Nos jornais: Congresso prevê aumento real para os aposentados em 2012

Benefício para quem ganha aposentadoria acima de um salário mínimo foi incluído ontem na LDO. Por determinação da Justiça, INSS terá de pagar revisão a 117 mil aposentados

O Globo

Congresso prevê aumento real para os aposentados em 2012

A Comissão Mista de Orçamento aprovou ontem a inclusão, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2012, de proposta do senador Paulo Paim (PT-RS) que prevê" aumento real para os aposentados que ganham acima do salário mínimo. O texto do governo não garantia reajuste acima da inflação para esses segurados, mas apenas para os que recebem o piso e que, no ano que vem, devem ter um reajuste de 13% a 14%. Mas o Planalto concordou com a proposta de Paim diante da ameaça de aprovação de emenda que estenderia o mesmo percentual do mínimo para todos os aposentados. Ontem, o Ministério da Previdência anunciou que, por determinação do STF, começará a pagar, em setembro, R$ 1,7 bilhão de atrasados a 131.161 aposentados e pensionistas do INSS que tiveram o benefício concedido entre abril de 91 e janeiro de 2004. Em média, cada beneficiário receberá R$ 11.586 de retroativos, que serão parcelados.

Novo ministro anuncia 'ajustes' nos Transportes

Na primeira entrevista após confirmado no cargo, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse que trocará pessoas e fará os ajustes necessários para assegurar que o ministério trabalhe dentro das melhores regras da administração pública. Ele adiantou que os ajustes incluem mudanças nos procedimentos das obras e maior controle da gestão. Passos disse que a presidente Dilma Rousseff foi clara ao nomeá-lo.
- Ela quer que o ministério atue eficientemente (...) e espera que eu faça todos os ajustes necessários para que não se tenha absolutamente nenhuma dúvida quanto à correção e à retidão do que aqui se pratica - disse.
O ministro - que é uma escolha pessoal de Dilma e não recebeu apoio de todo o PR, partido ao qual é filiado e que tem como presidente o ex-ministro Alfredo Nascimento - disse que não se sente desprestigiado e conta com o apoio do partido, mas já está na mira da oposição.

Comida doce, cobrança amarga

Em meio à votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2012, cuja aprovação possibilitará o recesso do Legislativo a partir de segunda-feira, os líderes da base aliada, reunidos num almoço na casa do líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), cobraram da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o pagamento das emendas parlamentares. Lembraram à ministra de que "nunca antes na História deste país" um governo em início de mandato obteve tantas vitórias no Congresso e, ao mesmo tempo, travou tanto o pagamento de emendas parlamentares.
Pressionada, Ideli concordou e prometeu que, nos próximos 15 dias, durante o recesso parlamentar que vai até 1º de agosto, vai se debruçar sobre o assunto para tentar agilizar as demandas dos aliados.

PR não irá a encontro com Dilma

A efetivação de Paulo Sérgio Passos no comando do Ministério dos Transportes causou racha no PR. Enquanto a bancada do Senado manifestou apoio à decisão da presidente Dilma Rousseff, a cúpula do partido e a bancada da Câmara não escondem a insatisfação. Mas, enfraquecido com o desgaste do escândalo, o PR reconhece que não terá como reagir agora. Em jantar na casa do secretário-geral do PR, deputado Valdemar Costa Neto (SP), parlamentares reconheceram que o partido ficou extremamente fragilizado com o episódio. A cúpula avaliou que a legenda não tem como sair do governo, mas pode manifestar sua contrariedade, ainda que com pequenos gestos.

