Nos jornais: documentos mostram como os passos de Niemeyer eram seguidos pela Ditadura

Documentos sigilosos do governo militar guardados no Arquivo Nacional comprovam que todas as atividades do arquiteto eram monitoradas e que as declarações, os projetos e as entrevistas de Oscar causavam enorme desconforto entre os integrantes da alta cúpula

Correio Braziliense

Documentos mostram como os passos de Niemeyer eram seguidos pela Ditadura

O artista das formas ousadas e dos monumentos repletos de curvas nunca escondeu suas posições políticas. Oscar Niemeyer dedicou a vida a duas de suas grandes paixões: a arquitetura e o comunismo. De suas mãos, saíram os traçados de projetos inovadores, como os prédios monumentais de Brasília, mas também manifestos em defesa da democracia, cartas a amigos do antigo partidão e inúmeros artigos em que ele não hesitava declarar: “Eu sou mesmo um comunista”. A sua ideologia sem disfarces era um incômodo e um motivo de constrangimento para os militares durante a ditadura. Mas o enorme prestígio internacional de Niemeyer livrou-o de prisões e de interrogatórios mais duros.

Documentos sigilosos do governo militar guardados no Arquivo Nacional comprovam que todas as atividades do arquiteto eram monitoradas e que as declarações, os projetos e as entrevistas de Oscar causavam enorme desconforto entre os integrantes da alta cúpula. O Correio teve acesso a arquivos liberados graças à Lei de Acesso à Informação que revelam a visão dos militares a respeito do arquiteto: Niemeyer era considerado um inimigo, com contato próximo aos “escalões avançados da subversão estudantil” e dono de um perigoso discurso antiamericanista. Além das posições políticas, nem mesmo o trabalho de Oscar escapou de questionamentos e acusações. Os documentos revelam uma grave acusação que teve repercussão entre os militares da época: um coronel se empenhou em divulgar o boato de que trabalhos de Niemeyer seriam um plágio dos projetos do arquiteto suíço Le Corbusier.

Tudo sobre a Lei de Acesso a Informação

Niemeyer prestou depoimentos ao regime, mas nunca foi agredido

Niemeyer prestou depoimentos à polícia durante a ditadura, mas jamais sofreu violência. Nos anos 1960, ele já era um profissional de grande renome internacional, o que garantia certa liberdade. Mas as suas posições políticas também lhe privaram de alguns trabalhos. “Não vou dizer que a minha permanência no partido comunista só me deu alegrias. Foram muitos os obstáculos que enfrentei na minha vida profissional”, relembra. Convidado para ser professor da FAU (Faculdade de Arquitetura), em São Paulo, seu nome foi recusado.

O arquiteto Carlos Magalhães relembra outro episódio de rusga de Niemeyer com o regime militar. A dupla elaborou o projeto do anexo do Palácio do Itamaraty, mais conhecido como Bolo de Noiva. “Nosso contrato era para fazer o edifício inteiro. Mas, quando a construção da estrutura acabou, o governo nos chamou para dizer que cancelaria o contrato porque se tratava de uma obra de segurança nacional”, relembra Magalhães. “Mexeram no projeto de arquitetura, mas usaram nossos desenhos e detalhes”, acrescenta.

Prisão de Cachoeira deixa a corrida pela prefeitura de Anápolis à míngua

Na terra do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, interior de Goiás, a prisão do “filho ilustre” e de seus principais subordinados produziu um efeito devastador na disputa eleitoral da cidade. O canal Cachoeira, que sempre irrigou fartamente as contas de campanha de boa parte dos candidatos, secou. É campanha a pão e água. Os cofres dos partidos estão vazios. Não há dinheiro para nada. Assustado com a repercussão do escândalo a partir da investigação da Operação Monte Carlo, o empresariado local sumiu. As principais gráficas da cidade, acostumadas a dobrar o faturamento nesta época, estão paradas.

