Nos jornais: Dilma retoma agenda positiva após queda na popularidade

Presidenta anuncia o financiamento subsidiado de eletrodomésticos e móveis para beneficiários do Minha Casa, Minha Vida. Objetivo é combater a onda de notícias negativas das últimas semanas, que resultou na queda de oito pontos em sua popularidade, destaca a Folha

Folha de S. Paulo

Dilma retoma agenda positiva após queda na popularidade

Em um momento de queda de popularidade, a presidente Dilma retoma hoje sua estratégia de agenda positiva e anuncia o financiamento subsidiado de eletrodomésticos e móveis para beneficiários do programa Minha Casa, Minha Vida.

Na mesma linha de outras medidas de apelo popular, como a de redução da tarifa de energia elétrica e corte de tributos da cesta básica, a solenidade de hoje vai ser tema, em breve, de pronunciamento da presidente em cadeia nacional de rádio e TV.

Antecipada ontem pela coluna "Painel", da Folha, a estratégia do governo é montada pelo marqueteiro João Santana. O objetivo é combater a onda de notícias negativas das últimas semanas, que resultou na queda de oito pontos na popularidade da Dilma, segundo o Datafolha.

O governo enfrenta uma sequência de más notícias, como o pessimismo na economia --que levou o Banco Central a intensificar a alta de juros para frear a inflação--, os conflitos com grupos indígenas e o tumulto criado por boatos sobre o fim do programa Bolsa Família.

A anúncio sobre o Minha Casa, Minha Vida também reflete a preocupação da presidente com o setor produtivo: a expectativa é que o lançamento da linha de crédito ajude nas vendas, num esforço de recuperação da atividade industrial.

Petista lidera pesquisa da CNT com 52,8%

Pesquisa de intenção de voto à Presidência feita pelo instituto MDA Pesquisa de 1 a 5 de junho para a CNT (Confederação Nacional do Transporte) aponta que a presidente Dilma Rousseff tem 52,8% da preferência dos eleitores. Aécio Neves (PSDB) aparece em segundo, com 17%, seguido por Marina Silva (Rede), com 12,5%. O governador Eduardo Campos (PSB) foi citado por 3,7%. Em julho de 2012 Dilma tinha 59%, Aécio, 14,8%, e Campos, 6,5%.

Nº 2 do Ministério Público é afastada por contrariar chefe

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, dispensou ontem a subprocuradora Deborah Duprat, que ocupava o segundo cargo mais importante na hierarquia do Ministério Público Federal e é candidata à sua sucessão.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, é a primeira vez que a medida é tomada na história do órgão.

Duprat atuava na vice-subprocuradoria-geral da República e, na semana passada, divergiu publicamente de Gurgel em duas situações, a principal no julgamento do projeto que inibe a criação de partidos e tramita no Supremo Tribunal Federal.

"Quanto a Deborah, diria que o relacionamento institucional entre PGR e vice-PGR pressupõe sintonia, que, a despeito da boa relação pessoal, se evidenciou insuficiente", afirmou Gurgel à Folha.

Na ocasião da divergência, Duprat substituía Gurgel --que estava fora do país-- na sessão em que o STF julgava a constitucionalidade do projeto que restringe o acesso de novos partidos ao fundo partidário e ao tempo de TV.

Quando atuou no caso, Gurgel concordou com o ministro Gilmar Mendes, que sustentou, em liminar, que o texto agredia a Constituição.

Duprat surpreendeu até os integrantes do STF ao alegar que impedir a tramitação da proposta seria um "precedente perigoso".

"Se houvesse conflito apenas de duas partes entre si, eu me conservaria calada. Mas acredito que esse é um importante e perigoso precedente; me preocupa a preservação do espaço democrático de decisão", afirmou Duprat durante a sessão.

Presidente do STJ projeta gasto menor com tribunais

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Felix Fischer, disse ontem que os quatro TRFs (Tribunais Regionais Federais), cuja criação foi promulgada pelo Congresso, custarão "bem menos" que os R$ 700 milhões previstos pela Ajufe, a associação dos juízes federais.

Segundo o ministro, o STJ finaliza um projeto, a ser entregue em agosto, que regulamentará a criação dos tribunais em Minas, no Amazonas, no Paraná e na Bahia.

Fischer afirmou que os governos locais cederão as sedes, barateando custos. "Em princípio, nem de longe os valores que estão dizendo", disse, ao chegar para encontro com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Segundo o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, os novos tribunais podem aumentar em até R$ 8 bilhões os gastos do Judiciário.

Juízes vão poder receber de novo verba de alimentação

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) derrubou, por 8 votos a 5, a liminar do conselheiro Bruno Dantas que suspendia o pagamento de R$ 100 milhões a juízes de oito Estados referentes a auxílio-alimentação retroativo.

A suspensão havia sido determinada na semana passada citando precedentes de que verbas de "natureza alimentar" não poderiam ser pagas retroativamente.

Ainda ontem, o presidente do CNJ, Joaquim Barbosa, enviou ofício aos tribunais superiores pedindo a liberação de parte do orçamento não utilizado pelas cortes para contratar servidores aprovados no ano passado em concurso do Conselho.

Barbosa precisa ampliar o limite orçamentário do CNJ para contratar os 177 aprovados. Hoje ele pode gastar com pessoal R$ 40,4 milhões, valor que seria ampliado para R$ 114 milhões. A informação foi publicada ontem no jornal "O Estado de S. Paulo".

Ministros do Supremo esperam que mensalão termine neste ano

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) evitaram ontem prever quando o processo do mensalão vai terminar, mas afirmam esperar que não passe deste ano.

Marco Aurélio Mello disse que não "não passa pela cabeça" que o julgamento dos recursos chegue a 2014, mas é difícil fazer uma previsão por se tratar de um caso a ser julgado por mais de um ministro.

O ministro Gilmar Mendes, questionado sobre se o caso poderia se encerrado este ano respondeu: "Vamos aguardar. É bom que termine para todos, para vocês [jornalistas] terem outros assuntos".

