Nos jornais: Dilma tem o triplo das intenções de voto dos adversários

Conforme pesquisa do Ibope divulgada hoje pelo Estadão, nenhum presidenciável teve situação tão favorável desde a redemocratização

O Estado de S. Paulo

A 18 meses da eleição e com favoritismo inédito, Dilma venceria rivais no 1º turno

A presidente Dilma Rousseff larga na corrida para sua sucessão com um eleitorado espontâneo três vezes maior do que a soma de todos os seus adversários. Segundo pesquisa nacional do Ibope feita em parceria com o Estado, ela alcança maioria absoluta em todas as simulações de primeiro turno testadas e é a única entre os presidenciáveis com potencial de voto positivo: tem mais eleitores que admitem votar nela do que os que rejeitam a essa hipótese.

Nunca houve uma candidata como Dilma - nem um candidato - na redemocratização. Desde 1989, nenhum presidenciável alcançou, a um ano e meio da eleição, 35% de intenção de voto espontânea - pesquisa na qual o eleitor diz em quem pretende votar sem que o entrevistador mostre ou diga nomes de candidatos. Quando foram reeleitos, os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) só chegaram a essa taxa após a propaganda eleitoral na TV. Em março de 2006, a seis meses de se reeleger, Lula tinha 27% na pesquisa espontânea. Em julho de 1998, três meses antes de sua reeleição, Fernando Henrique marcava 25% nesse tipo de pergunta.

Fora do Nordeste, Campos é 'nanico'

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem o dobro de potencial de voto no Nordeste, segundo a sondagem do Ibope. Em todo o País, 10% disseram que poderiam votar ou votariam com certeza no governador de Pernambuco. Já no Nordeste, foram 21%. Sua taxa de rejeição também é menor na região. Em todos os cenários pesquisados, Campos foi pouco lembrado fora do Nordeste. Em uma possível disputa entre Dilma Rousseff, Aécio Neves, Marina Silva e Campos, o líder do PSB seria escolhido por 9% dos entrevistados no Nordeste e por 1% ou menos no restante do País. No geral, ele ficou com 3% de intenção de voto. A maior beneficiada com a saída de Campos da corrida pela sucessão seria a presidente Dilma, que ficaria com seis entre dez dos votos declarados no governador.

No PSDB, Serra ainda é nome mais lembrado

No PSDB, o ex-governador paulista José Serra é hoje o pré-candidato com mais eleitores potenciais, segundo a pesquisa Ibope: 10% dizem que votariam nele com certeza e 25% afirmam que poderiam votar em Serra. No caso do senador mineiro Aécio Neves, os índices são de 7% e 18%, respectivamente. Mas Serra tem contra si o fato de 50% dos entrevistados pelo Ibope afirmarem que não votariam nele de jeito nenhum - resultado que o deixa na situação de virtualmente inelegível. A taxa de rejeição a Aécio é de 36%. A rejeição a Serra é crescente de acordo com a renda e o nível de escolaridade. No eleitorado com curso superior, chega a 57%. Entre os que têm renda superior a 10 salários mínimos, é de 54%.

Ainda sem partido, Marina é nome mais viável na oposição

O nome mais forte da oposição na pesquisa Ibope sobre a sucessão presidencial nem sequer tem partido para concorrer. Marina Silva, que chega a 13% das intenções de voto em um dos cenários do levantamento estimulado, ainda está envolvida na construção da Rede Sustentabilidade, legenda na qual vai investir seu capital político. A presidenciável ainda não conseguiu as assinaturas mínimas para criar a sigla.

Os 13% de intenção de voto que Marina obtém agora são inferiores ao resultado que ela teve na urna, na eleição presidencial de 2010, quando chegou a 19% após uma arrancada na reta final - desempenho insuficiente para levá-la ao segundo turno. O atual resultado também não difere muito das sondagens feitas um ano antes das últimas eleições. Em setembro de 2009, pesquisa Ibope mostrava a então pré-candidata do PV variando entre 8% e 11% das intenções de voto, a depender da lista de adversários.