Não é preciso muito esforço para perceber o efeito Cachoeira. Basta circular rapidamente por Anápolis. É visível. A impressão é de que a campanha foi proibida no município. Não há o menor sinal de disputa política. Mais de 15 dias depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberar a propaganda, os candidatos a vereador estão desesperados. Não têm dinheiro sequer para confeccionar os chamados “santinhos”. A situação é tão crítica que, até nos comitês eleitorais dos candidatos a prefeito, não existe nenhum material.

Tudo sobre o caso Cachoeira

Candidatos à reeleição ou apoiados pelos atuais prefeitos são favoritos

Cerca de 15 dias após o início oficial das campanhas municipais, um cenário nas principais capitais do país se repete: candidatos que tentam a reeleição ou têm o apoio do prefeito atual encabeçam com folga as pesquisas de intenção de voto. O fenômeno, explicam especialistas, é comum no início da disputa e poderá mudar, a depender da propaganda eleitoral, que só começa em 21 de agosto.

No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) desponta em pesquisas recentes com larga vantagem à frente do deputado estadual Marcelo Freixo (PSol) e do deputado federal Rodrigo Maia (DEM). Além de tentar a reeleição com um índice de popularidade razoável, Paes tem o apoio do governador Sérgio Cabral (PMDB). “Quando o ambiente é mais favorável economicamente, com renda e emprego em ascensão, há uma tendência de que os eleitores transfiram essa sensação de conforto e estabilidade a quem está na situação”, comenta o cientista político e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Valeriano Costa.

Com dívidas de até R$ 11,2 bilhões, Santas Casas do Brasil pedem ajuda

Na colonização brasileira, a cada cidade que os portugueses fundavam, eles construíam um centro administrativo, uma igreja e uma Santa Casa de Misericórdia. No último caso, a tradição vinda da Europa, previa a implantação de um ponto de socorro médico e de um local para as pessoas se reunirem e organizarem a comunidade. Os voluntários, as doações e as heranças deixadas pelos endinherados faziam a engrenagem rodar. Diante da modernidade e do crescimento populacional, o papel das Santas Casas e dos hospitais filantrópicos — nascidos em moldes semelhantes — mudou. Elas cresceram e, em algumas cidades, consolidaram-se como as unidades de saúde mais importantes. Entretanto, atualmente, a maioria padece sob a pressão de uma dívida bilionária e crescente.

Relatório do grupo especial da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, aprovado no último dia 11, deu o diagnóstico quase fatal. A conta acumulada até maio era de R$ 11,2 bilhões. Se continuar no mesmo ritmo, chegará a R$ 15 bilhões no próximo ano. O montante é quase sete vezes maior do que o valor devido pelas 2,1 mil entidades filantrópicas há sete anos. Para o autor do relatório, deputado federal Antônio Brito (PTB-BA), as Santas Casas estão pedindo misericórdia. “Essas entidades estão na UTI. Se nada for feito, elas entram em colapso”, lamentou. Brito ressaltou que o maior problema não é a dívida, o grande drama é não existir perspectiva de pagamento e saber que a conta continuará a crescer.

O Globo

Eleição rica em meio à pobreza

O bairro de Malvinas, em Araioses (MA), não tem água encanada nem esgoto, posto de saúde ou escola. Lá, 90% das casas são de taipa e sem energia elétrica. Em cada uma dessas moradias vivem de 5 a 15 pessoas. Na cidade, os candidatos à prefeitura estimaram os gastos de campanha em até R$ 4,3 milhões para disputar os votos de 31 mil eleitores. Araioses é uma das cem cidades com os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil onde, ao todo, os aspirantes ao cargo de chefe dos Executivos locais planejam gastar R$ 97,2 milhões na disputa.

