Nos jornais: defesa de Roberto Jefferson diz que Lula ordenou esquema

Responsável pela defesa do ex-deputado Roberto Jefferson, autor da denúncia do mensalão e um dos 38 réus do processo, o advogado Luiz Barbosa disse ontem que seu cliente "exagerou" ao inocentar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O Estado de S. Paulo

Defesa de Roberto Jefferson diz que Lula ordenou esquema

Responsável pela defesa do ex-deputado Roberto Jefferson, autor da denúncia do mensalão e um dos 38 réus do processo, o advogado Luiz Barbosa disse ontem que seu cliente "exagerou" ao inocentar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Barbosa vai sustentar tese contrária no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) - dirá que Lula "ordenou" o mensalão.  "O Supremo considerou plausível para iniciar o processo que três ministros, José Dirceu, Anderson Adauto e Luiz Gushiken, estariam pagando deputados federais para votar projetos de lei de iniciativa do presidente da República. Eles (ministros) foram os auxiliares e ele (Lula) ordenou, sim, que se fizesse aquilo que diz a acusação. Se ele não tivesse ordenado, seria um pateta. É claro que os ministros não mandavam mais do que ele (Lula)", sustenta o advogado.

Questionado sobre a razão de Jefferson ter dito que o então presidente da República era "inocente", o advogado respondeu: "Foi uma licença poética, por recomendação minha. Naqueles dias turbulentos ele não deveria atacar Lula e Dirceu a um só tempo. O Lula não sabia nem onde apagava a luz, o Dirceu tinha controle total do governo. Então o alvo foi o Dirceu. Não demorou nem dois dias e ele deixou o governo (Dirceu era chefe da Casa Civil) e voltou para a Câmara. Eu acho que o Roberto Jefferson exagerou dizendo que Lula era um homem inocente. De todo modo, o responsável pela defesa sou eu. Tenho total liberdade, sob pena de não patrocinar a defesa. É meu trato com ele."

PT nega sede e delúbio tem de improvisar ato

A poucos dias do início do julgamento do mensalão, a cúpula nacional do PT impediu a realização, ontem à poite, de um debate em defesa de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido, em sua sede na capital. O evento, organizado por petistas da cidade-satélite do Guará, foi transferido para um porão da CUT no Conic, shopping do centro de Brasília, uma área de comércio popular, tráfico de drogas e prostituição.

Delúbio chegou à sede da CUT às 19h24, acompanhado de militantes que distribuíram uma brochura de 80 páginas com sua defesa, elaborada por um escritório de advocacia. No porão, muito quente, cerca de 50 petistas disputavam espaço com 30 jornalistas. Delúbio abraçou alguns militantes e depois se trancou num saleta com advogados. Antes do debate, petistas chegaram a ordenar a saída da imprensa, mas voltaram atrás. Delúbio sentou-se à mesa sob gritos dos militantes: "Delúbio/guerreiro/do povo brasileiro."

Ministros reagem a corregedora e dizem que pressão do mensalão não é diferente

Três ministros do Supremo Tribunal Federal reagiram ontem às declarações da corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, segundo as quais a Corte será julgada pela opinião pública durante a avaliação do processo do mensalão. "Quem é ela para dizer que seremos julgados? O Supremo não é passível de sugestões, muito menos de pressões", disse o ministro Marco Aurélio Mello. "A toda hora estamos sendo julgados. Não é só nesse caso", afirmou o colega Gilmar Mendes. "O Supremo tem que estar acima dessas paixões passageiras", disse o também ministro Luiz Fux.

Os 11 ministros do Supremo começam a julgar o maior escândalo do governo Luiz Inácio Lula da Silva a partir de 2 de agosto. Entre os 38 réus estão José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, José Genoino, presidente do PT à época, e Duda Mendonça, marqueteiro da campanha lulista de 2002. A corregedora deu suas declarações sobre o julgamento anteontem em São Paulo. "Há por parte da Nação uma expectativa muito grande e acho também que o Supremo está tendo o seu grande julgamento ao julgar o mensalão", disse Eliana. "Hoje, eles (os ministros) têm, sim, uma preocupação porque o País mudou e a população está participando."

Congresso reativa Conselho de Comunicação

Sem funcionar desde 2006, o Conselho de Comunicação Social será reativado com a posse de seus 26 integrantes (13 titulares e 13 suplentes), em agosto. Aprovada pelo Congresso na véspera do recesso parlamentar, a composição do conselho recebeu críticas da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom).

