Nos jornais: “Nem eu nem Serra anteciparemos o jogo”, diz Aécio

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, senador diz que ex-governador paulista ainda pode ser o escolhido pelos tucanos para a corrida presidencial de 2014 e que conciliação entre os dois é "o instrumento mais valioso" para enfrentar o PT

O Estado de S. Paulo

"Nem eu nem Serra anteciparemos o jogo"

O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, reconhece ter apoio majoritário de sua legenda para enfrentar nas urnas a presidente Dilma Roussef e planeja para o ex-governador José Serra a função de ajudar a coordenar o programa de governo tucano e de pensar uo novo discurso do PSDB.

Mas repete, várias vezes, que Serra ainda pode ser o escolhido para representar os tucanos na disputa de 2014. O discurso faz parte do acordo que levou meses para ser costurado e que garantiu a permanência do ex-governador no partido. A conciliação entre Aé cio e Serra foi negociada em nome da batalha contra o PT.

* Como o senhor e o ex-governador avaliaram a repercussão da permanência dele no PSDB?

Nunca concebi o PSDB sem o Serra porque acredito nas coisas lógicas e o lógico é estarmos juntos. O Serra é, sim, um nome para ser examinado no momento certo. Pode haver hoje uma posição majoritária em torno do meu nome? E uma possibilidade. Mas não tive e não tenho, independentemente da presidência do partido, interesse em antecipar a decisão de candidatura. Eu tenho que ter hoje a mobilidade necessária para andar pelo País, como presidente do PSDB, construindo essa nova agenda.

* Mas o senhor sai na frente porque o cargo de presidente da sigla, para correr o Brasil, é um só.

Mas sou presidente do partido porque o partido me escolheu e não porque pedi para ser. E estou cumprindo o meu papel, como o Serra cumpriu quando foi também presidente do partido, né? Mas o que há hoje é uma consciência muito clara de que a nossa unidade é o instrumento mais valioso para enfrentarmos o PT. E se nós temos diferenças de pensamento sobre isso ou aquilo, não temos no essencial. Queremos que esse ciclo de governo se encerre porque ele fracassou.

* Qual será o papel de Serra na campanha eleitoral?

Ponto um: o Serra sempre será um nome a ser avaliado pelo PSDB para qualquer cargo, inclusive para a candidatura presidencial, não temos porque antecipar esse jogo. Ponto. Se eventualmente não for o candidato, ele tem, pelo capital político, pelo capital eleitoral e pela formação pessoal, condição de nos ajudar a coordenar essa agenda. Pode ser uma figura exponencial na construção do novo discurso do PSDB, A agenda em curso hoje no Brasil foi a proposta por nós há 20 anos. Não tem agenda nova.

Trocas de sigla ajudam oposição na TV

Aécio Neves, provável candidato do PSDB à Presidência, será o principal beneficiado pelo troca-troca de partidos ocorrido na Câmara de Deputados nos últimos dias. Se conseguir fechar uma aliança com o recém-criado Solidari-dade (SDD), o tucano ganhará cerca de 30 segundos em cada bloco de propaganda gratuita na TV em 2014. Ainda assim, terá menos tempo queJosé Serra teve em 2010.

No caso da presidente Dilma Rousseff, que não repetirá a coligação da campanha passada, o troca-troca serviu apenas para que ela não tivesse seu tempo de exposição diminuído. A atração de deputados para o PROS, que deve ficar na órbita governista, compensou a perda de parlamentares de partidos da base aliado para o SDD.

Se Dilma mantiver em sua aliança o PMDB, o PP, o PR e o PC do B, e além disso fechar um acordo com o PSD e o PROS, terá mais tempo no chamado palanque eletrônico do que em 2010, mesmo com a eventual perda do PDT para o lado adversário do Eduardo Campos, do PSB, foi prejudicado pela recente movimentação dos parlamentares, já que a bancada de seu partido encolheu.

Os últimos registros oficiais de troca de legendas apresentavam SDD e PROS com bancadas de 19 e 13 deputados, respectivamente. Esse número pode subir - algumas das filiações ocorridas nos últimos dias podem não ter sido notificadas à Câmara dos Deputados.