Juntos, esses rincões de pobreza têm menos de 900 mil cidadãos cadastrados para votar. Na maioria dos casos, dois ou três candidatos concorrem às prefeituras. Mas, com tamanha estimativa de gastos, a projeção de despesa foi às alturas: R$ 110,84 por eleitor, dez vezes mais que a previsão no Rio (R$ 10,64). O valor chama atenção pois os municípios não contam com programas de TV, normalmente o maior custo na campanha, e a maioria têm eleitorado inferior a oito mil pessoas. Assim como Araioses, Governador Newton Bello e Presidente Juscelino, também no Maranhão, integram a lista de cidades pobres que podem ter campanhas ricas. Os três municípios já tiveram até papel de destaque no comércio estadual, mas hoje são lugares carentes de tudo. A impressão que se tem é que lá o tempo parou.

Rio tem os maiores salários de vereador do país

O salário do vereador carioca alcançou a primeira posição em abril do ano passado, quando os parlamentares aumentaram em 63% a própria remuneração. O expediente foi possível graças à emenda constitucional 25/2000, que prevê aos vereadores pagamento equivalente a até 75% do salário dos deputados estaduais, que, no Rio, ganham R$ 20.042. Com a aprovação do aumento, o subsídio da Câmara alcançou quase o limite (74,9%).

O segundo maior salário perde por apenas R$ 13 para os parlamentares cariocas, mas numa cidade com o número de habitantes quase oito vezes menor que o Rio. Em Natal (RN), cada um dos 21 vereadores recebe R$ 15.019. No entanto, o custo anual do vereador nesta cidade é de R$ 2.209.286, contra R$ 7.817.269 do legislador do Rio de Janeiro, segundo levantamento feito pela ONG Transparência Brasil.

Valdemar Costa Neto dá as cartas em Mogi das Cruzes

Ninguém quer o nome dele no “santinho”, mas a disputa política em Mogi das Cruzes (SP) e região passa quase que obrigatoriamente pelo escritório político do deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), um amplo casarão no centro da cidade. Réu do mensalão, prestes a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e chamuscado pelas sucessivas fraudes no Ministério dos Transportes, Valdemar — o Boy, como é conhecido em Mogi — não figura nos materiais de campanha nas eleições municipais deste ano.

Para além dos portões da casa que ostenta o logotipo do PR, a movimentação política é intensa: uma romaria de candidatos busca a intermediação do deputado para financiar suas campanhas. Diante da possibilidade de ficar inelegível, em caso de condenação no STF, Valdemar montou uma estratégia eleitoral na região que já lhe assegurou seis mandatos de deputado federal.

Transporte de ministros para festa é investigado

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) investiga supostas ilegalidades no transporte de quatro ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao casamento do filho de outra ministra do STJ, Laurita Hilário Vaz, em abril do ano passado. A determinação para que equipes de policiais federais fizessem os traslados das autoridades do STJ em Goiânia (GO), cidade onde ocorreu a festa, foi de um dos dois delegados da Polícia Federal (PF) presos na Operação Monte Carlo, Deuselino Valadares dos Santos.

O episódio motivou uma apuração por parte do Ministério Público Federal (MPF) de Goiás, que concluiu pela ilegalidade do transporte dos ministros com fins particulares. Em 11 de junho, as conclusões do MPF foram remetidas à corregedora nacional de Justiça, a também ministra do STJ Eliana Calmon, que decidiu pela abertura de uma investigação sobre o episódio.

No calor da indústria do gesso, a ruína da caatinga no Nordeste

No Araripe, na divisa de Pernambuco com Piauí, está o maior polo gesseiro do país. Com o incentivo à construção civil, as fábricas estão a pleno vapor e respondem por 95% da produção nacional. A notícia é boa. Mas o sertão nordestino, que a maioria só ouve falar em tempo de seca, segue palco de contradições. Os fornos das fábricas são, em maioria, movidos a lenha. É assim também em boa parte do polo têxtil de Toritama, em Pernambuco, onde as caldeiras que tingem tecidos fervem sob estalos de madeira, ou no Seridó, entre Rio Grande do Norte e Pernambuco, onde olarias produzem tijolos e telhas para toda a região. No Nordeste, hoje, 30% das empresas usam a lenha como fonte de energia.

