Nos jornais: depois de pôr irmão em estatal, ministro deu cargo ao tio em comitê

Jornais destacam a relação do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, com seu tio, nomeado há quatro meses como membro do comitê técnico-consultivo para o desenvolvimento da agricultura irrigada. É a segunda vez que o ministro indica um parente para um cargo subordinado a ele

O Estado de S. Paulo

Depois de pôr irmão em estatal, ministro deu cargo ao tio em comitê

O ex-deputado federal Osvaldo Coelho (DEM), tio do ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra Coelho, foi nomeado há quatro meses, pelo sobrinho, membro do comitê técnico-consultivo para o desenvolvimento da agricultura irrigada, criado dias antes por portaria do ministério. Trata-se do segundo integrante da família Coelho a ter cargo indicado pelo ministro e subordinado a ele, contabilizada a permanência do irmão Clementino na presidência da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf).

Osvaldo Coelho se diz perito em irrigação, tema que atrai muito a atenção do sobrinho-ministro. Procurado pelo Estado, o tio queixou-se de trabalhar pouco. Desde a criação, o comitê só se reuniu uma vez, para a sua instalação, em 20 de setembro. "Estou fazendo de conta de que sou conselheiro, mas não estou dando conselho nenhum. Não sei se o conselho é que está estático ou se é o ministro", queixa-se.

Tribunal de Justiça de SP pagou R$ 500 mil a desembargador

O desembargador Roberto Vallim Bellocchi, que presidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) entre 2008 e 2009, recebeu da corte mais de R$ 500 mil - "quinhentos e poucos mil reais", segundo ele - a título de verbas e créditos pagos com atraso. O dinheiro, disse, serviu para quitar "parcialmente dívida de imóvel e pendências bancárias".

Bellocchi, hoje aposentado, afirmou que recebeu parceladamente. "Eu tenho dívidas em banco. Na ocasião (2010) tinha que arcar com cirurgia para tratamento de um filho e débitos que vinham do tempo em que minha mulher era advogada. Dívidas decorrentes de inventário, até do espólio dela."

Ele negou que o contracheque tenha sido de R$ 1,6 milhão - como informou ao Estado um outro desembargador que ocupou cargo diretivo no TJ. "Um milhão e seiscentos? Antes fosse. Nossa, é muito! Eu desconheço. Na minha gestão tudo foi feito com ampla transparência."

'Essa crise evidenciou a divisão interna no Judiciário'

Para a cientista política e professora da USP Maria Tereza Sadek, a crise no Poder Judiciário, que se estende por seis meses, reflete a importância que a Justiça vem ganhando na vida da população nos últimos anos. O embate ficou explícito desde que a ministra Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça, e o presidente do órgão, ministro Cezar Peluso, discutiram publicamente sobre o poder do CNJ de investigar juízes. Para Maria Tereza, contudo, a maior transparência no Judiciário é "inexorável".

Estamos acostumados a ver o Executivo e o Legislativo envolvidos em denúncias de corrupção e crises. O Judiciário funcionava como árbitro. O que mudou?

A Reforma do Judiciário (em 2004), ainda que não correspondesse integralmente às demandas da sociedade, foi extremamente importante porque propiciou uma transformação. Com a criação do CNJ, dois aspectos foram contemplados: de um lado, o planejamento, o gerenciamento e, por outro, aumentou o grau de transparência da instituição. No ano passado, foram julgadas questões de cidadania, como a união estável entre pessoas do mesmo sexo e a liberdade de expressão nas marchas pela descriminalização da maconha. Talvez o Judiciário não entrasse em crise antes porque era o mais apagado entre os poderes.

CNJ 'não é super-homem', diz ministro

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, disse ontem no programa Roda Viva, da TV Cultura, que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) "não é um super-homem" e que, ao acatar a liminar que paralisou suas investigações, no final do ano passado, simplesmente cumpriu o seu dever. Rejeitou, porém, a ideia de que isso enfraquece o conselho. "Não foi tirado poder. Ninguém é contra o CNJ. Mas temos um poder maior que a todos submete: a Constituição."

Para ele, o que está em jogo, a esta altura, é o justiçamento. A bandeira no momento "está calcada mais no justiçamento que no respeito à lei". Condenou "aqueles que querem vísceras, querem sangue". E ponderou que "a concentração ilimitada de poderes (no caso, pelo CNJ) é sempre perniciosa. Ele (o CNJ)não é um super-homem".

Toga aponta '1.001' razões para receber auxílio financeiro

Divã, prestação da casa própria em atraso, papagaios no banco, doenças terminais, medicamentos caros, filhos em apuros e até inundação fazem parte do rol de motivos que desembargadores alegam para receber quantias excepcionais dos TJs sob a rubrica "pagamento antecipado".

Os magistrados repudiam a suspeita de privilégios. Uns reivindicam valores relativos a férias não tiradas ou benefícios pagos com atraso, como a Parcela Autônoma de Equivalência - equiparação a ganhos de parlamentares. Outros miram recursos alentados por acúmulo de licença-prêmio - três meses de férias a cada 5 anos de serviço.

Os pagamentos de ordem administrativa, assim rotulados, permitem a eles driblar a fila dos precatórios judiciais, em geral resgatados por credores comuns após mais de 20 anos de batalha forense. Os juízes recebem por decisão de seus pares e assim evitam o litígio eterno em vara judicial. Os índices aplicados para correção e a planilha de cálculos que compõem o contracheque são um tabu que os tribunais não tornam público.

Por apoio do PSB, Dilma decide blindar ministro

A presidente Dilma Rousseff decidiu blindar o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e escalou o auxiliar como porta-voz da reunião realizada ontem, no Palácio do Planalto, para criar uma força-tarefa que atuará em áreas de risco de Estados afetados pelas chuvas. Dilma avaliou como "inconsistentes" as denúncias que apareceram até agora contra Bezerra e também não quer comprar briga com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), padrinho do ministro.