Em nota, a coordenadora da Frente, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), afirmou ter recebido com "estranheza e perplexidade" a nomeação dos novos integrantes do conselho. "Manifestamos nosso veemente repúdio pela forma desrespeitosa e antidemocrática como o presidente do Senado tratou, neste caso, os parlamentares e representantes de mais de cem entidades da sociedade civil que integram a Frentecom." A nova composição do Conselho foi aprovada na semana passada, numa sessão convocada para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Ceará indeniza famílias de 18 ex-guerrilheiros

O governo do Ceará pagará, em agosto, R$ 640 mil em indenização referentes a processos de anistiados políticos deferidos em 2008 e 2009. Entre os indenizados está a família do ex-preso político Bergson Gurjão Farias - morto na Guerrilha do Araguaia, em 1972 -, que receberá R$ 30 mil. No Ceará, 228 processos foram julgados pela Comissão Especial de Anistia. A comissão avalia a procedência dos pedidos de indenização de pessoas detidas sob acusação de participar de atividades políticas entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979 que tenham ficado sob a guarda ou responsabilidade de órgãos oficiais do Estado e que sofreram maus-tratos que tenham causado comprometimentos físicos e psicológicos. O governo cearense já pagou cerca de R$ 5,5 milhões em indenizações.

Justiça arquiva investigação contra Erenice

A Justiça Federal arquivou inquérito contra a ex-ministra chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. A decisão, datada de 20 de julho, é do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal do DF, que acolheu manifestação da Procuradoria da República. O teor da sentença não foi divulgado ontem pela Justiça Federal em Brasília.

"A medida judicial restabelece a verdade e resgata a honra de Erenice, muito injustiçada porque nunca houve uma única prova que pudesse envolvê-la em qualquer ação delituosa", declarou o criminalista Mário de Oliveira Filho, defensor da ex-ministra. O inquérito foi aberto em 2010 pela Polícia Federal, pouco antes do primeiro turno da eleição presidencial. Erenice havia assumido a chefia da Casa Civil, sucedendo Dilma Rousseff, que deixou o cargo para disputar a cadeira que foi de Luiz Inácio Lula da Silva por oito anos. A PF investigou denúncia de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção e advocacia administrativa envolvendo a então ministra e seus filhos - um deles, Israel Guerra, teria intermediado contratos de uma empresa de transporte aéreo com os Correios.

Agente levanta suspeita sobre PMs no caso Cachoeira

O policial federal Fábio Alvarez Shor afirmou ontem em depoimento que o agente da PF Wilton Tapajós, assassinado na última semana em Brasília, foi abordado por policiais militares durante as investigações da Operação Monte Carlo. Testemunha de acusação na primeira audiência de instrução do processo sobre o esquema de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Alvarez foi questionado durante o depoimento na Justiça Federal sobre a vulnerabilidade do trabalho policial e a infiltração de integrantes da organização criminosa nas forças de segurança pública.

Tapajós teria sido abordado durante diligência na casa de Sônia Regina de Melo, servidora pública lotada na Delegacia Regional de Luziânia (GO). "Ele teve que usar histórias de coberturas para preservar o trabalho", contou Alvarez, explicando que não teria como fazer nenhuma relação da morte do colega com a operação da PF. O policial disse que Tapajós justificou que estava lendo a Bíblia enquanto esperava seu chefe ligar. Por coincidência, o agente recebeu uma ligação da superintendência da PF e os PMs deixaram o local. De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Regina era responsável pela captação de policiais para atuação na organização criminosa e fazia a intermediação entre exploradores diretos e os PMs.

Dirceu rememora guerrilha em livro

A poucos dias do julgamento do mensalão, seu principal personagem, o dirigente petista José Dirceu, volta à cena com um breve relato sobre o tempo em que militava no Movimento de Libertação Popular (Molipo) - organização de esquerda criada no início da década de 1970, com o objetivo de espalhar focos guerrilheiros na zona rural, derrubar o regime militar e instalar o socialismo no Brasil.

Trata-se do prefácio do livro biográfico As Quatro Mortes de Maria Augusta Thomaz. Escrito pelo jornalista Renato Dias, relata a história da militante política que, como Dirceu, foi líder estudantil, aproximou-se das organizações que defendiam a resistência armada e integrou o Molipo. Os dois conviveram em Cuba, onde o movimento surgiu. Ela foi morta numa operação do Exército, em Goiás, em 1971, e faz parte da lista dos desaparecidos políticos do País.

Em posse do presidente do Incra, servidores pedem reajuste

Servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em greve há mais de 30 dias, lotaram ontem o auditório onde tomava posse o novo presidente do órgão, Carlos Guedes de Guedes. Leram um manifesto solicitando avanços na negociação por melhores salários. Presente na cerimônia, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, lembrou a crise internacional, que afeta a arrecadação, para dizer que o momento não é indicado para discutir questões salariais. Mas o ministro afirmou que, na medida do possível, o governo tentará atender às reivindicações dos servidores. Pepe Vargas negou que o contingenciamento de verbas esteja prejudicando a reforma agrária e argumentou que o cronograma de liberações para compras de terras está sendo respeitado.

