Nos jornais: empresa de Dirceu alterou razão social cinco vezes

Fora do governo e com o mandato de deputado cassado pelo envolvimento no esquema do mensalão, Dirceu alterou cinco vezes a razão social da JD Assessoria e Consultoria e incluiu no seu escopo de atuação a atividade de lobby para diversos setores com interesses no governo federal, diz O Estado de S. Paulo

O Estado de S. Paulo

Empresa de Dirceu alterou razão social cinco vezes

O ex-ministro José Dirceu multiplicou suas possibilidades de negócios após a passagem como ministro da Casa Civil do governo Lula. Fora do governo e com o mandato de deputado cassado pelo envolvimento no esquema do mensalão, Dirceu alterou cinco vezes a razão social da JD Assessoria e Consultoria e incluiu no seu escopo de atuação a atividade de lobby para diversos setores com interesses no governo federal.

As mudanças no contrato da empresa incluem o registro de uma filial no Panamá, conforme revelou ontem o Estado. A filial tem o mesmo endereço da Truston International, sócia majoritária do hotel St. Peter, que ofereceu o cargo de gerente-administrativo a Dirceu, com salário de R$ 20 mil, dez dias após ele ser preso pela condenação no mensalão. No endereço da JD e da Truston funciona o escritório de advocacia Morgan Morgan, que oferece testas de  erro para abertura das filiais no paraíso fiscal.

Ao ampliar o escopo de sua consultoria, Dirceu fez fortuna. Sua última declaração de bens pública, apresentada à Justiça Eleitoral em 2001, informa que ele tinha bens e valores que somavam R$ 172,8 mil, em valores da época. Somente a casa em que funcionava sua consultoria, em São Paulo, está avaliada  em R$5 milhões por corretores.

Após sua prisão, o imóvel na  Avenida República do Líbano, a 300 metros do Parque do Ibira-puera, foi colocado à venda.

A oposição cobrou ontem investigação sobre a filial da JD Assessoria e Consultoria no Panamá. "A cada dia surge uma nova descoberta daquilo que seria um grande "laranjal" arquitetado em torno do mensalão. Isto é gravíssimo, o que exige das instituições que façam ampla investigação", disse o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR).

Condições da prisão são 'razoáveis', diz petista em bilhete

Preso desde 15 de novembro, o ex-ministro José Dirceu diz já ter se acostumado com a vida no cárcere. "O ambiente entre nós é bom e, apesar da ilegalidade da prisão e do regime fechado, as condições carcerárias são razoáveis. Temos biblioteca e banho de sol, como todos os internos, inclusive acesso a uma cantina", contou em bilhete encaminhado a uma amiga, por meio dos advogados, e publicado no seu blog, mantido por assessores.

Sua rotina, diz, é "fazer muita ginástica e planos". Para o tempo passar, está "lendo, estudando e trabalhando". Não informou no que trabalha, mas observou: "O estudo e o trabalho contam como remissão de pena."

CGU apura desvio de uso de máquinas doadas a prefeituras

Após dois anos de execução do programa PAG 2 Equipamentos, se multiplicam os casos de prefeitos que utilizam para fins particulares as retroescavadeiras e motonive-ladoras doadas aos municípios pelo governo federal, o que levou a Controladoria Geral da União a intensificar a fiscalização para acompanhar de perto o uso das máquinas em 110 cidades.

A doação dos equipamentos é uma das principais armas eleitorais da presidente Dilma Rous-seff para se aproximar de prefeituras e aumentar a capilaridade das ações do Executivo,

Um dos casos mais emblemáticos de irregularidade ocorreu em Santa Fé do Araguaia (TO), município de 7 mil habitantes encravado na região amazônica, com índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) na faixa de 0,616, abaixo da média nacional. Conforme ação civil pública movida pelo Ministério Público estadual, uma motoni-veladora que deveria auxiliar a recuperação de estradas vicinais foi utilizada para a melhoria das estradas internas de área de propriedade de um fazendeiro aliado do prefeito Fleuri José Lopes (PSB).

'PT quer demais, e PMDB quer de menos'

O senador gaúcho Pedro Simon (PMDB), cujo mandato termina em 2014, está indeciso sobre uma nova candidatura. Em entrevista ao Estado, ele disse que está desanimado com a letargia do Congresso, a corrupção e a falta de rumo do PMDB. Também observou que os poucos avanços que viu em quase 60 anos de vida pública resultaram da pressão popular. "Eu só confio na mocidade na ma", disse.