Pagot não acusa PT; oposição fala em acordo

Contrariando as especulações de que ligaria o PT e o Planalto à crise no Ministério dos Transportes, o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, cumpriu ontem um script para tentar ser mantido no cargo, apesar da determinação da presidente Dilma Rousseff de afastá-lo da função assim que terminar seu período de férias, em 5 de agosto. Num depoimento de mais de cinco horas, ele isentou o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) de responsabilidade em suposto esquema de superfaturamento e cobrança de propina, assegurando que, agora e quando era titular do Planejamento, no governo Lula, o petista jamais solicitou aditivos em projetos, beneficiando empreiteiras. E foi só elogios à presidente Dilma, garantindo que ela nunca foi omissa no controle das obras. Ao final do dia, a informação no governo era de que Dilma não tem condições de manter Pagot no cargo e que sua sucessão no Dnit já estaria sendo discutida pelo PR, partido do ministro demitido Alfredo Nascimento.

Blairo faz apelo para manter diretor do Dnit

No fim do depoimento de ontem de Luiz Antonio Pagot, seu padrinho político, o senador Blairo Maggi (PR-MT), fez um apelo para que a presidente Dilma Rousseff o mantenha no cargo de diretor-geral do Dnit.

- Espero que essa audiência possa ajudar a presidente a buscar um caminho mais tranquilo para que as obras públicas possam andar. Não é segredo meu pleito. Se tiver algum problema, serei o primeiro a pedir para que Pagot se afaste, mas, se não houver empecilho, e nada for comprovado... Claro que cargos pertencem à presidente - apelou Blairo. Para o senador, o critério usado por Dilma para determinar o afastamento de dirigentes do Ministério dos Transportes, após as denúncias de propinas, foi quase o da "sorte":

- Parece que o critério usado foi o de afastar quem foi citado na denúncia (da revista "Veja"). Não aconteceu nada com quem não foi citado. Foi quase uma questão de sorte.

Dilma diz que fica triste com erros no governo

Ao lançar o Plano Safra de Agricultura 2011/2012, no Paraná, a presidente Dilma Rousseff disse ontem que fica "triste" com coisas erradas que acontecem no governo. A afirmação foi feita em entrevista a três emissoras de rádio, escolhidas por sorteio.

- Tem dias em que eu fico triste. Quando acontece alguma coisa errada no governo, eu fico triste. Todo mundo pode perceber que a gente, num governo, tem muitas dificuldades. Agora, eu acho que hoje o Brasil dá mais motivo de alegria do que de tristeza - disse Dilma, sem explicar quais seriam as coisas erradas a que se referia.

A declaração da presidente foi entendida como referência aos problemas enfrentados no Ministério dos Transportes.
Cerca de quatro mil pessoas, a maioria agricultores transportados por 160 ônibus fretados, participaram do evento.

Governo impede convocações no Senado

A terça-feira foi muito mais leve para o governo do que seus líderes poderiam imaginar. Logo cedo, o diretor-geral afastado do Dnit, Luiz Antonio Pagot, já dava sinais de que não levaria adiante as ameaças veladas do PR de atacar o governo em seu depoimento no Senado. E, antes do fim da manhã, a tropa situacionista da Casa já derrotara tentativas da oposição de ressuscitar outros escândalos da gestão petista. Nos corredores, governistas comemoravam ter feito "barba, cabelo e bigode".
Primeiro, a maioria governista rejeitou três requerimentos da oposição na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) que queriam convocavar a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), o petista Expedito Veloso e a ex-senadora Serys Slhessarenko a prestarem esclarecimentos sobre o caso dos aloprados. Já na Comissão de Constituição e Justiça, a discussão sobre os aloprados foi adiada para agosto.

MP denuncia ex-diretora da Anac por acidente da TAM

O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou dois ex-funcionários da TAM e uma ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como responsáveis pelo acidente com o voo JJ 3054, que causou a morte de 199 pessoas. No momento do pouso, em 17 de julho de 2007, a aeronave da TAM atravessou a pista do aeroporto de Congonhas, passou sobre uma avenida e atingiu um prédio.

O MPF quer que o ex-vice-presidente da TAM Alberto Fajerman, o ex-diretor de segurança da empresa Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro e a ex-diretora da Anac Denise Abreu respondam pelo crime de atentado contra a segurança de transporte aéreo, na modalidade culposa (quando não há intenção). Como houve destruição da aeronave e 199 mortes, o MPF entende que o crime foi agravado e, por isso, pede a condenação dos três à pena de reclusão de quatro a 12 anos.