Por ano, são queimados 25 milhões de metros cúbicos de lenha no Nordeste, o que equivale a desmatar 2.500 km2, mais que o dobro da cidade do Rio de Janeiro. Pouca gente se incomoda com isso. Primeiro porque não se tem outra fonte de energia barata. O problema, como diz o sertanejo, é que não se planta um pau. O que queima nos fornos é lenha nativa e, pela lei, 20% da mata de caatinga deveriam ser preservados em cada propriedade. No restante o desmate é permitido, com autorização. Mas ninguém leva em conta. Segundo o Serviço Florestal Brasileiro, 94% da lenha é ilegal, cortada e queimada sem qualquer tipo de controle.

Dilma ocupa espaços na política eleitoral

Até bem pouco tempo atrás, a presidente Dilma Rousseff deixava os aliados de cabelo em pé por sua falta de apetite para a política eleitoral. Mas desde que os atores das eleições de outubro e de 2014 começaram a se movimentar, ela tratou de se colocar. E vem ocupando cada dia mais espaço para não ficar a reboque do ex-presidente Lula na articulação e montagem do cenário que terá desfecho daqui a dois anos,com sua reeleição ou com a volta de Lula.

Acendeu a luz amarela no Planalto a última pesquisa de opinião pública mostrando que Dilma está muito bem perante a população, mas muito mal com os 14 partidos da base. Aliados dizem que não há conflito entre Dilma e Lula, que eles tocam de ouvido a mesma sinfonia. Mas o que se vê agora é que enquanto Lula toca tuba, atropelando e partindo para cima para se impor, a presidente toca violino, afagando os atropelados pelo ex-presidente.

PSOL segue exemplo do PT em busca de aliados

Até recentemente visto como um partido radical de esquerda, o PSOL está começando a mudar. Registrada oficialmente em 2005, a legenda chega este ano à sua segunda eleição municipal com reais chances de eleger prefeitos em duas capitais — Belém e Macapá — e um acalorado debate interno sobre a ampliação das alianças pragmáticas com legendas sem qualquer afinidade programática. O cerne desse embate é justamente a campanha do candidato Clécio Vieira, pelo PSOL, à prefeitura de Macapá.

Capitaneado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), o partido se uniu na capital do Amapá com PPS, tradicional aliado dos tucanos, PV, PCB e, para surpresa de alguns, com três partidos nanicos sem qualquer definição ideológica: PTC, PRTB e PMN. Cada um dos três tem um deputado federal, todos do baixíssimo clero da Câmara. Entre eles, Jaqueline Roriz, filha do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz.

Outra vez, aborto e união gay na pauta eleitoral

Parlamentares que tiveram como uma de suas bandeiras a criminalização da homofobia ou a defesa da união civil de pessoas do mesmo sexo enfrentam agora oposição ferrenha de evangélicos e católicos na campanhas para as eleições municipais. Atrás dessa fatia do eleitorado, alguns deles tentam agora reconstruir o discurso ou fazer acordo com lideranças religiosas, na tentativa de neutralizar os ataques.

São vários casos espalhados pelo país, mas essa disputa ganha maior visibilidade nas grandes cidades. Na eleição para a prefeitura de Manaus, por exemplo, esse é o maior viral contra a candidatura da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). A coordenação de sua campanha está procurando líderes de igrejas evangélicas para tentar neutralizar a resistência a seu nome por causa da defesa da causa dos homossexuais que fez no Senado. De acordo com o Censo 2010, os evangélicos representam 35,5% da população da capital.

Novos diálogos mostram Cachoeira e Demóstenes fazendo negócios em nome de Perillo

Novas gravações divulgadas neste final de semana em reportagem da revista “Época” revelam trechos de diálogos telefônicos entre o senador cassado Demóstenes Torres, o contraventor Carlos Cachoeira e outros integrantes do esquema citando o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). A reportagem traz trechos inéditos de diálogos que estão no processo que corre em segredo de justiça em uma vara federal de Goiás. Segundo a revista, os diálogos indicam que Perillo teria direcionado a contratação de empresas, sem licitação. As conversas, interceptados pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, mostram Demóstenes, Cachoeira e outros fazendo negócios em nome do governador.