Ala do PT lança Paulo Teixeira à presidência do partido

A corrente Mensagem ao Partido lançou o deputado federal Paulo Teixeira (SP) como candidato a presidente do PT com um discurso em favor da regulação da mídia. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, está sob fogo cerrado dentro da legenda por segurar o projeto sobre o tema e conceder benefícios a empresas da área. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo nesta semana o ministro disse ser "incompreensível" que o PT misture regulação da mídia com política de investimentos.

Presente ao encontro, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (RS), afirma que é preciso democratizar a opinião no País. "Você observa a grande mídia brasileira e parece que todo povo brasileiro é neoliberal e tem saudade de Fernando Henrique, mas quando saem as pesquisas se demonstra um apoio amplamente majoritário ao projeto que representa o PT", disse. "Não se trata de atentar contra o direito de propriedade nem contra a liberdade de opinião, o que nós queremos é um sistema regulatório que faça as opiniões circularem livremente, de maneira plural", completou.

Campos diz ter 'afinidades' com Serra

Uma semana depois de ter se encontrado com o tucano José Serra, em São Paulo, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, afirmou ontem ter mais afinidades políticas do que divergências com o tucano. "Esse campo em que Serra sempre militou é muito mais próximo do nosso campo político do que muita gente que está conosco e que esteve conosco na base de sustentação do presidente Lula", disse. "Todo mundo sabe disso."

Campos defendeu ser "importante manter essa capacidade de dialogar", depois de participar do lançamento de um livro sobre escultores pernambucanos patrocinado pela construtora OAS, no Recife. "Dialogar não significa aderir à posição das pessoas. Dialogar significa civilidade, humildade para saber que suas posições podem melhorar na medida em que se aceita a ponderação dos outros, e isso nós fizemos."

Governador almoça com ex-desafeto e depois recebe Dilma

Empenhado na articulação da candidatura do governador Eduardo Campos (PSB) à Presidência da República em 2014, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) oferece hoje em sua casa de praia, no Janga, o seu famoso "cozido", em almoço dedicado a seu ex-desafeto, com quem esteve rompido por 20 anos. O evento é fechado para a imprensa.

O fato é simbólico. A "turma do cozido" sempre foi motivo de pilhéria entre os seguidores de Miguel Arraes, avô do governador, e de Campos, os "eduardistas". O rompimento entre eles se deu em 1992. No ano seguinte, Jarbas se aliou à direita criando a "União por Pernambuco" - que o elegeu governador em 1994. Arraes, então, foi taxativo: Jarbas havia escolhido "o caminho da perdição". A "turma do cozido" passaria a ser conhecida como a direita, o fisiologismo. Interlocutores de Campos veem com tranquilidade sua aproximação com a "turma" que tanto criticou. Lembram que ele esteve no mesmo lado todo o tempo e que Jarbas é que está retornando ao campo que havia deixado.

Para Lupi, do PDT, nome do PSB pode ser 'opção à esquerda'

Após retomar o comando da pasta do Trabalho com a indicação de Manoel Dias, o ex-ministro Carlos Lupi foi eleito ontem para mais um mandato à frente da presidência da PDT. A reconciliação com a presidente Dilma Rousseff, porém, não é definitiva e o ex-ministro não descarta um nome próprio do partido na disputa em 2014 ou um apoio ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), visto por ele como uma alternativa à esquerda no cenário político.

"A candidatura própria mobiliza muito a militância, e nós temos claro que jamais podemos apoiar qualquer movimento à direita do governo atual. Nós temos uma aliança hoje, vamos discutir com os Estados, e o diretório nacional vai decidir entre uma candidatura própria ou o apoio à presidente Dilma ou ao governador Eduardo Campos, que pode representar uma alternativa à esquerda", disse Lupi ao Estado. A eleição de Lupi foi por aclamação. Brizola Neto, demitido na semana passada para dar lugar a Manoel Dias, desistiu de enfrentá-lo e nem sequer compareceu à convenção, realizada em Luziânia (GO). No cargo desde 2004, Lupi diz que os adversários dentro do PDT serão tratados com "amor" e prometeu fazer um amplo debate sobre o caminho do partido para a próxima eleição presidencial.