Tucano admite 'clima cordial'com adversário

O candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB, José Serra, admitiu que não pretende atacar Celso Russomanno (PRB) na disputa eleitoral, apesar de negar que tenha firmado um pacto com o adversário. O tucano confirmou ter participado de uma "reunião de cortesia" com Marcos Pereira, coordenador da campanha adversária, e disse que há um clima cordial entre as duas candidaturas. "Não se falou (sobre um pacto). Naturalmente, está implícito: se você conversa com alguém, não há disposição de agressões recíprocas", afirmou o tucano.

Serra diz defender um entendimento entre todos os candidatos "a respeito de fazer uma campanha sem agressões pessoais, que permita discutir a cidade". O tucano já disse a interlocutores que Russomanno seria um adversário "muito mais fácil" no segundo turno do que Fernando Haddad (PT). Aliados de Serra também acreditam que o candidato do PRB pode ajudar a evitar o crescimento do petista, ainda no primeiro turno, dada sua popularidade na periferia.

Petista diz que 'não agressão' vale para todos

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou ontem que tem "um pacto de não agressão com todos os outros candidatos", em resposta à reunião, na sexta-feira, entre o candidato tucano, José Serra, e o coordenador Marcos Pereira, da campanha do candidato do PRB, Celso Russomanno. Serra esteve com Pereira e combinou que não haveria agressões mútuas. Haddad descartou a possibilidade de mudanças de rumo da campanha em função do resultado da pesquisa Datafolha, divulgada no sábado, que registra estagnação do petista nos 7% de intenção de voto. Para ele, o horário eleitoral gratuito na TV deve mudar o cenário.

Russomanno critica Haddad e elogia Serra

O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, afirmou que sua candidatura não é "voo de galinha" e subiu o tom das críticas ao petista Fernando Haddad. "Eu posso te dizer que não resolvemos o problema da educação", afirmou em entrevista exclusiva ao Estado ontem. Na sexta-feira, o candidato do PSDB, José Serra, encontrou-se com o coordenador da campanha de Russomanno, o presidente do PRB, Marcos Pereira. "Serra queria ouvir, ou melhor, o Kassab (prefeito paulistano) queria ouvir que não existirão ataques pessoais", disse o candidato do PRB, empatado tecnicamente em primeiro lugar com o adversário tucano segundo a última pesquisa Datafolha.

Justiça recebe denúncia contra executivos

A Justiça Federal em São Paulo aceitou anteontem denúncia da Procuradoria da República e abriu processo criminal contra 11 pessoas acusadas de desviar recursos públicos na construção da antiga Avenida Água Espraiada, rebatizada de Jornalista Roberto Marinho, nas gestões dos ex-prefeitos Paulo Maluf (1993-1996) e Celso Pitta (1997-2000). A decisão foi tomada pela 2.ª Vara Federal, especializada na condução de ações sobre crimes financeiros. São alvo do processo executivos e ex-executivos da OAS e da Mendes Júnior, empreiteiras que fizeram a obra, além de dois ex-funcionários da Emurb, antiga empresa municipal de urbanização, responsável pela contratação dos serviços.

A Procuradoria da República informou ontem que "todos responderão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro". A ação criminal é um desmembramento do processo penal que tramita no Supremo Tribunal Federal contra Maluf, hoje deputado federal, por supostos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e organização criminosa, evasão de divisas e crime contra a administração pública.

TRE-RJ pede tropas federais para coibir milícias e tráfico

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) já pediu o envio de tropas federais para monitoramento da campanha em sete cidades da região metropolitana e do interior. A zona oeste da capital, área mais populosa da cidade e terreno quase totalmente controlado por grupos milicianos, e o complexo de favelas da Maré, que ainda está sob domínio de facções de traficantes, também receberão reforço das forças de segurança.

O objetivo da Justiça Eleitoral fluminense é coibir abusos de candidatos e grupos políticos nessas regiões e garantir a segurança dos eleitores. O emprego das tropas federais nas eleições no Rio ainda depende da aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

PSD banca intervenção de Kassab em Minas

Por 14 votos a um, o presidente nacional do PSD e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, derrotou ontem a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), na executiva nacional do partido, e obteve apoio para a intervenção que decretou no diretório municipal de Belo Horizonte. A queda de braço entre o presidente do PSD e sua primeira vice, no entanto, ainda não terminou. Caberá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dar a palavra final sobre a legalidade da "operação BH", com a qual Kassab quis atender à presidente Dilma Rousseff . A pedido do Planalto, o prefeito paulistano desmontou a aliança local com o PSB e o PSDB, passando a apoiar o PT do ex-ministro Patrus Ananias na corrida pela prefeitura da cidade. Os dirigentes do partido, no caso, não foram previamente consultados, embora o estatuto do partido assim o determine.