Senadores querem ouvir presidente da Caixa

O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, será convidado a explicar no Senado a antecipação nos pagamentos do Bolsa Família. A Comissão de Fiscalização e Controle da Casa aprovou o convite, de autoria de Aloysio Nunes Ferreira (SP), líder do PSDB no Senado, e de Álvaro Dias (PSDB-PR). O banco liberou todos os benefícios --R$ 2 bilhões-- de uma só vez às famílias participantes. Isso pode ter originado os rumores sobre o fim do programa, causando tumulto. Hereda não é obrigado a comparecer.

O Globo

Conselho teme uso do FGTS em novo programa

A presidente Dilma Rousseff lança hoje no Palácio do Planalto o programa Minha Casa Melhor para turbinar o Minha Casa Minha Vida, que tem usado cada vez mais recursos do FGTS para conceder subsídios aos beneficiados. Agora, todas as famílias do Minha Casa terão acesso a uma linha de crédito de R$ 5 mil para financiar - com juros de 0,4% ao mês e prazo de pagamento de quatro anos -, a compra de móveis e eletrodomésticos. Integrantes do Conselho Curador do FGTS temem o uso indevido do dinheiro do fundo para bancar as despesas com o novo programa.

Haverá necessidade de o Tesouro Nacional entrar com recursos para equalizar a taxa de juros, o que significa ajudar os bancos oficiais a cobrir o custo da operação subsidiada.

O temor de que recursos do FGTS sejam usados no novo programa se justifica pelo histórico dos últimos anos. Segundo dados do Conselho Curador, desde março de 2012 o Tesouro Nacional segurou em caixa cerca de R$ 4 bilhões que deveriam ser repassados ao FGTS, relativos a receitas arrecadadas com o adicional de 10% do fundo pagos por demissões sem justa causa.

O governo também não está honrando sua contrapartida ao Minha Casa, e não repassa a parcela do Orçamento da União para ajudar a cobrir os subsídios feitos pelo FGTS.

Em 2012, de R$ 1,8 bilhão que o Tesouro deveria transferir, nada foi pago. Assim, o FGTS cobriu toda a parte subsidiada do programa que atende famílias de baixa renda - cerca de R$ 6,5 bilhões. Este ano, de R$ 1,8 bilhão, a União repassou R$ 500 milhões.

Sindicalistas apontam perda de 88% no fundo

Sindicatos ligados a Força Sindical, Conlutas, UGT e CSB entraram na última semana de maio com 33 ações na Justiça do Distrito Federal solicitando o recálculo retroativo da Taxa Referencial (TR), com pedido de liminar antecipada, para repor o que consideram uma perda de 88,3% na correção do FGTS desde 1999. A partir daquele ano, a TR começou a ser reduzida gradativamente até chegar a zero em setembro do ano passado. Com isso, a remuneração do Fundo de Garantia encolheu ao ser corrigido por juros de 3% ao ano, mais a Taxa Referencial.

Somente nos últimos dois anos, os trabalhadores teriam perdido 11% em termos reais, se considerada a correção oficial do FGTS em comparação com a evolução da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O índice é usado pelo governo como referência em questões trabalhistas.

Nos últimos meses, o índice de inflação acelerou, subindo mais de 6% ao ano desde 2010, enquanto que o FGTS teve redução na correção.

A um ano da Copa: País só tem seis estádios prontos

A um ano exato do início do Mundial no Brasil (a abertura será em 12 de junho de 2014), entre as obras prometidas país afora para a competição, as únicas já concluídas são os seis estádios onde haverá jogos da Copa das Confederações, evento considerado um ensaio geral para o grande evento do ano que vem. Das intervenções anunciadas para melhorar a mobilidade urbana e os aeroportos das 12 cidades-sede da Copa, nenhuma está pronta. A maioria teve prazos estendidos.

O Aeroporto Galeão-Tom Jobim, por exemplo, pode ser considerado um símbolo do atraso. Há dois meses, passageiros que precisam sair do Terminal 2 para conexões no Terminal 1, ou vice-versa, têm sido obrigados a contornar o aeroporto por fora, pois a passagem está bloqueada por tapumes. Apesar disso, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marcelo Guaranys, que inspecionou as obras do aeroporto na manhã de ontem, diz que o Galeão, embora longe do ideal sonhado para 2014, "está preparado para a demanda da Copa das Confederações". Segundo ele, uma passagem alternativa será aberta pela Infraero para que os usuários não precisem mais sair do aeroporto ao passar de um terminal para o outro.

As obras do Setor A, o de acesso ao corredor entre os dois terminais, devem ser concluídas "até setembro", segundo a Infraero. As do B, até abril de 2014. As do C, só depois da Copa, em novembro de 2014. A diretoria da Anac já inspecionou os aeroportos de Guarulhos (SP), Viracopos (Campinas), Confins (MG), Recife e Salvador. Hoje, as inspeções seguirão nos aeroportos das cidades onde haverá jogos da Copa das Confederações. Somadas, as obras nos aeroportos das cidades-sede vão custar mais de R$ 6,7 bilhões.

Congresso se rebela e exige votação de vetos

Com uma rebelião liderada pelo seu próprio partido, o PMDB, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), afirmou que o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), precisará "descascar um abacaxi" e encontrar uma solução para o impasse sobre a votação de vetos presidenciais. Os partidos ameaçam bloquear as votações conjuntas do Congresso, se não for estabelecido um calendário de votação dos vetos.

Hoje, Renan e Alves se reúnem para definir um critério. Devem fechar uma proposta que pode cancelar, de imediato, cerca de 1.500 dos mais de 3 mil vetos pendentes de votação há mais de dez anos.

- Vou me reunir com o presidente Renan para discutir essa questão dos vetos, com a definição de critérios compreensíveis. Que não haja precipitação, vamos esperar a proposta do presidente Renan. Esse abacaxi quem tem que descascar é ele - disse Alves.

O vice-presidente do Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a ideia é cancelar os chamados vetos anacrônicos, ou seja, referentes a matérias orçamentárias e que já perderam a validade. Uma sessão do Congresso - Câmara e Senado juntos - para leitura de vetos está prevista para o meio-dia, mas ela tem sido adiada por semanas. Outra proposta é votar os vetos de forma decrescente, de 2013 para trás, a partir de fevereiro, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) analisou o assunto.

