Nos jornais: campanhas eleitorais concentram corrupção

Ao jornal O Globo, diretor da Polícia Federal afirma que metade dos casos tem relação com o financiamento da corrida eleitoral. Folha informa desvios de R$ 500 milhões do SUS. Jornais destacam também leilão do campo de Libra

O Globo

Na boca da urna: Campanhas eleitorais concentram corrupção

O diretor de Combate ao  Crime Organizado da Polícia Federal, Oslain Santana, terceiro na hierarquia da  instituição e tradicionalmente avesso a declarações públicas, afirma que pelo menos metade dos casos de corrupção tem relação com financiamento de campanhas eleitorais. Ele coordenou todas as grandes operações de combate contra fraudes  em licitações, superfaturamento de contratos e contratação de ONGs de fachada desde 2011.

Podemos falar sobre a relação entre corrupção e campanhas eleitorais?
Cinquenta por cento das operações da Polícia Federal contra corrupção têm como pano de fundo financiamento de campanha. Quando você investiga um caso de corrupção, desvio de dinheiro público, vai ver lá na frente que tinha um viés para financiar campanha política. Então, se resolvessem fazer uma reforma política, diminuiria muito o crime de corrupção. Isso é fato. Normalmente, numa investigação, é um prefeito desviando dinheiro, parte do dinheiro vai para seus interesses pessoais e parte do montante, para financiar a campanha. Essa é a realidade hoje. Um prefeito, um deputado, um governador e por aí vai. Não dá para precisar em números, mas é fato. E a sensação que temos nas várias investigações em que trabalhamos. E são todos os partidos. Não é privilégio desse ou daquele. Todos. As várias investigações da PF e do Ministério Público comprovam o que a gente está comentando agora.

Oque é possível fazer para diminuir esse tipo de problema?
Isso é opinião pessoal nossa como técnico. Tem que ter uma reforma política. O modelo atual de financiamento de campanha, se você não mudar, vai acontecendo esse tipo de crime: vão continuar desviando dinheiro público para esse financiamento. Qual é o melhor modelo? Não sei. Financiamento totalmente público ou financiamento privado só de pessoa física, com determinado limite, e colocando limites de quanto cada candidato pode gastar? Se for se candidatar a presidente pode gastar x, se for a governador em estado com PIB x pode gastar y. Não sou filiado a partido político, não trabalho na Justiça Eleitoral, mas o sistema atual não está funcionando. Só incentiva mais a corrupção.

Em cinco anos, mais de oito mil processos

O número crescente de violações à Lei de Improbidade Administrativa e à Lei de Inelegibilidades, duas das maiores trincheiras contra a corrupção no país, mostra que boa parte dos homens públicos não pode ser chamada de honesta. Nos últimos cinco anos, a Justiça condenou agentes públicos em 8.802 processos pelos dois crimes. No mesmo período, os gestores foram condenados a pagar R$ 2,52 bilhões ao Erário.

O valor refere-se à devolução de dinheiro ou bens desviados, ao ressarcimento do dano causado e ao pagamento de multas pelas práticas criminosas.  Os dados são do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). As condenações vêm aumentando. Em 2009, foram registradas  1.616 sentenças por improbidade administrativa e inelegibilidade.

Janot monta Grupo dos Dez para agilizar MP e reduzir impunidade

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, convocou uma equipe de procuradores, já conhecida como Grupo dos Dez, para ajudá-lo na tarefa de analisar inquéritos, denúncias e processos e fazer girar a roda, quase sempre emperrada, que pode servir de esteio à impunidade, sobretudo de políticos influentes. A medida seria apenas mais um ato burocrático, se não fosse um pequeno detalhe: Janot convidou para a missão alguns procuradores que,  pela tenacidade e independência, já fizeram balançar importantes estruturas de poder.  Na equipe de Janot, figuram nomes como Janice Ascari, Ubiratan Cazetta e Douglas Fischer, entre outros.

Governo articula projeto de rastreamento de explosivos

Com um sistema de prevenção ineficiente no país, o governo articula com empresas brasileiras um projeto de rastreamento de explosivos nacionais e importados. O que se pretende é pôr as normas em prática a partir do primeiro semestre de 2014, preferencialmente antes da Copa do Mundo.  Além de evitar incidentes em locais de grande aglomeração de pessoas, por causa dos jogos, a medida ajudará a inibir o uso de explosivos em caixas eletrônicos, presídios e outros locais de grande risco, onde serão instalados dispositivos eletrônicos que farão a leitura por radiofrequência. Assim, será possível verificar a existência desses produtos.

