Nos jornais: jornalista diz que recebeu R$ 40 mil em dinheiro de Perillo

Responsável desde 1998 pelas campanhas eleitorais de rádio do governador de Goiás afirma ter recebido valor das mãos do tucano, como primeira parcela dos serviços que prestou na campanha de 2010. Governador diz que relato é "descabido", informa O Estado de S. Paulo

O Estado de S. Paulo

Jornalista diz que recebeu R$ 40 mil em dinheiro de Perillo

O jornalista Luiz Carlos Bordoni, responsável desde 1998 pelas campanhas eleitorais de rádio do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), afirma ter recebido R$ 40 mil em dinheiro das mãos do tucano, como primeira parcela dos serviços que prestou na campanha de 2010. O pagamento, segundo ele, foi feito pouco antes do início do horário eleitoral, no escritório político do governador, em Goiânia. Perillo nega.

Bordoni sustenta que ao menos três pessoas o viram entrar no gabinete de Perillo: uma secretária, um prefeito e um advogado do então candidato. "O primeiro pagamento foi feito por ele antes mesmo de começar o horário eleitoral", declarou Bordoni, em sua terceira entrevista ao Estado. "O Marconi me chamou pra uma sala do fundo, uma pequena divisória atrás do gabinete dele, da mesa dele, e me passou R$ 40 mil em dinheiro. Foi o primeiro pagamento."

O jornalista diz que Perillo retirou um envelope de dentro de um refrigerador desligado. Dentro, havia outros quatro menores, cada um com R$ 10 mil.

"Por incrível que pareça, ele tirou de dentro de um frigobar que estava lá. Na parte posterior da mesa dele tem uma divisória que tem uns quadros, fotografias dele, e, atrás dessas divisórias, uma pequena copa. Tinha um frigobar que ele abriu e tirou um pacote, um envelope para mim. Só podia estar desligado, pois o dinheiro não estava gelado."

Leia ainda: Perillo mais enrolado que Agnelo na CPI do Cachoeira

Governo classifica relato como 'descabido'

A assessoria do governador Marconi Perillo (PSDB) afirmou, em nota, que o tucano "sempre recebeu jornalistas em seu escritório, entre eles o sr. Luiz Carlos Bordoni" e que "os temas das conversas sempre se referiam aos temas políticos da época", mas afirmou que o pagamento relatado por Bordoni é "descabido".

A nota diz ainda que "o governador jamais fez e não faz pagamentos a quem quer que seja". O governo de Goiás explica que no escritório político "não existia copa, apenas uma cozinha, que se situava distante da sala usada pelo governador". Em outro trecho, afirma que "na sala de despachos do governador não havia frigobar".

A nota sustenta também que Jayme Rincón, então tesoureiro de Perillo e hoje presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), "jamais fez qualquer tipo de pagamento ao sr. Bordoni".

Delta tenta evitar falência e se diz vítima de "bullying"

A Delta Construções anunciou, no início da noite de ontem, que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio de Janeiro. A medida é um recurso usado por empresas em dificuldades financeiras para evitar a falência. Em nota de sua assessoria de imprensa, a construtora diz ser vítima de "uma espécie de bullying empresarial".

Principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Delta é alvo de denúncias nos últimos três meses, desde que a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, revelou ligações entre diretores da construtora e o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Na sexta-feira, a holding J&F anunciou que havia desistido de comprar a empresa de Fernando Cavendish alegando "crise de confiança e credibilidade". A Delta é alvo da CPI do Cachoeira no Congresso Nacional, tem executivos investigados pela PF e pode ser considerada inidônea pela Controladoria-Geral da União (CGU) - o que a impediria de participar de novas licitações do poder público.

Isolamento de Haddad alerta PT em SP e Lula age para enquadrar Marta

No dia em que o PR anunciou apoio ao candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em cena para tirar a campanha de Fernando Haddad (PT) do isolamento. Irritado com a senadora Marta Suplicy (SP), que boicotou o ato de lançamento de Haddad, no sábado, Lula escalou o presidente do PT, Rui Falcão, para enquadrar a petista e determinou "intervenção branca" do partido para impor a candidatura do senador Humberto Costa no Recife.

A solução do impasse na capital pernambucana é agora a única condição imposta pelo PSB para anunciar o apoio a Haddad.

Lula tentou amenizar ontem o aval do PR a Serra, mas acusou o golpe e intensificou os esforços para acelerar a adesão de PSB e PC do B a Haddad. "É um pouco estranho o apoio do PR a Serra porque o partido está no governo federal", provocou Lula. Desde julho, porém, quando Alfredo Nascimento foi defenestrado do Ministério dos Transportes, o partido vive às turras com a presidente Dilma Rousseff.