Líder do governo no Senado é investigado

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), será investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de ter contribuído para o desvio de recursos públicos do governo do Amazonas em 2003. O ministro Gilmar Mendes determinou a abertura de inquérito contra o senador a pedido do Ministério Público. De acordo com as investigações, há indícios de fraude em licitações, formação de quadrilha e peculato.

De acordo com o Ministério Público, há indícios de que Braga, que governou o Estado entre 2003 e 2010, autorizou a desapropriação de um terreno em Manaus por valor acima do real. Os dados do MP mostram que a área de 703 mil m² foi comprada por particulares por R$ 400 mil em 1.º de abril de 2003. Dois meses depois, o governo pagou mais de R$ 13 milhões pela propriedade. "A valorização é de aproximadamente 3.100%", afirmou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Dilma merece aplausos, dizem ministros a pastores

Em um movimento para reforçar laços com grupos evangélicos, a presidente Dilma Rousseff enviou dois ministros de seu governo a São Paulo para discursar diante de 3 mil pastores da Assembleia de Deus Madureira. A segunda maior ala da igreja no Brasil, com cerca de 9 milhões de fiéis, defendeu a campanha da petista em 2010, quando ela enfrentou críticas por declarações a favor da descriminalização do aborto. Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Marcelo Crivella (Pesca) subiram ao púlpito do principal templo da igreja e pediram aplausos para Dilma. A dupla defendeu a aproximação entre o governo e os evangélicos.

"Contem conosco, contem com este governo, contem com a presidenta Dilma para continuarmos trabalhando pelo País com seriedade, com dedicação missionária e com o espírito do evangelho", disse Carvalho. O ministro participou de um evento oficial no Rio durante a manhã e viajou a São Paulo no início da tarde para participar do Convenção Nacional das Assembleias de Deus Madureira. Em seu discurso, Carvalho agradeceu aos pastores pelo empenho da igreja em defesa da eleição de Dilma e do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Eu me refiro àqueles momentos na tentativa de impeachment do presidente Lula (após o escândalo do mensalão, em 2005) e no apoio à eleição da presidenta Dilma", explicou.

Presidente defende viagens de Lula ao exterior

O governo federal saiu ontem em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve parte de suas viagens ao exterior desde 2011, quando deixou o Palácio do Planalto, financiadas por empreiteiras brasileiras. A presidente Dilma Rousseff divulgou nota sobre reportagem publicada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo, que teve acesso a telegramas indicando o custeio das viagens de Lula por empreiteiras como Camargo Corrêa, OAS e Odebrecht e uma possível atuação do ex-presidente em prol dessas empresas em países africanos e latino-americanos. "Eu me recuso a entrar nesse tipo de ilação sobre o presidente Lula. O presidente Lula tem o respeito de todos os Chefes de Estado da África e deu grande contribuição ao País nessa área", afirmou Dilma.

Interino assume pasta desprezada por base de Dilma

Enquanto os partidos da base aliada armam uma batalha com a presidente Dilma Rousseff para abocanhar mais ministérios, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) está sendo recusada tanto pelo PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab quanto pelo PMDB do vice-presidente Michel Temer. Diante de tais recusas, o economista Marcelo Neri foi nomeado interinamente ministro da pasta. Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Neri é um nome técnico que não preenche cotas políticas.

Com status de ministério, a SAE foi criada em 2008 no governo Lula para pensar políticas públicas para o País. O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) avalia as razões para tamanho desdém: "É uma pasta que não tem orçamento, não tem cargos, não tem órgãos importantes vinculados, não despacha com a presidente e não executa obras, só faz seminários. O partido que assumir não terá nada para mostrar". Indagado sobre a relevância do planejamento do País, Lima é direto. "Pensar o futuro é importante? É. Mas queremos é executar o presente. Essa coisa de ficar pensando só queima neurônio e não deixa marcas." Horas após ser nomeado ministro, Neri disse ao Estado concordar com quem diz que "comandar a SAE não serve para eleger nem vereador". "A política tem uma visão 'curtoprazista'. Mas não sou político e, como técnico, estou muito feliz em ser o chefe do ministério do futuro."