'Fui vítima de uma armação do prefeito'

Voto solitário na reunião da executiva nacional do PSD que referendou a intervenção do presidente do partido e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, em Belo Horizonte, a vice-presidente da legenda e senadora Kátia Abreu não se rende nem se sente derrotada. Em entrevista ao Estado, ela diz que quem defende princípios não sofre derrota. Afirma ainda que foi vítima de uma armação política por parte do prefeito.

 

Folha de S. Paulo

Jefferson desafia o STF e diz que não aceita condenação

Sete anos depois de denunciar o mensalão à Folha, o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, continua no ataque. Às vésperas de ser julgado com outros 37 réus no STF (Supremo Tribunal Federal), ele sugere que o ministro Joaquim Barbosa tentará condená-lo e o acusa de "jogar para a galera" e buscar "aplausos em botequim".

Jefferson mantém a versão de que o ex-presidente Lula não sabia do esquema de compra de apoio a seu governo no Congresso e diz que será absolvido das acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. "Não serei condenado. Não serei preso. Escreve isso", diz. O petebista será operado sábado para retirar um tumor no pâncreas, descoberto na semana passada. Deve ficar internado até o início do julgamento.

Relator da CPI do Cachoeira testemunhou por Delúbio

O relator da CPI do Cachoeira, o deputado federal Odair Cunha (PT-MG), é uma das principais testemunhas de defesa do ex-tesoureiro nacional do PT, Delúbio Soares, no processo do mensalão. O julgamento começa no STF (Supremo Tribunal Federal) no próximo dia 2. Na CPI, Cunha tem priorizado investigações sobre as relações do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), com Carlinhos Cachoeira.

A oposição criticou os petistas da comissão sob o argumento de usarem a apuração parlamentar para mascarar o julgamento no STF. O depoimento de Cunha foi tomado em outubro de 2009 pela Justiça Federal de Brasília, por ordem do STF, mas só foi inserido nos autos do mensalão em fevereiro de 2011. Na lista de 28 testemunhas entregue por Delúbio, Cunha é o primeiro nome. O hoje relator da CPI tornou-se testemunha devido a um estudo feito pela liderança do PT na Câmara e apresentado por ele em 2005, em meio ao escândalo. Cunha era então membro de outra CPI, a do Mensalão, criada para tentar abafar a CPI dos Correios, que apurava os mesmos fatos, mas com maior independência em relação ao governo federal.

Deputado Pedro Henry diz que será absolvido e critica a mídia

Réu do mensalão, o deputado federal Pedro Henry (PP-MT) afirma que reza todos os dias pelo início do julgamento, previsto para começar no próximo dia 2, no STF (Supremo Tribunal Federal). "Eu tenho certeza absoluta [de que serei absolvido]. Não há como condenar alguém por algo que não tenha feito", diz Pedro Henry. Além dele, outros 37 réus serão julgados por suposto envolvimento no esquema de compra de votos de congressistas em troca de apoio à aprovação de matérias de interesse do governo Lula.

Para Henry, que não disputará as próximas eleições municipais, a imagem das legendas citadas no caso não será abalada: "Os partidos não têm nada a ver com isso. Quem tem são as pessoas. A imagem das pessoas já está abalada há muito tempo". Parte desse abalo, diz ele, deve-se à cobertura da imprensa sobre o mensalão. "Vocês da imprensa fazem esse favor de condenar antes de julgar. Vocês fazem isso com a gente", afirma o deputado. Henry era líder do PP na Câmara e, segundo a Procuradoria-Geral da República, atuaria em conjunto com os colegas de bancada José Janene (PR) e Pedro Corrêa (PE), então presidente da legenda. Os três teriam recebido, entre 2003 e 2004, R$ 2,9 milhões a serem distribuídos entre políticos da sigla para votarem a favor do governo.

No STF, Henry responde por crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Corrêa teve o mandato cassado em 2006 pela Câmara e responde pelos mesmos crimes. Janene morreu em 2010.