Deputados aprovam redução de tarifa de energia elétrica

Dez dias depois de o Senado impor uma derrota ao Palácio do Planalto, a Câmara dos Deputados aprovou ontem a medida provisória com as decisões do governo que garantem a redução das tarifas de energia elétrica, anunciada pela presidente Dilma Rousseff em janeiro deste ano em cadeia nacional de rádio e televisão. Essa será uma das bandeiras de sua campanha pela reeleição. A MP, aprovada ontem - e que em seu texto original previa apenas uma outra medida de alcance popular (a desoneração dos produtos da cesta básica) - terá que ser votada no Senado, antes de ir à sanção presidencial.

A oposição, que prometera entrar com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a inclusão da redução da tarifa de energia - que era prevista em outra MP, que caducou por não ter sido votada pelo Senado - recuou da estratégia, facilitando a vitória do governo. Os oposicionistas consideraram que seria difícil justificar junto às suas bases eleitorais o voto contrário a medidas populares, como desoneração de produtos da cesta básica e a redução de energia elétrica.

Após divergência, Roberto Gurgel afasta vice-procuradora da PGR

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afastou ontem a subprocuradora-geral, Deborah Duprat, da Vice-Procuradoria Geral da República, o segundo cargo mais importante da instituição. Gurgel anunciou a decisão uma semana depois de a subprocuradora se manifestar, no Supremo Tribunal Federal (STF), favorável à tramitação do projeto que restringe a criação de novos partidos políticos, posição oposta a do procurador-geral.

Gurgel também enviou um ofício ao STF pedindo para que o tribunal "desconsidere" as declarações da subprocuradora e mantenha o parecer original emitido por ele em favor do mandato de segurança, que resultou na suspensão do tramitação do projeto no Congresso Nacional. Integrantes do Ministério Público ouvidos pelo GLOBO disseram que esta é a primeira vez na história da instituição que um procurador-geral destitui do cargo o vice-procurador-geral.

Deborah faz parte da lista tríplice encaminhada à presidente Dilma Rousseff para a escolha do futuro substituto de Gurgel. O procurador-geral deve deixar o cargo em 15 de agosto, quando termina o mandato dele. O gabinete do procurador-geral divulgou a decisão sobre destituição de Deborah Duprat no início da noite. Não foi informado se Gurgel escolherá ou não um novo vice-procurador para permanecer no cargo por dois meses.

CGU adia novamente conclusão das investigações sobre Rosemary Noronha

A estratégia de protelação adotada por Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, surtiu um efeito prático: a Controladoria Geral da União (CGU) adiou por mais 60 dias o procedimento disciplinar que apura o suposto tráfico de influência cometido pela então protegida do ex-presidente Lula. O ato que adiou as conclusões do processo foi assinado e publicado pelo ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, no último dia 3.

Depois de a Casa Civil concluir uma ampla sindicância sobre a conduta de Rosemary no escritório da Presidência em São Paulo, a CGU abriu o processo disciplinar, em 4 de fevereiro. Em abril, a comissão responsável pelas investigações ganhou mais 60 dias para apurar os fatos relatados na sindicância. Diante de iniciativas adotadas pela defesa para prolongar a apuração, o ministro da CGU precisou reconduzir a comissão formada e estabelecer um novo prazo de 60 dias para o fim das investigações.

Prefeitos do PT pedem aliança com PMDB em 2014

Dez dos 11 prefeitos do PT do Rio se reuniram ontem, em Niterói, e acusaram o diretório regional do partido de antecipar a campanha eleitoral no estado, com o lançamento da pré-candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo. Em um pronunciamento ao final do encontro, os petistas disseram que a antecipação foi equivocada e que vão defender a união entre PT e PMDB, partido que quer lançar o vice-governador Luiz Fernando Pezão à sucessão estadual.

O porta-voz do grupo foi o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, que promoveu o encontro para fazer uma análise do contexto eleitoral. Ex-secretário de Assistência Social do governo Sérgio Cabral, Neves chegou a oferecer, em entrevista ao GLOBO em fevereiro, palanque para Pezão em 2014.

- Para todos nós há um consenso de que o mais importante é o projeto nacional do PT e a reeleição de Dilma, que está acima dos interesses regionais no país todo - disse o prefeito.

Os mandatários preferiram não antecipar o apoio ao nome de Pezão. Nos bastidores, a avaliação é que não há um descontentamento com Lindbergh, mas uma aprovação de Pezão.

- Achamos que o PT estadual errou ao antecipar a discussão da sucessão - declarou Rodrigo Neves.

Tucanos projetam chance maior de 2º turno

O otimismo tomou conta da cúpula tucana na reunião da Executiva Nacional, ontem à tarde em Brasília, para avaliar o novo cenário que se desenha após a divulgação das últimas pesquisas sobre a queda na popularidade e nas intenções de votos da presidente Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, os dirigentes tucanos traçaram estratégias para que o presidenciável Aécio Neves parta para a ofensiva em colégios eleitorais importantes, começando com uma dobradinha com Geraldo Alckmin, em São Paulo. A avaliação dos dirigentes do PSDB é que os números indicam a possibilidade concreta de um segundo turno na eleição presidencial do ano que vem.

A cúpula do PSDB crê que a disputa presidencial pode ser levada para o segundo turno até mesmo sem a candidatura do socialista Eduardo Campos, governador de Pernambuco. Concluíram que a candidatura de Campos, até então considerada fundamental para isso, já não é mais. Consideraram ainda que, se Dilma continuar em declínio e Aécio se consolidar como o candidato da oposição, o PSDB pode ter maior facilidade para fechar alianças e compor palanques competitivos nos estados.

CNJ derruba liminar que proibia auxílio-alimentação de juízes

Por oito votos a cinco, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) derrubou ontem a liminar que suspendia o pagamento do auxílio-alimentação retroativo a 2004 para juízes dos Tribunais de Justiça de oito estados. Com a decisão, o benefício voltará a ser pago, o que representará gastos ao Erário de R$ 101 milhões. Terão direito a receber os atrasados magistrados de primeira instância e desembargadores (em atividade ou aposentados) dos Tribunais de Justiça de Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Pernambuco, Roraima, Sergipe e São Paulo.