Ao voltar a despachar ontem no Planalto, após as férias de fim de ano, a presidente fez questão de demonstrar que mantém a confiança em Bezerra. "Se eu não contasse com a confiança e apoio dela, não estaria aqui", disse o ministro aos jornalistas, depois de apresentar as diretrizes traçadas pelo governo para definir providências diante das fortes chuvas que castigam o Sudeste. "Estou tranquilo porque nenhuma das denúncias irá prosperar. O Tribunal de Contas aprovou todas as minhas contas."

Bezerra falará para comissão 'governista'

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, deve ser ouvido pelos integrantes da comissão representativa do Congresso na próxima quinta-feira e não na quarta-feira, como ele informou no Palácio do Planalto. Bezerra ligou ontem para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), quando sugeriu uma data para ser ouvido pelos parlamentares. O Congresso está de recesso e é representado por uma comissão presidida por Sarney.

Os partidos querem explicações do ministro Fernando Bezerra sobre três denúncias que surgiram na semana passada: a de que transferiu para seu Estado, Pernambuco, 90% dos recursos destinados à prevenção de calamidades; a de que burlou a Lei do Nepotismo, ao manter seu irmão Clementino Coelho na presidência interina da Codefasv por quase um ano; e a de que teria favorecido o seu filho, deputado Fernando Coelho (PSB-PE), na distribuição de recursos do ministério para atender às emendas parlamentares.

Para PT e PSDB, oferta de Kassab a Lula é blefe

A proposta de uma aliança na eleição para a Prefeitura de São Paulo feita pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebida com desconfiança no PT e no PSDB.

Segundo a coluna Radar da revista Veja deste final de semana, no encontro que Kassab teve com Lula, na quarta-feira passada, o prefeito discutiu a possibilidade de apoiar a candidatura de Fernando Haddad, do PT, em troca da indicação do candidato a vice. Como Kassab pressiona o PSDB para que o partido apoie o PSD na eleição municipal, a conversa com Lula - e a divulgação do seu conteúdo - foram interpretadas como pressão do prefeito sobre os aliados tucanos.

No mesmo palanque, Maluf elogia Alckmin

O deputado federal e ex-governador paulista, Paulo Maluf (PP), não poupou elogios ao atual governador Geraldo Alckmin (PSDB), ontem, durante evento em Campos do Jordão (SP). "Hoje temos um governador com 'G' maiúsculo sob o aspecto da ética e da eficiência administrativa", disse, em discurso na solenidade que marcou a sanção da lei que cria a Região Metropolitana do Vale do Paraíba, realizada no Palácio Boa Vista, residência oficial de inverno do Governo do Estado.

Paulo Maluf foi um dos principais adversários políticos do governador Mário Covas, morto em 2001, de quem Alckmin é herdeiro político. O discurso, no entanto, pode ter relação com o desejo do tucano de se aproximar do PP, de Maluf, para garantir mais espaço de TV neste ano para o futuro candidato tucano à Prefeitura de São Paulo.

Sob protesto, Lupi volta à presidência do PDT

Cerca de um mês depois de deixar o governo, o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi reassumiu ontem a presidência nacional do PDT, da qual estava licenciado, sob protestos do Movimento de Resistência Leonel Brizola. Lupi deixou o ministério depois de uma série de denúncias de fraudes em convênios com ONGs e da revelação de que foi funcionário fantasma da Câmara e da Câmara de Vereadores do Rio.

"Dilma, eu te amo: Cadê minha boquinha?", dizia um dos cartazes de protesto, em referência a uma declaração feita por Lupi quando ainda tentava se manter na pasta. Houve princípio de tumulto entre os manifestantes e aliados do ex-ministro.

Bezerra não registra 1ª compra e paga terreno duas vezes

Em nota, o ministro afirmou ontem que foi "induzido a erro" ao usar recursos públicos na compra do mesmo terreno duas vezes quando era prefeito da Petrolina (PE). A primeira compra ocorreu em 1996, na primeira gestão de Bezerra, e a segunda, em 2001. Nas duas vezes o dinheiro teria beneficiado o empresário José Brandão Ramos.

O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo. "Por equívocos na gestão subsequente, a primeira aquisição do imóvel deixou de ser registrada no Cadastro Imobiliário e no Registro Geral de Imóveis, não sendo, tampouco, lavrada a escritura de compra e venda. Esse foi o motivo pelo qual, em 2001, confiando nas informações oficiais, o município foi induzido a erro e adquiriu novamente o terreno Raso da Catarina", diz a nota.

'Coloquei o meu cargo à disposição por diversas vezes'

O presidente interino da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), Clementino Coelho, rompeu o silêncio ontem para negar que tenha praticado nepotismo ou privilegiado sua terra, Pernambuco, na destinação de verbas da estatal. Em entrevista ao Estado, por e-mail, disse que considera "ético e legítimo" ter ocupado o cargo por um ano, mesmo sendo subordinado hierarquicamente ao irmão, o ministro Fernando Bezerra Coelho. Indiferente à tempestade política que cerca a ele e ao irmão, Clementino continuou despachando ontem, além de assinar atos na presidência da estatal, na qual trabalha como técnico do quadro desde 2003.

Folha de S. Paulo

Tribunal de MG é acusado de promover juízes ilegalmente

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está julgando o pedido de anulação das promoções de 17 juízes ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, entre 2006 e 2009. As promoções foram denunciadas ao CNJ por uma entidade nacional que representa juízes.

Segundo a Anamages (Associação Nacional dos Magistrados Estaduais), o tribunal privilegiou parentes de desembargadores e ex-dirigentes de outra entidade de classe em detrimento de juízes mais antigos. Além de não observar critérios como antiguidade e produtividade, as promoções foram feitas às escuras, sem a publicação de edital, sustenta a Anamages. Por meio de sua assessoria, o tribunal mineiro informou que vai aguardar a decisão final do CNJ e cumprir o que for determinado.

Corte mineira diz que vai cumprir decisão do conselho

O Tribunal de Justiça de Minas informou que "vai aguardar a decisão do CNJ e cumprir o que for determinado". O desembargador Nelson Missias de Morais diz que "a Anamages [entidade que pede a anulação das promoções] não tem "credibilidade e legitimidade" para questioná-las. Segundo Missias, elas foram feitas pelas regras da época, que não previam a necessidade de edital.