Decisão de aliança surpreende equipe de pré-campanha tucana

A notícia da aliança entre a ex-ministra Marina Silva e o governador Eduardo Campos (PSB) para as eleições do ano que vem pegou de surpresa a equipe que já trabalha na pré-campanha do senador Aécio Neves pelo PSDB. Para os tucanos, a parceria entre Campos e Marina ajudará a oposição, pois poderá forçar o 2º turno na disputa pelo Palácio do Planalto em 2014.

"É muito difícil que, no Brasil, uma operação política dessa magnitude tenha sido conduzida nesse vulto", afirmou o senador tucano Aloysio Nunes (SP), que já acompanha Aécio em suas viagens de fim de semana pelo País.

Embora o discurso oficial de aliados de Marina e Campos os mantenha como pré-candidatos ao pleito de 2014, marineiros já admitem que a ex-ministra pode ocupar a vaga de vice na chapa do governador pernambucano.

Para o senador tucano, ainda é cedo para avaliar os impactos diretos da decisão nas intenções de voto de cada candidato. A última pesquisa Ibope encomendada pelo Estado, divulgada semana passada, mostra a ex-ministra no segundo lugar das pesquisas, atrás apenas da presidente Dilma Rousseff, do PT.

Dilma apostava em candidatura por outro partido

A ida da ex-ministra Marina Silva para o PSB de Eduardo Campos surpreendeu a presidente Dilma Rousseff, a ponto de levá-la a ficar atenta ao noticiário para saber se era aquilo mesmo que estava acontecendo. A presidente e seus principais assessores na pré-campanha trabalhavam com a certeza de que a ex-ministra se abrigaria em um partido, viabilizando a candidatura. A principal aposta da presidente para o futuro de Marina, no entanto, era o PPS.

Por enquanto, ainda de acordo com informação de auxiliares da presidente, Dilma vai aguardar por novas informações da aliança entre o PSB e Marina Silva. Dependendo da reação do eleitorado nas futuras pesquisas de intenção de voto, a presidente poderá mudar ainda mais a sua imagem e adotar uma feição mais popular, Por causa da quedas nas pesquisas, em junho, Dilma decidiu investir nas entrevistas a rádios regionais e nos roteiros de inauguração de obras.

A um ano das eleições, a ideia é fazer uma ou duas viagens por semana para "bater bumbo" sobre programas do governo, principalmente aqueles voltados para os mais carentes.

A estratégia de comunicação para a campanha de 2014 foi avaliada por Dilma em jantar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 30 de setembro, no Palácio da Alvorada. Na ocasião, os dois analisaram cenários de disputa e o potencial de crescimento de Marina nas camadas populares e nas redes sociais.

Pesquisas qualitativas, que servem de termômetro para medir o humor dos eleitores, mostraram ao governo que a ex-ministra começou a ser apontada como "mulher do povo", "humilde" e "gente como a gente". Além disso, ela fez das redes sociais o seu maior ativo, ganhando também adesões na classe média alta.

Suíça ameaça devolver US$ 28 mi a grupo condenado

A lentidão da Justiça brasileira pode fazer com que cerca US$ 28 milhões que estão bloqueados na Suíça acabem retornando aos bolsos de condenados por corrupção, lavagem de dinheiro e quadrilha no caso que ficou conhecido como "propinoduto", que envolvia fiscais das receitas federal e estadual do Rio de Janeiro, entre eles Rodrigo Silveirinha - ligado aos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho.

As autoridades suíças enviaram um ofício ao governo brasileiro, datado de 17 de maio deste ano, cobrando uma definição do caso, que já dura uma década. Alertaram que, pela lei suíça, esse é o prazolimite para reter o dinheiro no país e que sem uma decisão final da Justiça terão de liberar os recursos para saque dos donos originais das contas bancárias.