Nos diálogos, um assessor da administração goiana afirma que o governador “mandou passar” um contrato, que poderia render R$ 1,2 bilhão, à empresa Delta Construção, declarada depois inidônea pelo governo federal.

Folha de S. Paulo

Eleitores dão nota 4,4 para Kassab, a pior de 6 capitais

Entre administradores de seis das principais capitais do país, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), tem a pior avaliação. Numa escala de 0 a 10, os eleitores paulistanos lhe dão nota 4,4, segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 19 e 20 de julho. Em São Paulo, foram ouvidas 1.075 pessoasA nota 4,4 também representa o pior desempenho de Kassab desde março de 2007, quando ele tinha um ano de mandato e recebeu 3,9. Nos últimos 14 meses, o Datafolha fez outras seis pesquisas de avaliação. Em todas elas, Kassab ficou abaixo de 5.

Eleito vice em 2004, Kassab assumiu a prefeitura em março de 2006 após a renúncia de José Serra (PSDB) para ser candidato a governador. Na série do Datafolha, o melhor desempenho de Kassab foi em outubro de 2008, justamente o mês de sua reeleição, quando obteve nota 6,6. Agora, ele apoia novamente a candidatura Serra. No grupo das seis capitais, o prefeito com melhor desempenho é Marcio Lacerda (PSB), de Belo Horizonte, com nota 6,4. Em segundo lugar aparece o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), com 6,3.

Explosão de candidatos

O aumento do número de vagas nas Câmaras Municipais em disputa nesta eleição levou a uma explosão de candidatos a vereador pelo país. Em 2009, o Congresso mudou a Constituição, permitindo mais cadeiras nos Legislativos municipais. A ampliação passa a valer neste ano: serão eleitos 5.405 vereadores a mais do que em 2008. As novas vagas impulsionaram o crescimento do número de interessados em ocupar o cargo: 87 mil a mais do que há quatro anos.

Militante do PT há cerca de 20 anos, o microempresário Elcimar Pereira é um exemplo dos que levaram em conta o aumento de vagas ao decidir lançar sua campanha. "As vagas chamaram atenção, isso foi uma das coisas que pesaram", diz. Ele concorre pela primeira vez à Câmara de Barueri (SP), que terá sete cadeiras a mais e o triplo de candidatos de 2008. Nas cidades em que a Câmara cresceu, o número médio de candidaturas subiu 45%. Nos municípios sem aumento, a alta foi de 19%.

Serra afirma que resultado de pesquisa é surpreendente

O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, disse ontem que o resultado da última pesquisa Datafolha é "surpreendente". O levantamento registrou empate técnico entre o tucano, que tem 30% das intenções de voto, e o candidato do PRB, Celso Russomanno, que aparece com 26%. O petista Fernando Haddad, considerado o principal rival de Serra, tem 7%.

O resultado fez Russomanno afirmar que não existe polarização na disputa. "Enquanto PSDB e PT se atacam, estou trabalhando com humildade e quietinho." A campanha de Serra se dividiu sobre a melhor estratégia a ser adotada. Ontem, questionado se a polarização entre o PSDB e o PT ainda era o caminho mais provável, Serra manifestou dúvida. "Não sei. Quem diria há três ou quatro meses que a pesquisa estaria assim? É meio surpreendente", disse.