Estatais patrocinam o maior congresso da UNE

Com expectativa de receber cerca de 10 mil universitários, e ao custo estimado de R$4 milhões, começa hoje em Goiânia o 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), que será o maior encontro realizado pela entidade até hoje. Entre os patrocinadores estão empresas estatais, como a Petrobras.
Antiga aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deverá comparecer ao evento, a UNE também apoiou a eleição de Dilma Rousseff no segundo turno da disputa presidencial de 2010. Para a realização do encontro, a entidade conta ainda com o apoio do governo de Goiás (PSDB) e da Prefeitura de Goiânia (PT), além da arrecadação com as taxas de inscrição dos estudantes.

No encerramento do congresso, domingo, cerca de seis mil delegados escolherão o sucessor do presidente da UNE, Augusto Chagas, que não concorrerá à reeleição. Na programação do evento, a UNE anunciou a presença de Lula ao lado do ministro da Educação, Fernando Haddad, amanhã, no encontro com alunos beneficiados pelo ProUni, criado em 2004.

Fruet anuncia hoje saída do PSDB do Paraná

O ex-deputado Gustavo Fruet anunciará hoje a saída dele do PSDB, atribuindo a decisão à falta de espaço na legenda para se candidatar a prefeito de Curitiba em 2012. O atual prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB), potencial candidato à reeleição, é aliado do governador do Paraná, Beto Richa, que controla a maioria do PSDB no estado. Fruet ficou conhecido quando presidiu a CPI do Proer e, mais tarde, foi sub-relator de movimentações financeiras da CPI dos Correios, que investigou o mensalão do PT. Fruet entregará hoje, na sede do partido em Curitiba, a carta de desfiliação a Richa, que também é presidente estadual da legenda. Ele não divulgará neste momento a qual partido se filiará.

Folha de S. Paulo

Casino diz não, BNDES sai e Abilio acaba sem a fusão

Fracassou a tentativa de fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour no Brasil, que pretendia criar uma supervarejista brasileira de alcance global.O BNDES retirou oficialmente ontem o apoio pré-aprovado de R$ 4,5 bilhões, inviabilizando a engenharia financeira montada para unir Pão de Açúcar e Carrefour.O banco alegou falta de entendimento dos sócios Casino e Abilio Diniz, que dividem o comando do Pão de Açúcar.Em Paris, o conselho do Casino ouviu três consultorias -Santander, Goldman Sachs e Roland Berger- e chegou à conclusão de que não faz sentido comprar o Carrefour brasileiro, que é "caro" e tem problemas gerenciais.Diante da dupla rejeição, o BTG Pactual -que se juntou a Abilio e assumiu a proposição do negócio- preferiu retirar "temporariamente" o assunto de discussão.Para o Casino, a fusão esbarra em riscos regulatórios e concorrenciais e não faz sentido nem para a empresa nem para os acionistas.

Pagot poupa PT e manda recado para novo ministro

Em depoimento ontem no Senado, o diretor afastado do Dnit, Luiz Antonio Pagot, deixou de lado as ameaças feitas nos bastidores e evitou envolver outros ministros no escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes, controlado pelo PR.O tom do depoimento frustrou a oposição e foi comemorado pelo governo, que montou uma estratégia bem-sucedida para acalmá-lo.Apesar de poupar os aliados, Pagot mandou recado de que não quer ser responsabilizado pelo escândalo.Disse que todas as decisões do Dnit eram colegiadas e "corroboradas" inclusive pelo novo ministro Paulo Sérgio Passos, a quem citou ao menos cinco vezes.Nos últimos dias, o Palácio do Planalto recrutou parlamentares e técnicos para convencê-lo a não verbalizar em público as ameaças que fazia nos bastidores.Pagot havia procurado congressistas do PR ao longo da semana passada para avisar ao governo que não aceitaria ser abandonado.