Presidente e cúpula do Congresso exaltarão balanço de 2013 na TV

A presidente Dilma Rousseff deve gravar hoj e seu pronunciamento de fim de ano. Já se sabe que vai exaltar programas sociais, como o Brasil Sem Miséria e o Mais Médicos, e dizer que todos os indicadores demonstram uma situação melhor do que se esperava. Apesar das dificuldades de seu governo, principalmente na área econômica, a estratégia da presidente, às vésperas de um ano eleitoral, é vender otimismo.

O pronunciamento será exibido em rede nacional de rádio e TV, provavelmente amanhã. Nele, apresidente também falará de educação, incluindo o tema na lista do que ela considera positivo em seu governo.

"Não tem como fazer inovação se não tiver educação de qualidade no Brasil. E não tem como ter educação de qualidade se não tiver creche", disse ela em conversa com jornalistas, na semana passada, sinalizando o tom de sua mensagem.

Preocupação. Os presidentes do Senado, Renan Galheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), também vão falar no horário nobre. Seus pronunciamentos, já gravados, sinalizam sobretudo a preocupação com a queda de popularidade dos congressistas após os protestos de rua ocorridos no mês de junho, A mensagem de Renan irá ao ar hoje ànoite. Seráo seu segundo discurso do ano em rede nacional. Alvo de críticas pelo uso de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para compromissos particulares, Renan tentará pas- sar na TV uma imagem de austeridade. aDemonstramos que se pode fazer mais com menos. Apesar de gastarmos menos, votamos mais esse ano que no ano passado", destacará o senador.

Quando o discurso de improviso vira gafe

Antes de entrar na campanha presidencial de 2010, a então ministra Dilma Rousseff, candidata ungida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi submetida a um intenso processo de media training com o marqueteiro João Santana para melhorar sua oratória. Considerada um quadro técnico, ela tinha pouca desenvoltura em palanques e diante dos microfones, o que preocupava os estrategistas petistas. Após três anos no Palácio do Planalto, a presidente surpreendeu aqueles que apostavam em um mandato eminentemente técnico e fechado no gabinete.

Entre o primeiro discurso, feito no Congresso Nacional no dia da posse, em 10 de janeiro de 2003, e o último, na inauguração da BR-448, em Porto Alegre, no último dia 20, Dilma somou 599 intervenções, segundo dados obtidos no site da Presidência da República. A média de quase dois discursos por dia está longe da alcançada por Lula, que somou 968 falas nos primeiros três anos do seu primeiro mandato, mas ainda assim é um número considerável, já que a Presidência foi a primeira disputa eleitoral de Dilma.

"Ela tem feito falas belíssimas, emotivas e com muita capacidade de explicação", celebra o deputado Edinho Silva (PT), um dos prováveis coordenadores da campanha pela reeleição da presidente. "A oratória dela melhorou muito ao longo do mandato. Dilma é hoje uma exímia oradora." Apesar dos elogios, a oratória presidencial deixou um rastro de gafes e declarações indecifráveis que tornaram-se hits na internet e memes nas redes sociais. Entre os mais populares está um pronunciamento feito no último dia da criança, em Porto Alegre.

"O dia da criança é da mãe, do pai, dos professores... mas também é o dia dos animais. Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás. O que é muito importante", disse Dilma, para espanto da plateia.

Especialistas ouvidos pelo Estado foram unânimes ao avaliar que a presidente mantém vícios perigosos em seu estilo de falar. "O perigo está na hora em que ela tenta dar um toque pessoal e parte para a fala de improviso", disse o fonoaudiólogo e professor de oratória Rodrigo Moreira, que analisou discursos de Dilma a pedido do Estado. "O nervosismo faz com que ela perca a concentração." Foi em um momento de improviso, por exemplo, que a presidente saudou Márcio Lacerda, prefeito de Belo Horizonte, como prefeito de Porto Alegre em um discurso em Minas Gerais. Acabou vaiada pela plateia.

Em outra ocasião, chamou o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, de Antonio Cláudio. Nos dois casos, a saída encontrada para evitar o constrangimento foi fazer piada com o erro. "Quando o erro é grave, é melhor levar no humor", afirma Moreira. "Dilma faz isso e ri de si mesma."