Missias calcula que, se o CNJ acolher o pedido, 500 juízes serão atingidos. O desembargador Doorgal Andrada diz que a acusação faz parte de "uma disputa de fim associativo". "Estou com a consciência tranquila (...) Se houve erro, foi dos presidentes do tribunal que fizeram essas promoções", diz.

Ele acusa a Anamages de não incluir em sua lista amigos de Elpídio Donizetti, então presidente da entidade, que também foram promovidos. "A lei não pode valer para uns e não valer para os amigos dele", diz.

Desembargador recebe R$ 150 mil para reparar casa

Ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, o desembargador Celso Luiz Limongi recebeu do órgão R$ 150 mil para reparar seu apartamento na capital paulista.

A informação foi revelada ontem pelo jornal "O Estado de S. Paulo". Segundo Limongi, o valor foi pago em quatro parcelas em 2010 e destinou-se a uma "reforma de urgência". A cobertura de três quartos sofria com as chuvas.

"Chovia dentro do apartamento, pingava pelas lâmpadas, tábuas ficaram empenadas, móveis apodreceram", conta Limongi. "Era impossível não agir, mas o ordenado não dava para a reforma."

Petistas rejeitam oferta de Kassab a Lula

Petistas reagiram ontem com irritação à proposta de aliança feita ao ex-presidente Lula pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD). Ele sugeriu a Lula escolher um político de seu partido para vice na chapa de Fernando Haddad (PT) à prefeitura.

A oferta gerou uma onda de protestos na bancada petista na Câmara Municipal. "Não há possibilidade de negociar com Kassab. Nossos projetos são antagônicos. Seria uma traição à base eleitoral do PT", disse o vereador petista Chico Macena. "Isso é desespero para pegar carona na popularidade de Lula."

O líder do PT na Câmara, Italo Cardoso, disse que seria "muito difícil" justificar uma aliança com o prefeito depois de seis anos de embates. "Temos que fazer uma campanha de oposição. Não podemos fingir que concordamos com tudo o que Kassab fez nos últimos anos." O ex-ministro José Dirceu também criticou o flerte em seu blog: "É um retrato do isolamento e da confusão em que vive a oposição tucana e seus atuais e ex-aliados."

Irmão adiou cobrança de dívida de ministro

O ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) obteve em dezembro o adiamento da cobrança de uma dívida da Prefeitura de Petrolina com estatal ligada à pasta e presidida por seu irmão Clementino Coelho. O governo anunciou que Coelho deixará o cargo na Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba).

Quando prefeito de Petrolina (PE), de 2000 a 2006, Bezerra firmou convênio de R$ 23 milhões com a Codevasf para a construção de estações de tratamento de esgoto. Na época, Clementino era diretor de Infraestrutura.

Segundo relatório da CGU (Controladoria-Geral da União), a dívida refere-se ao não depósito de contrapartidas obrigatórias de R$ 921 mil, em valores atuais. Em 2010, antes de Clementino assumir interinamente a presidência, a estatal abriu procedimento para tentar o ressarcimento de prejuízos.

Pasta empregou parentes da nora de Bezerra

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PSB), empregou o pai e o tio de sua nora em cargos de confiança na estrutura do ministério.

Até 11 dias atrás, Antônio de Pádua Kehrle, que é sogro do deputado Fernando Coelho (PSB-PE) -filho do ministro-, comandava o Dnocs (Departamento Nacional de Obras contra Seca) em Pernambuco. Foi exonerado em 30 de dezembro.

Já Iran Padilha Modesto, tio da mulher do deputado, é o representante do ministério em Pernambuco desde maio. Sua nomeação foi assinada pelo próprio ministro. Foi também assessor da pasta e em Petrolina, além de tesoureiro de campanha do ministro.

Procurado, o ministério informou que a escolha obedece a avaliação técnica e que "os servidores são submetidos a uma criteriosa análise pela Casa Civil". Pádua Kehrle atribuiu sua nomeação ao PT.

Companhia diz que não houve favorecimento

A Codevasf afirmou que prorrogações são "naturais" nesse tipo de procedimento, por envolver diferentes esferas administrativas e possibilidades de recurso. Segundo a estatal, "não cabe falar em nenhum favorecimento". Em nota, a companhia disse que o dinheiro cobrado refere-se a "saldo de serviços realizados e que estão sendo periciados" pela comissão criada por Clementino Coelho, irmão do ministro.

Questionada sobre o relatório da Controladoria-Geral da União, que afirma que a dívida é decorrente de contrapartidas não pagas pela Prefeitura de Petrolina, a Codevasf manteve a versão. Segundo diz, a comissão concluiu que precisava de mais tempo para as perícias.

O ministro Fernando Bezerra, por meio da assessoria, negou favorecimento.

Lupi reassume a presidência do PDT

Pouco mais de um mês após sua saída do Ministério do Trabalho, Carlos Lupi reassumiu ontem a presidência do PDT.

Apesar de estar licenciado do cargo desde 2008, porque era ministro, ele havia sido reeleito para a função no ano passado. O mandato na direção da legenda vai até 2013. A volta de Lupi aconteceu em reunião da Executiva Nacional do PDT no Rio de Janeiro.

Bezerra vai se explicar ao congresso

O ministro da Integração Nacional deve dar explicações na quinta-feira à comissão representativa do Congresso. Há denúncias de favorecimento a seu reduto político pela pasta e de irregularidades enquanto era prefeito de Petrolina (PE). "Conto com o apoio e a confiança de Dilma", afirmou ele em coletiva.

Dívida familiar pode bater recorde em 2012

A estratégia do governo de turbinar o crescimento da economia via estímulo ao consumo, financiado em prestações a perder de vista, poderá ficar comprometida no ano que vem. Em 2012, para crescer 3,5% como projetado pelo Banco Central, os gastos dos brasileiros serão fundamentais. Com isso, o endividamento das famílias deverá superar, pela primeira vez, a metade de sua renda anual.