Pré-sal movimentará R$ 3,7 trilhões

Marcado para amanhã, o leilão da área de Libra, o primeiro do pré-sal sob o regime de partilha, dará mais fôlego à economia brasileira. Estima-se que os investimentos no pré-sal para os próximos 30 anos movimentem US$ 1,7 trilhão (cerca de R$ 3,7 trilhões) no país considerando efeitos diretos na cadeia produtiva de petróleo e gás, impactos indiretos em outros segmentos da economia e aqueles induzidos pelo aumento da renda dos trabalhadores.

Para se ter uma ideia do que representa esse montante, o PIB (conjunto de bens e serviços produzidos) do país em 2012 atingiu R$ 4,4 trilhões. No mesmo horizonte de 30 anos, estima-se a criação de 87 milhões de empregos, também com impactos diretos, indiretos e efeitos da esperada alta de renda. Libra será fundamental nesse futuro.

Burocracia mais cara que Saúde

São José das Missões, a 310 quilômetros de Porto Alegre (RS), tem um posto de saúde e dois médicos para dar conta de 2,7 mil habitantes. Quarenta crianças em idade pré-escolar têm aulas em salas improvisadas na única escola estadual existente por lá, enquanto esperam a construção de uma creche, com recursos do governo federal, que só deve ficar pronta em 2014. A cidade gaúcha ficou apenas na 3.090ª. colocação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre 5.565 municípios brasileiros.

Em meio a tantos números, existe um ranking que São José das Missões encabeça: o de prefeitura que, proporcionalmente, mais gastou em 2011 para custear a máquina pública municipal. Entre suas despesas, 53% foram destinados apenas para essa função.  Levantamento inédito da Federação das Indústrias do Rio (Firjan), feito a pedido do GLOBO  mostra quais são as principais despesas das prefeituras Brasil afora.

Conclui que 533 cidades analisadas (12%) gastaram mais com atividades burocráticas da administração e com o Legislativo local do que com Saúde e Assistência Social; e que 548 (12,3%) desembolsaram mais com o custeio da máquina pública do que com Educação. Os dados, fornecidos pelas próprias prefeituras ao Tesouro Nacional, são relativos a 2011.

Condenado se esconde no STF

A Justiça Federal já bateu em diferentes portas, nos quatro cantos de Brasília, atrás de um ex-gerente da Caixa Econômica Federal (CEF) responsável por um desfalque de R$ 3 milhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O desvio do dinheiro para contas bancárias da mãe, do irmão, da mulher, da filha e dos sogros de Ítalo Colares de Araújo resultou numa pena de prisão de sete anos por peculato e de 14 anos por lavagem de dinheiro.

Desde 2009, a Justiça tenta localizar o ex-gerente da Caixa para intimá-lo da sentença que o condena à prisão por dissimular a obtenção ilícita de recursos públicos. A estratégia de Ítalo — exitosa até agora — é informar endereços errados e múltiplos. O oficial de Justiça, porém, não teria dificuldade para encontrar o réu se batesse à porta de um importante endereço na Praça dos Três Poderes: o Supremo Tribunal Federal (STF).

Folha de S. Paulo

Em 5 anos, SUS sofre desvios de R$ 500 milhões

Em um único dia, um paciente "conseguiu ser atendido" 201 vezes em uma clínica de Água Branca, no Piauí. A proeza não parou por aí - o valor das duas centenas de consultas foi cobrado do SUS. O mesmo local cobrou tratamentos em nome de mortos.

Casos assim explicam como, em cinco anos, cerca de R$ 502 milhões de recursos públicos do SUS foram aplicados irregularmente por prefeituras, governos e instituições públicas e particulares.

Esse meio bilhão, agora cobrado de volta pelo Ministério da Saúde, refere-se a irregularidades identificadas em 1.339 auditorias feitas de 2008 a 2012 por equipes do Denasus (departamento nacional de auditorias do SUS) e analisadas uma a uma pela Folha.

PT conta com Skaf em SP para tirar votos de Alckmin

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), reafirmou ontem a intenção do partido de lançar a candidatura do presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, ao governo paulista.

Aliado do PMDB no plano federal, o PT já trabalha com a possibilidade de ter o empresário como rival na eleição do ano que vem. A investida peemedebista, porém, é vista por petistas como uma chance de levar a disputa contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para a segundo turno.

Barulho na estreia

Escolhido há um mês para ser o principal responsável pela fiscalização do processo eleitoral do ano que vem, o procurador Eugênio Aragão faz barulho desde a chegada. Em sua primeira entrevista coletiva, Aragão disse que o Ministério Público não pode ser um "porrete" na mão dos candidatos, nem um "protagonista" do debate político.