Os oito conselheiros que votaram pela retomada do pagamento são juízes. Só Silvio Rocha, juiz federal de São Paulo, declarou-se impedido de participar, por ter interesse pessoal na causa. O primeiro voto contra a liminar foi do corregedor-geral do CNJ, ministro Francisco Falcão. Ele recebeu R$ 86 mil de auxílio-alimentação retroativo.

Em 3 de junho, o conselheiro Bruno Dantas havia interrompido o pagamento dos atrasados por liminar, no julgamento de pedido da Federação Nacional dos Servidores do Judiciário nos Estados. Disse que o auxílio-alimentação, se pago muito tempo depois, acaba indo para outros fins. Por isso, a verba estaria sendo recebida como complemento ao salário, e não para custear a alimentação dos juízes. Ontem, a maioria dos conselheiros discordou da tese.

Barbosa tentará triplicar limite de gastos do Conselho com servidores

O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pediu aos tribunais superiores que liberem parte do limite orçamentário que não usam para poder contratar servidores aprovados em concurso para o CNJ. Hoje, o conselho tem 114 servidores. Outros 177 foram aprovados em concurso realizado em fevereiro deste ano.

Conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, o CNJ pode gastar hoje R$ 40,4 milhões com a folha de pagamentos. A intenção é elevar o teto para R$ 114,4 milhões. O dinheiro seria gasto nas novas contratações e em concessão de aumento aos atuais servidores.

Sem condições legais de arcar com os custos dos novos concursados, Barbosa enviou ofício ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao Superior Tribunal Militar (STM) e ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para pedir apoio.

Eles cederiam ao CNJ os limites para gastos com pessoal que não estão em uso. Segundo o CNJ, o teto da folha de pagamento na Justiça é de R$ 39,9 bilhões, mas o orçamento de 2013 prevê gastos de R$ 17,2 bilhões. A folga é de R$ 22,7 bilhões.

Biografia: MP quer fim de autorização prévia

O Ministério Público Federal enviou parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) defendendo o fim da necessidade de autorização prévia do biografado ou de familiares, no caso de pessoas já mortas, para a publicação de obras biográficas, sejam livros ou filmes. Essa regra, prevista no Código Civil, foi contestada em ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Associação Nacional dos Editores de Livros. A opinião do MP será considerada pelos ministros da Corte no julgamento do processo, que ainda não tem data para ocorrer.

No parecer, a então vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat (exonerada do posto ontem), afirma que a exigência de autorização prévia, "ainda que motivada pelo propósito de proteção de direitos da personalidade, configura restrição legal manifestadamente desproporcional aos direitos fundamentais à liberdade de expressão e ao acesso à informação, consagrados pela Constituição da República".

Cachoeira chama Perillo para briga

Sabe aquela história de que "mexeu com minha mulher, chamou para briga"? Pois é. Uma carta aberta do bicheiro Carlinhos Cachoeira, publicada na edição de ontem no "Diário da Manhã", em Goiás, desafia o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). "Em bom brasileirês (sic) falo com a cabeça erguida e com o peito arfante: cai pra dentro quem quiser que eu sustento o desafio", escreveu o bicheiro.

A declaração de guerra ocorreu porque Cachoeira sentiu que sua mulher, Andressa Mendonça, teria sido desrespeitada em um evento beneficente no Palácio das Esmeraldas, sede do governo goiano. Andressa foi a um desfile na última sexta-feira, mas a assessoria de imprensa do governo teria negado que a mulher do contraventor fora convidada. O convite custou R$ 350, com renda revertida à Santa Casa de Goiânia. "Minha esposa, Andressa, empresária, foi convidada a prestar sua colaboração para com uma causa que sem dúvida é nobre e justa. Não se furtou em ajudar e participar de uma ação engrandecedora", escreveu.

Enquanto esteve no Palácio, segundo Cachoeira, sua Andressa foi "cortejada pelos poderosos e bem tratada, principalmente pela generosa contribuição que deixou". Porém, ao sair do evento, a assessoria do governador teria negado que ela comparecera ao desfile.

"Não cometam a insanidade de tentar atingir de forma tão rastejante minha esposa porque não vão gostar nem um pouco de conhecer o peso da minha mão".

Estatuto do Nascituro causa batalha na CCJ

Virou uma ferrenha disputa nos bastidores a escolha do relator do projeto que cria o Estatuto do Nascituro, em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O ponto mais polêmico do projeto é a criação da chamada "bolsa estupro", que concede a pensão mensal de um salário mínimo para a mãe vítima de estupro que gerar a criança. De um lado, estão parlamentares ligados a grupos religiosos e que apoiam este e outros aspectos do projeto. De outro, deputados ligados a movimentos feministas, boa parte do PT e da base governista.

O presidente da CCJ, Décio Lima (PT-SC), tem sido pressionado, e diz que foi procurado por todos os partidos e por muitos deputados.

- Só o Papa não me ligou ainda - diz Lima.

Décio Lima desconversa, mas já está praticamente fechado que o relator será Marcelo Almeida (PMDB-PR).

- O relator será o Marcelo Almeida - antecipa o deputado José Genoino (PT-SP).

Genoino, por ter posição conhecida nesse tema e ter sido autor de projeto em defesa do aborto em certas circunstâncias, negou que almejava a relatoria. Ele seria alvo fácil de evangélicos e católicos mais exaltados.

- Esse projeto é inconstitucional. A Constituição já estabeleceu o conceito de vida. Vamos ao debate, mas sem que se transforme numa guerra santa ou em violência retórica - disse o petista.

O Estado de S. Paulo

Processo contra Afif avança na Assembleia

A Assembleia Legislativa de São Paulo iniciou ontem manobras para tentar tirar o mandato do vice-govemador Guilherme Afif Domingos (PSD), exonerado na sexta-feira da Secretaria da Micro e Pequena Empresa do governo federal para assumir o governo do Estado no domingo.

