Ucrânia viveu ontem seu dia mais violento desde que se desmembrou da União Soviética, há 22 anos. A trégua, que havia sido estabelecida no país após os confrontos desta semana, foi rapidamente desfeita pela troca de hostilidades entre o governo e opositores. Tiroteios na capital, Kiev, deixaram ao menos 47 mortos.

De acordo com informações do departamento de saúde da cidade, 75 já morreram desde a terça-feira, colocando em dúvida as já inconsistentes negociações entre o governo e a oposição. A Ucrânia pode estar encaminhada, segundo a opinião de analistas, para uma guerra civil, com a separação entre a região leste, alinhada à Rússia, e o oeste, mais próximo da União Europeia.

Governo promete economizar 1,9% do PIB

Na tentativa de restaurar a credibilidade de sua política econômica, o governo Dilma Rousseff prometeu para este ano um saldo das contas públicas igual ao de 2013. Com o anúncio de redução de R$ 44 bilhões nas despesas programadas no Orçamento, foi projetada uma poupança de R$ 99 bilhões por parte de União, Estados e municípios para o abatimento da dívida pública. O montante equivale a 1,9% do Produto Interno Bruto, ou seja, da renda nacional. Esse foi o percentual atingido no ano passado.

Em SP, invasores destroem imóveis do Minha Casa

A reintegração de posse de um conjunto do Minha Casa, Minha Vida invadido na região de Itaquera, na zona leste, terminou em confronto entre PMs e moradores, que incendiaram ou destruíram centenas de apartamentos.

Para impedir a ação da polícia, barricadas foram montadas de madrugada pelos invasores --que resistiram e, até a noite, praticavam atos de vandalismo nos edifícios. Moradores lançaram coquetéis molotov contra os PMs, que responderam com disparos de balas de borracha e bombas de efeito moral.

Corintianos são presos, e clube será investigado

A escassez de imagens da invasão do centro de treinamento do Corinthians atrapalha a investigação da Polícia Civil. Dos cerca de cem invasores, apenas cinco foram identificados e tiveram mandados de prisões expedidos.

A Operação Hooligans, deflagrada ontem, prendeu 13 integrantes de torcidas organizadas do clube. Horas depois, dez foram liberados. A operação foi feita nas quadras das três principais torcidas organizadas do clube (Gaviões da Fiel, Camisa 12 e Pavilhão 9) para prender os torcedores envolvidos na invasão ao CT.

Oi deve ter dinheiro de BNDES e fundos

O plano do BNDES e dos grandes fundos de pensão ligados ao governo de reduzir ao mínimo a presença na operadora Oi após a fusão com a Portugal Telecom, sofreu uma reviravolta.

Numa reunião nesta semana, o BNDES chamou os fundos Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica) para colocar R$ 600 milhões no negócio. A fatia que caberia ao BNDES está em aberto, mas poderia chegar a R$ 700 milhões.

Os fundos não quiseram comentar, mas o BNDES confirmou que está avaliando sua participação no aumento de capital da Oi.

Depois da renúncia, Aécio visita Azeredo

Um dia após renunciar ao mandato de deputado federal, o réu do mensalão tucano Eduardo Azeredo (PSDB-MG) recebeu em sua casa, em Belo Horizonte, uma visita de Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, e de outros integrantes da cúpula do partido.

O pré-candidato ao governo mineiro pelo PSDB, Pimenta da Veiga, o governador do Estado, Antônio Anastasia, o presidente do PSDB de São Paulo, Duarte Nogueira, e o deputado Marcus Pestana (MG) acompanharam Aécio na visita ao ex-deputado.

Quadrilha articulou esquema, afirma Janot

A Procuradoria-Geral da República reafirmou ontem, no primeiro dia de análise dos últimos recursos do mensalão no Supremo Tribunal Federal, que os réus condenados na primeira etapa do julgamento se organizaram e formaram uma quadrilha para cometer crimes.

"Era uma organização estável e permanente, voltada para a prática de delitos, que perdurou de 2002 a 2005", disse o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ressaltando que o esquema só acabou porque foi delatado pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB), que também foi condenado pelo STF.

Integrante do CNJ recebe adicional sem exercer função

Nomeado secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no final de 2012, o juiz auxiliar Fábio Cesar dos Santos Oliveira está desde agosto de 2013 se especializando no exterior, mas continua recebendo o valor da gratificação da função que, na prática, não exerce.

Oliveira é juiz substituto do Tribunal Regional Federal da 2ª Região e foi designado por Joaquim Barbosa, presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, para a secretaria-geral em novembro de 2012. O CNJ cuida da administração do Judiciário e fiscaliza juízes.

PF realiza busca na casa de aliados de senadores

A Polícia Federal deflagrou nos últimos dois dias uma operação que apura lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro. Houve busca e apreensão na casa de políticos e empresários em São Paulo, Mato Grosso, Goiás e DF.