Correio Braziliense

Da cadeia, Valdemar comanda o PR

Mesmo preso no Complexo da Papuda desde 5 de dezembro, o ex-deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), condenado a sete anos e 10 meses de prisão no processo do mensalão, continua dando as ordens no Partido da República (PR). A legenda é aliada do governo Dilma Rousseff (PT) e comanda o Ministério dos Transportes. Na semana passada, Valdemar teve uma reunião na cadeia com o secretário-geral da legenda e seu homem de confiança, o senador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP). De dentro da prisão, traça metas para eleger uma bancada de 40 deputados nas próximas eleições, conjectura alianças nos estados e faz sondagem de potenciais candidatos com possibilidade de votações expressivas.

Ao ser questionado, o senador Antônio Carlos Rodrigues, que ocupou a vaga deixada por Marta Suplicy (PT-SP) quando a petista assumiu o Ministério da Cultura, confirmou, na primeira conversa por telefone com o Correio, que ele ainda tem ascendência no partido. “Sem dúvida alguma. Não é por ele se encontrar nessa situação que iremos desprezá-lo”, justificou. Depois, no segundo contato com a reportagem, mudou o tom. O parlamentar, escolhido estrategicamente por Valdemar para conduzir as decisões da sigla, fez questão de salientar que ele já repassou o comando do partido. “O Valdemar se afastou do partido. Ele está estudando, fazendo um curso na prisão. Fiz uma visita particular. Ele é meu amigo”, ressaltou.

Consciente de que não escaparia da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o político preparou o PR para continuar sob o seu controle enquanto estiver privado de liberdade. Na presidência do partido, colocou o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, que perdeu o cargo após denúncias de corrupção.

Um parlamentar do PR, ouvido reservadamente, confirma a influência do ex-deputado. Alega que o ex-presidente do PR está enfraquecido pelas circunstâncias que o cercam, mas diz que as decisões políticas que moldam o caminho do partido continuam sendo suas. De acordo com ele, de dentro da cadeia, Valdemar orienta os correligionários por meio do senador Antônio Carlos em relação a alianças e candidaturas em 2014.

Ele salienta que o ex-presidente do PR é uma figura muito querida na legenda, que sempre conversou muito com a bancada e que, por isso, continua exercendo uma liderança política natural dentro da sigla. “Ele se preparou para a prisão, mas, antes disso, preparou o partido para este momento. Da prisão, ele pensa e repassa as estratégias para as próximas eleições.”

O acordo para fechar o nome do deputado Bernardo Santana (PR-MG) como novo líder da sigla na Câmara, por exemplo, foi costurado por Valdemar antes de ser preso. O parlamentar assume o posto no fim de fevereiro. Além de dois advogados, Antonio Carlos Rodrigues é único político escolhido como porta-voz informal do partido. O atual líder do PR na Câmara, Anthony Garotinho (RJ), tentou ir a Papuda para um encontro com Valdemar, mas foi barrado. “Liguei para a secretária dele. Queria ir visitá-lo, mas tive a informação de que ele só estava recebendo os advogados. Acho estranho que ele tenha recebido o Antônio Carlos.”

Garotinho afirmou que Valdemar fez uma reunião após a condenação para informar os novos rumos do partido em virtude de sua prisão. “Estive nesta reunião e ele afirmou que estava passando o comando do partido, o que ele já vinha fazendo desde que teve esse problema.”

Oposição cobra explicação

A oposição cobrará explicações a respeito de uma empresa de consultoria do ex-ministro José Dirceu aberta no paraíso fiscal do Panamá no mesmo endereço onde funciona a Truston International — empresa que controla o Hotel Saint Piter, onde o petista tentou trabalhar durante o dia com um salário de R$ 20 mil. A informação sobre a filial aberta por Dirceu no Panamá foi divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo.

“Há muito o que se investigar. As novas informações divulgadas sobre este condenado do mensalão deixam latente que ele operou de todas as formas e que ainda pode estar operando para sustentar aquele que é o maior escândalo desta República. É preciso conhecer até onde se estendem esses tentáculos”, afirmou ontem o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR). O partido defende que órgãos como o Ministério Público, a Polícia Federal, a Receita e o Banco Central façam uma “ampla investigação” sobre o caso.