Assembleia de Deus espera eleger mais de 5.600 vereadores em outubro

Igreja que mais cresce no Brasil e com a maior representação na bancada evangélica do Congresso, a Assembleia de Deus tem como meta eleger um vereador em cada uma das 5.565 cidades brasileiras. Para isso, a igreja cita o Censo. Dos 42 milhões de evangélicos, 12 milhões são da Assembleia, 4 milhões a mais do que em 2000. Essa parcela já encontra ressonância política. Dos 76 deputados federais da Frente Parlamentar Evangélica, 24 são da Assembleia de Deus. "Temos igrejas em 95% das cidades. Isso favorece a divulgação dos candidatos", diz o pastor Lélis Marinhos, presidente do conselho político nacional da Convenção Geral das Igrejas Assembleia de Deus no Brasil (CGIADB).

Irmão de Perillo tem relação com Cachoeira

Um irmão do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), mantinha contato com o empresário Carlinhos Cachoeira, afirma reportagem da revista "Época" desta semana, com base em gravações feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. De acordo com a reportagem, Antônio Perillo, conhecido como Toninho, fazia parte do chamado "clube do Nextel" - uma referência às pessoas ligadas ao empresário que dispunham de rádios habilitados nos Estados Unidos, supostamente antigrampo. A Folha localizou dois diálogos entre Cachoeira e um homem identificado pela PF apenas como "Toninho". Segundo a "Época", trata-se do irmão de Perillo. Nas conversas, ambas do dia 31 de março de 2011, Cachoeira liga de seu celular, e não de seu rádio Nextel. Ele demonstra intimidade com o interlocutor. "Você me chama aqui e desliga. Parece aquelas biscates", diz Cachoeira.

PT busca 'vacina' para concessões de Dilma a iniciativa privada

Preocupado com o pacote de concessões públicas que o governo Dilma Rousseff pretende lançar em agosto, o PT quer manter distância de qualquer coisa que associe a sigla, o governo ou suas lideranças à pauta "neoliberal". Em suas bases eleitorais, representantes do partido já operam vacinas contra possíveis ataques políticos relacionados ao assunto concessões ou privatizações.

Apesar de o partido pontuar de forma quase coreografada as diferenças entre as "concessões petistas" e as "privatizações tucanas", há nos bastidores forte preocupação com a exploração eleitoral do conjunto de iniciativas definido pelo Palácio do Planalto para alavancar investimentos. Alguns setores do PT reconhecem, reservadamente, que o tema concessões arranha o discurso histórico do partido contra a agenda neoliberal. No início deste ano, durante a preparação do leilão de três dos principais aeroportos brasileiros, tucanos acusaram petistas de praticar "estelionato eleitoral", exigindo um pedido público de desculpas.

Supremo recebe 23 advogados do mensalão

Nos últimos 20 dias, às vésperas do julgamento do mensalão, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) concederam pelo menos 23 audiências a advogados dos réus do processo. O número se refere a cinco ministros -Ayres Britto, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux e Rosa Weber-, que são os que divulgaram suas agendas de compromissos de junho a julho no site do STF. Há indicações de que os mesmos advogados se encontraram com todos os ministros do tribunal, o que elevaria o número de audiências para cerca de 50.

Os ministros receberam os defensores do ex-ministro José Dirceu (PT-SP), do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) e do publicitário Duda Mendonça, entre outros. O conteúdo das conversas entre os ministros do STF e os advogados não é divulgado. A explicação para os encontros reservados é a entrega dos chamados "memoriais", uma espécie de resumo de tudo o que a defesa alegou ao longo do processo. O STF informou que "a audiência com juízes é um direito previsto no Estatuto dos Advogados. Isso porque é considerada como parte do exercício da ampla defesa".

Presidente da Câmara veta protestos sobre mensalão no plenário

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), decidiu impedir que os deputados façam manifestações no plenário da Casa sobre o mensalão durante o julgamento do caso pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Sob o argumento de que o processo não pode ser "contaminado" pelo debate político, Maia afirmou que não irá permitir faixas, cartazes ou outras formas de manifestação a favor ou contra a condenação dos réus. "Não vamos permitir que se efetive dentro do Parlamento uma disputa de quem é a favor do julgamento de A, B ou C ou de coisas que instiguem esse debate político."