Uma semana depois de o Ministério Público Estadual e a Comissão de Ética do Estado terem se manifestado pela perda do mandato do vice, deputados estaduais da base governista e de oposição começaram a se movimentar para tirar Afif do posto, que acumula com o de ministro - o vice será nomeado novamente ministro pela presidente Dilma Rousseff assim que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) voltar amanhã de viagem à França, onde participa de eventos sobre a indicação da cidade de São Paulo para sediar a Expo 2020.

O relator do pedido contra Afif na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia, Cauê Macris (PSDB), protocolou ontem voto pela admissibilidade do projeto, aumentando as chances de o processo contra o vice-governador ser acatado por parlamentares.

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), autor do projeto de perda de mandato, decidiu também pedir hoje ao colégio de líderes da Assembleia regime de urgência para a proposta. Se o pedido por acatado, o relatório contra Afif não precisará ser votado na CCJ. Será enviado diretamente ao plenário.

Agenda omite ida a evento com Padilha, cotado para disputa

No segundo dia no comando do Palácio dos Bandeirantes, o governador em exercício, Guilherme Afif Domingos (PSD), encontrou o colega de Esplanada Alexandre Padilha, ministro da Saúde e nome mais cotado no PT para disputar a eleição da 2014 contra o governador Geraldo Alckimin.

Afif participou da inauguração de um centro oncológico no hospital Beneficência Portuguesa. O compromisso não constava de sua agenda, cuja previsão era de despachos Internos. Ele prestigiou o evento ao lado do petista, apesar de já haver representante do governo estadual no local, o secretário de Saúde, Giovanni Cerri.

Exonerado do cargo da Secretaria da Micro e Pequena Empresa na sexta-feira para poder assumir o governo paulista, Afif comentou ontem no Twitter assuntos da pasta, apesar de estar no Palácio dos Bandeirantes.

Estado tem dívida ativa de R$ 226 bi e só deve recuperar 50%

O Tribunal de Contas do Estado deve aprovar hoje as contas de 2012 do governo Geraldo Alckmin (PSDB). O relator do processo, Robson Marinho, pretende incorporar ao seu voto as recomendações feitas pela área técnica do órgão -16 referentes à execução orçamentária e 49 a fiscalizações operacionais.

Relatório do Ministério Público de Contas encaminhado a Marinho chama a atenção para duas das recomendações: renegociar o indexador da dívida paulista com a União e aperfeiçoar estratégias de arrecadação da dívida ativa.

O estoque da dívida ativa, formado pelo conjunto de tributos e multas lançados, mas não recolhidos, atingiu R$ 226 bilhões em dezembro de 2012. Metade desse valor é considerado irrecuperável pelo próprio governo. E, do total recuperável, o governo conseguiu cobrar apenas 1,16% (R$ 1,3 bilhão) em 2012.

"Não é demais afirmar que o baixíssimo índice de recuperação traz em si alta possibilidade de risco moral de estímulo ao não pagamento voluntário por parte dos devedores", afirma o relatório, assinado pelo procurador Rafael Demarchi Costa.

Aécio e Campos já creem em 2º turno

A queda na avaliação da presidente Dilma Rousseff detectada em pesquisas de opinião faz os potenciais candidatos de oposição ao governo consi derarem mais certa a hipótese de segundo turno na disputa eleitoral de 2014.

As avaliações dos presidentes nacionais do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e do PSB, governador Eduardo Campos (PE), feitas a interlocutores são de que o risco de aumento de inflação, exibido nos programas de TV dos dois partidos, teve forte influência nos números do Datafolha, publicado no domingo, e na GNT/MDA, divulgada ontem. Nos dois levantamentos, Dilma tem mais de 50% dos votos, mas os potenciais candidatos acreditam que, com a campanha na TV em 2014, esse índice tende a cair.

Campos lembrou a auxiliares que em 2010, mesmo com o PIB subindo cerca de 7%, a popularidade do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas alturas e tendo uma ampla coligação, Dilma teve no primeiro turno 46,91% dos votos, contra 32,61% de José Serra (PSDB) e 19,33% de Marina - na época, no PV.

Trio. Campos e Aécio disseram aos auxiliares que o trio que hoje desponta como oposição é mais competitivo do que os adversários do governo em 2010. E que o PSDB, em qualquer condição, costuma ter cerca de 30% dos votos no primeiro turno. "Nós não temos mais dúvida de que haverá segundo turno", disse o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

Pesquisa CNT dá vitória no 1º turno

Pesquisa CNT/MDA mostrou ontem que, se as eleições fossem hoje, a presidente Dilma Rousseff seria eleita no 1º turno - ela ultrapassa os 50% dos votos nos dois cenários apresentados. No primeiro, ela tem 52,8%, seguida de Aécio Neves (PSDB), com 17%. Marina Silva ficou com 12,5% e Eduardo Campos (PSB) com 3,7%. No cenário sem Campos, Dilma tem 54,2%, contra 18% de Aécio e 13,3% de Marina. Seu governo foi aprovado por 54,2% dos consultados. O índice de aprovação da presidente - 56,6% na pesquisa anterior - oscilou negativamente dentro da margem de erro (2,2%).

Dilma planeja até ir à Rocinha após pesquisas

Com a queda de sua popularidade, a presidente Dilma Rousseff vai apostar agora no lançamento de programas sociais, na agenda de reformas microeconômicas e em mais exposição pública, na tentativa de recuperar o terreno perdido. Na esteira de pesquisas que constataram a deterioração de sua imagem em todas as faixas etárias e de renda, o Palácio do Planalto abrigará hoje solenidade para anunciar linha de crédito de R$ 5 mil aos participantes do programa Minha Casa Minha Vida.

Destinado à compra de eletrodomésticos - como fogão, geladeira, máquina de lavar e TV - e também de móveis para a casa, o financiamento terá juros de 5% ao ano, subsidiados pela Caixa Econômica Federal, e 48 meses para pagamento. A cerimônia é sob medida para um afago às mulheres, faixa do eleitorado em que ela perdeu maior apoio.