Saiba mais sobre processos contra parlamentares

'Deu errado', diz Delúbio sobre dinheiro captado para o PT

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares disse ontem que a engenharia financeira montada por ele para quitar dívidas de aliados "deu errado, deu essa confusão toda". Ele negou que o partido tenha corrompido parlamentares. Segundo ele, a direção do PT o autorizou a captar recursos para quitar dívidas da campanha de 2002. Sem "lastro" para captar R$ 60 milhões, disse, ele recorreu às empresas de Marcos Valério, que fizeram empréstimos e os repassaram ao ex-tesoureiro.

Delúbio falou por 20 minutos num ato de apoio a ele convocado pela Juventude do PT do Distrito Federal, que reuniu cerca de cem pessoas na sede local da Central Única dos Trabalhadores. Saudado aos brados de "Delúbio guerreiro do povo brasileiro" por sindicalistas, militantes e servidores, ele reconheceu os saques em dinheiro e os pagamentos a partidos e deputados. "O que houve foi pagamento de dívidas eleitorais que as direções regionais e os partidos aliados trouxeram e que o Partido dos Trabalhadores, durante uma reunião, pediu uma solução. Deu errado, deu essa confusão toda", disse.

Inquérito do caso Erenice é arquivado pela Justiça Federal

Um ano e sete meses depois de aberto, o inquérito que apurou tráfico de influência na Casa Civil durante a gestão da ex-ministra Erenice Guerra foi arquivado pela Justiça Federal em Brasília. O advogado Mário de Oliveira Filho afirmou à Folha que a Justiça não encontrou provas de que sua cliente e familiares cometeram crime.

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, que determinou o arquivamento no dia 20 de julho, não foi encontrado para comentar o assunto. A Justiça Federal em Brasília também não informou o conteúdo da decisão, alegando que não poderia disponibilizá-la sem autorização prévia do magistrado. O Ministério Público Federal no Distrito Federal e a Polícia Federal -que, segundo o advogado, concordaram com a decisão do juiz- não se pronunciaram. O procurador responsável pelo caso não está trabalhando devido ao recesso do Judiciário. Erenice perdeu o cargo de ministra da Casa Civil em 2010, em meio à disputa presidencial. A queda ocorreu no dia em que a Folha revelou que ela recebeu um empresário e o orientou a contratar a consultoria do seu filho para conseguir um empréstimo no BNDES.

PM abordou o policial morto que investigava Cachoeira, diz agente

Testemunha da ação penal contra o grupo de Carlinhos Cachoeira, o agente da Polícia Federal Fábio Alvarez Shor disse ontem que o agente Wilton Tapajós, morto na semana passada, foi abordado por policiais militares durante diligência da Operação Monte Carlo. A apuração sobre a morte de Tapajós, que, assim como Shor, era agente da PF trabalhou na operação -que levou à prisão do empresário- não estabeleceu relação entre a morte e a operação, embora a hipótese de queima de arquivo tenha sido levantada pela polícia (que também suspeita de acerto de contas de dívidas do morto).

Shor falou na condição de testemunha da acusação contra o grupo de Cachoeira. As audiências da ação começaram ontem, em Goiânia, e continuarão hoje, quando Cachoeira pode ser ouvido. Questionado pelo Ministério Público Federal, Shor disse que Tapajós foi abordado por PMs durante uma missão de vigilância na casa de Sônia Regina de Melo, uma das 81 pessoas denunciadas pelo Ministério Público Federal

Cachoeira faz piada e parceiro cochila em audiência

A Justiça Federal teve ontem de usar um auditório para fazer a primeira audiência da ação penal decorrente da Operação Monte Carlo. Em um palco, ficaram os dois procuradores da República responsáveis pela acusação, o juiz e mais de 20 advogados de defesa.

Na primeira, Carlinhos Cachoeira e Gleyb Ferreira da Cruz -os únicos que permanecem presos- ficaram todo o tempo ladeados por agentes da Polícia Federal. O réu Adalberto Matias, o Dadá, chegou a cochilar por alguns minutos. Já Cachoeira fez piada. Quando o juiz perguntou se poderia chamá-lo pelo apelido, o empresário ironizou, sorrindo: "Quase ninguém me conhece por esse nome". Além de criticar as interceptações telefônicas feitas pela PF, os defensores atacaram a atuação dos procuradores da República por conta das perguntas feitas às testemunhas de acusação. O procurador Daniel de Resende Salgado discutiu com o advogado Leonardo Gagno, que defende Dadá.

Kassab quer turbinar Russomanno e tirar Haddad do 2º turno

Com o objetivo de barrar eventual crescimento de Fernando Haddad (PT), o prefeito Gilberto Kassab (PSD) fez concessões ao PTB como forma de fortalecer a candidatura de Celso Russomanno (PRB), aliado dos petebistas. Kassab orientou apoiadores nas subprefeituras a vitaminar as campanhas de candidatos a vereador do PTB.