A previsão é de estudo da consultoria Tendências, que aponta alta de 3,8 pontos no endividamento das famílias, alcançando 51,3% da renda. O percentual ainda é baixo comparado com países como EUA (125%), Canadá (151%), Japão (126%), Alemanha (98%) e França (99%).

Apesar de não ser considerado preocupante pelo governo nem por especialistas, o índice faz acender uma luz amarela em relação à sustentação do ritmo de crescimento do crédito em 2013. Neste ano, as estimativas são de elevação acima de 15% no total de crédito concedido, incluindo aí as empresas. O valor é considerado alto, mas compatível com expectativa de crescimento da economia acima de 3%, desemprego em baixa e aumento dos empréstimos para compra da casa própria.

O Globo

Burocracia paralisa pesquisas

Nem a falta de cérebros, nem a carência de boas universidades. O maior vilão dos cientistas brasileiros é a burocracia. Que o diga o Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, há quase sete meses sem um microscópio confocal, usado por cerca de 400 pesquisadores. O aparelho, de tecnologia japonesa e adquirido em junho de 2009, apresentou defeitos em algumas de suas peças dois anos depois, quando ainda estava dentro da garantia. Os acessórios poderiam ser trocados gratuitamente até novembro do ano passado, mas, desde então, os acadêmicos disputam uma batalha inglória contra a Receita Federal, cujas exigências dificultam a reposição do material.

A universidade, que encaminhou o processo para a Receita em julho, pretendia receber as novas peças antes de enviar as defeituosas. Mas, segundo pesquisadores da UFRJ, demorou três meses para o órgão federal afirmar que deveria ser feito o contrário - primeiro as unidades estragadas sairiam do país; depois chegariam suas substitutas.

Chuvas matam 11 e deixam 15 soterrados na divisa MG-RJ

Pelo menos oito pessoas - seis adultos e duas crianças - morreram em consequência dos deslizamentos em Jamapará, distrito de Sapucaia, no Centro-Sul Fluminense. O caso mais grave aconteceu na Rua dos Barros, na altura do Km 108 da BR-353, às 3h30m de ontem. Nove casas foram atingidas e 59 famílias ficaram desalojadas. Segundo o Corpo de Bombeiros, ainda há 15 pessoas desaparecidas. O secretário estadual de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, que passou o dia no local, afirmou que a prioridade é encontrar os corpos. Além dessas, já haviam sido registradas outras duas mortes, elevando para dez o total de óbitos no estado em decorrência das chuvas. Segundo a Defesa Civil, o Estado do Rio já tem mais de 10 mil desalojados (pessoas fora de casa) e cerca de 2 mil desabrigados.

Três retroescavadeiras passaram o dia retirando lama da Rua dos Barros. Segundo os Bombeiros, no entanto, o trabalho foi retardado pela grande quantidade de rochas misturadas à terra que desceu do barranco. De acordo com Simões, uma outra retroescavadeira deve chegar ao local hoje para ajudar a quebrar as pedras maiores. Cerca de 30 bombeiros dos destacamentos de Carmo, Teresópolis, Três Rios e Itaipava passaram o dia em busca de corpos.

Classe média terá FGTS para construir

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) vai aprovar hoje, em reunião extraordinária, uma nova linha de crédito de material de construção para a classe média. O financiamento será de até R$20 mil por tomador, que pagará o total em até 120 meses a juros mais baixos que os do mercado. Não haverá limite de renda. Inicialmente, serão ofertados R$300 milhões, mas o valor pode chegar a R$1 bilhão, dependendo da demanda. A expectativa é que a medida entre em vigor em 30 dias.

A nova modalidade prevê a compra de material para reforma ou ampliação de imóveis residenciais a uma taxa de juros máxima (custo efetivo máximo para o mutuário) de 12% ao ano. Esse percentual abrange juros, comissões e outros encargos. Para famílias com renda bruta mensal de até R$5.400, o FGTS já dispõe de linhas de material de construção com juros máximos de 8,5% ao ano. Também têm acesso a financiamentos habitacionais mais em conta, no programa Minha Casa, Minha Vida.

A nova linha de crédito não implica a retirada, pelo tomador, de dinheiro de sua conta no FGTS. O financiamento tem como fonte recursos do Fundo. A principal exigência é que o tomador tenha conta no FGTS. Também é necessário comprovar propriedade do imóvel e regularização da área construída.

Governo cria força-tarefa contra cheias

O governo anunciou ontem medidas para enfrentar os efeitos das fortes chuvas na Região Sudeste, onde pelo menos 26 pessoas já morreram. Entre as medidas está a criação da Força Nacional de Apoio Técnico e Emergência, formada por 50 geólogos e hidrólogos que irão para as regiões afetadas. O Executivo federal confirmou a liberação de R$444 milhões para ações de prevenção, obras e reconstrução das cidades e residências atingidas. A presidente Dilma Rousseff também determinou que o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em Cachoeira Paulista (SP), estenda o regime de funcionamento 24 horas por dia, introduzido em dezembro, até o fim de março, ainda período das chuvas de verão.

Uma força-tarefa de 35 geólogos e 15 hidrólogos vai atuar nas áreas de mais alto risco de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. As equipes serão formadas especialmente por geólogos vinculados aos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente.

Além da antecipação do pagamento do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), Dilma autorizou a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que as vítimas das chuvas possam reconstruir suas casas. Não foi divulgado o volume de recursos que poderá ser movimentado. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, disse que essas liberações serão avaliadas caso a caso.

Bezerra é investigado em quatro ações do MPF

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, é investigado em quatro ações civis públicas do Ministério Público Federal de Pernambuco, por suspeita de improbidade administrativa na época em que foi prefeito de Petrolina (PE). As ações, encaminhadas à Justiça Federal no estado, foram propostas nas últimas semanas de dezembro, quando - pelo fato de o último mandato de Bezerra como prefeito ter terminado em 2006 - vencia legalmente o prazo para eventuais processos contra sua gestão, segundo o MPF.