O Ministério da Justiça repassou o alerta ao Ministério Público Federal que, na semana passada, ingressou com um pedido de "prioridade de julgamento" do recurso. Há quatro anos, o processo vai de um gabinete a outro no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sem que seja apreciado. Já passou pela mão de cinco diferentes relatores, sendo que o último, a ministra Assuse-te Magalhães, está com o caso há apenas dois meses. Mesmo que seja julgado imediatamente pela turma da qual faz parte a ministra relatora, os quase 70 volumes terão ainda de passar pela análise dos ministros do Supremo Tribunal Federal Em Berna, fontes no governo suíço admitem que não entendem a demora da Justiça brasileira. Em Brasília, os procuradores se sentem frustrados, mas não faiam oficialmente do caso. O Ministério da Justiça não deu qualquer posicionamento à reportagem. Já o STJ, questionado institucionalmente sobre a demora dos processos que chegam à casa, não fez qualquer comentário.

Ação reforça suspeita de conta secreta de Marinho

O conselheiro Robson Riedel Marinho, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), e o engenheiro Jorge Fagali Neto, suspeitos de terem recebido propinas da Alstom para garantir à multinacional francesa contratos públicos 00 Brasil, entraram com recursos na Justiça da Suíça para tentar impedir que autoridades brasileiras tenham acesso aos dados sobre suas movimentações bancárias em Genebra.

A iniciativa de Marinho - ex-secretário chefe da Casa Civil de 1995 a 1997 no governo Mário Covas (PSDB) - e Jorge Fagali, indiciado pela Polícia Federal, intriga investigadores brasileiros que rastreiam contratos firmados pela Alstom e empresas do grupo com setores da administração pública estadual, na área de transportes e energia, entre 1983 e 2001.

Quando seus nomes foram vinculados ao escândalo, já em 2011, a partir de comunicações espontâneas da Suíça, ambos adotaram estratégia similar à do ex-prefeito Paulo Maluf (1993-1996) que sempre negou possuir ativos no exterior, mas foi confrontado por documentos da Justiça suíça.

O Globo

Bicho cresceu no Rio com ajuda de torturadores

Isolado na tropa, o capitão Aílton Guimarães Jorge pediu demissão do Exército no dia 9 de março de 1981. O gesto do oficial, ao trancar a farda no armário, selou uma aliança que mudaria o perfil do crime organizado no Brasil: a de agentes da ditadura com a contravenção. Capitão Guimarães é a face mais exposta desse procesáo, mas não a única. A partir dos anos 1970, um pequeno pelotão de agentes migrou dos porões da tortura para as fileiras do jogo do bicho, levando junto a brutalidade, a arapongagem e a disciplina da guerra suja contra as esquerdas. Bicheiros ajudaram a perseguir inimigos do regime, e a ditadura retribuiu com proteção e impunidade.

Pesquisas a documentos de dois arquivos públicos e da Biblioteca do Exército e depoimentos de agentes, policiais, vítimas da repressão e especialistas permitiram ao GLOBO revelar detalhes e personagens desse processo. Pelo menos dez agentes, entre militares e civis, atuaram na máfia da jogatina ou colaboraram com ela, chegando a ocupar cargos na hierarquia do bicho, principalmente a partir do desmonte gradual do aparelho repressivo no governo GeiseL Sob a influência da doutrina militar e ao custo de uma guerra nas ruas, o jogo do bicho — antes fracionado e informal — tomou-se centralizado e organizado. Pelo menos dez agentes, entre militares e civis, atuaram ou colaboraram com a máfia da jogatina, chegando a ocupar cargos na hierarquia do bicho.

Uma frente em defesa de reforma política urgente

Diante da profusão de novos partidos, como PROS e Solidariedade, e da polêmica sobre o veto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à criação da Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva, políticos e juristas reabriram o debate sobre a urgência de uma reforma política. Também discutem a adoção da cláusula de barreira para o funcionamento efetivo dos partidos.

Anteontem, em discurso no Senado, um ex-companheiro de partido de Marina, senador Jorge Viana (PT-AC), defendeu a criação da Rede e disse que o Congresso criou uma situação "vexatória" para o Parlamento.