Candidato afirma que ausência 'não gerou mágoa'

O petista Fernando Haddad afirmou ontem que a ausência de Marta Suplicy ao evento de lançamento de sua candidatura, no sábado, "não gerou mágoas" e que ele já procurou a senadora para conversar sobre seu apoio na campanha. Em nota, Marta alegou "motivos pessoais" para não ter comparecido ao encontro.

PR é a quarta sigla a se aliar ao PSDB na campanha paulistana

Enquanto soa o sinal de alerta na pré-campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo, que vem enfrentando dificuldades de costurar alianças, o PSDB comemora o apoio do PR, anunciado ontem. A sigla é a quarta a se juntar ao pré-candidato tucano José Serra, que já tem ao seu lado PSD, DEM e PV.

Para Serra, mais do que tempo de televisão e presença de vereadores na Câmara Municipal, o PR agrega à sua chapa o peso da bancada. "São vereadores que têm voto, isso é muito importante em uma eleição. Um dos vereadores foi presidente da Câmara durante quatro anos. Então, é uma bancada de peso."

Serra terá 27% do tempo de TV; petista, até 20%

Com o leilão das coligações praticamente definido, o tucano José Serra terá o maior tempo de propaganda no rádio e na televisão durante a disputa pela Prefeitura de São Paulo.

Serra conquistou o apoio do PR e ampliou sua aliança, que já incluía PSDB, DEM, PP, PV e PSD. Com isso, terá 27% do tempo no horário eleitoral e também das inserções de 30 segundos distribuídas ao longo da programação das emissoras.

Já o petista Fernando Haddad ainda negocia uma coligação com o PC do B e o PSB, o que lhe dará, no máximo, cerca de 20% do espaço de propaganda. Ele deve ter direito a 17 inserções por semana, 6 a menos que Serra.

Irmão de Demóstenes é investigado por conselho

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) vai investigar o envolvimento do procurador-geral de Goiás, Benedito Torres, irmão do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO), com o grupo comandado por Carlinhos Cachoeira.

A portaria foi publicada no último dia 29. O corregedor nacional do MP, Jeferson Luiz Pereira Coelho, entendeu, após analisar a reclamação disciplinar, que havia elementos suficientes para instaurar uma sindicância e aprofundar as apurações. Segundo o CNMP, a investigação apura se houve tráfico de influência.

Coelho também vai acompanhar os desdobramentos da representação encaminhada por promotores à Corregedoria do MP goiano sobre um suposto esquema de espionagem montado no órgão. Conforme revelou ontem o Estado, membros do Ministério Público denunciaram que um programa de computador oculto permitia acesso livre e irrestritos às máquinas.

Promotores que atuam no combate ao crime organizado e nas investigações relacionadas à Delta Construções em Goiás foram alvo do software espião.

Justiça solta Dadá, mas mantém Cachoeira preso

Tido como braço direito do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, convenceu a Justiça a soltá-lo. Desembargadores do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região concederam-lhe ontem habeas corpus, porém sob algumas condições, como comparecer na Justiça sempre que necessário, além da proibição de manter contato com pessoas e empresas suspeitas de envolvimento no esquema. Ele também terá de pedir autorização judicial caso viaje. Cachoeira deve continuar preso, conforme o TRF.

Governistas e oposição evitam convocar Pagot

Apontado como um "fio desencapado" tanto pelos aliados como pela oposição, o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot transformou-se, aparentemente, em persona non grata na CPI do Cachoeira. Cerca de 20 requerimentos de convocação de Pagot estão parados na CPI à espera de votação. E a tendência é que não saiam tão cedo da gaveta.

"Temos que conversar com os líderes para ver se há consenso em torno da convocação do Pagot", argumentou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que assumirá nesta semana a presidência da CPI. O presidente efetivo, Vital do Rêgo (PMDB-PB), está de licença médica.

Diante do "corpo mole" para aprovar a convocação de Pagot, o senador Pedro Taques (PDT-MT) anunciou ontem que vai entrar com representação na Procuradoria da República do Distrito Federal para que o ex-diretor do Dnit seja ouvido pelos procuradores. "O Pagot está desesperado para falar. Dizem que ele é um fio desencapado, então, que ele fale", afirmou Taques. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) discorda e defende que a CPI se dedique agora a analisar os dados com as quebras de sigilo de envolvidos com o esquema ilegal de Carlinhos Cachoeira.