Numa das ações, sobre possíveis irregularidades num convênio de R$24,4 milhões da prefeitura de Petrolina com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), outro investigado, além de Bezerra, é seu irmão Clementino de Souza Coelho - atual presidente interino da Codevasf e então diretor de engenharia do órgão, tendo assinado a liberação da 1ª parcela do convênio. O então presidente da Codevasf, Luiz Carlos Everton de Farias, também é investigado, entre outros.

De setembro de 2005, o convênio tinha como objetivo a "implantação de Estação de Tratamento de Esgotos Sanitários da Bacia Centro", e já tinha sido alvo de outras duas representações, uma da Controladoria Geral da União (CGU) e outra encaminhada pela Associação de Moradores do Bairro Dom Avelar, segundo a ação do MPF. A própria Codevasf, segundo a ação, também abriu uma tomada de contas especial sobre o caso.

Com verba extra, cobiça pela Ciência e Tecnologia

A explosão do seu orçamento ao longo dos últimos oito anos fez com que a Ciência e Tecnologia perdesse o rótulo de renegada para se tornar uma das pastas mais cobiçadas na dança de cadeiras que a presidente Dilma Rousseff deve promover nas próximas semanas. Além do incremento de 140% na execução financeira, entre 2004 e 2011, alcançando despesas de R$6 bilhões no ano passado, o setor caiu nas graças da presidente, que elegeu a inovação tecnológica com um dos pilares de sua política industrial.

Com o orçamento turbinado, o PT luta para se manter na pasta que só conquistou no governo Dilma, enquanto o PSB trabalha nos bastidores para retomar o posto que perdeu com o fim do governo Lula - desde que o partido não perca a Integração Nacional, que responde pelas obras contra secas e enchentes. O ministro de Ciência e Tecnologia, o petista paulista Aloizio Mercadante, deve ser remanejado para o Ministério da Educação no lugar de Fernando Haddad, que sairá para disputar a prefeitura de São Paulo.

A interlocutores, Dilma já avisou que o eventual substituto de Mercadante será um nome de sua confiança, e que manterá na pasta a estrutura montada no primeiro ano de governo. Entre os petistas desponta o deputado Newton Lima (PT-SP). O secretário-executivo do MCT, Luiz Elias, é o preferido de Mercadante para assumir a função, mas ele está com dificuldades de emplacar sua indicação.

Depois do PSDB, Kassab agora flerta com PT

Depois de flertar com o PSDB, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, presidente do novo PSD, está tentando se aproximar do PT. A possibilidade de aliança entre os dois partidos na eleição paulistana teria sido tratada, na semana passada, quando Kassab visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Hospital Sírio-Libanês, onde o petista passa por sessões de radioterapia para combater um câncer na laringe.

O prefeito paulistano teria oferecido ao PT a possibilidade de indicar um filiado ao PSD para ser o vice na chapa do ministro da Educação, Fernando Haddad. - Houve conversa, mas não sei o que foi tratado - afirmou o deputado federal Guilherme Campos (SP), líder do PSD e um dos principais aliados de Kassab.

Perguntado se a aliança fez parte da conversa, Campos deixou a possibilidade no ar: - Não dá para acreditar que eles falaram apenas sobre o Adriano (atacante do Corinthians, time de Lula) e o Luís Fabiano (atacante do São Paulo, time de Kassab).

O deputado ainda lembrou que o PSD está aberto a conversas sobre alianças com todas as legendas. - O PSD não tem restrição a fazer alianças com partido, A, B ou C. Em São Paulo, esse assunto está sendo tratado pelo prefeito Gilberto Kassab.

Desabrigados de 2008 em Santa Catarina ainda aguardam moradia

É lento o ritmo da reconstrução em áreas afetadas pelas chuvas nos últimos anos no país. Nas regiões Sul e Nordeste, por exemplo, é possível encontrar antigos desabrigados que ainda aguardam moradias do governo, embora os estragos tenham sido causados em temporais ocorridos entre 2008 e o ano passado.

Em Santa Catarina, a diarista Raquel Cunha, de 38 anos, vive, desde o fim de 2008, em Itajaí, com os três filhos, em uma casa paga pela prefeitura com o aluguel social. Assim como eles, que perderam tudo nas enchentes e deslizamentos provocados pelas chuvas daquele ano, outras 54 famílias ainda não têm uma nova residência.

O diretor de Obras da Secretaria de Habitação de Itajaí, Leonardo Caetano, informou que a prefeitura paga o auxílio moradia às 55 famílias, das quais 45 são da enchente de 2008. - Temos um gasto mensal de R$30 mil - detalhou ele, que ainda não tem previsão de quando essas famílias poderão receber um imóvel.

Os projetos existem, mas a lista de espera é extensa: mais de seis mil famílias que ganham até três salários mínimos aguardam sorteio para ganhar uma casa. A Defesa Civil de Blumenau, um dos municípios de Santa Catarina mais afetados pela catástrofe de novembro de 2008, interditou, na época, 2,6 mil moradias, das quais 1,6 mil já foram demolidas. Nos últimos anos, 320 famílias viveram em abrigos ou com aluguel social. As últimas 15 famílias deixaram os abrigos em novembro passado.

Em meio a protestos, Lupi reassume PDT

O ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi reassumiu no início da tarde de ontem a presidência nacional do PDT sob protestos de antigos pedetistas. Enquanto Lupi participava da reunião da Executiva Nacional na Fundação Alberto Pasqualini, no Centro do Rio, 60 militantes ligados ao Movimento de Resistência Leonel Brizola (MRLB) promoveram uma manifestação em frente ao prédio. Houve confusão, empurra-empurra e troca de ofensas entre os aliados do ex-ministro e os militantes, contrários ao seu retorno. As portas da fundação precisaram ser fechadas para evitar uma invasão.

Com o rosto abatido, Lupi - que deixou o Ministério do Trabalho após denúncias de irregularidades - comandou a reunião onde foram discutidas as eleições municipais, a escolha da indicação de um nome para assumir o Trabalho e a reorganização do partido. Com a direção estadual do Rio ocupada em caráter provisório e a escolha dos membros sub judice desde 2008, o partido enfrenta uma grave crise interna. Disputas no diretório fluminense respingaram nos demais, e a legenda soma hoje apenas sete diretórios estaduais organizados, quando a legislação eleitoral prevê, pelo menos, nove.

