Nos jornais: diretor da Alstom diz que propina em SP foi de 15%

Direção da multinacional na França autorizou o pagamento de propina de 15% sobre um contrato de US$ 45,7 milhões para fechar um negócio com uma estatal paulista em 1998, segundo depoimento à Justiça de ex-diretor comercial da empresa

Folha de S. Paulo

Diretor da Alstom diz que propina em SP foi de 15%

A direção da Alstom na França autorizou o pagamento de propina de 15% sobre um contrato de US$ 45,7 milhões (R$ 52 milhões à época) para fechar um negócio com uma estatal paulista em 1998, segundo depoimento à Justiça do ex-diretor comercial da multinacional, o engenheiro francês André Botto.

O conteúdo do depoimento sigiloso, obtido pela Folha, traz pela primeira vez o reconhecimento de um diretor da Alstom de que houve suborno para conquistar o contrato com a estatal. Na época, o Estado era governado por Mário Covas (PSDB).
Botto, que era responsável na França pela parte comercial do contrato brasileiro, contradiz o que a filial brasileira da Alstom repete desde 2008: que a empresa nunca pagou suborno e que colabora com a apuração.

"O negócio era muito importante para a Alstom. Era importante ganhá-lo por meio de acordo e evitar uma licitação. Tivemos de pagar comissões elevadas, da ordem de 15% do contrato", contou Botto ao juiz Renaud Van Ruymbeke, em 2008.

A estratégia da Alstom deu certo. Em 1998, a empresa assinou com a EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia) e a Eletropaulo um aditivo para a venda de equipamentos para três subestações de energia.

Empresa nega suborno para obter contrato

A Alstom nega o pagamento de propinas para obtenção do contrato com a estatal paulista EPTE em 1998.

Em nota, a multinacional diz que "manifesta seu veemente repúdio quanto às insinuações de que possui política institucionalizada de pagamentos irregulares para obtenção de contratos".

Segue a nota: "A empresa nunca se negou a prestar os esclarecimentos solicitados pelas autoridades quando tem prévio acesso aos documentos, mas lamenta que o alegado conteúdo de investigações sobre supostas condutas ocorridas há quase 20 anos, que por obrigação legal deveriam ser tratadas de forma sigilosa, venham a ser utilizadas de forma reiterada e desproporcional nos dias de hoje com o claro intuito de denegrir a imagem de uma empresa que cumpre absolutamente com todas as suas obrigações legais".

O vereador Andrea Matarazzo disse que nunca participou de discussões sobre o negócio com a Alstom. Ele foi secretário de Energia durante sete meses em 1998, do final de janeiro a agosto. Segundo nota do vereador, o contrato que gerou o aditivo, de 1983, foi assinado por "governos anteriores".

Futuro ministro da Saúde é investigado por improbidade

Convidado ontem pela presidente Dilma Rousseff para assumir o Ministério da Saúde no lugar de Alexandre Padilha, Arthur Chioro, atual secretário de Saúde em São Bernardo do Campo (SP), é alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo por improbidade administrativa.

"O objeto da apuração é de possível violação ao princípio da administração pública, porque ele é secretário municipal e, concomitantemente, sócio majoritário da empresa Consaúde Consultoria, Auditoria e Planejamento Ltda., que presta serviço para diversos municípios, confrontando a Lei Orgânica de São Bernardo do Campo", disse a promotora Taciana Trevisoli Panagio.

Segundo o "Diário do Grande ABC" e o "Correio Braziliense", o inquérito civil público foi instaurado em setembro de 2013. A consultoria, que pertence ao secretário desde 1997, presta serviços na área da saúde a várias cidades do Estado de São Paulo, sobretudo em municípios sob a gestão petista, como Ubatuba e Botucatu.

Procurada pela Folha, a Secretaria de Saúde de São Bernardo do Campo (SP) não comentou a investigação até o fechamento desta edição.

Presidente fará 'test drive' com novos auxiliares

A presidente Dilma Rousseff deflagrou a reforma ministerial e, de olho na reeleição, fará com alguns dos novos auxiliares uma espécie de "test drive" para o caso de conquistar novo mandato.