Foram apreendidos R$ 126 milhões em cheques e notas promissórias em nome de várias pessoas, entre elas, políticos, mantidos sob sigilo. A PF quer saber para quem o grupo operava, em especial no MT, onde está a maior parte dos investigados.

O Estado de S. Paulo

Asa Norte tem noite antidilma

A insatisfação da base aliada na Câmara com o governo Dilma Rousseff movimentou na noite de anteontem o bloco H da quadra 302 da Asa Norte, bairro nobre de Brasília. Enquanto no 3.º andar lideranças de nove partidos discutiam a formação de um "centrão" para isolar o PT, no 1.º andar petistas reclamavam do governo. Com um encontro casual no elevador, participantes das reuniões se misturaram e as queixas foram dirigidas a um único endereço: o Palácio do Planalto.

A articulação de partidos da base contra o PT foi liderada pelo presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), e representantes dos governistas PMDB, PP, PSD, PR, PDT, PTB, PSC e PROS, além do oposicionista SDD. A intenção é montar um bloco nos moldes do "centrão" que se formou em 1987, na Constituinte - e que, no caso, defendia posições de centro-direita -, para conduzir as votações independentemente da vontade do governo. "É como se fosse a base, sem PT e PC do B, se unindo para valorizar a Câmara", disse o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ). "Queremos que o governo deixe a Câmara trabalhar", disse o líder do PSD, Moreira Mendes (RO).

Aécio lança tucano em Minas e evita falar de Azeredo

O ex-ministro Pimenta da Veiga foi oficializado pré-candidato ao governo de Minas ontem em evento marcado pelo constrangimento de lideranças tucanas com a renúncia, na véspera, de Eduardo Azeredo ao mandato de deputado federal.

Azeredo, que não participou do ato em Belo Horizonte, renunciou ao cargo anteontem após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedir ao Supremo Tribunal Federal que ele seja condenado a 22 anos de prisão no processo do mensalão mineiro.

Barbosa diz não ter 'interesse nenhum' em resultado do caso

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, disse ontem não estar interessado no resultado do julgamento dos recursos do mensalão. "Não tenho interesse nenhum. Der o que der, para mim...", afirmou, gesticulando como se estivesse indiferente ao resultado. A declaração foi dada após ele ser questionado por repórteres se os petistas envolvidos no caso tinham chances reais de reverter as condenações pelo crime de formação de quadrilha.

Juiz congela R$ 32 mi de acusados do caso Alstom

A Justiça Federal decretou o sequestro de R$ 32,5 milhões de 5 dos 11 réus do caso Alstom, um esquema de pagamento de propinas que, segundo a investigação, funcionou na área de energia do Estado de São Paulo entre 1998 e 2003, durante os governos Mário Covas e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. O bloqueio tem caráter cautelar e atinge exclusivamente valores em aplicações financeiras. Na prática, o dinheiro não pode ser resgatado por seus titulares.

Ex-prefeito afirma que a ação é improcedente

O ex-prefeito Gilberto Kassab afirmou, por meio de nota, que a ação do Ministério Público Estadual (MPE) é improcedente. Segundo o texto, durante a sua gestão, "as medidas necessárias para a regularização e o combate às ilegalidades foram adotadas com total transparência".

Correio Braziliense

Orçamento terá corte de R$ 44 bi

Em um esforço para recuperar a credibilidade da política fiscal e evitar o rebaixamento do país às vésperas da eleição na qual a presidente Dilma Rousseff tentará um novo mandato, o governo anunciou, ontem, um corte de R$ 44 bilhões no Orçamento deste ano. Prometeu, ainda, entregar um superavit primário (economia para pagar os juros da dívida) de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 99 bilhões.

Apesar de mais plausível que os 2,3% previstos em lei, essa meta foi vista com cautela pelos mercados. Todos querem ver os resultados mensais para comprovar se os números anunciados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, são consistentes ou estão maquiados, como se tornou recorrente. A cautela faz sentido. Dos R$ 44 bilhões contingenciados, R$ 13,5 bilhões se referem a reestimativas de despesas, incluindo as da Previdência Social. Outros R$ 13,3 bilhões são de emendas de parlamentares, que nunca são liberadas totalmente, R$ 10,2 bilhões de ministérios e R$ 7 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), inflado por gastos de todos os tipos.

Da loucura que mata...