— A legislação ajuda a ficar pior o que já está ruim: quando você tem um partido igual ao Rede Sustentabilidade, que vem de um movimento social e quer buscar um registro partidário, não passa (pelo TSE). Aí passa o que não tem nenhuma representatividade social. É um jeitinho para que as pessoas possam trocar de partido sem ficar caracterizada a infidelidade partidária. Lamentavelmente, foi o próprio Supremo que colaborou para que estejamos vivendo situação como essa, quando disse que não poderia haver barreira para criação partidária.— disse.

Ex-deputado constituinte em 1988 e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nelson lobim também critica a "liberalização da criação de partidos". Ele propôs que os partidos só possam existir, de fato, caso superem a cláusula de barreira, obtendo um número mínimo de votos que mostre que a sigla tem apoio popular. Na mesma linha, também se pronunciaram o ministro do Supremo Gilmar Mendes e presidenciáveis como o senador Aecio Neves (PSDB-MG).

Cármen Lúcia e Gilmar se dizem a favor de cláusulas de barreira

Na última sexta-feira, durante o julgamento sobre o pedido de registro da Rede, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e Cármen Lúcia, também ministros do TSE, disseram  que é preciso discutir a refor-í ma política:

— É chegada a hora de discutirmos. Certamente, após as eleições, vamos discutir a re! forma política. É preciso analisar a introdução de cláusulas  de barreiras e elementos que fortaleçam a autenticidade das  forças partidárias — disse Gilmar; reconhecendo, porém, que não é fácil aprovar novas j regras eleitorais. — Hoje, todos  estão muito mais preocupados  com os acordos, os arranjos institucionais em torno da disputa eleitoral; por isso, a dificuldade na concentração dessa tarefa que é extremamente importante.

Cármen, que preside o TSE, também defendeu a proposta: — Também espero, ministro Gilmar, que haja reforma política e que não precisemos disso, que a biometria possa suprir. Voto lamentando, gostaria muito que este partido pudesse receber (o registro) por deferimento. Mas não houve a  apresentação de um requisito  — disse Cármen.

De Collor a Enéas, o profissional que cria partidos

O advogado Marcílio Duarte não aceita nem como piada o apelido "maníaco das siglas". Com 71 anos, o carioca é o nome por trás da criação de sete partidos nanicos vistos como legendas de aluguel. Com vasto conhecimento da burocracia eleitoral, já rodou o Brasil em aviões de carreira usando milhas de parlamentares ou em jati-nhos cedidos pelos donos das legendas, organizando a coleta de assinaturas para a criação de PSL, PGT, PTN, Prona, PTR, PSC, PST — o único que dirigiu — e, agora, o Solidariedade.

Para cobrir seus honorários, já recebeu de alguns R$ 400 mil, de outros, apenas um jantar. Ao longo dessa produtiva carreira diz ter dois arrependimentos: ser corresponsável pela eleição do presidente cassado, Fernando Collor, em 1989, e ter cedido a presidência de seu PST, em 1992, para que o hoje senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disputasse a Presidência da República.

Na década de 1980, um anúncio de jornal com um chamamento do então deputado Álvaro Vale (Arena) lhe chamou a atenção. Ele queria criar um partido liberal que só aceitava gente de reputação ilibada. Marcílio achou que se encaixava no perfil.

— Fiquei muito curioso e queria saber como se criava um partido. Ia advogar no TST, em Brasília, e sempre ficava peruando no TSE, vendo como aquilo funcionava. Pensei: vou fazer um partido para mim. Conheci um camarada no TSE que me deu um partido que estava quase pronto, o PTR — lembra Marcílio, sobre a criação da primeira das sete siglas.

Acabou se desiludindo pelo PTR e, encantando pela figura de LechWalesa, decidiu que iria construir seu próprio partido trabalhista. Com o "amigo de bebedeira" o deputado João Cunha, criou o Partido Social Trabalhista (PST), que chegou a ter cinco deputados federais.

