Nos jornais: disputa em SP tem recorde de eleitores sem candidato

Eleições municipais dominam noticiário deste sábado, com destaque para o pleito de São Paulo. Levantamento do Congresso em Foco sobre cidades que poderão ter novas eleições para prefeitos ganha repercusão em O Globo.

Folha de S. Paulo

Disputa em SP tem recorde de eleitores sem candidato

A dez dias do segundo turno da disputa pela Prefeitura de São Paulo, 19% dos eleitores da cidade dizem não ter candidato. O índice é o maior da história para o período. Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra que 10% dos eleitores declaram voto branco ou nulo, e indecisos são outros 9%. Fernando Haddad (PT) tem 49% das intenções de voto e José Serra (PSDB) aparece com 32%.

Na eleição anterior, faltando oito dias para a disputa entre Gilberto Kassab (então no DEM) e Marta Suplicy (PT), os que declaravam votar branco, nulo ou diziam estar indecisos eram 10% no total. O índice mais próximo do atual ocorreu em 2000, quando, a nove dias do segundo turno, 15% dos eleitores afirmavam que não votariam nem em Marta Suplicy (PT) nem em Paulo Maluf (PPB). Neste ano, a votação no primeiro turno já deu sinais do desgaste da polarização PT x PSDB com o eleitorado paulistano, o que ajuda a explicar os números de paulistanos sem candidato.

Petista e tucano distorcem dados em debate

No duelo para mostrar ao eleitor quem foi pior e quem pode fazer mais por São Paulo, Fernando Haddad (PT) distorceu números de produção de moradias e José Serra (PSDB) inflou os de escolas de lata no debate da corrida pela prefeitura realizado anteontem na TV Band.

Petista e tucano adotaram estratégias semelhantes ao "turbinar" dados em perguntas e réplicas e omitir informações desfavoráveis. Não raro, os candidatos iniciavam as frases com "você não respondeu minha pergunta". Num dos embates, sobre o deficit de vagas em creches, Haddad e Serra reproduziram o jogo de empurra entre Ministério da Educação e prefeitura que inviabilizou o repasse de R$ 240 milhões do governo federal para a construção de unidades. Sobre o metrô, ambos distorceram dados técnicos.

Lula diz que pedirá verba para beneficiar prefeituras do PT

Em comícios com aliados no ABC paulista, o ex-presidente Lula sugeriu ontem que pedirá verbas ao governo federal para obras em cidades onde o PT vencer as eleições municipais, incluindo na capital paulista, onde Fernando Haddad concorre com José Serra (PSDB). Ele participou de atividades das campanhas dos petistas Carlos Grana, em Santo André, e Donisete Braga, em Mauá. Nesta última, foi mais enfático na promessa de ajudar a agilizar a liberação de recursos.

"Estou disposto a falar com a presidenta e com os ministros quantas vezes esse companheiro [Braga] precisar, pra gente fazer com que as coisas aconteçam mais rápido na cidade de Mauá", disse Lula. "O mesmo quero fazer com o [Luiz] Marinho [prefeito reeleito de São Bernardo], o Grana e com todos os prefeitos que me procurarem. E não vou nem falar do Haddad..."

Serra questiona credibilidade de pesquisas

Numa tentativa de afastar o desânimo da campanha, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, disse ontem que os institutos de pesquisas estão com a "credibilidade em baixa". O Datafolha mostrou que ele está com 32% das intenções de voto, 17 pontos atrás do rival, Fernando Haddad (PT), que tem 49%. "Se dependesse das pesquisas, eu não estaria no segundo turno. Elas estão com credibilidade baixa, não por má intenção, mas porque erraram bastante", disse.

Serra disse confiar em levantamentos internos, contratados por sua equipe, que apontariam empate técnico, segundo a Folha apurou. A aliados o tucano manifestou preocupação com a diferença nos resultados. Disse que os levantamentos internos não foram contratados para produzir "autoengano" e que, no primeiro turno, se mostraram eficientes. Ele afirmou, no entanto, que os resultados divulgados por Datafolha e Ibope têm efeito negativo sobre a militância e a arrecadação.