Cruzeiro do Sul tinha consignados fictícios

A contabilidade do banco Cruzeiro do Sul está contaminada com pelo menos 300 mil créditos consignados fictícios para esconder prejuízos acumulados pela instituição. Por isso, o rombo no banco pode ser maior do que o R$ 1,3 bilhão estimado inicialmente pelo Banco Central (BC).

Foi esse receio que fez o BTG Pactual, de André Esteves, desistir de comprar a instituição, que ontem sofreu intervenção do BC, como antecipou o Estado. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC), nomeado pelo BC administrador do Cruzeiro do Sul a partir de ontem, contratou a PriceWaterhouseCoopers para apurar o tamanho real do rombo.

Apesar da intervenção, o objetivo do BC e do FGC é encontrar uma solução de mercado para o Cruzeiro do Sul. Em outras palavras, se o tamanho do buraco permitir, vendê-lo para outro banco. A alternativa é a liquidação pelo Banco Central, saída que tem sido evitada pelo governo brasileiro nos últimos anos.

O Globo

Congresso desafia Dilma com 620 emendas a Código Florestal

Numa clara demostração de que não estão satisfeitos com os vetos nem com a medida provisória editada pela presidente Dilma Rousseff para substituir o texto aprovado na Câmara sobre o Código Florestal, deputados e senadores apresentaram ontem uma enxurrada de emendas à MP. Às 20h30m, quando se encerrou o prazo para apresentação de propostas de alteração, a assessoria do Congresso havia registrado mais de 620 emendas.

Hoje recomeça mais um round. A comissão mista que vai analisar a admissibilidade da MP será instalada e o relator, senador Luiz Henrique (PMDB-SC), deve anunciar um cronograma de trabalho, com a tentativa de impor um rito sumário para agilizar a votação. A ideia do relator é aceitar o mínimo de emendas possível, para construir, já na comissão, um texto de consenso antes da Rio+20.

- Tem emenda de toda sorte, mas a ideia é olhar com lupa e evitar o máximo possível de emendas para não reabrir todas as polêmicas e voltar a estaca zero. Aceitar só emendas que venham a aperfeiçoar, para fazer algum ajuste que não foi conseguido. Se abrir tudo de novo, será o melhor jeito de não ter solução. Devemos ter um cronograma com rito sumário, o Luiz Henrique apresentar o relatório na próxima semana e votar o mais rápido possível - disse o senador Jorge Viana (PT-AC), que deve auxiliar o relator na comissão mista.

Governo cria seis reservas indígenas

A oito dias do começo da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a presidente Dilma Rousseff anuncia hoje, Dia Mundial do Meio Ambiente, um pacote ambiental com medidas que incluem a criação de reservas extrativistas, homologação de terras indígenas e um decreto que leva em conta a sustentabilidade dos fornecedores quando o governo for às compras.

O governo vai anunciar a criação de pelo menos duas reservas extrativistas e seis reservas indígenas. A medida rompe com um longo período sem a criação de unidades de conservação. Em abril, o GLOBO mostrou que o governo Dilma não criou até hoje um hectare de área protegida, embora, só no ano passado ,o Ministério do Meio Ambiente tenha concluído estudos para que 12 novas unidades de conservação federais fossem criadas. Na Casa Civil, há nove propostas de área ambiental para criar ou ampliar unidades. Além disso, a homologação de terras indígenas também vem tendo dificuldades para sair do papel.

Descartada pela J&F, Delta vai à Justiça contra 'bullying empresarial'

A juíza Maria Isabel Paes Gonçalves, da 5 Vara Empresarial do Rio de Janeiro, vai decidir nos próximos dias se recebe a ação de recuperação judicial ajuizada ontem pela Delta Construções e outras quatro empresas do grupo. Uma decisão favorável suspenderá, por seis meses, todas as execuções judiciais contra o grupo. Em nota divulgada para explicar a iniciativa, a Delta alegou que "o envolvimento de alguns de seus executivos em supostos atos ilícitos, que estão sendo investigados judicialmente, tem levado a empresa a sofrer uma espécie de bullying empresarial".

Antes de decidir sobre pedidos de recuperação judicial, antiga concordata, os juízes geralmente ouvem o Ministério Público. Essa etapa demora pelo menos uma semana. Na nota, a Delta não revelou detalhes do pedido, mas a legislação permite que a empresa peça ao juiz a liberação de créditos retidos em instituições financeiras, dados como garantia de dívidas, e a autorização para venda de bens hipotecados.