Governo cria novo comando militar com divisão da Amazônia

A presidente Dilma Rousseff autorizou a criação do Comando Militar do Norte, que abrangerá os Estados do Pará, Maranhão e Amapá, a partir da separação do Comando Militar da Amazônia (CMA). A decisão é estratégica e faz parte do processo de expansão da presença do Estado brasileiro na linha de fronteira menos povoada no norte do País e, de uma maneira geral, no "continente" amazônico.

O novo CMN será o oitavo comando do Exército, terá sede em Belém do Pará, e ocupará uma área de cerca de 1,722 milhão de quilômetros quadrados, território correspondente a 42% do tamanho do atual Comando Militar da Amazônia. Localizado na Amazônia Oriental, o novo comando é defendido pelos militares por ter características completamente diferentes da Amazônia Ocidental. De início, contará com dez mil homens. Mas, dentro da estratégia de ocupação da região, uma nova Brigada de Infantaria de Selva, em Macapá, a ser batizada de Brigada da Foz, será construída e irá reforçar a região com mais cerca quatro mil homens. O CMA dispõe hoje de 27 mil soldados e com a divisão passará a 17 mil, embora o deslocamento de novas unidades para a Amazônia já estejam previstas, para reforçar a área de fronteira. O Estado do Maranhão, que pertencia ao Comando Militar do Nordeste, integra agora o Comando do Norte.

Folha de S. Paulo

Governo teve gastos com viagens privadas de Lula

O governo brasileiro também teve gastos com as viagens privadas ao exterior feitas pelo ex-presidente Lula. Ontem, a Folha revelou que 13 de suas 30 viagens ao exterior após sair do cargo foram bancadas por empreiteiras com interesses nos países visitados, conforme telegramas obtidos via Itamaraty. Em parte dessas viagens, Lula recebeu apoio de embaixadas, por meio de funcionários locais ou diplomatas enviados do Brasil para acompanhá-lo. Há também pagamento de almoços e aluguéis de material para a comitiva.

Segundo advogados e procuradores da República, gastos não previstos na legislação podem gerar ações para ressarcir os cofres públicos. A lei que trata dos direitos de ex-presidentes não prevê apoio diferenciado no exterior -como no Brasil, são previstos oito assessores pagos pelo governo, como seguranças e motoristas. Mas a tradição diplomática costuma considerar isso uma cortesia. Em algumas viagens de Lula ao exterior, o Itamaraty designou diplomatas do alto escalão para acompanhá-lo. Foi o que ocorreu em viagem de Lula a Moçambique e África do Sul, em 2012, quando o embaixador Paulo Cordeiro, subsecretário-geral para África e Oriente Médio, foi o encarregado da tarefa.

Itamaraty diz que foi necessário dar apoio a petista

O Itamaraty afirmou que, no caso da visita de Lula aos países da África, "julgou-se necessário, então, conferir apoio das áreas substantivas" ao ex-presidente. Isso porque, apesar de ser uma viagem privada, as visitas a África do Sul e Moçambique foram "rara ocasião" em que os chefes de governo dos dois países receberam alguém que não era presidente ou ocupante de algum cargo de governo (ou seja, Lula). Por isso, segundo o Itamaraty, foram enviados ao exterior "diplomatas responsáveis pelas relações bilaterais com a África e com organismos regionais africanos". O Itamaraty não respondeu sobre outros os gastos feitos pelo órgão com Lula, argumentando que não teve tempo para levantar os dados. A Folha encaminhou o pedido ao Itamaraty no dia 18.