Em Salvador, Dilma diz ter obrigação de vencer eleição

Em comício realizado pouco após pesquisa Ibope apontar ACM Neto (DEM) oito pontos à frente de Nelson Pelegrino (PT) na disputa em Salvador, ontem à noite, a presidente Dilma Rousseff disse que não falaria "mal de ninguém", mas atacou o democrata e afirmou ter "obrigação de ganhar a eleição". "Só assim o time vai ficar completo", disse Dilma, em referência à campanha de Pelegrino, que prega o alinhamento com os governos federal e estadual. "Assim como tenho um parceiro que é o governador Jaques Wagner [PT], preciso de um parceiro como o Pelegrino na prefeitura."

Aécio e Campos trocam elogios em ato por aliado em Minas

No primeiro ato público de campanha em que participaram juntos na eleição deste ano, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador Eduardo Campos (PSB) trocaram elogios. Aécio e Campos estiveram ontem em Uberaba, no Triângulo Mineiro, para ato de apoio ao candidato a prefeito Antonio Lerin (PSB). Ele concorre no segundo turno contra o deputado federal Paulo Piau (PMDB), que, hoje, deve receber apoio oficial do PT no segundo turno. Em discurso na associação comercial, Aécio insinuou seu desejo de uma aliança com o PSB em 2014. "Quem sabe no futuro Deus permita que esses laços sejam mais fortes pelo bem do país", disse o senador.

Lula e Dilma vão a Campinas combater Eduardo Campos

A presidente Dilma e o ex-presidente Lula vão hoje a Campinas (SP) reforçar a campanha de Marcio Pochmann (PT) e tentar evitar uma dupla derrota na cidade. Eles participam de um comício do candidato petista, que disputa a prefeitura contra Jonas Donizette (PSB).

Segundo a última pesquisa Ibope, há um empate técnico nas intenções de voto: 45% para Donizette e 39% para Pochmann (cuja pronúncia é "póchimam"). A margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos. Perder para Donizette significa permitir a entrada do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em São Paulo e dar força a trajetória dele rumo à disputa presidencial de 2014 e ao projeto de reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB). No Estado, o PSB é aliado dos tucanos.

'Comi o pão que o diabo amassou', diz Duda

Sete anos após o escândalo do mensalão, Duda Mendonça afirma, em entrevista à Folha, que comeu o "pão que o diabo amassou'', mas que o pior momento foi uma cirurgia em 2006. "Diante da morte, todo o resto fica pequeno", afirmou. Responsável pela campanha de Lula em 2002, Duda recebeu à época mais de R$ 11 milhões do PT. A revelação feita por ele à CPI dos Correios de que parte do pagamento ocorreu em uma conta no exterior representou um dos momentos mais tensos do escândalo.

"Ouvi de muita gente que fui um otário por falar a verdade, mas, no final, ter falado a verdade me salvou." Ele e a sócia Zilmar Fernandes foram acusados de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, mas foram absolvidos pelo Supremo Tribunal Federal na semana passada. Duda diz que nunca rompeu com Lula e que chegou a conversar com Dilma Rousseff para trabalhar na sua campanha

PT decide que só fala de mensalão depois das eleições

O comando do PT determinou ontem que o partido só se manifeste sobre o julgamento do mensalão depois das eleições. Reunida em São Paulo, a Executiva Nacional do PT orientou os petistas a submergir durante o processo eleitoral. Para evitar que a eleição seja contaminada pelo mensalão, a ordem, segundo o ex-ministro Nilmário Miranda, é "não entrar em provocações nem procurar novos debates". "A decisão da Executiva é esperar o julgamento para se manifestar", disse Nilmário. O secretário Nacional de Organização do PT, Paulo Frateschi, disse que pretendia usar, na reunião, o desempenho do primeiro turno como prova de que o impacto eleitoral do julgamento foi menor do que o propalado. Mas foi desencorajado a falar.

Advogada propõe ranking para diagnosticar entraves da Justiça

Advogada atuante na área de direito do consumidor, especialmente em ações contra operadoras de planos de saúde, Rosana Chiavassa se coloca pela quarta vez entre os líderes da oposição ao grupo encabeçado por Luiz Flávio Borges D'Urso na OAB-SP.

Nas três eleições em que D'Urso venceu na entidade- hoje ele está licenciado após disputar a eleição municipal como vice do candidato a prefeito Celso Russomanno-, Rosana Chiavassa foi candidata a presidente em 2003 e a vice em 2006 e 2009. Agora, lançou-se de novo como oposição na eleição marcada para novembro. Como os demais pré-candidatos, que devem oficializar as candidaturas até o dia 29, ela é crítica à influência político-partidária na direção da OAB-SP e ao que considera perda de seu papel institucional.