Auxiliares presidenciais dividem as mudanças na equipe em dois blocos: os "ministros dos dez meses", com prazo de validade, e os titulares que serão observados para um eventual futuro governo.

No time do "test drive" está Aloizio Mercadante (Educação), escolhido no fim de semana para a Casa Civil. Ele é a principal aposta de Dilma nesta reta final do governo.

O empresário Josué Gomes (PMDB-MG), cotado para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, também integrará o grupo caso seja confirmado no cargo.

Tanto Dilma quanto Lula desejam seu embarque no governo, mas negociam para que o PMDB assuma a indicação. O partido quer ampliar seu espaço na Esplanada.

Lamas quer pagar multa em 180 vezes

O pedido foi feito ontem pelo ex-tesoureiro do PL (atual PR), condenado no mensalão. Se for aceita a solicitação, Jacinto Lamas pagará R$ 370 mil em parcelas de cerca de R$ 2.000. Seu advogado diz que ele não tem como pagar a multa de uma só vez. A lei não define número máximo de parcelas.

OAB-SP vai decidir sobre registro de Dirceu

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) levou mais de dois meses para decidir quem analisará uma representação que tenta cassar o registro de advogado do ex-ministro José Dirceu. Após analise feita pela entidade em nível nacional e pela seccional do Distrito Federal, o caso agora foi encaminhado para São Paulo, onde o condenado no processo do mensalão tirou sua carteira profissional.

A representação contra Dirceu foi enviada à OAB nacional no dia 19 de novembro, quatro dias após sua prisão. O autor do pedido de cassação do registro profissional foi um advogado chamado Paulo Fernando Melo da Costa. De acordo com ele, a condenação no mensalão afetou a idoneidade moral do ex-ministro, algo incompatível com o exercício da advocacia.

Ao analisar o material, a OAB nacional entendeu que a seccional do Distrito Federal deveria ser a responsável pela tramitação do caso, uma vez que Dirceu teria cometidos os crimes em Brasília.

Acusações contra Mares Guia têm prescrição validada

A Justiça de Minas Gerais confirmou a prescrição das acusações contra o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro no processo do mensalão tucano.

O ex-ministro foi acusado de participar do esquema de desvio de dinheiro de empresas públicas de Minas para financiar a reeleição do então governador Eduardo Azeredo (PSDB) em 1998. Walfrido era vice-governador. Segundo a juíza Neide Martins, os crimes de que é acusado prescreveram após ele completar 70 anos, em 2012.

Tarso é condenado por improbidade pela Justiça do RS

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), foi condenado em primeira instância em ação de improbidade administrativa relacionada ao período em que foi prefeito de Porto Alegre. Pela decisão da Justiça estadual, da qual cabe recurso, Tarso deve pagar multa de R$ 10 mil e terá os direitos políticos suspensos por cinco anos.

A ação diz que a contratação temporária de profissionais de saúde violou "princípios constitucionais" que estabelecem a admissão via concurso público.

Em nota, Tarso disse que a irregularidade se refere à contratação de um médico radiologista e que a prefeitura não tinha profissional concursado.

PPS entra na campanha de Campos dia 31

O oposicionista PPS será convidado formalmente no próximo dia 31 a integrar a chapa presidencial do governador Eduardo Campos (PSB-PE) e da ex-senadora Marina Silva, possivelmente em um evento em São Paulo.

Tendo aprovado em dezembro um indicativo de apoio a Campos, o partido passará, a partir desse dia, a discutir conjuntamente com o PSB e a Rede Sustentabilidade --grupo político de Marina-- as diretrizes do programa de governo da chapa.

De acordo com o presidente do PPS, Roberto Freire, as propostas do PPS serão consolidadas pelo ex-deputado federal Raul Jungmann, que foi ministro do Desenvolvimento Agrário no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Além da participação na definição do programa de governo, o PPS irá discutir com PSB e Rede as candidaturas nos Estados, o que tem potencial para aumentar a já delicada costura de Marina e Campos para formar suas chapas regionais.