Estratégia do PR muda "escopo" de ameaças e esvazia discurso de Pagot

O sem-número de vezes que Luiz Pagot repetiu a expressão "mudança de escopo" -eufemismo para aumento de preço- ajuda a entender quão chata e vazia foi a sessão do Senado para ouvi-lo sobre acusações de irregularidades no Dnit.Desde a véspera se sabia que seria assim. Depois de distribuir ameaças em entrevistas cifradas e em tom crescente, Pagot recebeu a determinação de seu partido e de seu padrinho, Blairo Maggi, para baixar o tom.Se havia alguma dúvida sobre a quem Pagot obedece, a presença de Maggi nas primeiras fileiras, sua intervenção no início da fala e o currículo que traçou do ex-diretor do Dnit -de empregado de suas empresas, passando por seu secretário e, enfim, nomeado na autarquia federal- tratou de dirimi-la.

PT controla área que eleva valores de obras no Dnit

Embora o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) seja controlado pelo PR, os aumentos nos valores de contratos de obras rodoviárias em andamento dependem da autorização do único petista na diretoria do órgão.A tarefa cabe ao diretor de Infraestrutura Rodoviária, Hideraldo Caron, filiado ao PT do Rio Grande do Sul e dirigente do Dnit desde 2003.O suposto descontrole na celebração dos chamados termos aditivos (que autorizam a elevação do valor de obras em andamento), foi um dos motivos que levaram à derrubada do ex-ministro Alfredo Nascimento (PR).Para políticos do PR, o petista Caron é uma espécie de "espião" da presidente Dilma Rousseff no órgão.
Dilma diz que fica "triste" com "muitas coisas" em seu governo
A presidente Dilma Rousseff, durante visita ontem ao Paraná, afirmou que fica "triste" com "muitas coisas que acontecem, por exemplo, no governo".A declaração foi dada durante entrevista a rádios de Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, onde lançou o Plano Safra da Agricultura Familiar 2011-2012."Todo mundo pode perceber que a gente, no governo, tem muitas dificuldades", afirmou a presidente.A declaração ocorre um dia depois de a presidente contrariar o PR e confirmar Paulo Sérgio Passos como ministro dos Transportes.O ex-titular da pasta, Alfredo Nascimento (PR-AM), deixou o cargo na semana passada sob suspeita de envolvimento com corrupção.Na entrevista de ontem, a presidente não mencionou a crise. Falou, num tom informal, de coisas que a faziam feliz e de outras que a deixavam triste.

PMDB festeja "casamento" com petistas

Para comemorar "o casamento" do seu partido com o PT, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), levou ao almoço da base aliada ontem um bolo com os bonecos da presidente Dilma Rousseff e do vice-presidente Michel Temer.O bolo foi decorado com as bandeiras das duas siglas e a inscrição "amor à 15ª vista". De acordo com os participantes do encontro, o 15 -que é justamente o número do PMDB- se refere aos anos que as duas legendas ainda pretendem caminhar juntos.O doce foi cortado apenas mais tarde, na liderança petista na Câmara, pelo líder Paulo Teixeira (SP). "O que o povo uniu os líderes jamais separam", afirmou Teixeira.O boneco simbolizando a presidente Dilma estava à direita da figura do vice Temer, no lugar tradicionalmente reservado ao noivo no altar.

Comissão aprova "ganho real" para os aposentados em 2012

Com o aval do governo, foram assegurados recursos para o reajuste dos aposentados momentos antes da aprovação do projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2012, ontem à noite.A nova versão do texto passou pela Comissão Mista de Orçamento e deve ser votada hoje em plenário.De última hora, foi incluída emenda que garante "ganhos reais" às aposentadorias e pensões pagas pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).Apesar de não definir índices e valores, o texto prevê negociação entre governo, centrais e representantes dos aposentados, abrindo assim a possibilidade de um reajuste acima da inflação.A mudança foi feita às pressas porque não havia citação aos aposentados no texto. "Sem menção ao tema, aposentadorias e pensões poderiam até ficar sem reajuste", disse o deputado Gilmar Machado (PT-MG).