Erenice agora atua como advogada no TCU

Dois anos após deixar a chefia da Casa Civil sob a suspeita de usar o cargo para beneficiar a empresa de lobby do filho, Erenice Guerra voltou a atuar como advogada. Ela esteve duas vezes no Tribunal de Contas da União entre julho e agosto deste ano para encontros com o ministro José Múcio Monteiro.

E, de acordo com o jornal "O Estado de S. Paulo", ela também esteve com outro membro do tribunal, Walton Alencar. Na Casa Civil, Erenice cuidava da interlocução com o TCU e chegou a ser cotada para uma vaga no tribunal. Ela perdeu o cargo em 2010 quando a Folha revelou que ela recebeu um cliente do filho na pasta e atuou para ajudá-lo. O TCU não disse qual tema foi tratado nas reuniões com Monteiro. O gabinete de Alencar disse que ele não estava.

O Globo

Ficha Limpa: 87 cidades podem ter novas eleições para prefeito

Levantamento do site Congresso em Foco, com base em dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que 87 municípios podem realizar novas eleições para escolher um novo prefeito. O clima ainda é de indecisão por conta do alto número de votos anulados, já que candidatos potencialmente eleitos foram barrados pelos tribunais regionais eleitorais à espera de uma decisão do TSE. Isso porque o Código Eleitoral brasileiro permite que uma nova eleição seja convocada caso 50% ou mais dos votos sejam anulados.

Leia aqui a reportagem: quase 90 cidades poderão ter novas eleições

No Rio de Janeiro, dois municípios estão na lista: Cabo Frio, onde o candidato do PP, Alair Corrêa, que mesmo com os 45.931 votos não pode se considerar eleito; e São José do Vale do Rio Preto, onde o candidato do PMDB, Rosaldo, também enfrenta problemas com a justiça eleitoral. Veja aqui lista completa das cidades brasileiras onde devem acontecer novas eleições.

Se houver necessidade de uma nova eleição, ela terá de ser marcada entre 20 e 40 dias depois do esgotamento da possibilidade de recursos. Para isso, é preciso aguardar uma decisão definitiva do TSE. A ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal, disse recentemente que os casos que podem influenciar no resultado têm prioridade de julgamento.

No segundo turno, pesquise sobre seu candidato aqui
Lista dos candidatos barrados pela ficha limpa
Tudo sobre eleições

Aécio Neves e Eduardo Campos se unem de olho em 2014

Inflados pelas vitórias no primeiro turno de Marcio Lacerda, em Belo Horizonte, e de Geraldo Júlio, em Recife, os padrinhos das duas candidaturas, respectivamente Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), prováveis adversários do PT em 2014, unem-se para medir forças com a dupla Lula e Dilma Rousseff neste segundo turno em capitais e grandes cidades. Mostrando um distanciamento cada dia maior de partidos da base aliada do governo e se firmando como terceira via, o presidente do PSB e governador de Pernambuco Eduardo Campos usou nesta sexta-feira um ato de campanha em Uberaba, cidade importante do Triângulo Mineiro, para estrear na campanha ao lado de Aécio, que também comemora o fato de ter conseguido polarizar com Dilma no primeiro turno em Belo Horizonte.

Marco Aurélio diz que Lula “sensibiliza leigos”

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse na noite desta sexta-feira, em Guarulhos, que a declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que foi absolvido no escândalo do mensalão pelas urnas na eleição de 2006 "sensibiliza leigos". — O presidente Lula não é acusado no processo. Evidentemente ele lança algo que sensibiliza, mas sensibiliza muito o leigo —afirmou Marco Aurélio, antes de dar uma palestra na Universidade Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo.

O ministro disse ainda não acreditar na possibilidade de a presidente Dilma Rousseff conceder indulto para beneficiar os condenados no processo. — É cedo para pensarmos em qualquer medida que vise esvaziar o pronunciamento judicial. Não acredito que a presidente, presente as peculiaridades do caso, parta para a formalização de um indulto, sob pena de nós esvaziarmos as nossas penitenciárias.