O prefeito, um dos principais aliados de José Serra (PSDB) na eleição de São Paulo, avalia que o desempenho de Russomanno pode enfraquecer a candidatura de Haddad. Segundo o Datafolha, Russomanno tem parte dos votos do eleitorado petista e, para serristas, pode impedir que Haddad suba acima de 20% no primeiro turno. Serra e Russomanno estão empatados tecnicamente na liderança com 30% e 26% das intenções de voto, respectivamente. O petista tem 7%. O coordenador do partido de Kassab em São Paulo e ex-subprefeito da Casa Verde, Walter Abrahão Filho, está trabalhando pela reeleição do vereador Celso Jatene (PTB).

Derrotada no PSD, Kátia Abreu critica 'caciquismo' de Kassab

Diante do primeiro racha no PSD, o prefeito Gilberto Kassab mostrou força e conseguiu ontem apoio quase unânime da Executiva Nacional da sigla para referendar sua intervenção no diretório de Belo Horizonte, que forçou o apoio da legenda ao PT na disputa pela prefeitura. De 15 votos, o único contrário foi o da senadora Kátia Abreu (TO), que classificou o ato do prefeito de "caciquismo". Ela considerou "ilegal e arbitrária" a intervenção de Kassab, que ironizou a senadora: "Talvez você esteja certa e todo o partido esteja errado".

A Executiva declarou legal e com respaldo estatutário a intervenção de Kassab em BH, que ordenou o apoio ao candidato petista Patrus Ananias. Munido do texto, o PSD vai recorrer ao TSE contra a determinação para se coligar com o prefeito Márcio Lacerda (PSB).

Conhecido por 91%, Patrus é desafio para marqueteiro

O marqueteiro João Santana terá trabalho extra para tirar a frente de 17 pontos que, segundo pesquisa Datafolha, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) tem sobre Patrus Ananias (PT) na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. O fato de Patrus ser conhecido por 91% do eleitorado -Lacerda é conhecido por 97%- faz com que os programas de rádio e TV tenham ainda mais importância, avalia o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.

Isso porque quanto mais desconhecido é o candidato, maior é a chance de conquistar eleitores que ainda irão conhecê-lo. Se já é muito conhecido, o aumento das intenções de voto na apresentação costuma ser baixo. Para Paulino, os dois principais candidatos são "quase que totalmente conhecidos, e isso joga a disputa pelo eleitor para o período pós-início do horário eleitoral".

Dois meses após lei, SP não divulga salários

Dois meses após a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação, o poder público em São Paulo ainda resiste a divulgar o quanto paga a cada um de seus servidores. As justificativas para não publicar as informações são diversas. Entre elas estão a dificuldade em processar a grande quantidade de dados e a interpretação de órgãos públicos de que a lei não exige a divulgação dos nomes.

Há setenta dias, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) veio a público dizer que liberaria as informações do Executivo "o mais rápido possível", mas não fixou prazo para que isso ocorresse. O governo credita a demora ao volume de dados e à checagem das informações. Disse que eles serão incluídos nos próximos dias no Portal da Transparência, mas, de novo, não estabeleceu prazo.

Saiba tudo sobre a Lei de Acesso a Informação

TST diz que pagamentos são legais

O Tribunal Superior do Trabalho afirmou ontem que 65 pagamentos feitos em junho a ministros e servidores acima do teto constitucional de R$ 26,7 mil são legais -16 dos 25 ministros receberam de R$ 34 mil a R$ 58 mil. Os valores se devem às férias e aos adiantamentos das férias e do 13º salário.

 

Correio Braziliense

Ex-tesoureiro do PT faz piada a dez dias de o STF julgar o mensalão

“No fim tudo dá certo, e se não der certo é porque ainda não chegou ao fim”. Com essa frase em uma faixa, a juventude do PT no Distrito Federal recebeu Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido e um dos 38 réus no processo do mensalão, na noite de ontem. Delúbio chegou ao auditório da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no Conic, às 19h20 e cumprimentou os presentes, um a um. Percebendo que o ambiente não estava cheio, saiu por uma porta lateral. Enquanto isso, militantes entregavam a Defesa de Delúbio Soares no STF, uma publicação na forma de revista com 78 páginas. Delúbio retornou ao auditório às 19h45 e se sentou na primeira cadeira até ser chamado pela mesa. Cinco minutos depois, ao ser convidado, foi aplaudido e ouviu os presentes gritarem: “Delúbio, guerreiro, do povo brasileiro”.