Captadores ganharam R$ 2 por assinatura conquistada

Na última semana, Eurípedes Júnior foi recebido com festa no Salão Nobre da Câmara para assinar a ficha de filiação de deputados federais. Os que ingressaram na nova sigla são iguais a ele: infiéis partidários e quase desconhecidos no cenário nacional. A exceção é o clã dos irmãos Cid e Ciro Gomes, do Ceará. Governador, Cid deu demonstração de força e, num único dia, filiou 5 deputados federais, 11 estaduais (nove provenientes do PSB) e 50 dos 174 prefeitos do estado.

Eurípedes Júnior tem 38 anos. Nasceu e cresceu em Brasília e se mudou para Planaltina em 2003, com o objetivo de montar um negócio: um campo de futebol de grama sintética. Em 2008, elegeu-se vereador pelo nanico PST. A família é envolvida com o assunto: o avô foi prefeito, e o tio-avô, também. O primo é deputado estadual pelo PSDB em Goiás. Na Câmara Municipal, acabou eleito presidente da Casa.

O sucesso na política não se refletiu na vida empresarial. O campo de futebol de grama sintética virou mato. Até o ano passado, seu sustento vinha do subsídio de vereador. Casado com Sandra de Oliveira Caparrosa, pai de quatro filhos, Eurípedes diz que sonha por um Brasil com menos impostos, única bandeira do partido, mas admite não ter uma proposta para o objetivo.

Aécio inclinado a apoiar Pimenta para governo mineiro

Sem alternativa para empolgar o eleitorado no próprio reduto, o senador Aécio Neves, presidenciável pelo PSDB, está cada vez mais inclinado a investir na candidatura do ex-ministro Pimenta da Veiga para governador de Minas. Pimenta foi ministro das Comunicações no govemo FH, prefeito de Belo Horizonte e deputado federal, mas há 15 anos não sobe em palanque. Para demonstrar unidade com aliados de primeira hora, o ex-govemador mantém em evidência outras quatro pré-candi-daturas. Nenhum dos selecionados, no entanto, tem forte ascendência junto à população da capitai ou do interior de Minas.

A estratégia do PSDB destoa completamente da adotada pelo PT, que sonha em conquistar o Palácio da Liberdade pela primeira vez. Entusiasmados com o projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff, os petistas já cristalizaram a candidatura do ministro de Desenvolvimento, Fernando Pimentel, ex-prefeito de BH e derrotado na disputa pelo Senado em 2010.

A previsão é que a eleição para o Palácio da Liberdade seja a mais acirrada desde 1998, quando o tucano Eduardo Azeredo, candidato à reeleição, foi superado pelo ex-presidente Itamar Franco no segundo turno.

Conselhos resistem a dar registros e emperram trabalho

Mesmo depois de duas etapas para a convocação de profissionais dispostos a trabalhar no programa Mais Médicos, a maior parte das prefeituras que solicitaram reforço no atendimento continua sem alternativa. Ao todo, 4.045 cidades estão inscritas no programa e pediram 16.625 médicos ao governo federal. Somando os médicos inscritos na primeira e na segunda etapa do programa — inclusive aqueles que ainda não conseguiram registro profissional —, há 3.708 profissionais trabalhando ou esperando autorização para trabalhar. Isso significa apenas 22,3% da demanda em todo o país.

— Quando você tem o número real de inscritos e a meta, você tem uma distância muito grande. Essa distância muito grande, eu espero que  seja resolvida, porque cria a  expectativa no município de  que vai chegar o médico, vai chegar, vai chegar, e não chega — afirmou a professora í Maria Fátima de Sousa, do  Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de  Brasília (UnB).

Além do baixo número de inscrições, as entidades de classe continuam retardando o início do programa. No Rio, nenhum registro ainda foi concedido para médicos formados no exterior trabalharem no estado.

Folha de S. Paulo

Ex-senadora continua candidatíssima, e o jogo de 2014 está apenas começando

Marina continua candidatíssima a presidente, apesar do discurso elegante, muito cuidadoso, que fez ontem durante a sua filiação ao PSB.