Em campanha para Pelegrino em Salvador, Dilma critica DEM

A presidente Dilma Rousseff participou na noite desta sexta-feira de um comício do candidato do PT a prefeito de Salvador, Nelson Pelegrino, ao lado do governador da Bahia Jaques Wagner (PT), e de duas ministras — Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Luiza Barros (Integração Racial). Dilma discursou durante 20 minutos, com ênfase nas questões raciais. Lembrou da lei aprovada que obriga as universidades públicas a destinar metades das vagas para negros: — A população negra ascendeu à classe média neste país. Escancaramos as portas das universidades — disse Dilma.

A presidente cometeu uma gafe quando, no início do discurso, errou a pronúncia do nome do bairro de Cajazeiras, que fica na periferia de Salvador, onde ocorreu o evento. — Tem hora que a gente fica tatibitati. Mas é a emoção de estar com vocês — justificou ela, após dizer “Cazajeiras”.

Lula ironiza críticas feitas pela indicação de Haddad em SP

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizou na noite desta sexta-feira as críticas feitas quando ele indicou o ex-ministro Fernando Haddad (PT) para disputar a prefeitura de São Paulo. Em comício em Mauá, no ABC paulista, onde esteve com o candidato petista Donisete Braga, que disputa a prefeitura da cidade, Lula ainda ressaltou que o governo federal "não é um clube de amizades" e que só conseguem verbas federais os prefeitos que apresentarem as melhores propostas.

- Quando eu indiquei o Haddad diziam que estava indicando um poste. Ontem (quinta-feira), após o debate (na TV Bandeirantes, o primeiro no segundo turno entre o ex-ministro e o tucano José Serra), li num blog a seguinte frase: 'de poste em poste Lula vai iluminar o Brasil' - disse o ex-presidente, que dividiu em Mauá o mesmo palanque com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, e o presidente estadual da sigla, Edinho

O Estado de S. Paulo

Tese sobre quadrilha tende a prevalecer

A ideia de que havia uma cadeia de comando organizando as ações do mensalão, sedimentada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal desde o início do processo, em agosto, é tida por alguns desses ministros como forte indicação de que o crime de quadrilha acabará sendo caracterizado. O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e outros dez réus correm alto risco de serem condenados nessa sétima e última fatia do caso. Em repetidas ocasiões Dirceu foi qualificado como mandante do esquema. Marcos Valério, apontado como broker (corretor) do ex-ministro, e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, como operador. Essa hierarquia, conforme ministros, é típica da existência de uma quadrilha.

Alguns lembram que o mensalão foi montado para as eleições de 2002 e se estendeu ao longo de 2004, como admitiram réus em seus depoimentos. Ou seja, os crimes continuaram ocorrendo. O esquema só deixou de funcionar quando o deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) o delatou em 2005. Todos esses pontos foram traçados pelo relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, e devem ter o apoio da maioria dos ministros.

Dilma inicia seu 'road show' eleitoral contra prováveis adversários em 2014

A presidente Dilma Rousseff iniciou ontem uma série de comícios de apoio a correligionários e a aliados neste 2.º turno das eleições municipais. Os locais escolhidos têm em comum candidatos adversários cuja projeção é nacional ou que são apoiados por políticos que poderão estar unidos contra ela na disputa pela reeleição presidencial em 2014. "Sou de um governo e de uma tradição republicanos, jamais perseguimos ou discriminamos ninguém, tratamos todo mundo com respeito, porque gostamos de respeito", disse Dilma em Salvador, no discurso de apoio ao candidato petista Nelson Pelegrino. "Mas isso não significa que eu não saiba quem faz parte do meu projeto, do meu time, da minha família." Em caso de vitória de ACM Neto (DEM), o Planalto avalia que a capital baiana poderá se transformar num centro forte de oposição tanto ao governo estadual de Jaques Wagner (PT) - também presente ontem no comício - quanto ao governo federal.