 

O Estado de S. Paulo

Planalto e PT agem para evitar onda de violência na Copa e dano eleitoral

Temendo reflexos negativos na eleição de outubro, o Palácio do Planalto e o PT se mobilizam para evitar atos de repressão policial violentos com potencial de gerar uma onda de manifestações durante a Copa do Mundo. No início de fevereiro, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, vai se reunir com secretários de Segurança dos 12 Estados-sede para firmar um protocolo de atuação policial frente as manifestações. Para este sábado estão previstos 36 protestos contra a Copa em todos os Estados do País e no Distrito Federal. Convocadas por meio do Facebook sob o slogan #naovaitercopa, as mobilizações cresceram nas redes sociais. Mais de 20 mil pessoas confirmaram participação no ato de São Paulo marcado para 17h, no vão livre do Masp.

O Planalto dá como certa a realização de protestos durante o torneio. A avaliação de Dilma e seus assessores é de que a ocorrência de manifestações pontuais não compromete a imagem da presidente. Já uma nova onda nacional de protestos pode causar graves danos às vésperas das eleições presidenciais. Por isso a preocupação do governo com a possível repressão violenta. Assessores de Dilma lembram que, no ano passado, os protestos estavam localizados em São Paulo até que a ação policial desproporcional provocou uma onda de atos de solidariedade em todo o País.

Desde o início do ano Dilma tem se reunido semanalmente com ministros para avaliar o quadro e cobrar providências. O núcleo duro do grupo de trabalho é formado por Cardozo e pelo ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Conforme a pauta, outros ministros são convocados.

Justiça barra contrato de publicidade no DF

A Justiça do Distrito Federal determinou cautelarmente a suspensão de contratos de publicidade firmados entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e três empresas, no valor de R$ 190 milhões. A decisão foi tomada dias depois de uma das agências, a Propeg, recusar a oferta de uma espécie de extensão desse mesmo contrato, que poderia lhe render R$ 9,6 milhões este ano, por considerá-lo sem base legal.

A polêmica teve início no fim de dezembro, quando o governo Agnelo Queiroz (PT) propôs uma extensão de atividades às três empresas vencedoras de uma concorrência para prestação de serviços de publicidade para todo o governo local, incluindo a área de saúde.
Elas fariam um novo contrato, desta vez com a Secretaria de Saúde, para produzirem campanhas de utilidade pública nas áreas de prevenção de aids, dengue e atenção básica. Para essa função, as empresas poderiam repartir R$ 13,8 milhões extras, em fatias de 15% a 70% desse total - ou seja, até R$ 9,6 milhões.

Rio quer Jefferson em casa, com tornozeleira

O secretário de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro, Gesar Rubens Monteiro de Carvalho, recomendou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), condenado no mensalão, fique preso em casa com o uso de uma tornozeleira eletrônica.

A recomendação foi feita a Barbosa em 23 de dezembro e anexada aos autos do processo na quinta-feira passada. Jefferson foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 7 anos e 14 dias de prisão, no regime semiaberto, mas sua defesa quer que ele permaneça em prisão domiciliar. A alegação dos advogados é que o estado de saúde do ex-deputado é delicado por causa do tratamento de um câncer em 2012 e ele precisa seguir uma dieta rigorosa, que inclui queijo branco, pão integral, suco batido com água de coco, salmão defumado e omelete de claras.

Essa foi a primeira posição oficial favorável ao pedido da defesa do delator do mensalão. Até agora, um laudo assinado por três médicos do Instituto Nacional do Câncer (Inca), um parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e uma manifestação da Vara de Execuções Penais do Rio haviam se posicionado contrariamente ao pedido da defesa de Jefferson. O presidente do STF está em férias e ainda não decidiu o futuro do ex-deputado.

Desempenho em campo influencia, diz historiador

Não são apenas os protestos do movimento #naovaitercopa, atrasos em obras e ameaças de violência durante a Copa do Mundo que podem influenciar o desempenho eleitoral da presidente Dilma Rousseff na sua tentativa de reeleição. Segundo especialistas e até dirigentes do PT, a performance da seleção brasileira dentro das quatro linhas também costuma ter impacto no resultado das urnas.
"O desempenho da seleção certamente terá influência sobre o humor do eleitorado. Na segunda fase podemos pegar Holanda ou Espanha, dois times fortes. Se o Brasil cair logo no começou isso vai abrir um vazio até o final do torneio", disse o historiador Flavio de Campos, professor da USP e coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Futebol e Modalidades Lúdicas (Ludens).