Ele dominou o centro do palco na estreia, quando assinou parecer contrário à criação da Rede Sustentabilidade, partido que a ex-senadora Marina Silva tentou organizar antes de entrar no PSB.

Efeitos do Bolsa Família após dez anos são desiguais

Os dez anos do programa Bolsa Família, completados nesta semana, podem ser vistos sob várias óticas. Na dos números, um salto de 3,6 milhões para 13,8 milhões de famílias beneficiadas por um orçamento de R$ 18,5 bilhões neste ano.

Um investimento pequeno: o programa custa menos de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Só em juros de suas dívidas, governos federal, estaduais e municipais gastaram 5% do PIB (R$ 230 bilhões) nos últimos 12 meses. Por trás dos números, famílias. A Folha acompanha duas delas há oito anos no Suvaco da Cobra, favela miserável vizinha ao Recife, em Jaboatão dos Guararapes.

Projeto que elimina autorização deve avançar na Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), defendeu ontem que a Casa retome a discussão do projeto de lei que libera a divulgação de filmes ou publicação de livros biográficos sem autorização da pessoa retratada ou de sua família.

Desde abril, a proposta está parada na Câmara. Na época, o texto foi aprovado em caráter terminativo pela Comissão de Constituição e Justiça e seguiria para o Senado, mas um recurso do deputado Marcos Rogério (PDT-RO), com apoio de mais de 70 congressistas, levou a discussão para o plenário da Câmara.

Acusado do maior golpe a banco do país vive de bicos

O principal acusado do maior desfalque a banco da história do país, o desvio de US$ 242 milhões do antigo Noroeste nos anos 90, vive hoje da aposentadoria do INSS e faz bicos para reforçar o orçamento. Nelson Sakagushi, 66 anos, já foi verdureiro, corretor de imóveis e vendedor de produtos químicos. Sem nada no momento, o ex-diretor da área internacional do Noroeste agora tenta dar aulas numa escola de inglês.

Por causa do escândalo, que veio à tona em 1998, diz ter perdido quase todo o patrimônio construído nos tempos de executivo. A casa no condomínio de alto padrão, o sítio no interior e os carros foram vendidos ao longo dos últimos 15 anos para quitar dívidas e pagar a escola dos filhos.

Brasil estanca em ranking de excelência para fazer negócios

O Brasil apresentou, nos últimos oito anos, um avanço pífio em direção ao que o Banco Mundial classifica como a fronteira de excelência para a realização de negócios. Evoluiu apenas 0,5 ponto percentual, para 47,5 (em uma escala de 0 a 100) em direção ao patamar regulatório e institucional considerado o melhor existente, segundo indicadores que usam dados de 174 nações, desde 2005.

O país patina entre as 20 nações com menor avanço nessa medida, chamada de "distância até a fronteira". Ela passou a ser calculada pelo Banco Mundial como complemento ao ranking do relatório "Doing Business".

'Black blocs' queimam carros em ato por cães

Manifestantes mascarados atearam fogo em três carros --um deles da Polícia Militar-- e quebraram os vidros de outros veículos na rodovia Raposo Tavares, em São Roque (Grande São Paulo), durante protesto na manhã de ontem contra o uso de animais em testes de laboratório.

Os outros dois veículos incendiados eram de uma afiliada da TV Globo. O ato violento foi promovido por adeptos da tática "black bloc", que pregam a depredação de patrimônio como forma de protesto.

Eles se infiltraram numa manifestação pacífica organizada por cerca de 300 ativistas, segundo a PM, contra o Instituto Royal, que usa cães da raça beagle em pesquisas legais de medicamentos.

Havana abre TV à crítica e ensaia reforma na mídia

Na esteira das reformas econômicas lentas e pretensamente controladas, Cuba dá sinais de que deseja arejar a caricata imprensa oficial, que começa a enfrentar tímida concorrência na internet e fora dela.

O ditador Raúl Castro já havia feito críticas ao laudatório e censurado jornalismo estatal --o único permitido em escala no país comunista-- e, em julho, foi a vez de seu número 2, Miguel Díaz-Canel, cobrar mudança de atitude. "O problema não é só dos jornalistas, é do Partido [Comunista] em primeiro lugar", disse.

Programa só dá autonomia a parcela das beneficiárias

Interessado em estudar o impacto do Bolsa Família nas relações de poder entre homens e mulheres, o antropólogo norte-americano Gregory Duff Morton morou dois anos numa das regiões mais pobres do sertão da Bahia.