A trégua anunciada na quarta-feira à noite, na Ucrânia, durou poucas horas. Segundo números oficiais, 75 pessoas morreram desde a terça-feira. Mas a oposição fala em pelo menos 100 mortos e 500 feridos somente nos confrontos de ontem, o dia mais violento desde que o país se tornou independente do então império soviético, em 1991. Do alto de prédios, franco-atiradores atacaram manifestantes. Há, também, relatos de radicais armados disparando contra a polícia. Os protestos começaram depois que o governo optou por um pacto com a Rússia, em vez de uma aliança com a União Europeia. Em repúdio ao banho de sangue, o prefeito da capital ucraniana deixou o partido do presidente Viktor Yanukovich. E o bloco europeu anunciou sanções ao país.

...A loucura que liberta

Quem vai ao CCBB e se vê diante da Obsessão infinita, de Yayoi Kusama (E), dificilmente relaciona a instalação à dor. O mais comum é o visitante se encantar com a delicadeza da estética bem-humorada dessa japonesa. No entanto, é da dor e da loucura que nasce a inspiração da artista plástica, de 87 anos. Diagnosticada com desordem de personalidade e transtorno obsessivo-compulsivo, ela optou por viver em um hospital psiquiátrico. Durante alucinações, ela costuma ver as bolinhas coloridas que permeiam sua obra e a tomaram conhecida no mundo inteiro. A exposição em cartaz em Brasília é uma retrospectiva de seus trabalhos, que transita entre o universo pop, a vanguarda dos anos 1970 e a autobiografia.

Venezuela: Maduro ameaça com estado de exceção

San Cristóbal, capital do departamento (estado) de Táchira, tornou-se ontem uma área militarizada, com aviões em voos rasantes e barreiras impostas pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB). “Temo por minha vida”, desabafou ao Correio Yly Bonilla Lombo, 26 anos, estudante de comunicação social. Em Mérida e em Ciudad Guayana, colectivos (grupos paramilitares chavistas) invadiram prédios em bairros residenciais. “São os tupamaros, que rondam a cidade, sobre motos, de forma ameaçadora. O silêncio lá fora é aterrador, e tudo o que escuto são detonações. Não há nem um carro sequer circulando pelas ruas”, confirmou uma moradora de Mérida, sob condição de anonimato.

Diplomata na geladeira critica Itamaraty

Escanteado no Itamaraty e punido politicamente pela decisão tomada, o diplomata Eduardo Saboia, que comandou a operação de retirada do senador boliviano Roger Pinto Molina da embaixada do Brasil em La Paz, na Bolívia, em agosto do ano passado, prestou um longo depoimento na terça-feira à comissão de sindicância instaurada para apurar a sua conduta. Durante oito horas, ele contou detalhadamente o passo a passo da fuga e apresentou provas de que o governo brasileiro teria sido alertado de maneira recorrente sobre a situação crítica do senador na embaixada e que, mesmo assim, omitiu-se em relação ao caso. E-mails, telegramas e notas trocadas entre a embaixada brasileira na Bolívia, o Itamaraty e a Presidência da República serviram como base na tentativa de mostrar que não houve quebra de hierarquia.

Só depois das eleições

O governo brasileiro só vai se posicionar sobre o destino do senador boliviano Roger Pinto Molina, atualmente no Brasil como refugiado provisório, após o período eleitoral. Interlocutores do Ministério das Relações Exteriores e da Justiça afirmaram reservadamente que, por ser um tema bastante polêmico, há o temor de que qualquer decisão possa respingar no projeto eleitoral de reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Câmara também quer limites para protestos

Termina hoje o prazo estabelecido pelo próprio governo para enviar ao Congresso Nacional uma proposta de regulamentação de manifestações. Até o fechamento desta edição, no entanto, o texto elaborado pelo Ministério da Justiça (MJ) nem sequer havia chegado à Casa Civil. Enquanto isso, parlamentares se articulam para encampar projetos próprios e não caminhar a reboque do Poder Executivo. Depois de o Senado iniciar o debate a partir de propostas da tipificação do terrorismo — bastante criticada por ser vaga e prever penas muito duras —, ontem foi a vez de a Câmara dos Deputados definir a sua resposta aos manifestantes violentos. A ideia dos deputados é impor regras para a organização de protestos e o uso de máscaras, além de aumentar a pena para os crimes de dano ao patrimônio público ou privado, prática comum entre os black blocs.

Novo julgamento fica na largada

No primeiro dia de julgamento dos embargos infringentes apresentados por réus do mensalão, houve espaço apenas para advogados se manifestarem e para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defender que o Supremo Tribunal Federal (STF) mantenha as condenações dos sentenciados por formação de quadrilha. Os votos dos ministros ficaram para a semana que vem. Sobraram críticas para o único condenado que não está preso. Mesmo não tendo direito aos infringentes, o delator do escândalo do mensalão, Roberto Jefferson, foi alvo de críticas do advogado de José Genoino. “É um mentiroso compulsivo que engendrou a maior farsa da história política brasileira”, acusou o criminalista Luiz Fernando Pacheco.

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