O ex-tesoureiro estava sorridente e bem-humorado, como de hábito, e chegou a fazer piada ao ser avisado de que teria 20 minutos para falar. “Militantes antigos do PT costumam fazer discursos longos. O que eu gosto é de ouvir militantes mais jovens, que não costumam demorar”, brincou, provocando gargalhadas. Ele pediu que os militantes não entrem em discussões agressivas com ninguém por conta do mensalão. O ato em defesa de Delúbio, acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha no processo do mensalão, acabou enchendo o auditório da CUT com pouco mais de 70 lugares. Estava marcado inicialmente para ocorrer na sede do PT. Segundo Andreza Xavier, da Juventude do partido, a preferência pelo auditório da CUT ocorreu porque ali foi possível instalar um telão e caixas de som na área externa.

Número de famílias endividadas cresce e chega a 57,6%, aponta pesquisa

Pelo segundo mês consecutivo e depois de apresentar queda durante todo o segundo semestre do ano passado, o número de famílias endividadas aumentou em julho. Dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) mostram que o índice de lares com débitos subiu de 57,3% para 57,6%, devido, principalmente, aos elevados juros que ainda sufocam quem compra a prazo ou precisa de um empréstimo. Segundo a economista Marianne Hanson, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), além de as famílias que já tinham dívidas não terem tido condições de reduzi-las, várias pessoas que entraram no mercado de trabalho nos últimos meses acabaram recorrendo a algum tipo de débito. “Apesar da desaceleração na criação de postos de trabalho, o mercado continua aquecido. E quem consegue assinar a carteira fica em situação mais confortável para comprar a prazo, por exemplo”, observou.

Aqueles, porém, que dependem do próprio negócio para sobreviver estão mais sujeitos às turbulências da economia. É o caso do comerciante Paulo Sérgio Valcácio, 43 anos. Dono de uma loja de produtos agropecuários, ele viu as vendas caírem drasticamente. Para complementar o orçamento, acumulou dívidas de quase R$ 22 mil, dos quais R$ 17 mil por meio de um empréstimo pessoal. Para tentar sanar o quadro de dificuldade, ele, a mulher Telma, 42, e os dois filhos, Felipe, 15, e Thaline, 21, decidiram cortar uma série de despesas, sobretudo com o lazer. “Estamos fazendo um esforço danado para não cair de novo no cheque especial”, disse.

Morte de PM em UPP reforça policiamento. Ideia é assegurar tranquilidade

A soldado da Polícia Militar (PM) Fabiana Aparecida de Souza, 30 anos, morta durante um ataque criminoso na noite da última segunda-feira no Conjunto de Favelas do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro, havia ingressado há apenas um ano e quatro meses na corporação. Citada por colegas como uma pessoa de personalidade tranquila e amistosa, a soldado também será lembrada como o primeiro caso de morte de um policial em serviço em uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Alvejada por um tiro de fuzil que atravessou o colete à prova de balas e a atingiu no abdômen, o assassinato aumentou provisoriamente o efetivo de profissionais da segurança pública na favela e provocou debates que questionaram a eficácia da polícia pacificadora.

PSD fica com Patrus em vez do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda

Quase 20 dias após o presidente nacional do PSD e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, intervir no diretório municipal de Belo Horizonte, no dia 5 deste mês, e impedir a coligação com o PSB do prefeito Márcio Lacerda, a Executiva do partido referendou, na tarde de ontem, todo o processo de intervenção nacional pelo placar de 14 a 1. A sigla aprovou a decisão que havia sido tomada por Kassab e disse sim à candidatura do ex-ministro petista Patrus Ananias. Uma nova comissão provisória do partido vai ser nomeada na capital mineira. O trator de Kassab foi alimentado pelo Palácio do Planalto na tentativa de enfraquecer o pré-candidato tucano à Presidência da República, senador Aécio Neves (PSDB), que apoia a reeleição do prefeito Márcio Lacerda.

A senadora e primeira-vice-presidente do partido, Kátia Abreu, foi a única integrante da Executiva a votar contra a intervenção. Ela deixou no ar a possibilidade de migrar para o PMDB em razão do “caciquismo” de Kassab. O convite já foi feito formalmente pelo vice-presidente da República, Michel Temer. Ontem, ela se esquivou quando questionada se realmente sairia do PSD. “Isso não foi posto no encontro". Kátia Abreu foi a primeira a deixar a reunião. Saiu fazendo duras críticas à condução do processo. “Acho que este ato é ilegal e arbitrário. A política não é feita apenas de um advogado lendo um relatório, citando incisos e artigos. Nós temos o direito da minoria. Isso é garantido na Constituição.”