Cabral: contratos no Rio serão mantidos

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse ontem, durante a inauguração de uma biblioteca na Rocinha, que a saída definitiva da Delta do consórcio de empresas que fazem as obras do Maracanã não vai atrasar o cronograma previsto. Segundo Cabral, as duas empresas que ficaram no consórcio (Odebrecht e Andrade Gutierrez) vão terminar tudo a tempo da Copa das Confederações, em junho do ano que vem. Além disso, o governador afirmou que nenhum outro contrato da empreiteira com o governo do estado será interrompido. Desde 2007, a Delta tem contratos de pelo menos R$ 1,5 bilhão com a administração fluminense.

A Delta, empresa número 1 do PAC, é acusada de corrupção e está envolvida na CPMI do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Na última sexta-feira, a J&F Holding anunciou a desistência da compra da construtora alegando "crise de confiança". A J&F havia assumido a Delta há menos de um mês.

Delta consegue aditivos e contratos com o Dnit

Enquanto a Controladoria Geral da União (CGU) avalia a idoneidade da Delta Construções - envolvida no escândalo do bicheiro Carlinhos Cachoeira -, a empresa tem conseguido aditivos em contratos mantidos com seu maior cliente federal, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Só neste ano, a Delta conseguiu R$ 33,5 milhões em aditivos junto ao Dnit, sendo R$ 11,9 milhões obtidos após a abertura, em 24 de abril, pela CGU, do processo de avaliação da idoneidade da empreiteira. A empresa também teve um contrato de R$ 30,9 milhões homologado após esta data.

Ainda em abril, depois do início da avaliação pela CGU, foram aprovados aditivos de R$ 5,6 milhões para obra em um trecho da BR-316, que liga Pará e Alagoas, e de R$ 2,4 milhões para a BR-364, que vai de São Paulo ao Acre.

Radialista volta a complicar Perillo

O radialista Luiz Carlos Bordoni voltou a fazer denúncias contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Ontem, ele disse que recebeu R$ 40 mil em espécie das mãos do governador durante a campanha eleitoral de 2010. Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", o radialista sustenta que o pagamento foi feito antes do início da propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV.

Pelo menos três pessoas teriam presenciado a chegada dele ao escritório de Perillo, em Goiânia, onde teria recebido o dinheiro.

Na semana passada, a assessoria de Perillo divulgou nota com explicações sobre a relação da campanha do governador com Bordoni: "O referido locutor foi contratado, por meio da agência Art Midi-Me, pelo comitê de campanha do PSDB para prestar serviços de gravação de áudio pelo valor de R$ 33.300, compatível com valores praticados pelo mercado". Ontem, também em nota, o governo considerou que o pagamento relatado por Bordoni é "assunto descabido".

- O primeiro pagamento foi feito por ele antes mesmo de começar o horário eleitoral. O Marconi me chamou em uma sala do fundo, uma pequena divisória atrás do gabinete dele, da mesa dele, e me passou R$ 40 mil em dinheiro. Foi o primeiro pagamento - disse o radialista ao "O Estado de S.Paulo".

Justiça solta Dadá, braço-direito de Cachoeira

Por três votos a zero, a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília, concedeu ontem habeas corpus ao ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. Ele foi preso em 29 de fevereiro, na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, acusado de instalar escutas ilegais para atender a interesses do contraventor Carlinhos Cachoeira. Agora, Dadá vai responder em liberdade à ação penal referente à suposta participação nas ilegalidades de Cachoeira.

Apesar de ter concedido o habeas corpus, o tribunal proibiu o réu de manter contato com as pessoas denunciadas no mesmo processo e com as empresas mencionadas nos autos até o encerramento da instrução criminal. Ele também está proibido de deixar Brasília, onde mora, sem autorização da Justiça. O TRF também condicionou a liberdade ao "termo de compromisso de comparecimento a todos os atos do processo". Se ele violar alguma das condições, poderá voltar à prisão.

Grupo pressiona Sarney por voto aberto

Com o processo de cassação contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) em tramitação no Senado, um grupo de senadores reforçou ontem o movimento pelo fim do voto secreto em caso de perda de mandato, pressionando o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), a colocar em pauta a chamada PEC do Voto Aberto. A proposta de emenda constitucional acaba com o voto secreto para cassação. Como dificilmente ela será aprovada a tempo de valer para o caso Demóstenes, esses senadores aguardam manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de divulgarem seus votos no caso do senador goiano, sem risco de anulação do julgamento. A consulta foi feita pelo senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

O senador Pedro Taques (PDT-MT) defende a tese de que a Constituição estabelece o voto secreto para proteger o senador que está votando. Se ele não sente necessidade de ser protegido de eventual constrangimento ou ameaça, poderia abrir seu voto, que é o que pretende fazer.