Governo cria força-tarefa contra cheias

O governo anunciou ontem medidas para enfrentar os efeitos das fortes chuvas na Região Sudeste, onde pelo menos 26 pessoas já morreram. Entre as medidas está a criação da Força Nacional de Apoio Técnico e Emergência, formada por 50 geólogos e hidrólogos que irão para as regiões afetadas. O Executivo federal confirmou a liberação de R$444 milhões para ações de prevenção, obras e reconstrução das cidades e residências atingidas. A presidente Dilma Rousseff também determinou que o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em Cachoeira Paulista (SP), estenda o regime de funcionamento 24 horas por dia, introduzido em dezembro, até o fim de março, ainda período das chuvas de verão.

Uma força-tarefa de 35 geólogos e 15 hidrólogos vai atuar nas áreas de mais alto risco de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. As equipes serão formadas especialmente por geólogos vinculados aos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente.

Além da antecipação do pagamento do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), Dilma autorizou a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que as vítimas das chuvas possam reconstruir suas casas. Não foi divulgado o volume de recursos que poderá ser movimentado. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, disse que essas liberações serão avaliadas caso a caso.

Lula volta ao trabalho

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ao trabalho ontem. Ele retomou suas atividades no Instituto Lula, no Ipiranga, em São Paulo. Pela manhã, o ex-presidente fez sessão de radioterapia no Hospital Sírio-Libanês. Nova sessão de quimioterapia está marcada para amanhã. De forma mais amena que o tratamento anterior, as doses serão administradas semanalmente. Ontem, Lula recebeu as visitas do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, e do senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

Ministro diz ainda ter apoio de Dilma

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, tentou ontem encerrar a polêmica sobre sua atuação à frente da pasta. Ele é acusado de privilegiar seu estado, Pernambuco, com mais verbas para prevenção de catástrofes, em relação a outras unidades da federação. Após conversa com a presidente Dilma Rousseff, disse que continua com apoio dela.

O Ministério da Integração distribuiu ontem três notas contestando as denúncias. Mais cedo, Bezerra entrou em contato com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a quem pediu para prestar esclarecimentos na comissão representativa do Congresso, que pode se reunir durante o recesso. Ele deve depor amanhã.

Em entrevista no Palácio do Planalto, após se reunir com Dilma, Bezerra parecia à vontade. Agiu como mestre de cerimônias, chamando os colegas para falar, embora seja a Casa Civil a responsável pelas ações integradas. Sobre as acusações de benefício político, disse que as explicações já foram dadas.

Padre ganha visto de permanência

O padre italiano Vito Miracapillo, de 64 anos, expulso do Brasil pela ditadura militar, ganhou ontem visto de permanência, que dá o direito de viver em território nacional. Miracapillo havia sido expulso há 31 anos e tentava retornar ao país há uma década, só tendo conseguido, durante esses anos, visto de turista.

O padre esteve ontem no escritório da Polícia Federal, no Aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife, para pedir a revalidação do antigo visto de permanência no país. Agora Miracapillo depende da autorização do bispo de sua diocese, na Itália, para retomar o trabalho pastoral que realizava em Pernambuco.

Piso de professor é último impasse do ministro

Sob pressão de governadores e prefeitos, o Ministério da Educação (MEC) ainda não anunciou o novo valor do piso salarial nacional dos professores da rede pública, que entra em vigor neste mês. O reajuste enfrenta forte resistência de estados e municípios, que são contrários ao aumento de 22% previsto em lei e que elevará o piso nacional para R$1.450 mensais. Às vésperas de deixar o MEC para disputar a prefeitura de São Paulo, o ministro Fernando Haddad reuniu-se ontem com a presidente Dilma Rousseff em busca de uma saída.

O encontro no Planalto durou cerca de três horas e terminou sem anúncio oficial. Mas quem acompanhou a reunião diz que tudo caminha para que a atual fórmula de reajuste seja seguida, o que significará um aumento de 22%. Neste caso, o índice deverá ser anunciado nos próximos dias por Haddad. Ele deverá deixar o governo na segunda quinzena de janeiro.

Rondônia já recebeu 700 haitianos

Cerca de 700 haitianos que chegaram ao Brasil pela fronteira de Brasileia, no Acre, já foram para Rondônia de ônibus desde janeiro de 2010 em busca de emprego, segundo estimativa do representante da Secretaria da Justiça e Direitos Humanos do Acre, Damião Borges Melo. De acordo com ele, Rondônia é um dos estados mencionados pelos haitianos, quando chegam em Brasileia, como uma das regiões onde eles esperam achar emprego. As outras são Manaus e São Paulo.

Dos 700 haitianos que seguiram para Rondônia, cerca de 500 foram enviados pelo governo do Acre, que gasta R$89 de passagem de ônibus por pessoa. De Brasileia, os haitianos vão para Rio Branco, numa viagem de cerca de três horas. Lá, são recebidos por equipes da Secretaria estadual de Direitos Humanos, que providencia as carteiras de trabalho. Após almoçar e jantar em Rio Branco, eles vão para Porto Velho - mais cinco horas de viagem.

Sisu: média de 300 candidatos por minuto

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação (MEC), registrou até as 18h de ontem 1.191.290 candidatos que vão concorrer a uma vaga em instituições públicas de ensino superior. O número de inscrições chegava a 2.299.733, já que cada candidato pode se inscrever em até dois cursos. Quem for aprovado na primeira opção é automaticamente retirado do sistema.

De acordo com levantamento do MEC, em apenas três dias, o número de concorrentes superou o total dos inscritos no processo seletivo de 2011, quando 1.080.194 se inscreveram. Segundo o MEC, nas primeiras 66 horas, o Sisu registrou 300 novos candidatos por minuto.