A sombra de um chefe preso

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu sempre participou de decisões importantes do PT, da escolha de candidatos até o conteúdo de campanhas eleitorais. Desde que foi levado para o Complexo Penitenciário da Papuda, em 16 de novembro, o alcance de suas opiniões ficou restrito. Mas, segundo petistas, Dirceu mantém “participação indireta” no dia a dia partidário, enviando cartas, mandando recados ou fazendo análises que são publicadas em seu blog. Graças ao status mantido no comando da legenda, ele ainda mobiliza a militância, que espalha mensagens na internet ou se concentra em acampamentos em Brasília em sua defesa. No entanto, muitos integrantes de mais peso no partido hoje evitam falar sobre o homem que já foi venerado pela maioria.

De acordo com o presidente da Câmara Municipal de São Paulo e integrante da direção nacional petista, José Américo, as ideias manifestadas por Dirceu, mesmo da Papuda, são ouvidas com atenção. “Ele ainda é uma referência importante e tem influência no partido, não é esse revés provocado por um julgamento injusto que vai alterar isso”, comenta Américo. “É óbvio que ele está impedido de atuar nas discussões rotineiras, mas participa de forma indireta. As pessoas levam em conta as opiniões dele, publicadas no blog ou em comentários particulares, porque ele sempre foi muito preciso e inteligente nas análises políticas e sobre quadro eleitoral.”

Uso de jatinhos e aumento de gastos

Enrolado em mais um caso de voo com avião da Força Aérea Brasileira (FAB) sem agenda de trabalho, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), concluiu 2013 fazendo um balanço das atividades legislativas em que destacou “uma economia de R$ 275 milhões” feita pela Casa apenas este ano. Em ofício endereçado à presidente Dilma Rousseff, Renan chega a afirmar que devolverá os recursos e sugere, inclusive, a aplicação do montante em programas sociais. Porém, números do próprio Senado, da base de dados do Siga Brasil, mostram que, ao contrário do anúncio entusiasmado de Renan no plenário na última quinta-feira, o órgão acelerou as despesas em relação a 2012.

O Siga Brasil aponta que o Senado gastou R$ 2.732.438.104,39 entre fevereiro (mês em que Renan assumiu a presidência) e novembro (último mês encerrado) deste ano. O valor é R$ 23,4 milhões superior aos R$ 2.709.042.317,27 desembolsados no mesmo período de 2012. O cálculo leva em conta tudo que foi pago pelo órgão, incluindo os restos a pagar quitados. O aumento se deu principalmente com o pagamento de pessoal e encargos sociais, que inclui os salários dos parlamentares, dos servidores e dos comissionados.

“Sem prejuízo das rotinas da Casa, ultrapassamos a meta e alcançamos uma economia de R$ 275 milhões, número consolidado para o ano de 2013 (...). Os recursos que ora devolvemos são suficientes para a construção de 180 creches ou para o pagamento anual de 241 mil bolsas famílias”, disse o cacique peemedebista. Após o discurso, ele ganhou elogios de companheiros de partido como Romero Jucá (RR) e Lobão Filho (MA).

Os dados são favoráveis a Renan apenas quando o assunto é terceirização.

Manobra derruba honorários

Diante de uma derrota iminente, o governo conseguiu, com manobra de última hora, deter, na terça-feira passada na Câmara dos Deputados, a votação de alteração no Código de Processo Civil (CPC) que garantiria aos integrantes da Advocacia-Geral da União AGU) o recebimento dos honorários nas ações em que defendem a União. São de
R$ 150 milhões a R$ 180 milhões por ano a serem distribuídos entre os 12 mil integrantes da carreira — advogados, procuradores federais e procuradores da Fazenda Nacional.

Os chamados honorários de sucumbência correspondem de 10% a 20% das causas ganhas pela AGU, pagos pelas partes perdedoras, tal como nas ações patrocinadas por advogados privados. Atualmente, essa verba decorrente de ações diversas, sem incluir a de cobrança de impostos, vai para os cofres públicos.

A votação de destaques sobre alterações no CPC transcorria sem sobressaltos, até que chegou a vez da apreciação do parágrafo 19 no artigo 85, prevendo que “os advogados públicos perceberão honorários de sucumbência nos termos da lei”. A implantação ainda dependeria de regulamentação por outra norma. Os integrantes da AGU fizeram corpo a corpo forte nos últimos meses em todos os estados e tinham, numa planilha, o apoio de mais de 240 deputados, que votariam com eles. Eles precisavam da maioria simples do plenário, desde que houvesse o quórum mínimo de 257 presentes.