CPI tenta esclarecer venda de casa

A CPI do Cachoeira recebe hoje o professor Walter Paulo Santiago, que comprou em 13 de julho de 2011, por meio de uma empresa com capital social de R$ 20 mil, a casa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), na qual o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso em 29 de fevereiro do ano passado. Os integrantes da CPI esperam que Walter Paulo possa esclarecer se Marconi recebeu duas vezes pela mesma venda e como a empresa, na qual ele nem aparece como sócio, conseguiu pagar os R$ 1,4 milhão do valor declarado do imóvel.

A CPI também ouvirá a ex-chefe de gabinete de Perillo, Eliane Gonçalves Pinheiro, flagrada em conversas telefônicas, nas quais Cachoeira a informa sobre uma ação da Polícia Federal em Goiás. Os sócios da Mestra Administração, em nome da qual está a casa que era do governador, também serão ouvidos. Écio Antonio Ribeiro, que aparece formalmente como sócio da Mestra, declarou em seu Imposto de Renda de 2010, disponível na Junta Comercial de Goiás, que teve rendimentos de apenas R$ 17.265 naquele ano. A outra sócia é Sejana Martins. O professor Walter Paulo afirma que é conselheiro administrativo da Mestra, embora seu nome não apareça na Junta Comercial, apenas em um documento de 17 de dezembro de 2010, cujas firmas só foram reconhecidas em 21 de maio deste ano.

Brasileiros são bem-vindos na Espanha, diz rei

 Ao lado da presidente Dilma Rousseff, o rei Juan Carlos I, da Espanha, disse ontem que todas dificuldades enfrentadas pelos cidadãos brasileiros ao entrar em seu país serão resolvidas. Ele fez essa declaração momentos depois de Dilma ter mencionado o problema em seu discurso, durante almoço oferecido por ela no Itamaraty.

- Os cidadãos brasileiros são muito bem-vindos na Espanha. Nosso país é um dos mais visitados pelos nossos amigos brasileiros. Sabemos que algumas questões foram colocadas nos últimos anos, mas as autoridades competentes estão agilizando medidas para facilitar a entrada de cidadãos brasileiros - disse o rei, que falou em português no início e no fim de seu discurso.

O encontro de Dilma com o rei ocorreu em meio a negociações diplomáticas para tentar resolver os problemas enfrentados por brasileiros que viajam para a Espanha e são impedidos de entrar no país. A maioria dos casos foi registrada no aeroporto internacional de Barajas, em Madri, onde brasileiros são detidos e deportados. Embora o rei tenha manifestado entusiasmo na solução do conflito, uma fonte do governo brasileiro relatou que ele lembrou na conversa que não pode intervir em questões internas, como a migratória, mas acredita que o impasse será solucionado.

PR anuncia apoio a Serra em SP e dá troco no PT

Com as relações com o PT estremecidas, o PR anunciou ontem apoio ao pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra. Ao lado do senador Alfredo Nascimento (AM), que deixou o Ministério dos Transportes após denúncias de corrupção, e do deputado Tiririca (SP), Serra fez um discurso em defesa da ética na política.

- Todos me conhecem bastante. Todos sabem do meu estilo, da forma que eu escolhi na vida pública para trabalhar. Todos que estão escolhendo nos apoiar estão se somando a isso. Temos um programa para a cidade.

Até a semana passada, o comando da campanha do petista Fernando Haddad ainda tinha esperança de fechar aliança com o PR, que pertence à base aliada da presidente Dilma Rousseff. O acordo esteve muito próximo em março, mas a turbulência nas relações do partido com Dilma emperrou as conversas. Haddad ainda não anunciou alianças. Restam o PSB e o PCdoB.

'Impedimento de caráter privado'

 Com uma nota de duas linhas, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) justificou não ter ido à festa de lançamento da candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo por causa de um "impedimento de caráter privado". O comunicado foi apresentado apenas à imprensa. O partido e o candidato não foram procurados por ela, até o final da tarde de ontem.

Apesar de a nota não ter detalhado os motivos da ausência, os petistas tentaram ontem esfriar a crise. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal responsável por fazer Marta desistir de disputar a prefeitura de São Paulo , minimizou a ausência dela:

- Deve ter tido alguma problema com a Marta. A Marta não é de falhar.

Lula disse crer que o PT poderá contar com a senadora.