A batalha da comunicação para atrair os eleitores desconfiados com a escalada da inflação e a ameaça do desemprego não para por aí. Amanhã, Dilma vai anunciar investimentos em infraestrutura urbana e equipamentos sociais na comunidade da Rocinha, no Rio. Depois, entregará o sistema de controlepara grandes eventos na Secretaria de Segurança e assinará ordem de serviço para obras do veículo leve sobre trilhos (VLT) na zona portuária.

CNJ cede e libera R$ 100 mi para juízes

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) derrubou ontem a liminar que impedia o pagamento de auxílio-alimentação a magistrados e liberou, com isso, o gasto de mais de R$ 100 milhões em oito tribunais estaduais do País. Com a decisão, os tribunais podem pagar o benefício aos juizes imediatamente. Se depois o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar o benefício inconstitucional, o dinheiro : que tiver sido pago não pode; rá voltar aos cofres públicos.

Por 8 votos a 5, o CNJ revogou a liminar concedida na semana passada pelo conselheiro Bruno Dantas, decisão que congelava os pagamentos. Na sessão de ontem, prevaleceu o voto do corregedor-geral de Justiça, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Francisco Falcão. Conforme dados do STJ, Falcão recebeu R$ 84 mil de auxílio-alimentação. Todos os demais juízes que integram o CNJ votaram pelo benefício.

Os conselheiros que derrubaram a liminar argumentaram que o próprio conselho reconheceu, ao aprovar uma resolução em 20ii? que os magistrados tinham direito a receber o auxílio-alimentação. Na época, o CNJ decidiu que os magistrados teriam o mesmo direito dos integrantes do Ministério Público, que recebem o auxílio-alimentação.

Procurador defende que chefe do MP cuide de casos de improbidade

O procurador-geral do Estado Elival da Silva Ramos defende a concentração de poderes nas mãos do chefe do Ministério Público nos casos de investigação sobre improbidade de prefeitos/secretários de Estado e deputados estaduais. "Há vários argumentos que me sensibilizam no sentido de concentrar nas mãos do procurador-geral de Justiça. Muitas vezes o procurador-geral tem uma exposição pública, inclusive maior, uma responsabilidade que decorre do cargo, que convém ponderação em alguns casos."

O procurador-geral do Estado é o consultor e orientador jurídico do governo. Ele representa judicialmente o Estado. A concentração de poderes no gabinete do procurador-geral de Justiça, que é chefe do Ministério Público Estadual, é a essência da PEC 01, proposta de emenda à Constituição do deputado Campos Machado, líder do PTB na Assembleia paulista.

A PEC 01 criou uma atmosfera de forte tensão e animosidade entre parlamentares e promotores, a quem cabe investigar aquelas autoridades. Os promotores estão em pé de guerra contra a PEC 01 e contra a PEC 37, na Câmara dos Deputados, que alija o MP da investigação criminal.

Gurgel afasta vice que contrariou o seu parecer

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, tirou ontem Deborah Duprat do cargo de vice-procuradora. À medida foi tomada uma semana após a número 2 do Ministério Público ter feito uma sustentação oral no plenário do Supremo Tribunal Federal contrária a um parecer do chefe da Procuradoria sobre barreiras à criação de partidos políticos.

Antes de assinar a portaria dispensando Deborah Duprat do cargo, Gurgel encaminhou ontem um documento aos ministros do Supremo reafirmando sua posição no caso. O procurador-geral é favorável a uma liminar que paralisou a tramitação de um projeto de lei no Congresso inibindo a criação de partidos, concedida pelo ministro Gilmar Mendes. Iniciado na semana passada, o julgamento poderá ser retomado hoje no plenário do STF.

Na semana passada, ao sustentar sua posição contrária a Gurgel, Deborah Duprat disse que estava em uma "desconfortável e desagradabilíssima" posição de ter de substituir o chefe da Procuradoria, que tinha opinião oposta e estava em viagem ao exterior.

Cachoeira faz ameaça após mulher ser 'renegada' em Goiás

Em artigo publicado ontem num jornal de Goiânia, o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, fez ameaças a "amigos" e a "quem considerava companheiro de jornada" e prometeu reagir de forma a fazer a "caixa de Pandora" parecer brincadeira de criança". Sem citar nomes, menciona as "principais sangrias dentro desse governo" e se queixa do tratamento dado a sua mulher, Andressa Mendonça, após evento no Palácio das Esmeraldas, sede e residência oficial do governador Marconi Perillo (PSDB).

"Se quiserem saber onde estão os maiores problemas e.as principais sangrias dentro desse governo é só encarar a briga que estou pronto para o embate. Em bom brasileirês (sic) falo com a cabeça erguida e com o peito arfante: cai pra dentro quem quiser que eu sustento o desafio. Escolham as armas", escreveu Cachoeira no Diário da Manhã. A assessoria de Perillo Informou que o tucano não vai comentar o assunto.

A ira de Cachoeira foi despertada pelo tratamento que teria sido dispensado pelo governo a Andressa, em um desfile beneficente realizado no Palácio das Esmeraldas na sexta-feira. Segundo o empresário, ela foi convidada a participar do evento, organizado pela primeira-dama de Goiás, Valéria Perillo, cujo ingresso custava R$ 350. "No momento em que esteve no Palácio foi cortejada pelos poderosos e bem tratada, principalmente pela generosa contribuição que deixou."

A presença de Andressa no evento, no entanto, teria sido negada pela assessoria de Perillo a jornalistas que queriam saber quem esteve no desfile. Segundo Cachoeira, o governo chegou a negar que sua mulher tivesse sido convidada - ela teria ido por conta própria, segundo o relato. "Bastou que se retirasse para que fosse renegada, tal a uma doente que não se quer por perto."

Brasil tem a economia mais fechada do G-20

O Brasil é a economia mais fechada do G-20 e uma das mais protecionistas do mundo. O alerta é da Câmara Internacional de Comércio, que, ontem publicou seu informe bianual sobre as barreiras às exportações no mundo, assim como os entraves em infraestrutura e burocracia. Para a entidade* o Brasil é mais fechado hoje que no início do governo de Dilma Rousseff e está abaixo da média mundial em termos de abertura ao mundo.

Num ranking das 75 maiores economias, que representam quase a integralidade do comércio internacional, o Brasil aparece apenas na 68ª posição entre os mais abertos» Apenas oito países seriam mais fechados que o Brasil, entre eles Quênia, Paquistão e Venezuela.