"Por outro lado, se a seleção for bem, o governo e o PT podem colher dividendos eleitorais", afirmou o historiador. Segundo Campos, antes dos protestos de junho todos os governantes associaram seus nomes ao torneio, mas a tendência é que a parte maior da fatura seja debitada na conta de Dilma e do PT. "O tiro saiu pela cula-tra. Mas se algo der errado o prejuízo maior será do PT porque tanto a Copa quanto os Jogos Olímpicos foram apresentados como conquistas do governo Lula", completou.

Defesa prevê Forças Armadas no papel de polícia

Uma grave crise de segurança durante a Copa do Mundo de 2014 ou os Jogos Olímpicos de 2016 - por exemplo, uma onda de protestos ameace a realização dos eventos - poderá ser enfrentada diretamente pelas Forças Armadas, caso as polícias estaduais não tenham condições de contê-la.

A regulação da ação da Marinha, Exército e Aeronáutica no controle de distúrbios, entre outras possibilidades, integra o documento Garantia da Lei e da Ordem (GLO), publicado pelo Ministério da Defesa em 20 de dezembro de 2013, e que causou controvérsia nas redes sociais. Um dos motivos é a inclusão de "movimentos ou organizações" na lista de "Forças Oponentes", ao lado de criminosos.
O Ministério da Defesa, porém, informou que o texto foi fechado antes dos protestos e não tem nenhuma relação com as manifestações de 2013.

"Não há como vincular esse manual às manifestações do meio do ano passado", afirmou o Ministério da Defesa, por sua assessoriade imprensa. O documento ficou pronto no fim de 2012 - antes dos protestos - e desde então tramitou pelo ministério, antes de ser oficializado. O diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil, Átila Roque, se diz preocupado ao ver que "a regulação operacional de um tema tão importante e controverso, como a atuação das Forças Armadas na garantia da Lei e da Ordem, seja feita sem um debate mais amplo com a sociedade, ainda mais em um contexto pós-protestos de junho de 2013 e meses antes da Copa do Mundo".

Para Anistia, documento é ‘vago, arbitrário’

O diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil,Átila Roque, considerou "vago, arbitrário e potencialmente danoso à democracia" atribuir às Forças Armadas poder de polícia, tendo como um dos objetivos o controle da população. "Ao considerar movimentos e organizações como forças oponentes, perturbadoras da ordem pública, o documento pode abrir um perigoso caminho para a repressão e a criminalização dos protestos."

Para o Ministério da Defesa, a inclusão de "movimentos e organizações" entre as "forças oponentes" teve o objetivo de não designar especificamente nenhuma entidade, o que, na visão da assessoria jurídica da pasta, elimina o perigo de criminalizar movimentos. "Hoje, as operações de Garantia da Lei e da Ordem estão muito bem definidas fática e legalmente, sendo excepcionais, temporárias e episódicas, definidas onde ocorrerão e por quanto tempo", disse a assessoria de imprensa da Defesa.

Mais um preso é achado morto no MA

Um preso foi encontrado morto, no início da manhã de ontem, em uma cela do Centro de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ), uma das oito unidades prisionais do Complexo de Pedrinhas, em São Luís. Peritos do Instituto de Criminalística (Icrim) do Maranhão comprovaram que Jô de Sousa Nojosa, de 21 anos, foi morto por enforcamento. A hipótese de suicídio está descartada: a vítima apresentava sinais de agressão.

Ele estava pendurado pelo pescoço com uma "teresa" (corda improvisada com pedaços de pano), dentro da cela 7 do bloco D. Nojosa é o terceiro detento achado morto neste ano no local. Desde o ano passado, foram registradas 63 mortes de presos em Pedrinhas, que está ocupada pela Polícia Militar e pela Força Nacional.

De acordo com o governo do Maranhão, há indícios de que o crime tenha sido cometido como represália à transferência, anteontem, de nove detentos do Complexo de Pedrinhas para a penitenciária federal de segurança máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Ainda segundo a administração Roseana Sarney, após o crime foi realizada uma vistoria na cela, mas nenhuma arma foi encontrada. Nojosa foi preso em São Luís em 28 de dezembro. O motivo da prisão não foi informado. Ele estava há uma semana no CCPJ.