Instituições de ex-presidentes não divulgam contas

As instituições ligadas à atuação de ex-presidentes da República não tornam públicas suas movimentações financeiras, incluindo a divulgação de doadores ou o detalhamento de seus gastos. Mantidos por doações privadas ou fundos próprios, nem o Instituto Lula nem a Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) apresentam balanços financeiros. Apesar de não haver legislação que regule a atuação de ex-presidentes, suas entidades devem seguir as regras para o tipo de pessoa jurídica em que foram constituídas, diz o advogado Marcelo Figueiredo, diretor da Faculdade de Direito da PUC-SP. O Instituto Lula, uma associação sem fins lucrativos, deve prestar contas a seus associados e conselheiros fiscais. Já o iFHC deve submeter seu balanço à Promotoria de Fundações do Ministério Público.

Líder do PSDB diz que atuação de Lula é indecorosa

A oposição acusou ontem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de misturar interesses nacionais e empresariais ao viajar ao exterior bancado por empreiteiras. "Se ele quer fazer lobby, que receba honorários para isso. Feito por baixo dos panos é indecoroso. O problema é confundir o interesse de uma empresa com os interesses do país", disse o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP). Secretário de Comunicação do PT, o deputado André Vargas (PR) disse que as críticas são infundadas uma vez que Lula beneficiou "diversos setores da economia": "Quando ele leva o Brasil, leva as empresas junto. Enquanto as empresas foram beneficiadas por ele, foram prejudicadas por Fernando Henrique".

Dilma alcançaria reeleição no 1º turno, diz Datafolha

A presidente Dilma Rousseff (PT) seria reeleita no primeiro turno se a eleição presidencial fosse hoje, de acordo com pesquisa concluída nesta semana pelo Datafolha. No cenário mais provável para a campanha de 2014, a petista alcança 58% das intenções de voto, seguida pela ex-senadora Marina Silva, que está organizando um novo partido político, com 16%.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) aparece com 10% e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), tem 6% das preferências. Como a margem de erro da pesquisa é dois pontos percentuais para mais ou para menos, Aécio e Campos podem, no limite, estar empatados. Outros 6% dos entrevistados declararam voto nulo ou em branco, e 3% disseram não saber em quem votariam. O Datafolha entrevistou 2.653 pessoas entre quarta e quinta-feira, em 166 municípios. Dilma ganhou quatro pontos em relação à última pesquisa, de dezembro passado. Os demais nomes oscilaram dentro da margem de erro.

Campos afirma ter afinidade com Serra e constrange PSDB

Provável candidato à Presidência em 2014, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), assumiu ontem sua aproximação com o tucano José Serra e aprofundou o constrangimento existente entre o ex-governador paulista e aliados do senador Aécio Neves (MG) no PSDB. Campos e Serra trocaram elogios nos últimos dois dias, depois de a Folha revelar que eles haviam se encontrado, na semana passada, na casa do tucano, em São Paulo.

Questionado sobre a reunião, Serra disse em entrevista à Folha que a candidatura de Campos seria "boa para o Brasil e boa para a política". Em resposta, Campos afirmou que tem "muito em comum"com o tucano e citou temas como distribuição de renda e a preocupação com o crescimento da economia. "Esse campo em que Serra sempre militou é mais próximo do nosso do que muita gente que está e esteve conosco na base de sustentação do presidente Lula. Todo mundo sabe disso", disse Campos. Reagindo ao incômodo criado pelo flerte, defensores da candidatura presidencial do senador Aécio Neves acusaram Serra de trabalhar para "constranger" a legenda.

Dilma vai dividir palanque com possível adversário

A visita da presidente Dilma Rousseff a Pernambuco na próxima semana deve ser marcada por uma plateia tão dividida quanto o palanque. Essa vai ser a primeira viagem da presidente da República ao Estado desde que o nome do governador Eduardo Campos (PSB) foi lançado como provável adversário dela nas eleições do ano que vem. Na manhã de segunda-feira, Dilma vai até Serra Talhada (localizada a 415 km do Recife) para inaugurar 20% de adutora que deverá levar água do rio São Francisco a 400 mil moradores de Pernambuco e da Paraíba. Também assinará ordem de serviço de uma barragem de R$ 42 milhões e entregará retroescavadeiras e ônibus escolares a prefeitos.