Soninha xinga petista em blog e depois apaga

A ex-candidata à Prefeitura de São Paulo Soninha Francine (PPS) chamou ontem o petista Fernando Haddad de "filho da p..." em texto no seu blog. Mais tarde, arrependida, trocou o xingamento por "muito cinismo". "Estava com muita raiva desde o debate. É tanta mentira. Aí, quando acordei, fui desabafar. Eu escrevo como falo e falo muito palavrão. Xinguei em letras maiúsculas, p... da vida mesmo. Depois, voltei lá com menos raiva e apaguei", disse. Os advogados de Haddad entram hoje com uma ação contra Soninha, pedindo direito de resposta no próprio blog e que ela seja proibida de repetir ofensas contra o petista. Uma cópia da ação será encaminhada ao Ministério Público, para apuração de crime de injúria eleitoral. Soninha, ex-petista, hoje apoia o tucano José Serra, no 2.º turno. Ela obteve 2,65% dos votos válidos.

Só 'entidade boa' manterá os contratos, diz Haddad

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou ontem que, se eleito, renovará apenas os contratos com as organizações sociais (OS) na saúde que forem "bem-sucedidos". "Se estiverem caminhando bem, (renovarei) sim. Por que não?", disse Haddad. O candidato voltou a negar que pretenda extinguir o modelo das OS na gestão das unidades de saúde. Em seu programa de governo, Haddad afirma que vai "retomar, sem prejuízo dos condicionantes contratuais legais e após providências administrativas necessárias, a direção pública da gestão regional e microrregional do sistema municipal de saúde".

Segundo o petista, seu objetivo é fortalecer o papel da Prefeitura na gestão do sistema e seguir recomendação do Tribunal de Contas do Município (TCM) para melhorar a transparência no controle de gastos destas entidades. "O sistema de saúde é único. Não podemos abdicar de administrar o sistema como um todo. Os contratos precisam ser fiscalizados, precisa haver transparência, controle do gasto, criar cláusulas para, quando as metas não forem atingidas, qual será o procedimento. Isso é regulação do sistema", defendeu o petista.

Para manter repasses, Congresso quer prorrogar FPE

A pouco mais de dois meses do prazo final de validade da regra atual de distribuição do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE), o Congresso vai pedir ao Supremo Tribunal Federal que prorrogue o prazo por mais um ano. Na avaliação dos parlamentares, essa é a única saída para impedir que o repasse seja bloqueado. Em fevereiro de 2010, o Supremo considerou inconstitucional a regra que está em vigor e deu prazo para sua substituição até 31 de dezembro deste ano.

Deputados e senadores tiveram dois anos e oito meses para aprovar outra proposta, mas a questão nunca foi tratada como prioridade. O senador Romero Jucá (PMDB-RR) é um dos poucos que acreditam na chance de ter aprovada no início de novembro a proposta de sua autoria e do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Mesmo se isso ocorrer, o que é pouco provável, ele reconhece que a Câmara não terá tempo suficiente para examinar o texto. "Teremos, então, de providenciar um abaixo-assinado dos líderes ao presidente do Congresso, José Sarney, pedindo ao Supremo para revalidar a proposta do FPE de hoje", diz.

TCU estuda abrir agendas de ministros

O Tribunal de Contas da União (TCU) discute abrir as agendas de seus ministros na internet, com a promessa de dar transparência às atividades internas e facilitar o controle social sobre o lobby exercido nos gabinetes por advogados e agentes políticos. Ontem, o Estado mostrou que a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, apresentando-se como advogada, visitou ministros para discutir e levantar dados da concessão das linhas interestaduais de ônibus. A licitação vai ser lançada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e depende de aval do TCU. Erenice, segundo o próprio tribunal, não consta como advogada constituída em nenhum processo em andamento na corte.

Em outra reportagem, publicada em agosto, o Estado revelou que o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), tentou favorecer um de seus sócios num processo em tramitação. O texto foi discutido em reunião do TCU na quarta-feira, quando o presidente da corte, Benjamin Zymler, anunciou a proposta de divulgação das agendas dos ministros.

Dilma fará reforma ministerial para ajustar base aliada

A presidente Dilma Rousseff pretende fazer uma reforma ministerial para ajustar a base aliada à nova configuração política que resultará da eleição municipal e da escolha dos presidentes da Câmara e do Senado, em fevereiro. O PMDB deverá eleger Henrique Eduardo Alves (RN) presidente da Câmara e Renan Calheiros (AL) presidente do Senado. Com isso, terá maior poder de barganha com o governo e deverá exigir mais uma pasta. De acordo com informações do Palácio do Planalto, caberá ao PSD um ministério, pois o partido apoia a presidente há quase um ano sem ter recebido nada em troca. O problema é que após a briga da senadora Kátia Abreu (TO) com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o PSD ficou enfraquecido. A presidente vai aguardar que o partido escolha o nome do filiado que deverá fazer parte de sua equipe.