A ex-senadora disse que apoia Eduardo Campos, afirmou até que ele tem uma "responsabilidade histórica diante de todos nós", mas em nenhum momento declarou que não será candidata no ano que vem ou que será vice do governador de Pernambuco à sucessão de Dilma.

Não há contradição nisso. Marina não poderia entrar em um partido, que já tem uma candidatura colocada, exigindo sentar na janelinha, como diria Romário, agora seu correligionário. Definitivamente não combina com alguém que prega um novo modo de fazer política.

A ex-senadora joga com o tempo. Não tem pressa porque sabe que, se continuar tão à frente de Campos nas pesquisas (hoje ela tem 26% no Datafolha; ele tem 8%), não há força capaz de tirar seu nome da urna eletrônica. O próprio governador haverá de lhe oferecer o lugar.

Aliança entre Marina e Campos surpreende governo e oposição

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), virtual candidato ao Palácio do Planalto em 2014, afirmou ontem que a filiação da ex-senadora Marina Silva ao PSB "fortalece o campo oposicionista" contra a candidatura da presidente Dilma Rousseff.

De Nova York, onde participa de uma rodada de palestras a investidores, o senador disse à Folha que "o pior cenário para nós seria Marina sem condições de participar do jogo eleitoral".

A filiação da ex-senadora ao PSB surpreendeu o mineiro e reanimou tucanos que ainda defendem o nome de José Serra para a disputa presidencial em 2014.

Interlocutores disseram que o ex-governador paulista ficou bastante feliz com a decisão da ex-senadora.

Segundo serristas, o PSDB deve fazer pesquisas qualitativas e reavaliar o cenário eleitoral, abrindo espaço para questionar a candidatura do mineiro, hoje com apoio da maioria do partido.

Siglas atraem famosos para renovar Câmara

Ante a expectativa de renovação de pelo menos 60% da Câmara dos Deputados em 2014, partidos se armam para impedir a diminuição de suas bancadas. O índice esperado supera a média histórica de substituições, na casa dos 50%. Para os dirigentes das siglas, os protestos de junho expressaram demanda dos eleitores por mudança na representação política.

As legendas contam com o reforço dos chamados "candidatos-celebridade" para formar chapas competitivas.

O pagodeiro Belo (PTB-SP), o ex-judoca João Derly (PC do B-RS), o goleiro do Sport Recife, Magrão (PSB-PE), e o cirurgião plástico Dr. Rey (PSC-SP) são exemplos do que as siglas consideram puxadores de voto, ou seja, candidatos que podem abrir espaço para mais vagas na bancada.

Isso porque os bem votados repassam parte de seus votos para colegas de coligação. A partir do quociente eleitoral --número mínimo necessário para obter uma cadeira na Câmara--, um candidato menos votado, por exemplo, pode ser eleito caso haja um "puxador" na sua chapa.

"Quem é conhecido, mas não é político, e que pode contemplar essa ideia de novidade? Artista e jogador de futebol", explica Márcio França, presidente do PSB-SP. O partido do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato à Presidência em 2014, foi um dos que mais filiou estrelas para concorrer à Câmara.

Além de Magrão, o PSB lançará o presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, e o astronauta Marcos Pontes (SP) à Câmara e tentará reeleger o ex-jogador e deputado federal Romário (RJ).

'Astronauta' vira socialista e já faz planos para o ministério

Os ministros Aloizio Mercadante (Educação), Celso Amorim (Defesa) e Marco Antonio Raupp (Ciência, Tecnologia e Inovação), além do brigadeiro Juniti Saito (Aeronáutica), que se cuidem.

Marcos Pontes, o primeiro e até aqui único astronauta brasileiro, está de olho em suas cadeiras.

Recém-filiado ao PSB, ele cogita disputar vaga na Câmara dos Deputados. Antes, claro, de alçar voos mais altos.

Em um livreto escrito por ele, intitulado "O Menino do Espaço - A História do Primeiro Astronauta Brasileiro", Pontes faz um relato em terceira pessoa sobre suas aptidões e potencialidades.