De repente, uma assessora cochichou no ouvido do deputado José Mentor (PT-SP) que correu, esbaforido, até o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Este, por sua vez, tomou o microfone na tribuna e disse que o governo era contra e que “o tema é pacificado” no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde “a opinião prevalecente é que não cabe ao servidor público o direito à sucumbência, apenas aos advogados privados”.

Missão para que nada caia no esquecimento

Além de estender o trabalho por mais seis meses, com apresentação do relatório final somente em novembro, integrantes da Comissão Nacional da Verdade (CNV) querem transformá-la em um projeto permanente de pesquisa e de preservação da memória em razão do grande volume de material a ser analisado pelos especialistas. As conclusões deveriam ser apresentadas em maio, quando a comissão completaria dois anos, mas alguns percalços, como o reduzido número de funcionários para análise do volume de informações e até mesmo rachas internos, tornaram inviável cumprir o prazo. Para o historiador Marcelo Zelic, vice-presidente do Movimento Tortura Nunca Mais de São Paulo, a proposta é importante para o aprofundamento das investigações, especialmente as relativas às violações dos direitos humanos de camponeses e índios, tratados como temas de “segunda categoria”.

Este ano, uma das principais ações da Comissão da Verdade foi a autorização para exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart, que morreu no exílio na Argentina, em 1976, oficialmente vítima de um ataque cardíaco. A exumação foi feita porque parentes dele acreditam na tese de envenenamento. Alem disso, mereceram destaque a exumação do corpo e esclarecimentos das circunstâncias da morte do integrante da Aliança Libertadora Nacional (ALN) Arnaldo Cardoso Rocha. A comissão concluiu que ele não foi morto em uma troca de tiros com a polícia, em 1973, mas espancado até a morte. Em 2012, a comissão também já tinha conseguido que fosse feita a retificação judicial da causa da morte do jornalista Wladimir Herzog. Em 1976, ele foi encontrado morto em uma cela do DOI-Codi, em São Paulo. O novo documento atesta que a morte dele “decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do II Exército-SP (DOI-Codi)”.

Folha de S. Paulo

PSDB barra investigações sobre cartel na Assembleia

A base de sustentação do governador Geraldo Alckmin (PSDB) na Assembleia Legislativa de São Paulo conseguiu blindar o Palácio dos Bandeirantes contra investigações sobre o cartel que atuou em licitações do Metrô e da CPTM durante sua administração e em outros governos tucanos.

Sem número suficiente de deputados para instalar uma CPI, a oposição tentou convocar autoridades, empresários e consultores envolvidos com o cartel a prestar depoimentos em duas comissões.

Desde agosto, foram apresentados 38 requerimentos para que fossem chamadas 26 pessoas. Dessas, só três foram ouvidas pelos deputados.

As comissões em que os pedidos foram feitos --de Transportes e Infraestrutura, ambas com maioria governista-- adiaram a análise de vários pedidos indefinidamente, rejeitaram outros e ainda transformaram convocações em convites, o que desobriga o convidado de comparecer.

"Eles estão obstruindo justamente para dificultar o processo investigativo", disse o líder dos petistas na Assembleia, Luiz Cláudio Marcolino.

Os deputados governistas dizem que não houve blindagem e que as três pessoas ouvidas eram as mais relevantes: o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e os atuais presidentes do Metrô, Luiz Antonio Pacheco, e da CPTM, Mário Manuel Bandeira.

CPI sobre máfia de fiscais deve continuar na gaveta

Na Câmara Municipal de São Paulo, o pedido mais recente de CPI para investigar irregularidades na prefeitura não tem chances de emplacar no início de 2014.

A comissão que deveria investigar a máfia do ISS, esquema de corrupção que envolvia auditores fiscais, suspeitos de causar um rombo de R$ 500 milhões, deve esbarrar na falta de interesse político dos vereadores.

A investigação colocaria na berlinda as gestões Fernando Haddad (PT), Gilberto Kassab (PSD) e José Serra (PSDB), uma vez que o esquema montado por auditores --que cobravam propina de construtoras em troca de descontos no imposto-- pode ter começado em 2005.

Nem o vereador Gilberto Natalini (PV), que já conseguiu colher as assinaturas necessárias para a abertura da comissão, diz acreditar que ela vá seguir adiante após o recesso parlamentar.

Multa de trânsito não é aplicável a Dilma, diz advogado

Fotografada com o neto de três anos no colo durante trajeto de carro em Porto Alegre, sem a cadeirinha obrigatória para a criança, a presidente Dilma Rousseff só seria multada pela infração se tivesse sido flagrada por um radar ou por um agente de trânsito.