Como presidente da Câmara, Maia tem o poder de cortar o microfone se os discursos virarem ofensas ou manifestações que ultrapassem o uso da palavra, tais como estender faixas no plenário. Ele sabe, porém, que não pode evitar os discursos. "É inevitável, vai acontecer, mas o importante é que as lideranças não transformem o debate no plenário em atos ou ações de manifestações e protestos."

Às vésperas de ser julgado pelo STF, Dirceu quer falar sobre Cuba e guerrilha

Às vésperas de ser julgado no Supremo Tribunal Federal pela acusação de chefiar o mensalão, o ex-ministro José Dirceu, planeja uma reaparição pública em debate sobre a luta armada contra a ditadura militar (1964-85). Ele avisou amigos que quer participar, no próximo sábado, de seminário sobre a história do Molipo (Movimento de Libertação Popular).

A organização foi criada pelos chamados 28 da Ilha, exilados que fizeram treinamento de guerrilha em Cuba e voltaram clandestinamente ao país para tentar retomar a militância contra o regime. O plano fracassou, e a maioria do grupo morreu nas mãos da repressão meses depois de pisar no Brasil. "O Molipo foi dizimado", resume o pesquisador Ivan Seixas. Um dos três que ainda estão vivos é Dirceu, a quem Fidel Castro chama até hoje pelo codinome Daniel.

Estudantes deixam reitoria da UFPR após 17 dias de ocupação

Os estudantes da UFPR (Universidade Federal do Paraná) decidiram, em assembleia realizada na sexta-feira, deixar o prédio da reitoria da instituição, em Curitiba, ocupado desde o último dia 3. A administração da universidade havia ameaçado responsabilizar individualmente os alunos por prejuízos causados às instalações, caso não deixassem o local em 48 horas. A vistoria feita após a desocupação não identificou danos graves ao patrimônio, segundo a assessoria de comunicação da UFPR. Os alunos acertaram com a reitoria que das 31 reivindicações irão definir duas prioritárias e apresentá-las no dia 24.

Lista dos tribunais mostra vencimentos acima do teto federal

A divulgação da folha de pagamento dos tribunais brasileiros, que vem ocorrendo após a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação, mostra que em vários casos magistrados e servidores recebem vencimentos acima do teto constitucional.

Ontem o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) publicou a sua: oito ministros ganharam em junho acima do teto devido a acúmulo de atividade com outros tribunais. A legislação aceita que valores considerados "gratificação eleitoral", como os pagos pelo TSE a ministros de outros tribunais, não entrem na linha do corte do "abate-teto", um sistema que impede o recebimento além do limite, hoje fixado em R$ 26,7 mil. A gratificação é de cerca de R$ 850,00 por sessão. Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do STJ (Superior Tribunal de Justiça) acumulam, em sistema de rodízio, atividades no TSE.

O Estado de S. Paulo

STF deve ser questionado sobre foro privilegiado no julgamento do mensalão

Prestes a ser deflagrado, o polêmico julgamento da ação penal do mensalão reacendeu no meio jurídico a discussão sobre o foro privilegiado e a vocação constitucional do Supremo Tribunal Federal. Alguns defensores dos 38 acusados planejam questionar a competência da instância máxima do Judiciário para julgar réus sem prerrogativa de foro. É uma estratégia que pode retardar o início da jornada ou acabar fulminada pela Corte.

Apenas três dos 38 réus do processo aberto para julgar o maior escândalo da era Lula têm foro privilegiado: os deputados federais João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT). Por causa deles a famosa ação penal 470 ficou sob a tutela do STF. Os outros 35 acusados, tivesse havido a separação, estariam agora sob o crivo da primeira instância judicial.