O objeto de pesquisa de seu doutorado na Universidade de Chicago (EUA) são as quase cem famílias com as quais conviveu num assentamento e num povoado na zona rural de Vitória da Conquista.

As fazer o recenseamento de cada residência, ele notou uma "surpreendente desigualdade" entre os inscritos no Bolsa Família. Essa diferença, descobriu, influencia as relações de poder. Fazendo entrevistas semanais, ele percebeu que a tão propagandeada autonomia das mulheres do Bolsa Família só ocorre nas famílias tidas como "mais prósperas" das comunidades.

O Estado de S. Paulo

Chineses podem entrar no pré-sal e em refinarias

O maior leilão de um a área de petróleo no Brasil, o do campo de Libra, que será realizado amanhã, tem pelo menos um consórcio preparado para fazer lance. Reúne a Petrobras e duas empresas chinesas que ainda não atuam no país, as estatais CNOOC e CNPC, além de outros dois grupos. Esse acerto, que deve garantir o sucesso do leilão, pode ser apenas parte de um acordo mais amplo costurado com a participação dos governos brasileiro e chinês.

Segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, entram nesse pacote os projetos de refinarias da estatal brasileira na região Nordeste e a possibilidade de compra e venda de participação em blocos exploratórios que pertencem à Petrobras. Além das duas estreantes chinesas, também a Sinopec, que já atua no Brasil, deve participar do acordo de intenções mais amplo com a Petrobras.

Brecha na lei fortalece palanque duplo nos Estados

A polêmica sobre a articulação de palanques duplos nos Estados, formados por partidos que serão adversários no plano nacional, mas aliados no local, expõe uma zona cinzenta da regra eleitoral que já preocupa os futuros candidatos à Presidência em 2014.

Como a regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que está em vigor não é clara sobre os limites da campanha casada e pode ser derrubada a qualquer momento, dirigentes regionais estão se articulando à revelia de orientações dadas pelos prováveis candidatos à Presidência.

O último acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que trata do assunto, de 12 de agosto de 2010, estipula que "é permitido ao candidato da eleição majoritária presidencial ou militante de partido político participar de propaganda eleitoral gratuita de candidato em âmbito estadual, desde que estejam coligados no plano nacional".

PC do B reclama, 'apanha', mas segue fiel

Único dos partidos a se manter fiel ao PT em todas as eleições desde a redemocratização, o PC do B reclama do tratamento que tem recebido do parceiro de mais de duas décadas e teme ser utilizado apenas como grife à esquerda para a campanha da reeleição da presidente Dilma Rousseff, após o desembarque do PSB.

O partido está inseguro em relação ao comportamento do PT na próxima eleição, pois o governo federal dá sinais dúbios sobre as alianças em alguns Estados.

Os cinco dias de candidato do ministro Aldo

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PC do B) anunciou com pompa e circunstância no sábado, ia, que deixaria o governo Dilma Rousseff no fim do ano para disputar o governo paulista. Na quinta-feira passada, reuniu a imprensa para avisar que tinha mudado de ideia. Nesses cinco dias de duração, a brevíssima candidatura intensificou um ciclo de reuniões entre dirigentes do PC do B e o núcleo político do Palácio do Planalto que começara há cerca de um mês, quando a presidente Dilma Rousseff foi informada da saída do ministro.

Planalto mantém novo pacote de pesquisas sob sigilo

O Palácio do Planalto firmou dois contratos avaliados em R$ 6,4 milhões para realizar pesquisas de opinião pública que se estenderão até as vésperas da campanha eleitoral de 2014. Celebrados com o Ibope Inteligência e Virtú Análise na sequência das manifestações de junho, os contratos, que preveem sigilo indefinido dos temas, perguntas e resultados das pesquisas, são os primeiros dessa natureza celebrados pela Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) na gestão Dilma Rousseff após a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação (LAI).

Governo afirma que informações serão abertas após análise

O responsável pela área de pesquisas de opinião pública da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, Wladimir Gramacho, afirma que o governo não faz pesquisas de cunho eleitoral, embora admita que resultados das pesquisas possam servir para o processo.

Marqueteiros minimizam influência de levantamentos

Especialistas em pesquisas de opinião rejeitam a ideia de que governantes são influenciados por resultados de pesquisas de opinião. Para eles, as pesquisas quantitativas e qualitativas servem mais como um termômetro e as decisões sobre políticas públicas são tomadas; de fato, pela convicção do político.