Brasil e EUA lideram projeto para promover transparência de Estados

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, trocaram elogios ontem ao anunciar uma iniciativa internacional para promover a transparência dos governos no mundo.A Parceria sobre Transparência Governamental -capitaneada pelo Brasil e pelos EUA- é o primeiro projeto conjunto de escopo internacional a ser lançado após Dilma Rousseff assumir a Presidência, em janeiro.Patriota definiu a iniciativa como "evolução gradual" da relação entre os dois países, mas afirmou que sua raiz vem do governo Lula.

Novo ministro quer "ajustes", mas elogia o trabalho de Pagot

Em sua primeira entrevista depois de efetivado como ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos anunciou ontem que ajustes serão feitos no setor, incluindo trocas de funcionários e mudança na forma de contratar obras."Queremos pessoas certas nos lugares certos, com competência, experiência e honorabilidade." Mas não excluiu dessa categoria o diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot. Ele foi afastado do cargo pelo Planalto, mas tem dito que está de férias."Até este momento ele tem se revelado profissional responsável, dedicado às tarefas que dizem respeito ao Dnit e não tenho, neste momento, nenhum registro que possa depor contra sua pessoa", afirmou Passos.

O Estado de S. Paulo

Aliados já defendem volta de diretor do Dnit ao governo após denúncias

O Palácio do Planalto avalia que foi precipitado tirar Luiz Antonio Pagot da diretoria-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e procura uma "saída honrosa" para ele. Embora considerada difícil, até a possível permanência de Pagot no cargo tem sido cogitada por auxiliares da presidente Dilma Rousseff. Líderes da base aliada defenderam, alguns abertamente, a volta de Pagot ao comando do Dnit. A presidente Dilma, porém, resiste em recolocá-lo no cargo. Auxiliares da presidente acham que o retorno dele daria mais agilidade ao fim das divergências com o PR, partido de Pagot. Ele foi afastado do cargo após denúncias de corrupção na pasta. Na terça-feira, 12, ao prestar depoimento no Senado, Pagot evitou polêmicas com o governo. O Planalto temia o tom do depoimento e uma possível ampliação da crise no setor.

Em depoimento, diretor diz que ministro nunca lhe pediu nada

O diretor afastado do Dnit, Luiz Antonio Pagot, fez o que prometeu. Em nenhuma parte de seu depoimento ontem no Senado insinuou que o então ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT-PR), mandava um pacote fechado de obras para que ele executasse no Dnit. O governo chegou a temer que ele atacasse Paulo Bernardo, hoje titular do Ministério das Comunicações e um dos ministros preferidos da presidente Dilma Rousseff. Os senadores da oposição insistiram muito em fazer Pagot dar detalhes de possíveis negócios feitos dentro do Dnit, mas ele se esquivou de todas as perguntas. Até mesmo de uma feita várias vezes por Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), segundo a qual a presidente teria passado uma descompostura nos principais dirigentes do setor de transportes do País, chegando a insinuar que os aditivos aos contratos iriam inviabilizar seu governo. Pagot respondeu que Dilma é assim mesmo, ríspida nas reuniões.

PR vai comandar fiscalização de obras da Copa e da Olimpíada

O PR não quer deixar a base aliada do governo Dilma, não quer perder cargos e promete ser fiel nas votações. Mas a bancada na Câmara queria negociar mais a troca do ministro dos Transportes e agora resolveu, como resumiu um parlamentar, "aprontar para barganhar mais". Foi o que fez ontem, ao faltar ao almoço dos líderes com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e ao patrocinar a criação de um grupo de trabalho para vigiar o orçamento das obras da Copa e da Olimpíada. Após confusão e bate-boca entre partidos da base e da oposição, o PR emplacou a formação do grupo na Comissão Mista do Orçamento (CMO). O apoio à proposta do deputado Wellington Roberto (PR-PB) veio uma semana após seu colega de partido, senador Alfredo Nascimento (AM), perder o ministério por denúncias de irregularidades em obras públicas.