Em comparação ao ranking de 2011, o Brasil subiu uma posição. Mas o cálculo mostra que o País é mais fechado hoje que há dois anos. Numa pontuação de 1 a 6, com 6 para as economias mais abertas, o Brasil somou apenas 2,2 pontos. Em 2011, tinha 2,3 pontos.

O resultado aponta que, entre as economias do G-20, nenhuma é tão fechada quanto a do Brasil. Economias como a da Argentina, frequentemente acusada de protecionista, seriam mais abertas que abrasileira. Estão ainda em situação melhor países como Índia, Egito, China, Rússia ou Arábia Saudita.

Prostitutas querem se desvincular de campanha

Sentindo-se desrespeitadas, prostitutas que participaram da elaboração da campanha de prevenção da aids do Ministério da Saúde querem a retirada de suas imagens das peças publicitárias, por causa da modificação dos slogans utilizados. Para elas, a medida foi conservadora e reforça o preconceito.

O grupo está revoltado por considerar que a "suavização" das mensagens, como."Sou feliz sendo prostituta" é um retrocesso nas políticas voltadas às profissionais e muda radicalmente a ideia original, de valorização da autoestima como forma de incentivar o uso de preservativo. Pelo menos cinco delas, ligadas a associações de Estados como Pernambuco, Paraíba, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, enviaram notificação extrajudicial para o ministério desautorizando o uso de imagem em todas as peças da campanha como banners e vídeos.

As participantes estiveram em oficina promovida pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do ministério em março, em João Pessoa (PB). Das reuniões, saíram as frases usadas com as fotos delas.

Correio Braziliense

Crise de confiança no Brasil ameaça até aposentadorias

Crise de confiança no Brasil ameaça até aposentadoriastrueAs perdas no mercado financeiro têm se disseminado. A saída de investidores estrangeiros do Brasil, que apenas em junho tiraram do país US$ 4 bilhões, deixa um rastro de destruição, sobretudo para os pequenos poupadores e para as aposentadorias. A Bolsa de Valores de São Paulo (BMF&Bovespa) levou ontem um tombo de 3,01% e fechou aos 49.769 pontos — foi a primeira vez que o indicador ficou abaixo dos 50 mil pontos desde agosto de 2011. Com o resultado, o primeiro semestre caminha para ser o pior desde o auge da crise de 2008, quando o Ibovespa, índice que reúne as principais ações brasileiras, afundou 42,25%.

Esse derretimento pode atrapalhar ainda a aposentadoria de brasileiros que aplicaram seus recursos em fundos de previdência ancorados em ações — no ano, a perda dessa modalidade de investimento chega a 10,17%. Para quem apostou nos fundos que compram títulos do governo, o prejuízo também foi grande. Os Fundos de Renda Fixa Índices, que são formados por papéis emitidos pelo Tesouro Nacional chamados de NTN-B, encolheram 2,30% em 2013.

Até mesmo a tradicional poupança não tem se apresentado como opção por não conseguir bater a inflação. Os brasileiros que colocaram o dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em ações da Vale e da Petrobras também registraram perdas — até o momento, elas chegam a 16,17%.

"A situação da BM&FBovespa está um pouco crítica", disse Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset Securities, citando preocupações, no cenário interno, com o crescimento da economia abaixo do previsto, inflação e juros em alta, além da recente desvalorização do real. "Acho que a situação tende a piorar antes de melhorar", avaliou.

Vagas para diplomata à vista

Duas semanas. Esse é o prazo máximo para o lançamento do concurso do Instituto Rio Branco, que ofertará 30 oportunidades para o cargo de diplomata. O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, assinou ontem a portaria com as regras da seleção. O salário oferecido para terceiro-secretário, classe inicial do posto, é de R$ 13.623,19.

O edital para a carreira é lançado anualmente, entre dezembro e janeiro, mas em 2013 houve atraso por conta da contenção de despesas anunciada pelo Ministério do Planejamento. O Itamaraty, ministério ao qual o Rio Branco é vinculado, disse que ainda não há banca organizadora confirmada, mas a probabilidade é de que o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB) seja contratado mais uma vez.

Podem entrar na disputa por uma das chances candidatos com nível superior em qualquer área de formação. Quem pretende seguir carreira na diplomacia brasileira deve começar a se preparar com antecedência, pois a seleção compreende várias etapas. A primeira é composta por prova objetiva, com questões sobre português, história do Brasil, história mundial, geografia, política internacional, direito internacional público, inglês e noções de economia e de direito. Nessa fase, haverá reserva de vagas para afrodescendentes.

Pacote sob medida para agradar ao eleitor

Depois da divulgação de duas pesquisas de opinião que acenderam o alerta sobre a avaliação do governo, o Palácio do Planalto deve amplificar o anúncio de mais benefícios para o Minha Casa, Minha Vida, marcado para hoje. Em busca de uma agenda positiva, a presidente Dilma Rousseff aposta na concessão de uma linha de crédito para que os beneficiados possam mobiliar as residências. A solenidade vem em um momento em que o governo enfrenta turbulências econômicas, com inflação em alta, taxa de juros em elevação e Produto Interno Bruto (PIB) estagnado. No Congresso, a relação com a base aliada e com o próprio PT atravessa o pior momento desde 2011. Para estancar um possível baque na popularidade, o anúncio também terá maior abrangência, e será feito em cadeia de rádio e televisão, pilotado diretamente pelo marqueteiro da campanha de 2014, João Santana.

Santana chegou ao Palácio da Alvorada no início da noite de ontem para gravar o pronunciamento. A estratégia é repetir experiências anteriores, consideradas exitosas, quando a presidente foi à televisão anunciar a redução na conta de energia elétrica, a desoneração dos produtos da cesta básica e o lançamento do Programa Brasil Carinhoso, aumentando os recursos destinados ao Bolsa Família. A avaliação do comando petista e do governo é de que essas propostas, anunciadas diretamente para todos os brasileiros em horário reservado à Presidência, ajudaram a alavancar a popularidade da presidente, ora em queda.