Correio Braziliense

Para jovens, só existe emprego na Esplanada

Eles e elas estudam horas a fio e deixam de lado, muitas vezes, a família, os amigos e os amores. Tanto esforço tem um único objetivo: ingressar no serviço público. São milhões de brasileiros que, nas salas de cursinhos e em bibliotecas de todo o país, preparam-se para se tornar o futuro do funcionalismo. O Correio traçou, nas últimas semanas, um perfil de quem são os interessados em ocupar um dos cobiçados postos públicos.

Os candidatos são, em sua maioria, jovens e mulheres. Têm entre 18 e 30 anos. “As pessoas saem da faculdade e emendam com o cursinho, rapidamente ganham ritmo de estudo e logo passam no concurso”, explica a coordenadora pedagógica do IMP Concurso, Ranil Aguiar. Por isso mesmo, acabam tendo o serviço público como primeiro emprego. Recém-formada, a arquivista Flora Reinharbt Carvalho, 21 anos, por exemplo, concluiu a graduação na Universidade de Brasília (UnB) há 10 meses e já se dedica a entrar na carreira pública.

“Procurei emprego na rede privada, fiz até algumas entrevistas, mas, como a maioria dos meus colegas, acabei me rendendo ao funcionalismo. Falta mercado”, justifica. Filha de uma servidora, ela conta que recebeu muita influência em casa. “Minha mãe diz que é importante garantir o meu futuro, nunca vou precisar me preocupar com desemprego”, completa. Flora disputa uma vaga de arquivista na Polícia Federal.

O sonho de ter o governo como patrão não se restringe, contudo, a quem tem nível superior, mas também aos que acabaram de sair do ensino médio. Apesar de os graduados ainda serem maioria entre os candidatos — cerca de 70% dos alunos de cursinho entrevistados —, há um número crescente de pessoas que preferem assegurar o emprego no setor público antes mesmo de ingressarem na universidade.

Hoje, na rede Gran Cursos, 5% dos alunos têm menos de 18 anos. “São filhos de servidores. Os pais os estão orientando a buscar primeiro a estabilidade e, depois, o nível superior”, explica Wilson Granjeiro, proprietário do curso. Não à toa, já existe no Distrito Federal uma escola que leciona, no ensino primário, matérias de direito, que caem em concursos.

Escritório de trabalho de Dirceu é vistoriado

Funcionários da Vara de Execuções Penais (VEP) fizeram ontem uma vistoria no escritório do advogado criminalista José Gerardo Grossi, que ofereceu trabalho para o ex-ministro José Dirceu. O objetivo da visita era verificar se a empresa tem condições de receber diariamente o petista, que cumpre pena após a condenação no julgamento do mensalão, e se, de fato, precisa da atuação dele. O parecer da equipe será enviado ao Ministério Público ainda esta semana e, em seguida, o juiz da VEP, Bruno Ribeiro, decidirá se autoriza Dirceu a trabalhar. A expectativa é de que isso ocorra em até uma semana.

Na visita, o analista judiciário e psicólogo Vicente Moragas e o assistente social Alexandre Pereira observaram todas as salas do escritório, conversaram por cerca de meia hora com Gerardo Grossi e pediram documentos da empresa, como cópia dos contracheques de funcionários. Eles não quiseram comentar ao Correio a percepção que tiveram sobre o local em que José Dirceu poderá trabalhar já a partir da semana que vem.

Se for permitido, o ex-ministro será contratado como auxiliar administrativo do escritório, com salário de R$ 2,1 mil. O local fica no 9º andar de um prédio do Setor Bancário Sul, em Brasília. A sala em que Dirceu deve ficar é ampla, com piso de madeira e uma janela grande, que permite uma visão quase completa do Banco Central. “Ele vai ajudar nos assuntos administrativos e, eventualmente, organizar a biblioteca”, relata o empregador do petista. “O lugar estava ruim, contratei uma bibliotecária, ela ficou seis meses aqui e o deixou caótico.”