Após crise, Cabral dobra gastos com publicidade

Diante da crise política e de imagem ligada a denúncias de proximidade excessiva a empresários com interesses no Estado - que o atingiram em junho -, o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), mais que dobrou as verbas oficiais destinadas ao setor de publicidade e imprensa em 2011. Em dois decretos publicados após as acusações, Cabral elevou de R$ 55,7 milhões para R$ 120,7 milhões a autorização para gastos com Serviços de Comunicação e Divulgação da Subsecretaria de Comunicação e Divulgação - elevação de 116,75%. Até ontem, foram empenhados R$ 75,6 milhões e liquidados R$ 67 milhões. O governo nega relação desse aumento com a crise.

Câmara decide acelerar posse de deputados 'ficha suja'

A Câmara decidiu hoje acelerar a posse de deputados ""ficha suja"". Parlamentares que tinham sido barrados pela Lei da Ficha Limpa e que conseguirem decisões judiciais determinando suas posses não terão mais de aguardar um processo interno na Câmara para assumir o mandato. Com base nisso, quatro parlamentares serão chamados a tomar posse imediatamente. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a Lei da Ficha Limpa não tem validade para as eleições de 2010. Com isso, os votos de quem foi barrado pela Lei estão sendo validados e alguns têm ganho o direito a tomar posse. Até agora, antes de cumprir as decisões judiciais, a Câmara abria um processo interno dando "direito" ao deputado que vai sair de apresentar uma espécie de defesa. Com o ato aprovado hoje, a troca passará a ser automática assim que chegar um comunicado da Justiça.

Sob Dilma, ''mudança de tom'' com os EUA

A apenas três dias de deixar o Departamento de Estado, onde comandou o setor de Hemisfério Ocidental por mais de dois anos, o chileno Arturo Valenzuela disse ontem ter havido "certa mudança no tom" das relações Brasil-EUA desde a posse da presidente Dilma Rousseff. Valenzuela explicou que o anseio brasileiro por acesso a tecnologias mais avançadas aproximará o Brasil dos EUA e, mais desinibido para apresentar seu ponto-de-vista à imprensa, alertou para a necessidade de o País eliminar seus traços protecionistas e investir em estratégias de integração econômica internacional.

Passos quer acabar com licitações de projetos básicos

O novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, assumiu o cargo prometendo diminuir bastante ou até mesmo acabar com as licitações de projetos básicos no âmbito da pasta, evitando assim a necessidade dos chamados termos aditivos, cujas irregularidades culminaram com a saída do ministro anterior, Alfredo Nascimento.
"Devemos caminhar na direção de licitar mais obras a partir de projetos executivos e não de básicos", afirmou Passos. "O projeto executivo tem nível de detalhamento grande e tem margem menor de alteração, enquanto um projeto básico gera a necessidade de aditivos. A intenção é diminuir os aditivos para evitarmos surpresas ao longo do caminho", acrescentou.

INSS vai pagar revisão a 117 mil aposentados

O governo anunciou ontem um "pacote de bondades" para os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em agosto, eles receberão metade do 13.º salário, uma bolada de R$ 10 bilhões a ser creditada em conta nos primeiros dias de setembro. No mesmo mês, 117.135 pessoas que se aposentaram pelo valor máximo de benefícios entre 5 de abril de 1991 e 1.º de janeiro de 2004 receberão um aumento referente a uma diferença, reconhecida pela Justiça, provocada pela aplicação indevida do teto de benefícios. Essa decisão judicial envolve também o pagamento de um estoque de R$ 1,693 bilhão, correspondente à diferença devida durante cinco anos.
"As notícias são boas", disse o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves. Ele informou que se reunirá hoje com representantes do Ministério da Fazenda e da Advocacia-Geral da União (AGU) para decidir a forma de pagamento dos atrasados. Poderá haver parcelamento, admitiu o ministro.