Fogo amigo de petistas

A relação entre o PT e a presidente Dilma Rousseff continua oscilando. Apesar da cúpula do partido assegurar que tudo está em ordem e que há um esforço concentrado para reelegê-la no ano que vem, na base petista crescem as queixas e os lamúrios com a falta de atenção. "Não há nenhuma novidade nisso. Dilma nunca foi carinhosa conosco mesmo", lamentou um petista com bom trânsito na direção partidária.

Na última segunda-feira, a senadora Ana Rita (PT-ES) reclamou sobre a falta de coordenação entre o Planalto e a base de apoio no Congresso. Em uma rede social, o primeiro-vice-presidente do partido, Alberto Cantalice, corroborou com os protestos, dizendo que o governo se comunica mal e não valoriza as próprias conquistas.

Integrantes do comando partidário minimizaram as pressões vindas da base. A avaliação central é de que as recentes pesquisas de opinião mostrando uma queda na avaliação positiva da presidente Dilma exacerbaram aqueles que estão insatisfeitos com a gestão atual. "Pode conferir, não existem pessoas da cúpula envolvidas nas críticas", ponderou um militante petista.

Oposição cobra votação dos vetos

A novela da apreciação dos vetos presidenciais no Congresso volta a ser um obstáculo para o governo federal. Com a chegada dos itens vetados pela presidente Dilma Rousseff na Medida Provisória (MP) dos Portos, parlamentares da oposição e da base distribuem ameaças caso os demais itens que aguardam na fila não sejam apreciados. Partidos oposicionistas anunciaram que não votam nenhuma matéria na Câmara e no Senado, incluindo a Lei de Diretrizes Orçamentárias, enquanto a situação não se resolver. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ouviu os parlamentares e pediu um encontro com o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Esse abacaxi quem tem que descascar é ele", disse. Renan reagiu poucas horas depois, marcando sessão para hoje em que deve ser definida a ordem de apreciação dos dispositivos vetados.

O anúncio de obstrução das votações foi feito durante a reunião de líderes da Câmara. "A partir de hoje, vamos obstruir absolutamente tudo, enquanto não houver definição de votação dos vetos. Não é possível que a última palavra seja a da presidente da República, não é assim que funciona o processo legislativo", reclamou o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP). "O governo amanhã vai dizer que a oposição está dificultando a votação da LDO em um momento de crise, em que a presidente perde a popularidade, mas ocorre é que até agora o presidente do Congresso engaveta os vetos que não foram lidos nem apreciados", completou o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO).

Juízes terão tíquete retroativo

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) derrubou, por 8 votos a 5, a liminar do conselheiro Bruno Dantas que proibia os tribunais de Justiça de oito estados de pagarem aos juízes o valor retroativo do auxílio-alimentação. Ao tomar a decisão, no último dia 3, Dantas estabeleceu a retenção de um total de R$ 101 milhões. Embora o conselheiro, relator do caso, não tenha comparecido à sessão de ontem, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ, Joaquim Barbosa, decidiu submeter o tema ao plenário do conselho, mas acabou sendo voto vencido.

Relator substituto do caso, o corregedor Nacional de Justiça, Francisco Falcão, votou pela derrubada da liminar, sob o argumento de que leis estaduais asseguram o pagamento do benefício. Ele disse que o próprio CNJ já permitiu que os juízes recebam o auxílio e alertou que "nada impede" o pagamento retroativo. Francisco Falcão é ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, no ano passado, recebeu, a título de auxílio-alimentação retroativo, um total de R$ 84.431.

Barbosa, entretanto, afirmou que as leis que autorizam o pagamento do auxílio são inconstitucionais. O ministro observou que a Constituição estabelece que o pagamento de subsídios a juízes deve ser feito em parcela única. "Só esse argumento já desautorizaria esse pagamento que foi feito a membros do Poder Judiciário", frisou.

MPU terá novo certame

Os candidatos às duas seleções do Ministério Público da União (MPU) deste ano que não tiveram bons resultados não precisam desanimar. A Procuradoria Geral da República (PGR) publicou no Diário Oficial da União de ontem a portaria que cria uma comissão para organizar uma nova seleção do órgão. De acordo com a assessoria de comunicação do MPU, a previsão é de que o edital seja publicado já nesta semana.

O número de vagas ainda não foi divulgado, mas as chances serão para os cargos de técnicos e analistas de áreas distintas daquelas já contempladas nos certames anteriores — um ofereceu 147 chances e o outro, 47. A comissão organizadora é formada pelo procurador da República Bruno Freire de Carvalho Calabrich e pelos servidores Sabrina de Araújo Maiolino e Bruno Gouveia de Lima.

Dois pedidos de demissão abalam o BC

Desde que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tomou posse, a discordância dentro da instituição nunca foi tão latente. O desgaste com o mercado e com a sociedade, sobretudo depois que os índices de inflação estouraram o teto da meta de inflação, e a submissão da instituição ao Palácio do Planalto e ao Ministério da Fazenda levaram o diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo, a pedir demissão duas vezes. A primeira, conforme integrantes do governo, quando a presidente Dilma Rousseff estava na África do Sul, no fim de março; a segunda, durante a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em maio.

Os relatos sobre os pedidos de demissão de Hamilton foram colhidos com integrantes da equipe econômica e economistas do mercado que teriam ouvido a história de diretores do BC. Segundo eles, a tensão se instalou de vez no Banco Central em 27 de março, quando Dilma afirmou, em Durban, na África do Sul, não acreditar em "políticas de combate à inflação que olhem a redução do crescimento econômico".

A fala foi interpretada por Hamilton e parte de seus colegas de diretoria como um sinal de que o Planalto vetaria qualquer possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) elevar a taxa básica de juros (Selic). Desde o início do ano, o BC vinha alertando sobre a possibilidade de um aumento dos juros, incomodando o Planalto. A declaração de Dilma soou como ameaça e Hamilton, o maior defensor do arrocho para conter os reajustes disseminados de preços, achou que deveria pular fora do barco. Só concordou em ficar depois dos fortes apelos de Tombini. Sua saída poderia abrir uma enorme crise no governo.

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!