 

O Globo

Nunca antes - Lucro de bancos cai pela primeira vez em 10 anos

O Itaú Unibanco, maior banco privado do país, registrou lucro líquido de R$ 3,304 bilhões no segundo trimestre do ano, valor 8,23% menor que o do mesmo período do ano anterior. Foi o terceiro trimestre consecutivo que o banco teve resultados menores na comparação anual. No semestre, o ganho líquido também recuou, 5,65%, para R$ 6,73 bilhões. Na segunda-feira, o Bradesco já havia informado aumento modesto em seus ganhos. A perda de desempenho das duas instituições, que viram seus lucros avançarem a taxas de dois dígitos nos últimos anos, é vista por analistas como indício de um novo ciclo para o setor. Para o presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues, 2012 vai ser um ano difícil para os bancos.

Arrecadação federal também sofre queda em junho

Os sucessivos pacotes de estímulo à produção não foram suficientes para manter os níveis de arrecadação do governo federal. Com a atividade econômica abalada pela crise internacional e empresas lucrando menos, a Receita Federal registrou no mês passado, pela primeira vez no ano, queda no total pago em impostos e contribuições federais. O volume foi de R$ 81,10 bilhões em junho, uma redução real (já descontada a inflação) de 6,55% sobre o mesmo mês de 2011 (R$ 82,72 bilhões). Também houve queda no ano. Nos primeiros seis meses, o total recolhido chegou a R$ 508,55 bilhões, ante R$ 465,61 bilhões no mesmo período de 2011.

Governo dará reajuste linear para servidor

A presidente Dilma Rousseff decidiu conceder um reajuste salarial linear para servidores de carreiras básicas do Executivo que estão com os vencimentos mais achatados, além de aumentos diferenciados para militares e carreiras específicas, com base no conceito da meritocracia. O anúncio será feito na primeira quinzena de agosto, após a apresentação de novas medidas de estímulo à economia, mas os índices ainda não foram definidos e os aumentos só vão valer a partir de 2013. Ontem, o governo melhorou a proposta de reajuste para os professores das universidades federais em greve há mais de dois meses, mas ainda não há uma definição sobre o fim da paralisação.

Pela nova proposta, apresentada em reunião no Ministério do Planejamento, os reajustes vão variar de 25% a 40%, em vez de começar com 12%, como na proposta anterior. Os negociadores do governo já avisaram que chegaram no limite. Com a nova proposta, o impacto financeiro, que seria de R$ 3,9 bilhões, passou para R$ 4,2 bilhões. E a concessão do reajuste será antecipada para março, em vez de agosto de 2013.

- O governo chegou ao limite, tanto nos aspectos técnicos, a parte acadêmica, quanto aos valores e os possíveis ajustes na tabela. Se não caminharmos para o acordo vamos ficar numa situação bastante delicada. O governo precisa do acordo, quer o acordo. Hoje, nenhuma categoria do Brasil está conseguindo arrancar acordo - disse o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Marco Antônio Oliveira. Na proposta reformulada, um professor universitário com carga de 40 horas semanais, mestrado e estando no último nível da carreira receberá R$ 5.832,66 (até 2015). Na proposta anterior, chegaria até R$ 5.502,51. Hoje esse professor ganha R$ 4.572,16. Os dois sindicatos que representam os professores estão divididos.

Defesa do Rural no mensalão vai contradizer PT

Na tentativa de se livrar da acusação de lavagem de dinheiro no escândalo do mensalão, o Banco Rural vai pôr em xeque um dos principais pontos das defesas de Marcos Valério, o operador do esquema, e do PT. As alegações enviadas pelos dirigentes do banco ao Supremo Tribunal Federal (STF), que serão reforçadas no início do julgamento, em agosto, sustentam que recursos públicos abasteceram as contas da empresa SMP&B, de Valério. Essas contas foram usadas para pagar o mensalão a políticos aliados do governo Lula. Valério e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares alegam que não houve desvio de recursos públicos, e que o dinheiro repassado aos políticos tem origem em empréstimos legais contraídos junto aos bancos Rural e BMG. Mas o banco não confirma essa versão e diz que os recursos públicos passaram pelas contas da empresa de Valério.

A divergência entre as duas defesas tem um motivo: o Rural argumenta que só pode ser acusado de lavar dinheiro quem opera recursos de origem ilícita. E, para o banco, o que entrou nas contas da SMP&B tinha origem declarada. Os recursos, segundo o banco, vinham por transferências de outros bancos, a partir de recursos que a agência de publicidade recebia de clientes, boa parte deles instituições públicas. Na lista dos réus no processo do mensalão, a dirigente do Rural Kátia Rabello diz que não tinha como saber se as agências de Valério, até então renomadas, desviavam recursos dos contratos.

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