Pelas informações de bastidores, Dilma trabalha no momento com alguns cenários que já estão perfeitamente encaixados e em outros que podem mudar, dependendo do resultado do segundo turno da eleição e do comportamento dos partidos aliados daqui para a frente.

Oposição planeja pedir explicações a Erenice

A oposição defendeu ontem que a ex-ministra Erenice Guerra compareça à Comissão de Viação e Transportes da Câmara para explicar sua atuação no Tribunal de Contas da União na concessão das linhas interestaduais de ônibus, a ser lançada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, em 2013. Reportagem de ontem no Estado aponta que Erenice, afastada da Casa Civil por denúncias de lobby no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem tratado de negócios públicos com ministros do TCU.

Para oposicionistas, a ex-ministra está sob suspeita de fazer lobby e tráfico de influência. Na segunda-feira, o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), enviará ofício aos ministros do TCU, pedindo explicações sobre os encontros e quais as demandas da ex-ministra. Bueno também enviará requerimento de informações ao ministério dos Transportes, ao qual a ANTT é ligada, perguntando sobre a atuação de Erenice na Agência e em que pé está o processo de concessão de linhas interestaduais de ônibus. "A movimentação dela é algo que fere a ética e precisa ser esclarecida", disse Bueno. Ao defender a regulamentação do lobby, o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), argumentou que o TCU tem de dar explicações sobre a atuação de Erenice Guerra no Tribunal. "Ela tem de explicar o que estava fazendo lá e quem são seus clientes. O que ela está fazendo é, no mínimo, imoral. É tráfico de influência", afirmou Freire.

Serra critica pesquisas e afirma que elas têm 'credibilidade baixa'

As pesquisas divulgadas nesta semana que apontam o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, em desvantagem contra Fernando Haddad (PT) não significam muita coisa para o tucano, que usou o termo "credibilidade baixa" ao ser questionado sobre os números.

No Ibope, Haddad figurou com 49% das intenções de voto diante de 33% de Serra; no Datafolha, o petista teve os mesmos 49% e o tucano, 32%. "Se dependesse das pesquisas eu teria ficado em terceiro lugar, não teria vindo para o 2.º turno. As pesquisas estão, hoje em dia, não com má intenção, mas com a credibilidade baixa", disse Serra, após visitar um conjunto habitacional em São Miguel Paulista, na zona leste da capital. Segundo o candidato, as pesquisas internas revelam outro cenário. Serra afirmou ainda que os resultados divulgados na última semana, mesmo que distorcidos, segundo ele, não abateram a campanha. Pelo contrário.

Presidente reedita em Campinas disputa com aliança PSB-PSDB

A presidente Dilma Rousseff desembarca hoje em Campinas a fim de reeditar no 2.º turno confronto direto com o PSB ocorrido em Belo Horizonte. Na capital mineira, Marcio Lacerda, candidato do partido da base aliada apoiado pelos tucanos, venceu já no 1.º turno, apesar da presença da presidente no palanque do correligionário Patrus Ananias. Na cidade do interior, Dilma, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenta emplacar o petista Márcio Pochmann contra o adversário Jonas Donizette (PSB). A campanha campineira já ganhou ares de disputa nacional. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, trabalham intensamente por Donizette. Ambos já estiveram no palanque do candidato, que lidera as pesquisas de intenção de voto.

Candidatos usam dados parciais e incompletos

Os candidatos à Prefeitura de São Paulo exploraram informações incompletas ou contraditórias no primeiro debate do 2.º turno, anteontem. Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) disputaram a paternidade de projetos e do financiamento de obras, mas inflaram a população beneficiada e citaram investimentos que ainda não foram concretizados. No debate da TV Bandeirantes, Haddad tentou destacar as realizações da gestão de Marta Suplicy (PT) no município e investimentos do governo federal. Serra citou avanços promovidos pela Prefeitura nos últimos oito anos, sob seu comando e na administração de Gilberto Kassab (PSD). Ao menos duas vezes, os candidatos disputaram a responsabilidade por investimentos feitos em São Paulo, mas não deram informações completas aos eleitores.

 

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!