"Com sua grande experiência profissional, ele poderia ser designado, por exemplo, para assumir a presidência da Agência Espacial Brasileira. Ou, até mesmo, o Comando da Aeronáutica, o ministério da Defesa, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação ou o Ministério da Educação", diz o autor na página 38 do exemplar entregue em mãos aos dirigentes do PSB.

No resumo de suas experiências apresentado ao partido no momento da filiação, enumera características pessoais como competência, disciplina, sensatez e carisma, todas associadas à "sua grande popularidade".

Correio Braziliense

Negociatas em alta no Congresso

A correria desenfreada e o balcão de troca-troca montado no Congresso às vésperas do término do prazo de filiações provocou algumas mudanças na radiografia do parlamento que poderão alterar o equilíbrio de forças do governo e as perspectivas eleitorais dos principais postulantes ao Palácio do Planalto no ano que vem. Embora ainda continue com maioria no Congresso, Dilma viu a base de apoio encolher para algo próximo dos 350 deputados, número pouco maior que o necessário para aprovar emendas constitucionais (308).

Dilma viu escorrer por entre os dedos os 22 deputados do PSB, que passarão a apoiar a candidatura de Eduardo Campos para o Planalto em 2014. Além disso, não tem certeza do apoio dos 19 parlamentares do PDT, já que o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, está conversando com diversos presidenciáveis. Mesmo tendo o controle sobre o Ministério do Trabalho, o pedetista deixa a porta aberta para apoiar o tucano Aécio Neves (PSDB-MG) ou o socialista Eduardo Campos (PSB-PE).

Mesmo assim, a base de Dilma ainda é quatro vezes maior que uma eventual coalizão em torno do candidato tucano e 10 vezes superior aos aliados do governador de Pernambuco. O Planalto tentou compensar algumas perdas trabalhando intensamente para inflar o Partido Republicano da Ordem Social (Pros). Criado sob as bênçãos de diversos ministros, como a titular das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel. "O governo tem todas as digitais no Pros", assegurou um petista que fechou aliança com a nova legenda para concorrer ao governo estadual no ano que vem.

Para tentar aumentar o poder de fogo do Executivo Federal, Ideli convidou na semana que passou o presidente do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, para uma conversa no 4º andar do Palácio do Planalto. Assegurou que os parlamentares da legenda — que já anunciou que apoiará o tucano Aécio Neves no pleito presidencial, não perderiam os cargos que têm no governo, já que boa parte deles integrava a coalizão governista antes da criação do partido. Paulinho se sentiu usado e disse ter se arrependido de ter comparecido à reunião.

Uma juíza de olho no Senado pela Bahia

Convidada por cinco partidos para disputar às eleições de 2014, a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon diz estar disposta a se candidatar a uma vaga no Senado.

Em uma entrevista de mais de uma hora ao Correio, a magistrada que ficou conhecida por combater "juízes de toga", quando exerceu a função de corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), demonstrou que tem estudado os cenários políticos na Bahia e, embora não tenha escolhido uma legenda, já elegeu o PT como adversário. Ela teme, no entanto, diante de alianças partidárias, não conseguir espaço por conta da concorrência "com estrelas de primeira grandeza". Eliana diz não estar preparada para cargos no Executivo, só no Legislativo, mas não quer a Câmara: "No Senado eu sei o que eu faria", afirma. A ministra critica a decisão do STF de possibilitar novo julgamento para réus do mensalão e opina que Marina Silva não conseguiu o registro da Rede Sustentabilidade por "excesso de zelo" na fase de coleta de assinaturas. Sobre Dilma Rousseff, elogiou a postura firme, mas fez uma ressalva.

Como a senhora vê o excesso de partidos no país?
Fico muito preocupada, porque, na realidade, o que tenho observado é que os partidos não têm ideologia, não têm plataforma política. Quando você não tem freios, termina havendo esta grande confusão. Ou seja, uma série de partidos que não têm razão de ser porque pegam velhas figuras para aquecer. Vejo com preocupação esse partidarismo exacerbado. Não têm representatividade efetiva. É um oportunismo muito grande.