Correio Braziliense

Conta de luz dispara com taxas extras

A conta de luz vai ficar mais cara em 2012, mas quase metade (45%) do valor a ser pago em média pelo consumidor não será eletricidade, mas tarifas disfarçadas por meio de siglas que a grande maioria da população sequer sabe que o que significa e para o que serve. As empresas do setor calculam que esses encargos totalizarão R$ 19,2 bilhões neste ano, um salto de 7,9% em relação a 2011. Em tese, tais penduricalhos deveriam ser usados para investimentos que evitassem o colapso no fornecimento de energia e estimulassem a inovação tecnológica. Boa parte desses recursos, porém, acaba servindo à meta de superavit primário — economia de gastos do governo para pagar juros da sua dívida — e até para cobrir perdas de receita tributária dos estados do Norte.

As entidades que representam distribuidores, grandes consumidores e agentes do mercado reclamam ano após ano das pesadas cobranças e das limitações aos investimentos. "A tarifa de energia é a forma mais fácil e garantida de arrecadar impostos. Cabe à sociedade pressionar para garantir a aplicação esperada das verbas arrecadadas e ainda impedir a criação de novas taxas", diz Nelson Leite, presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee).

Plano emergencial para tirar Bezerra da chuva

Fernando Bezerra e o Planalto traçam estratégia de defesa contra as denúncias de favorecimento. Plano inclui o depoimento relâmpago ao Congresso e o anúncio de medidas de combate às tragédias provocadas pelo clima

Acuado há uma semana com denúncias de privilégios para sua base eleitoral em Petrolina, Pernambuco, e para seus familiares espalhados na máquina pública federal, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, decidiu antecipar sua ida ao Congresso Nacional em pleno recesso para prestar esclarecimentos. A decisão faz parte de uma estratégia de defesa acordada com o Palácio do Planalto, que incluiu a edição de um pacote de medidas contra as tragédias provocadas pelas chuvas. Ontem, pelo menos 12 pessoas morreram, agravando a situação provocada pelo clima no Sudeste (leia mais abaixo e na página 8).

Seguindo o script do Planalto, Bezerra telefonou ontem mesmo para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e solicitou que fosse convocado para se apresentar na Comissão Representativa do Congresso amanhã, seguindo a estratégia de explicar-se para um Legislativo esvaziado pelo recesso de janeiro — apenas 17 deputados e sete senadores.

Silicone da Holanda sob investigação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou ontem que recebeu reclamações com relação às próteses mamárias de silicone preenchidas com material irregular da marca holandesa Rofil. Segundo a Sociedade Internacional de Estética e Cirurgia Plástica (Isaps), o produto, assim como o produzido pela empresa francesa Poly Implant Prothese (PIP), corre risco de ruptura prematura. Em reportagem publicada pelo Correio no último sábado, a agência afirmou que, por razões sigilosas, não poderia revelar a existência de queixas relacionados à prótese holandesa. Ontem, a assessoria de imprensa da agência disse que recebeu "algumas reclamações" e afirmou que os técnicos analisam a documentação do produto com relação à comercialização e produção.

Até a última quinta-feira, a Anvisa havia recebido 94 queixas sobre próteses mamárias. Dessas, 12 tinham sido registradas contra a empresa PIP, que forneceu matéria-prima à Rofil. A Isaps, sediada nos Estados Unidos, recomenda a remoção de implantes das duas marcas. Já a Anvisa indica apenas uma avaliação médica às pessoas que utilizam a prótese da PIP.

Aliança em xeque

Ao contrário do discurso de boa convivência que os caciques do PT e do PSB tentam transmitir, as disputas previstas pelas prefeituras das capitais nas próximas eleições municipais revelam uma realidade totalmente distinta. Numa tentativa de demonstrar normalidade entre os dois lados e minimizar as críticas de petistas ao ministro da Integração, Fernando Bezerra, o presidente do PT, Rui Falcão, chegou até a emitir nota na última semana afirmando que "as relações com o PSB são as melhores possíveis".

Apesar da troca de afagos em âmbito nacional, o discurso de bons "companheiros" nos municípios é outro. Levantamento feito pelo Correio mostra que, na Região Nordeste, por exemplo, berço histórico de vitórias das duas legendas, apenas na Bahia, há um "início" de conversa para que saiam juntas na disputa pela prefeitura de Salvador. Nesse caso, a tentativa de acordo é de união em torno do nome do deputado federal Nelson Pellegrino (PT). Nas demais capitais nordestinas, a briga deverá ser acirrada. Um dos cenários mais tensos é a disputa pela prefeitura de Recife.

Dentro do próprio PT, ainda não há consenso de quem vai disputar o Executivo local. Três nomes são comentados: o único já confirmado como pré-candidato é o prefeito, João da Costa, que tentará a reeleição. O ex-prefeito João Paulo diminuiu as movimentações, mas ainda é uma opção bem citada. Nos bastidores, o líder do PT no Senado, Humberto Costa, também trabalha pelo posto. As movimentações dele começaram em dezembro quando se reuniu com o ex-presidente Lula para discutir a viabilidade do seu nome. Uma nova conversa deve ocorrer no fim deste mês. Mesmo alvejado por críticas, Fernando Bezerra é o nome cotado pelo PSB.

Ações contra as chuvas. De 2013

Para tentar descolar a imagem de inércia e favorecimento político diante das chuvas, que abriu uma crise no Ministério da Integração Nacional, o governo anunciou ontem um pacote de medidas de enfrentamento dos danos causados por desastres naturais. O principal é a criação de uma Força Nacional de Apoio Técnico de Emergência, grupo composto de integrantes de diversos ministérios, para atuar na reconstrução das áreas atingidas. Serão 150 especialistas, entre eles 35 geólogos e 15 hidrólogos, que serão deslocados para as regiões de mais alto risco em Minas Gerais, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.

O pacote tem o cunho mais político do que estrutural. Parte das ações anunciadas já não são eficientes para o período de chuvas atual. Os quatro radares que o Ministério da Ciência e Tecnologia vai adquirir, por exemplo, só devem ser entregues em dois meses, a tempo somente das chuvas no Nordeste.

Outras medidas anunciadas não são novidades. A reabertura de crédito dos R$ 444 milhões para contenções de chuva já havia sido publicada no Diário Oficial na semana passada e a liberação do FGTS para vítimas de desastres naturais já é autorizada.