- Quantas vezes eu não participei de alguma coisa? Nem por isso eu não participo da campanha. A Marta vai participar com o mesmo carinho com a mesma força que eu vou participar - afirmou o ex-presidente, depois de tomar vacina contra a gripe, em São Bernardo.

Folha de S. Paulo

Principal alvo da 'faxina' de Dilma, PR se alia a Serra

Alvo do expurgo feito pela presidente Dilma Rousseff no Ministério dos Transportes no ano passado, o PR formalizou ontem o apoio à candidatura de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo nas eleições deste ano.

A aliança impõe uma derrota significativa ao PT, que ainda não assegurou o apoio de nenhum partido para a candidatura do ex-ministro da Educação Fernando Haddad e queria o PR a seu lado.

O apoio do partido dará a Serra cerca de um minuto e meio na propaganda eleitoral, garantindo aos tucanos um bloco de tempo maior do que o de Haddad, que Serra vê como principal adversário.

Com o apoio de DEM, PV, PSD, PR e PP, que anunciará a aliança ao PSDB na semana que vem, o tucano terá cerca de oito minutos no horário eleitoral gratuito.

Sigla quis trocar apoio por cargo, diz Haddad

O pré-candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse ontem que o PR pediu a substituição do ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, em troca do apoio à sua campanha.

Segundo o petista, o partido se aliou ao adversário José Serra (PSDB) porque a presidente Dilma Rousseff se recusou a ceder à pressão, o que ele defendeu.

"O PR resolveu nacionalizar um debate local e fazer de São Paulo uma moeda de troca para negociar na esfera federal", disse Haddad.

"A presidente já havia deixado claro que não faria isso. (...) A decisão estava tomada e não cabia a nós contestar."

O pré-candidato do PT sugeriu que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) ofereceram cargos em troca do apoio a Serra. "Se os governos locais encontraram outra solução para o problema, não é da nossa alçada", disse.

Após críticas, PT muda tom e diz esperar Marta em SP

Depois de deixar clara a insatisfação com Marta Suplicy, que boicotou o ato de lançamento da campanha de Fernando Haddad no sábado, o PT mudou o tom e adotou discurso diplomático para tentar convencê-la a ajudar seu pré-candidato em São Paulo.

Ontem, o ex-presidente Lula, o presidente nacional do partido, Rui Falcão, e o próprio Haddad elogiaram a senadora e disseram ainda esperar seu apoio na eleição.

"A Marta vai participar com o mesmo carinho, a mesma força com que eu vou", disse Lula, em aparição ao lado do prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), que tentará a reeleição.

O ex-presidente tomou vacina contra a gripe em posto de saúde recém-inaugurado pelo aliado no ABC.

Laudo sobre Cachoeira vai levar 2 meses, diz Cardozo

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ontem que ainda vai demorar dois meses até que a Polícia Federal conclua os laudos sobre o material apreendido em fevereiro durante as operações que investigam o empresário Carlinhos Cachoeira.

Em entrevista à Folha e ao UOL, o ministro afirmou que os laudos estão sendo elaborados em sigilo pelo setor de perícia da PF.

Quando estiverem prontos, eles serão remetidos ao Ministério Público. Só em seguida que o material poderá ser requerido pela CPI do Cachoeira, que investiga as relações do empresário.

Numa hipótese realista, os congressistas terão acesso a essas análises na segunda quinzena de agosto -quando faltará menos de dois meses para as eleições.

Justiça concede liberdade a operador de empresário

Em decisão unânime proferida ontem, o TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região (Brasília) mandou soltar o sargento da reserva da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá.

Ele é apontado pela Polícia Federal como um dos arapongas que trabalhavam para Carlinhos Cachoeira e foi preso em fevereiro na Operação Monte Carlo, que investiga a exploração de jogos ilegais em Goiás e no DF.

O TRF determinou que, para ficar em liberdade, Dadá terá que comparecer a todos os atos do processo, não ter contato com pessoas envolvidas nas investigações e não se ausentar de Brasília sem autorização. Caso alguma das condições seja descumprida, ele voltará à prisão.

Jornalista diz ter recebido R$ 40 mil de Perillo

O jornalista Luiz Carlos Bordoni afirmou ontem ter recebido um pagamento de R$ 40 mil, em dinheiro vivo, das mãos do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Bordoni diz que a quantia saiu de uma empresa do grupo de Carlinhos Cachoeira e se refere à primeira parcela do pagamento por serviços que ele prestou na campanha do tucano ao governo de Goiás, em 2010.

"Em dinheiro. Das mãos dele [Marconi Perillo, no escritório político dele em Goiânia]", afirmou o jornalista, em entrevista ao "Jornal do SBT". "Não sei se ele declarou, só sei que eu recebi."