A cena foi registrada por fotógrafos na última sexta. Dilma deixava a casa da filha com o neto, sentada no banco de trás.

Transportar uma criança de até quatro anos sem a cadeirinha é considerado infração "gravíssima", de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro.

Mas, segundo o advogado Marcelo Araújo, presidente da Comissão de Trânsito da OAB-PR, o flagra dos fotógrafos não basta para resultar em penalidade. Nem o fato de a presidente ter reconhecido a falta no Twitter ("foi um erro").

O Código não prevê multa caso o infrator confesse. E Dilma nem seria essa pessoa: a sanção recairia sobre o motorista, e não ela, passageira. Ele levaria sete pontos na carteira de habilitação mais cobrança de R$ 191,54.

Dirceu diz que sua empresa não abriu filial no Panamá

A assessoria do ex-ministro José Dirceu divulgou ontem uma nota dizendo que o pedido feito para a abertura de uma filial de sua consultoria no Panamá não chegou a ser registrado naquele país.

Como revelou o jornal "O Estado de S. Paulo", uma filial da JD Assessoria e Consultoria foi aberta em 2008 no mesmo endereço da Truston International, que controlava o Hotel Saint Peter, em Brasília.

Em novembro, o hotel ofereceu a Dirceu um cargo com salário de R$ 20 mil, do qual ele abriu mão após divulgação de que Paulo Abreu, dono do local, só possuía uma de suas 500 mil cotas societárias --as demais eram da Truston, que tinha como presidente um auxiliar de escritório, suspeito de ser um "laranja".

Depois de o caso vir à tona, Abreu disse que comprou todas as ações da Truston.

Na nota de ontem, a assessoria de Dirceu também informou que nenhum negócio foi fechado no Panamá.

"O pedido de abertura de filial, feito a partir do Brasil, sequer foi registrado naquele país, sendo revogado por decisão da própria empresa, que seguiu os trâmites previstos pela legislação", diz o texto.

A oposição quer investigar a situação da JD Assessoria e Consultoria no Panamá.

Para o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), o caso leva a crer que Dirceu seja o verdadeiro dono do hotel Saint Peter.

"Ninguém sabe quantas empresas, nem onde, o Dirceu têm. Os órgãos que deveriam fiscalizar não fazem isso pois estão aparelhados", disse.

Gastos com pessoal e custeio freiam investimentos no TO

Governador em quarto mandato, Siqueira Campos (PSDB-TO) gere um Estado com pouca capacidade de investimento e onerado por gastos crescentes de custeio.

Despesas com pessoal chegaram em 2013 ao limite máximo, puxadas por leis de reajustes aprovadas por Carlos Gaguim (PMDB, 2009-2010).

Já os investimentos caíram 40% nos últimos 12 anos e não avançaram na gestão tucana --subiram 2,7% desde 2011.

Na mensagem ao Legislativo deste ano, Siqueira diz que recebeu o Estado "endividado" e "sobrecarregado por políticas paternalistas".

O cenário dificulta o cumprimento de promessas de campanha: de oito hospitais que se comprometeu a entregar, só três estão em obras --todas iniciadas em 2013.

O governo diz que reduziu salários e cortou servidores temporários para recuperar "credibilidade" e que tem gestão fiscal responsável.

Também aponta redução de repasses federais, como os do FPE (Fundo de Participação dos Estados). Segundo o governo, R$ 296 milhões previstos para 2012 não chegaram.

Ariano Suassna: "Fiz pacto com Deus para concluir o meu romance"

"Mexeu com o físico, mas com a cabeça não buliu, não. Se você quiser, recito todinho o episódio de Inês de Castro, de Os Lusíadas'", brincou Ariano Suassuna, 86, na última terça-feira.

Fazia alusão ao copioso trecho do clássico português, mas deu várias outras provas de que falava a verdade.

Na tarde/noite daquele dia, quase quatro meses depois de sofrer um infarto (agora ele revela terem sido dois) e tratar um aneurisma cerebral, o escritor e dramaturgo recebeu a Folha em sua casa, no Recife, para uma entrevista --a primeira depois de duas internações e do repouso forçado.