Doadores contratados

Doadores de campanha do deputado federal Fernando Coelho Filho (PSB-PE) aparecem na lista de empresas contratadas em 2011 com recursos da cota de gabinete do parlamentar. Filho do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, o parlamentar recebeu dinheiro para campanha de empresas com sede em Pernambuco, curral eleitoral da família. As firmas vão do ramo do aluguel de automóveis à advocacia. Cruzamento feito pelo Correio nas declarações prestadas pelo parlamentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e nos gastos do gabinete revela que a empresa de aluguel de automóvel Olegário Pereira Lacerda Júnior ME doou pelo menos R$ 1 mil para a campanha do parlamentar. A empresa recebeu em troca R$ 32,5 mil entre agosto e dezembro do ano passado. O aluguel dos carros ocorreu, segundo ele, para que transitasse em Pernambuco.

Outro doador agraciado com dinheiro da cota parlamentar de Fernando Filho é o escritório de advocacia Paulo Santana Advogados Associados, que fez uma doação de campanha de R$ 2 mil. Em contrapartida, fechou contratos pagos com a verba de gabinete num total de R$ 15 mil, entre abril e julho do ano passado. Ao Correio, Fernando Filho alega que não houve favorecimento às empresas doadoras. "Não fica caracterizada a devolução do dinheiro. Não vejo favorecimento. Pelo volume doado, se quisesse fazer isso, não precisaria pagar pelos vários meses que contratei as empresas." O parlamentar disse ainda que não se lembra da ocasião em que ocorreram as doações, mas que elas fizeram parte de um jantar para levantar fundos para a candidatura na campanha de 2010. "Não me lembro direito, mas acho que o ingresso era de R$ 500. Dessa forma, o Olegário comprou dois e o Paulo Santana, quatro."

Isolado, Lupi reassume a presidência do PDT

O ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi retornou ontem à presidência do PDT menor politicamente do que o Lupi fanfarrão de dois meses atrás, quando desafiava correligionários e fazia juras de amor à presidente Dilma Rousseff, em declarações que beiravam o deboche. Pouco tempo depois de deixar a pasta, desgastado pela saraivada de denúncias a respeito de irregularidades em contratos firmados com organizações não governamentais, Lupi se torna um presidente de partido sem forças para negociar os rumos da própria legenda, principalmente com o Planalto.

"Lupi saiu queimado do ciclo de escândalos e vai demorar a se reconstruir politicamente", sintetiza o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força. O protesto feito por militantes pedetistas em frente ao prédio da Fundação Alberto Pasqualini, no Rio de Janeiro, onde ocorreu a reunião que marcou o regresso de Lupi ontem, deu o tom do clima que o ex-ministro enfrentará no PDT.

O ministro boquirroto

Carlos Lupi foi titular do Trabalho entre 2007 e o fim do ano passado. Um mês antes de sua queda, sofreu um processo de desgaste deflagrado com a divulgação do envolvimento de servidores da pasta em um esquema de cobrança de propinas de organizações não governamentais em contratos na área de qualificação profissional. O dinheiro seria revertido para o PDT. O então ministro afastou os funcionários implicados pelo escândalo e disse, em depoimento na Câmara, que só sairia do governo "à bala" — o que o obrigou a pedir desculpas a Dilma Rousseff e incluiu uma constrangedora jura de amor à presidente. Depois de negar conhecer o empresário Adair Meira, que comandava duas ONGs que mantinham contratos com o ministério, Lupi foi desmentido por um vídeo, no qual aparecia ao lado de Adair, viajando em um jatinho pago pelo empresário. A revelação de que o então ministro havia ocupado dois empregos públicos simultaneamente e a recomendação da Comissão de Ética Pública da Presidência da República pela demissão do pedetista selaram o destino de Lupi, que deixou o cargo em 4 de dezembro.

PT foi o mais "fiel" a Dilma em plenário

Os partidos de esquerda, somados ao PMDB, foram os mais fiéis ao governo Dilma Rousseff no primeiro ano de mandato da petista no Palácio do Planalto, bem à frente de PR, PTB e PP, integrantes da base aliada. Apesar da candidatura de Dilma ter sido, em um primeiro momento, uma imposição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT foi o partido que mais vezes votou a favor do governo nas 84 votações nominais realizadas na Câmara e nas 43 realizadas no Senado.

Segundo avaliações feitas pelo Planalto e obtidas pelo Correio, o PT também é o partido que apresentou, ao longo de 2011, o comportamento mais homogêneo, liderando o ranking de fidelidade nas duas Casas. Já o PMDB, segundo maior partido da coalizão governista, apresentou comportamento oscilante, sendo mais fiel na Câmara do que no Senado.

O resultado, de certa forma, surpreende os analistas, já que o PMDB da Câmara enfrentou diversas turbulências recentemente. Apesar da recondução pela bancada em reunião realizada no fim do ano, o líder Henrique Eduardo Alves (RN) teve, por diversas vezes, sua autoridade questionada pelos deputados e pelo próprio Palácio do Planalto, especialmente durante a tramitação do Código Florestal na Casa.

PT nega namoro com PSD

O PT não vê, pelo menos nesse momento, o caminho para uma aliança com o PSD nas eleições municipais de São Paulo. O partido trata como mera especulação a proposta feita pelo prefeito Gilberto Kassab de uma possível chapa tendo o petista Fernando Haddad como candidato a prefeito e um nome do PSD como vice. A oferta teria sido feita na semana passada, durante um encontro de Kassab com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O PT não pode alterar seu planejamento eleitoral com base em especulações", disse o presidente estadual do PT, deputado Edinho Silva, sem, contudo, descartar a possibilidade.

Edinho lembrou que, em diversos estados, existem perspectivas de alianças formais entre as duas legendas. Mas, em São Paulo, o cenário torna-se um pouco mais complicado. "Até o momento, todas as notícias envolvendo o PSD de São Paulo mostram a perspectiva de uma candidatura própria ou, no máximo, de uma aliança com o PSDB de José Serra", destacou o presidente estadual do PT.

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!