Correio Braziliense

Sem BNDES, Pão de Açúcar desiste do Carrefour

Como era de se esperar em uma operação na qual foi com muita sede ao pote — ignorou o principal sócio, o grupo francês Casino, e se apoiou nos cofres do governo —, o empresário Abilio Diniz viu ontem ruir o desejo de assumir os negócios do Carrefour no Brasil por meio do Pão de Açúcar. Sem o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que não colocará mais nenhum centavo na transação, conforme antecipou o Correio na edição de 6 de julho, e diante do veto de todos os integrantes do Conselho de Administração do Casino, Diniz foi obrigado a desistir, pelo menos por enquanto, da fusão que resultaria em uma empresa com faturamento anual de R$ 65 bilhões.

PR, um partido à beira do desmanche

A nomeação de Paulo Sérgio Passos para o Ministério dos Transportes precipitou um terremoto no PR que esfarelou o partido. As bancadas de Senado e Câmara estão em pé de guerra. Os deputados boicotaram um encontro com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Os senadores, satisfeitos por tomar a dianteira da interlocução com o Palácio do Planalto, pressionam pela manutenção de Luiz Antonio Pagot no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Amuados pela perda de poder, o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) e o ex-ministro e senador Alfredo Nascimento (PR-AM), defenestrado dos Transportes, capitaneiam uma ameaça velada ao Planalto de levar o partido à oposição, o que implicaria entregar todos os cargos que têm na administração federal.

Copa na barganha

Insatisfeito com a presidente Dilma Rousseff, o PR da Câmara conseguiu um espaço para atrapalhar os planos do governo, caso as relações se compliquem ainda mais. A Comissão de Orçamento aprovou um requerimento de criação de um grupo de fiscalização dos gastos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. O assunto vinha sendo discutido havia semanas e somente ontem, por pressão da sigla, a proposta foi aprovada.

A ideia é que o grupo tenha acesso semanalmente a dados sobre a execução das obras, detalhes de repasses feitos pelas empreiteiras e mantenha diálogo constante com o Tribunal de Contas da União (TCU). "Nossa ideia é acompanhar bem de perto esse assunto e exercer nosso papel de fiscais", comenta o autor do requerimento, Wellington Roberto (PR-PB). "Esses gastos precisam ser acompanhados de perto. Ainda mais depois da aprovação desse Regime Diferenciado de Contratações, que tem alguns trechos que me preocupam muito", completa Edson Giroto (PR-MS).

LDO vai a plenário

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) será discutida hoje no plenário da Câmara com consenso na maior parte do texto e com pontos que não agradam ao Planalto. Para possibilitar a aprovação da matéria — e permitir o início do recesso parlamentar —, o relator, deputado Márcio Reinaldo (PP-MG), abriu exceções e fez mudanças de última hora. Uma delas, comemorada pela oposição, excluiu o dispositivo que permitia ao governo autorizar o reajuste de preços em obras da Copa do Mundo em até 20% em relação à média de custos das duas tabelas oficiais. Além disso, o relatório acaba com a possibilidade de assinaturas de aditivos aos contratos para elevar ou reduzir itens dos empreendimentos.

Falta dinheiro para as idéias

A política nacional de combate à violência contra as mulheres encontra problemas financeiros para atender as demandas da sociedade. Apenas neste ano, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República recebeu mais de 700 projetos de unidades da Federação, municípios e sociedade civil voltados à implementação de ações nessa área, que somam R$ 99 milhões de investimentos. No entanto, em 2011, a verba da Subsecretaria de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres está reduzida a R$ 36 milhões — dos quais apenas 22% foram gastos, segundo a assessoria da pasta. A diretora da subsecretaria, Ane Cruz, afirmou que as propostas ainda estão sendo analisadas para a definição de prioridades. Nos últimos dois dias, ela esteve reunida em Brasília com 26 gestoras da área nos estados. "Esse encontro foi fundamental para avaliarmos a situação de cada estado e cruzar os dados com os projetos recebidos", afirmou Cruz.

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