Repasse da "vaquinha"

O valor excedente da arrecadação feita pela família do ex-deputado federal José Genoino (PT-SP) para pagamento da multa imposta ao petista pela condenação no mensalão deve ser usado para ajudar a saldar a dívida de outros petistas punidos no julgamento na Ação Penal 470. É o que indica a mulher e os filhos do ex-parlamentar em texto de agradecimento publicado na noite de segunda-feira, no site criado para receber doações. Entre os possíveis beneficiados com o repasse, está o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que ontem lançou um site nos mesmos moldes de Genoino e passou por exame médico admissional para concluir sua contratação pela Central Única dos Trabalhadores (CUT).

“Graças a todas essas pessoas arrecadamos, conforme computado no dia de hoje, R$ 761.962,60 que permitiram arcar com o total da multa e que serão também utilizados para o pagamento dos encargos tributários dos diferentes estados da Federação. Assim, não temos ainda um cálculo preciso do valor que restará após toda esta tramitação, mas, com certeza, daremos continuidade a essa corrente de solidariedade aos companheiros condenados injustamente na Ação Penal 470”, escrevem a mulher do petista, Rioco, e os filhos, Miruna, Ronan e Mariana. A multa de Genoino foi de R$ 667.513,92.

Dilma formaliza convite a Chioro

A exemplo de Aloizio Mercadante, que há dois dias passa mais tempo na Casa Civil do que no Ministério da Educação, cargo que ainda ocupa na Esplanada dos Ministérios, o secretário de Saúde de São Bernardo do Campo (SP), Arthur Chioro, teve ontem um dia de ministro. Convidado oficialmente para ser o sucessor de Alexandre Padilha após uma conversa com a presidente Dilma Rousseff, às 9h30, Chioro almoçou com o atual titular da pasta e se encontrou novamente com a presidente no fim da tarde, no Palácio da Alvorada.

Mesmo tomando posse apenas no início de fevereiro, Chioro integrará, ao lado de Padilha, a comitiva presidencial que viaja a Cuba nos próximos dias, quando serão realizados encontros com os governantes locais para aprofundar o Programa Mais Médicos, principal marca do primeiro mandato de Dilma e que será usado como bandeira eleitoral na disputa presidencial de outubro. Até março, devem desembarcar cerca de 5 mil profissionais cubanos no Brasil.

O Correio mostrou ontem que Chioro está sob investigação do Ministério Público de São Paulo por ser dono de uma empresa — a
Consaúde Consultoria LTDA. — que prestava consultoria para outras prefeituras petistas, como Ubatuba (SP) e Botucatu (SP). A Lei Orgânica de São Bernardo do Campo (SP), onde Chioro ainda dá expediente, proíbe que secretários municipais sejam donos de empresas que mantenham contratos com entes públicos.

Brasil fica para trás, diz FMI

As previsões para o desempenho do Brasil não param de piorar. Ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) derrubou as projeções de crescimento do país em 2014, de 2,5% para 2,3%, e em 2015, de 3,2% para 2,8%. Por si só, essa já seria uma notícia ruim. Mas o organismo ainda deixou claro que navegamos na contramão do resto do mundo: enquanto a economia global deve registrar expansão de 3,7% neste ano, maior que a prevista anteriormente, com custo de vida menor, caímos na armadilha do baixo crescimento com inflação alta.

Apesar da revisão para baixo, as estimativas do FMI ainda são mais otimistas do que as do mercado financeiro, que não enxergam alta maior do que 2% na produção brasileira neste ano. O estudo Panorama Econômico Global, divulgado ontem, considera também que o avanço da economia verde e amarela ficará abaixo da média calculada para a América Latina, de 3% em 2014, e de 3,3% no ano que vem. Segundo o relatório, o país já ficou para trás em 2013, quando avançou  2,3%, menos que os 3% projetados para o resto do mundo.

Nos próximos anos, o Brasil ainda estará na lanterna entre as nações emergentes que integram o anagrama Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), denominação criada pelo Banco Goldman Sachs para designar os países em desenvolvimento que, na década passada, mostravam crescimento acelerado. De acordo com o relatório, várias economias emergentes, apesar de se beneficiarem da recuperação da demanda externa dos países desenvolvidos e da China, ainda estão com seus mercados internos evoluindo menos do que o esperado. É o caso do Brasil, em particular, e da Rússia.

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