A Prefeitura de Serra Talhada, administrada pelo PT, está divulgando a visita com carros de som e por meio de sindicatos rurais. Na segunda-feira, vai deixar disponíveis dez ônibus para levar a população ao evento. Do outro lado, o PSB local está espalhando pela cidade 20 faixas com agradecimentos ao governador socialista. O partido também solicitou aos prefeitos aliados de cinco municípios vizinhos que mobilizem a população para aplaudir o governador.

Lupi não garante apoio a Dilma em 2014

Reeleito presidente do PDT, Carlos Lupi não garantiu apoio imediato à reeleição da presidente Dilma em 2014. Em discurso após a eleição de ontem, Lupi disse que o partido ficará sempre "ou com candidatura própria ou com quem represente essas conquistas [na área trabalhista]". A declaração dele foi endossada pelo novo ministro Manoel Dias (Trabalho), que também foi reconduzido ontem à secretaria-geral do partido. Fortalecido pelo apoio de Dilma, Lupi vai ficar na presidência do PDT por mais dois anos. O ex-ministro está à frente da legenda desde 2004.

STF manda investigar senador líder do governo

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito para investigar o envolvimento do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), em supostos desvios de recursos durante sua gestão no governo do Amazonas. O ministro Gilmar Mendes acolheu pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para analisar a conduta de Braga na desapropriação de um terreno avaliado inicialmente em R$ 400 mil e que foi desapropriado pelo governo do Amazonas por R$ 13,1 milhões, em 2003. O procurador-geral pediu a quebra de sigilo de empresas que participaram da negociação, além de depoimentos dos envolvidos e elaboração de laudos pelo Instituto Nacional de Criminalística. Após essa fase, Gurgel vai decidir se oferece denúncia ou não ao STF contra Braga. Além do senador, são investigados um secretário de governo, cinco servidores, um procurador do Estado do Amazonas e quatro representantes de duas empresas.

Funarte alega cor da pele e barra projeto de dança

A Funarte, ligada ao Ministério da Cultura, recusou-se a receber o projeto de dez negros que, sob direção do dançarino Irineu Nogueira, tentaram inscrever o espetáculo "Afro Xplosion Brasil" no Prêmio Funarte de Arte Negra, cujo prazo de inscrição termina na segunda. Ana Claudia Souza, diretora do Centro de Programas Integrados (CEPIN) da Funarte, disse à Folha que o grupo foi vetado porque está sendo representado pela Cooperativa Paulista de Dança, cujo presidente, o bailarino Sandro Borelli, é branco. O edital diz que, no caso de representações por pessoas jurídicas, só estão aptas a participar do prêmio "instituições privadas cujo representante legal, no ato da inscrição, se autodeclare negro". Ela diz também que os proponentes podem se inscrever como pessoas físicas.

Pastor Feliciano diz na TV que 'por enquanto' fica na comissão

O pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) é um dos participantes do programa "Mega Senha" (RedeTV!) de hoje. Acusado de ter opiniões homofóbicas e racistas por militantes dos direitos humanos, Feliciano dividiu o palco com Angelis Borges, 27, vencedora do programa "Fazenda de Verão" (Record). Durante o reality show, Angelis manteve um relacionamento com a estilista Manoella Stoltz, 28. O clima entre os dois foi respeitoso, eles chegaram a posar juntos para foto ao lado do apresentador Marcelo de Carvalho, 51. Ao apresentar o político como "pastor, deputado federal e presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara", Feliciano brincou: "Por enquanto". "Eu sei que você está num fogo cruzado danado lá em Brasília", disse o apresentador. "No olho do furacão", admitiu o deputado.

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Correio Braziliense

"Relação com o governo é boa, mas pode melhorar", disse o ex-ministro Lupi

A volta por cima no partido, depois do purgatório iniciado em 2011 com seu afastamento do Ministério do Trabalho em meio a denúncias de corrupção, e o fato de ter emplacado um aliado na pasta, em substituição ao desafeto Brizola Neto, não foram suficientes para o presidente reeleito do PDT, Carlos Lupi, garantir apoio à eventual candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição em 2014. “Essa é uma discussão que só vamos começar a fazer agora”, afirmou Lupi, logo depois de ser eleito por aclamação para um segundo mandato consecutivo para mais dois anos no comando da sigla, ontem.