E o partido da Marina Silva (que não foi aprovado)?
Não. A Rede seria diferente. A Rede é dos sonhadores. Ela terminou sendo prejudicada talvez pelo excesso de zelo que teve, porque, no início, não permitia que certas pessoas quisessem assinar como pertencentes ao partido. Ela queria fazer um partido diferente de tudo o que está aí. Selecionou muito. E a partir dessa seleção, deixou escapar.

Filiação de Marina fortalece Rollemberg

A entrada de Marina Silva no PSB deixou a corrida eleitoral ao Palácio do Buriti ainda mais disputada. A filiação vai inflar a candidatura do senador Rodrigo Rollemberg, que já articula uma aliança com o PDT, de José Antônio Reguffe. O deputado federal, um dos principais apoiadores de Marina durante o processo de criação da Rede Sustentabilidade, não descarta também concorrer ao governo, mas pode ser candidato ao Senado ao lado de Rollemberg. A ex-senadora teve mais de 610 mil votos em 2010 e terminou a disputa em primeiro lugar na capital federal. Por isso, a presença de Marina nos palanques do DF pode ser decisiva no pleito do ano que vem.

O fim do prazo para filiações partidárias deixou mais claro o cenário político do DF. O governador Agnelo Queiroz praticamente fechou a repetição da dobradinha com o PMDB do vice, Tadeu Filippelli, e deve ter ao seu lado em 2014 representantes de legendas pequenas, como PPL, PV e PTC. A filiação do ex-governador José Roberto Arruda ao PR e de Joaquim Roriz ao PRTB, partido comandado no DF pelo ex-senador Luiz Estevão, indica a formação de uma frente com perfil de direita, com aliança com outras legendas como DEM e PSDB. Completa a corrida eleitoral o grupo formado pelo PSB e PDT.

Arruda fecha com o PR

Ontem, o Partido da República (PR) bateu o martelo e oficializou afiliação do ex-governador José Roberto Arruda, como era esperado no bastidor político durante a última semana. A ficha de filiação estava assinada desde a quarta-feira, mas só foi tornada pública na tarde deste sábado. O presidente regional da sigla, Salvador Bispo, defendeu o ingresso do ex-governador como meio de fortalecer o quadro eleitoral da legenda no âmbito local, "já que Arruda é um nome forte e traz maior representatividade ao PR."

Segundo Bispo, o futuro político do ex-governador ainda não está definido. "Se ele quiser ser candidato, precisa estar filiado. Por isso, seu ingresso no partido é apenas a primeira etapa de um possível projeto futuro", defendeu. Nesse cenário, mesmo que Arruda não saia candidato, sua presença em um partido poderá fortalecer uma chapa de direita em oposição ao governo. Pelos cálculos da legenda, o PR poderá viabilizar até quatro distritais e dois federais.

Segundo turno à vista

Especialistas afirmam que a dobradinha Marina-Eduardo praticamente acaba com as chances de a presidente Dilma Rousseff ser reeleita em primeiro turno e deixará a disputa acirrada.

Para o cientista político Paulo Kramer, a decisão de Marina pegou todos de surpresa. "Nem ela (a Dilma), nem os outros esperavam uma resposta tão eficaz. Marina se aliou ao partido de um candidato em ascensão e leva mais votos, porque os dois são convergentes". O cientista político João Paulo Peixoto concorda que a ação fragiliza Dilma. "Os dois juntos são uma força considerável."

Já para o presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG), a tendência, segundo Pinheiro, será fortalecer a oposição para conseguir se sobrepor. "Aécio terá de apresentar propostas que fujam do viés centro esquerda se não ele não consegue se diferenciar", diz.

Também nos jornais de hoje os seguintes assuntos publicados ontem pelo Congresso em Foco:

Marina e Campos se unem contra “falsa polarização”

Marina e Eduardo Campos anunciam aliança para 2014

Marina se filiar ao PSB é um “grande equívoco”, diz Freire

Para Aécio, entrada de Marina no PSB é resposta ao PT

Em conversa com o PPS, Marina se aproxima do PSB

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