Dizendo-se cansado, optou por falar deitado em sua cama. Acabara de posar para fotos e na véspera retomara suas aulas-espetáculos com um tributo ao compositor Capiba, uma palestra intercalada por música e dança de uma hora e 45 minutos.

Mais magro que o habitual e aparentemente mais fraco (recusou o lanche que lhe chegou, uma fatia de bolo e água de coco), mantém, porém, a cabeça a mil. Em uma hora de entrevista, não perdeu em nenhum momento a lucidez ou a argúcia.

O Globo

Snowden diz que gostaria de viver no Brasil, mas não trocaria informação por asilo

O ex-técnico da CIA Edward Snowden revelou que aceitaria asilo permanente no Brasil, se o convite lhe fosse oferecido pelo governo federal. O gesto, porém, não seria condicionado a novas revelações sobre os monitoramentos realizados no país pela Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA. A declaração foi dada em entrevista exclusiva do americano por e-mail ao “Fantástico”, da TV Globo, divulgada na noite deste domingo. Em sua primeira entrevista diretamente a um veículo brasileiro, Snowden foi perguntado se aceitaria se asilar permanentemente no país.

- Claro! Se o governo brasileiro quiser defender os direitos humanos, será uma honra para mim fazer parte disso. O Brasil é um país lindo, e estou agradecido por ter tantos novos amigos e aliados lá - disse Snowden, acrescentando: - Eu nunca vou trocar informações por asilo, e também não acredito que o governo brasileiro faria isso.
Em críticas ao governo de seu país, o ex-técnico da CIA afirmou que “a lei americana não faz diferença entre quem denuncia programas ilegais e um espião que vende segredos para terroristas”. Por isso, ele acredita que não teria um “julgamento justo” se voltasse aos EUA. As respostas da entrevista vieram através de seu advogado, para que ela não fosse interceptada e evitar a localização exata de Snowden. O ex-técnico tem asilo temporário na Rússia até agosto do ano que vem.

Em mensagem divulgada por blog, Dirceu diz que 'condições carcerárias são razoáveis'

O blog do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu divulgou neste sábado trecho de uma mensagem enviada por ele do presídio da Papuda, em que diz que "as condições carcerárias são razoáveis". Segundo o blog, o texto foi encaminhado por meio de advogados, em resposta a uma amiga, que mandara mensagem a Dirceu também por meio de advogados.

“Já na rotina para o tempo passar, lendo, estudando e trabalhando. Fazendo muita ginástica e planos. O estudo e o trabalho contam como remição de pena. O ambiente entre nós é bom e, apesar da ilegalidade da prisão e do regime fechado, as condições carcerárias são razoáveis. Temos biblioteca e banho de sol, como todos os internos, inclusive acesso a uma cantina. Apesar da saudade, da indignação, continuo daquele meu jeito que você também conhece”, diz o trecho da mensagem que foi divulgado pelo blog.

Microcrédito cresce, mas não alcança pequenos empreendedores

O microcrédito tem crescido em ritmo intenso, mas ainda está longe de alcançar todos os pequenos empreendedores que precisam de acesso aos empréstimos, avaliam especialistas ouvidos pela Agência Brasil. Em novembro deste ano, o microcrédito alcançou o saldo recorde de R$ 4,873 bilhões, com crescimento de 26,7%, comparado a igual período de 2012 (R$ 3,570 bilhões). A série histórica do Banco Central (BC) tem início em 2007. As concessões também foram recorde em novembro, com registro de R$ 1,119 bilhão em desembolsos pelos bancos.

Entretanto, segundo o coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), Lauro González, mesmo com o crescimento, apenas parte do mercado é atendida. A estimativa é que atualmente 25% dos 10 milhões de clientes potenciais tenham acesso ao microcrédito.

CIA ajudou Colômbia a matar líderes das Farc, diz jornal

A CIA, agência de inteligência americana, ajudou o Exército colombiano a matar ao menos 24 líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) através de um programa secreto, revelou neste domingo o jornal “Washington Post”. A Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos também contribuiu com o governo colombiano com “ajuda substancial em escutas telefônicas”, de acordo com a reportagem.

O diário indica que o plano contra as Farc, uma organização guerrilheira que atua há mais de 40 anos na Colômbia, foi autorizado pelo presidente americano George W. Bush em 2003, durante o governo de Álvaro Uribe. As operações reveladas esta semana não estavam no orçamento destinado ao “Plano Colômbia”, um programa de US$ 9 bilhões criado pelos EUA para combater o narcotráfico.

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