Lupi acrescentou que a relação do PDT com o governo Dilma poderia ser melhor. “A relação com o governo está boa, mas pode melhorar”, disse. “É claro que quando a gente está no governo e ele está dando certo nós vamos ficar sempre ou com candidatura própria ou com a candidatura de alguém que represente essas conquistas que defendemos”, disse o presidente do PDT.

Último exame foi o pior da história da Ordem dos Advogados do Brasil

De cada 10 bacharéis de direito que fizeram a segunda fase da última edição do exame unificado da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), aplicado em 24 de fevereiro, apenas um foi aprovado para exercer a profissão. O índice de reprovação de praticamente 90% é o mais alto já registrado até hoje. De acordo com balanço da OAB, divulgado ontem, dos 114,7 mil candidatos que fizeram a prova, apenas 11,8 mil passaram. No DF, foram 624. Também ontem, o Ministério da Educação congelou a abertura de novos cursos de direito no país. Cerca de 100 pedidos, que estão na mesa do MEC, terão a análise suspensa até que sejam definidas as novas regras para a regulação desses cursos.

Para articular esse processo, a pasta, ao anunciar a medida, assinou um acordo de cooperação técnica com a própria OAB com o objetivo de aprimorar os critérios para expansão dos cursos. A previsão é que os novos critérios sejam anunciados no fim deste semestre. A medida, porém, divide opiniões.

Mais de 50 mil pessoas caem no golpe do falso concurso do Iceam

O suspeito concurso do Instituto Científico Educacional de Assistência aos Municípios (Iceam.gov) pode ter feito mais de 50 mil vítimas. Esse é número de pessoas que já se inscreveram para participar da seleção, segundo Evilásio Rosa, funcionário da área técnica da Fundação da Solidariedade (Fundaso), a empresa que se apresenta como organizadora do certame. Os incautos pagaram entre R$ 60 e R$ 100, o que resultou em faturamento de até R$ 5 milhões aos possíveis golpistas. Como o Correio antecipou ontem, o Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) está investigando o concurso criminal e civilmente por suposto estelionato. A Polícia Federal já foi acionada para identificar os responsáveis pelas irregularidades.

O clima é de tensão entre os concurseiros. A estagiária do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Kate Hellen Valentim da Costa, 25 anos, contou que, na semana passada, procurou a Fundaso para saber melhor o que era o Iceam.gov. Ela ouviu que se tratava de “um órgão ligado diretamente ao governo federal, mas não mantinha vínculos com nenhum ministério”. Anteontem, quando as inscrições para o certame foram reabertas, Hellen garantiu a sua participação, mas foi surpreendida com a notícia de que o emprego dos sonhos poderia ser um engodo.

Integrantes das outras três carreiras do MPU querem participar de sucessão

Uma disputa de bastidores entre integrantes das quatro carreiras do Ministério Público da União (MPU) acirrou o clima da campanha pela sucessão do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Insatisfeitos por não poderem participar da votação da lista tríplice que a cada dois anos é enviada ao Palácio do Planalto, integrantes dos ministérios públicos Militar (MPM), do Trabalho (MPT) e do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) uniram-se para votar uma lista conjunta, que será apresentada à presidente Dilma Rousseff como alternativa à relação da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

O atrito entre os diferentes ramos do MPU, com o consequente envio de mais de uma lista para a presidente, tem potencial para enfraquecer a eleição tradicionalmente realizada e pode servir de pretexto para Dilma — que anda insatisfeita com Gurgel, que virou persona non grata ao PT — não escolher nenhum dos nomes que serão sugeridos. Duas das procuradoras mais cotadas para o cargo, ambas auxiliares diretas de Gurgel, também já provocaram incômodo à presidente.

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