O governador de Goiás é alvo da CPI do Cachoeira, que investiga sua relação e a de seu governo com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro sob acusação de liderar um esquema de corrupção e de exploração de jogos ilegais.

CNJ decide processo contra ministro do TST

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) decide hoje se abre processo disciplinar contra o ministro Emmanoel Pereira, do Tribunal Superior do Trabalho, acusado de ter mantido um servidor fantasma em seu gabinete.

Quem defende o ministro é seu filho, Emmanoel Campelo de Souza Pereira, advogado indicado em dezembro pela Câmara dos Deputados para o colegiado do CNJ.

Sua nomeação ainda não foi feita pela presidente Dilma Roussef.

Campelo também defende o pai no Supremo Tribunal Federal, onde tramita inquérito sobre os mesmos fatos.

Segundo o Ministério Público Federal, o servidor Francisco Pereira dos Santos Júnior não trabalhava no gabinete do ministro e, além disso, passou-se por servidor da Câmara Municipal de Macaíba (RN) como forma de possibilitar sua requisição para exercer função comissionada no gabinete do ministro do TST.

Contra a crise, Dilma cobra ação de países europeus

A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que a retomada do crescimento mundial não pode depender apenas dos países emergentes, como o Brasil.

Em discurso durante a recepção ao rei da Espanha, Juan Carlos 1º, no Itamaraty, Dilma aproveitou para cobrar uma ação conjunta entre todos os "grandes atores da economia".

"A retomada do crescimento em nível global não pode depender apenas de medidas adotadas pelos países emergentes. Em um momento de crise é fundamental insistir em uma ação coordenada e solidária entre todos os grandes atores da economia mundial, em especial uma ação coordenada e solidária entre os próprios países da Europa. Será esta a mensagem que o Brasil levara à próxima cúpula do G20", afirmou.

Ministro nega fim de aluguel de tempo em TV

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, negou ontem que o decreto que criará novas regras às concessões de rádio e TV irá proibir o aluguel de horários na programação das emissoras.

A intenção do governo federal de proibir esse tipo de aluguel foi revelada anteontem pela Folha. Em nota, o Ministério das Comunicações negou que o assunto fizesse parte de uma proposta de decreto, mas o documento obtido pela reportagem é claro.

Um dos artigos do texto diz que "é vedada a cessão ou arrendamento, total ou parcial, da outorga de serviço de radiodifusão".

Ontem, durante um evento no Rio de Janeiro, Paulo Bernardo afirmou que a medida só poderia ser tomada por lei, mas não informou se o governo tomará a iniciativa de preparar um projeto específico para o assunto.

Correio Braziliense

Solto o espião que grampeou a República

O guardião dos segredos mais sujos da "caixa preta" do esquema de Carlinhos Cachoeira, o sargento reformado da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, ganhou liberdade ontem à noite após 96 dias preso no VI Comando Aéreo Regional (Comar). Principal espião da quadrilha do bicheiro, o homem que grampeou a República foi beneficiado por habeas corpus concedido, na tarde de ontem, pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, composta por três desembargadores.

A decisão que colocou na rua um dos integrantes mais próximos do contraventor foi unânime e levou em conta o fato de o sargento reformado da Aeronáutica não representar ameaça a ordem pública, conforme destacou o desembargador federal Fernando Tourinho Neto. O magistrado alegou que não havia razões para que o suspeito continuasse preso preventivamente.

Quatro depoimentos hoje na CPI

A CPI do Cachoeira voltará a se reunir hoje com quatro depoimentos previstos em pauta.

O mais esperado deles, no entanto, corre o risco de ser cancelado antes do início da sessão: Eliane Pinheiro, ex-chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo, conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal para ficar em silêncio na comissão.

Eliane é acusada de ter recebido de presente um aparelho de telefone do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que a repassaria informações sobre operações da Polícia Federal.

Além de Eliane, a CPI convidou Walter Paulo Santiago, proprietário legal da casa onde Cachoeira morava quando acabou preso pela Polícia Federal, em 29 de fevereiro. De acordo com a PF, o imóvel pertencia ao governador de Goiás, que o vendeu para o bicheiro. A casa, porém, teria sido registrada em nome de uma empresa de Santiago para não levantar suspeitas sobre Cachoeira. Ele também é suspeito de ser o dono de uma universidade que recebia verbas do governo de Goiás.