Geovani Pereira da Silva, o elo secreto do esquema de Carlinhos Cachoeira

Há 145 dias a Polícia Federal procura Geovani Pereira da Silva. O contador de 45 anos, dono de um patrimônio declarado inferior a R$ 200 mil, é a peça que falta para as investigações da Monte Carlo - a operação que levou à prisão Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em 29 de fevereiro, além de outras 79 pessoas. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, Geovani era responsável por receber o dinheiro arrecadado do jogo ilegal e fazer pagamentos da organização criminosa. Calcula-se que a movimentação da quadrilha chegou aos bilhões de reais.

"Homem-bomba é o Carlinhos Cachoeira. Não é o Geovani", responde o advogado Calisto Abdalla Neto, responsável pela defesa do contador, às pressões de parlamentares da CPI para que seu cliente deponha. Desaparecido, surgiram boatos de que ele estaria negociando uma delação premiada. O advogado nega: "Se ele fala, acorda morto. Ou morre antes mesmo de falar". Dados remetidos à CPI mostram que os rendimentos declarados de Geovani não combinam com sua elevada movimentação financeira.

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes lidera disputa com folga

No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) tem 54% das intenções de voto, segundo o Datafolha - o que lhe garantiria vitória no primeiro turno. Muito abaixo, e tecnicamente empatados, aparecem Marcelo Freixo (PSOL), com 10%, e Rodrigo Maia (DEM) com 6%, à frente do tucano Otavio Leite, que tem 4%. Chegou a 22% o total dos que votaram nulo, em branco ou não sabem e outros quatro candidatos têm um ponto cada.

Audiências da Monte Carlo começam na terça

A Justiça Federal marcou para terça e quarta-feira as audiências de instrução e julgamentos dos réus da Operação Monte Carlo. O juiz federal Alderico Rocha Santos, que assumiu a 11ª Vara Federal, negou o pedido de sobrestamento das audiências formulado pela defesa de Cachoeira. Cabe recurso. Em 31 de maio, uma liminar do TRF da 1ª Região suspendeu as audiências. Os advogados alegaram cerceamento de defesa e desmembramento ilegal do processo. A defesa dos réus afirma, ainda, que não foram cumpridas todas as diligências solicitadas às empresas de telefonia.

Dilma repete Lula e libera verbas em ano eleitoral

A presidente Dilma Rousseff repetiu seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva e editou decretos que permitem investimentos federais em novas obras durante o período eleitoral. Dilma já publicou seis desses decretos. Eles vão beneficiar 855 projetos, entre os quais a ampliação do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, onde a presidente aposta alto na eleição do ex-ministro Patrus Ananias (PT) contra o agora adversário Marcio Lacerda (PSB), prefeito e candidato à reeleição.

A possibilidade de transformar por meio de decretos um repasse "voluntário", proibido no período de eleição, em repasse "obrigatório", que é liberado, foi dada a partir de medida provisória editada pelo governo Lula - e depois convertida em lei - no ano anterior à campanha municipal de 2008. A justificativa era não prejudicar obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

Pastas dizem que não há favorecimento

Os ministérios negam favorecimento a aliados no repasse de verbas em ano eleitoral. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PC do B-SP), afirma que as parcerias com prefeituras paulistas já estavam avançadas quando assumiu o cargo, em outubro do ano passado. Por meio de sua assessoria de imprensa, Aldo explicou que, embora seja amigo há décadas e tenha trabalhado com o secretário de Esportes de Campinas, Caio Carneiro Campos, a liberação de verbas para a cidade não tem relação com isso.

Cidades da base aliada lideram os repasses antes da campanha

Governada pelo ex-ministro Luiz Marinho (PT), candidato à reeleição, São Bernardo do Campo foi a cidade campeã em repasses federais em 2012 no período pré-campanha, com R$ 69 milhões. O Ministério da Saúde, do petista Alexandre Padilha, enviou a maior parte. Dias antes de a lei eleitoral proibir a participação de candidatos em inaugurações, Marinho aproveitou a presença de Padilha, da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula na inauguração de uma Unidade de Pronto Atendimento na cidade do Grande ABC para promover sua gestão na área de saúde.

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