Em defesa do voto aberto

Diante da cruzada empreendida pelo senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) para arregimentar parlamentares com o objetivo de salvar o mandato, cresceu ontem no plenário do Senado a defesa do voto aberto. Um bloco de senadores iniciou movimento para que seja apreciada a proposta de emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim do voto secreto. Nos corredores da Casa, circula a informação de que o parlamentar goiano já teria garantido 32 votos a seu favor. A estratégia para tentar anular a movimentação de Demóstenes é não votar nenhuma matéria até que seja apreciada a PEC nº 38/2004, de autoria do então senador e atual governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDBRJ), e relatada por Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), presidente do Conselho de Ética.

De volta à Câmara

Os secretários de Governo, Paulo Tadeu, e deHabitação, GeraldoMagela, voltam à Câmara dos Deputados a partir de hoje para reforçar a base de apoio ao governador Agnelo Queiroz (PT) no Congresso. Na quarta-feira da semana que vem, Agnelo vai falar à CPI de Cachoeira.O apoio que o governador do DF não teve para evitar a convocação que o pegou de surpresa, agora espera reunir em prol de sua participação na sessão do próximo dia 13.

O retorno dos dois deputados federais a seus postos de origem no Legislativo está publicado no Diário Oficial do DF de hoje. E a previsão é de que fiquem licenciados do Executivo até, pelo menos, o segundo semestre. Com a volta de Magela e de Paulo Tadeu para os mandatos, os suplentes Augusto Carvalho (PPS) e o presidente do PT no DF, Roberto Policarpo,  perdemos cargos de deputado.

Operação tartaruga contamina o Congresso

Feriado, festas juninas, convenções partidárias, Rio+20, recesso de julho e eleições municipais. O que não faltam são motivos para que o Congresso fique esvaziado nas próximas semanas.Muitos deputados e senadores citam esses eventos para dar o semestre por encerrado e confirmam a antecipação do chamado recesso branco, período em que não há votações para facilitar a participação dos parlamentares nas campanhas municipais. Com isso, propostas importantes, como o fim dos 14º e 15º salários e a extinção do voto secreto no Legislativo (veja quadro) correm o risco de serem votados somente em outubro. As exceções, porém, vão depender do benefício eleitoreiro que alguns projetos podem dar aos candidatos.

A operação tartaruga começa nesta semana, na qual haverá o feriado de Corpus Christi. No Senado, a CPI do Cachoeira e a discussão sobre o futuro político do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) no Conselho de Ética devem monopolizar as atenções dos parlamentares até julho.

CNJ julga cota racial para juízes

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai julgar hoje a proposta de criação de cotas para negros e índios nos concursos destinados à seleção de juízes e servidores dos tribunais. A sugestão foi apresentada pela advogada Juliene Vieira Cunha, indígena da etnia Kapinawa, para quem o CNJ "não pode continuar a fazer vista grossa para o problema racial no Judiciário".

Relator do caso, o conselheiro Jefferson Kravchychyn alertou que qualquer modificação nos critérios de acesso à magistratura depende de alteração no texto da Lei Orgânica da Magistratura. Embora tenha destacado que foge da competência do CNJ a criação de cotas, o conselheiro frisou que o órgão poderá estabelecer um grupo de trabalho para debater o tema e, eventualmente, "subsidiar uma possível proposição".

Salário público só na teoria

Quase três semanas após a Lei de Acesso à Informação entrar em vigor, o Legislativo e o Judiciário federais ainda não decidiram o formato de divulgação dos salários dos servidores, nome a nome.

Embora o Ministério do Planejamento já tenha publicado portaria delineando como será o processo no Executivo—que vai começar a liberar os dados a partir do dia 30 —, os demais poderes vêm postergando a medida.

No Judiciário, cada tribunal tem autonomia para decidir como será a divulgação em seu âmbito. A mais alta corte, o Supremo Tribunal Federal (STF), reuniria os 11 ministros na semana passada para debater o assunto, mas o encontro foi desmarcado.

A expectativa é que haja nova reunião nesta semana, ainda sem dia marcado. Tão logo a lei entrou em vigor, em 16 de maio, ministros afirmaram em público serem favoráveis à publicação dos respectivos rendimentos e dos servidores.

O Congresso também anunciou, após resistência inicial, que pretende publicar os salários individualizados.Mas o empurra- empurra também posterga a divulgação. Primeiro, a Câmara dos Deputados e o Senado afirmaram que esperariam a portaria do Ministério do Planejamento, publicada na semana passada. Após o texto no Diário Oficial, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-SP), anunciou que a Mesa Diretora só vai debater o tema após a viagem oficial que ele faz à China— ele volta no próximo domingo.

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