STF faz triagem de dados divulgados em site

Depois que gastos com viagens, reformas e diárias foram revelados pela imprensa, o Supremo Tribunal Federal (STF) recuou e tirou do site informações sobre despesas compassagens aéreas usadas pelos ministros e passou a fazer triagens sobre o que pode ou não ser divulgado por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

O tribunal alega que ainda não regulamentou o cumprimento da Lei, mesmo estando a legislação em vigor há praticamente um ano e meio. A regulamentação dependeria da Comissão de Regimento do tribunal. Não há previsão de quando a comissão se reunirá para tratar do assunto.

Missões no exterior têm 'farra de cargos'

O Itamaraty tem hoje mais de 300 porteiros, vigilantes, dati-lógrafos e motoristas de fora dos quadros do Serviço Exterior Brasileiro (SEB), trabalhando em missões como Washington, Paris e Lisboa. Uma exceção prevista na lei que rege o serviço virou regra. Todos recebem pagamento em dólar, verba indenizatória, auxíiio-mudança e pagamento de aluguel para exercer funções que poderiam estar nas mãos de funcionários contratados localmente, com custos menores para a União.

Congresso banca 'hábito gourmet' dos parlamentares

O aquecido mercado da gastronomia em Brasília tem atraído para a capital federal  grifes paulistanas de restaurantes, como o Rubayat e o Gero do grapo Fasano. Entre a clientela habitual, estão parlamentares, que têm direito a custear as refeições com dinheiro público. Um levantamento feito pelo Estado mostra que o Senado tem reembolsado contas que chegam a ultrapassar R$ 7 mil.

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) é um bom gourmet. Em homenagem a seu pai, o parlamentar levou amigos e parentes para jantar no Porcão, uma das mais caras churrascarias de Brasília, que oferece rodízio a R$ 105 por pessoa, e apresentou a conta ao Senado. A nota apresentada pelo senador para ressarcimento indica que o jantar custou aos cofres públicos R$ 7.567,60.

Cafezinho, agora, só se for expresso

Deputados federais gastaram R$ 111,6 mil de janeiro até agora com o aluguel de máquinas de café expresso, capuccino e chocolate quente para consumir em seus gabinetes. A nova mania é paga com dinheiro público da verba indenizatória, destinada a custear despesas com o mandato. A Câmara oferece café para os parlamentares, servidores e visitantes que passam por gabinetes, comissões, salas de lideranças e áreas comuns do prédio, mas a bebida coada já não agrada mais ao paladar de dezenas de deputados.

Após 18 anos, disputa do Proer chega ao fim

Depois de 18 anos, o Proer, o programa pelo qual o governo emprestou recursos aos bancos privados em dificuldades, entrou no seu capítulo final com o fim da guerra judicial travada com as famílias dos banqueiros quebrados. Em troca de um desconto generoso de R$ 12,8 bilhões na dívida, os cinco bancos que receberam socorro federal num dos capítulos mais traumáticos da história do Sistema Financeiro Nacional renunciaram às ações na Justiça que buscavam reduzir o débito.

Documentos internos do Banco Central obtidos pelo Estado mostram que os últimos acordos foram assinados somente em junho passado, quando finalmente o Econômico e o Nacional, os maiores bancos do Proer, aceitaram as condições do parcelamento de suas dívidas. Desde então, o BC já recebeu, segundo o último levantamento da instituição, de setembro, R$15,3 bilhões.

Correio Braziliense

Sonho do brasiliense é ser servidor público

Cursinhos e bibliotecas, com a da LBV (foto), lotados de pessoas estudando para concurso são cenas corriqueiras em Brasília, a capital do serviço público. E não é para menos. No DF, revela pesquisa, quase metade (47%) dos trabalhadores da iniciativa privada está insatisfeita com o emprego. E, nessa legião de descontentes, dois em cada três estão de olho em um lugar no funcionalismo. Essas pessoas buscam estabilidade e um contracheque mais polpudo. Só neste fim de semana, há provas de quatro concursos. No total, mais de 117 mil candidatos brigam por 829 vagas e salários de até R$ 22,8 mil.

Deputados trabalham só 6 meses. Se muito...

Se os deputados federais recebessem o salário de acordo com a produção e os dias trabalhados efetivamente, como acontece em muitas profissões, só ganhariam a metade dos R$ 364,7 mil anuais a que cada um deles têm direito — sem incluir na conta os inúmeros benefícios. Levantamento feito pelo Correio aponta que o plenário da Câmara ficou vazio durante seis meses entre 18 de outubro de 2012 e a sexta-feira passada, considerando o recesso de dois meses e os dias em que deveriam haver sessões que não ocorreram.

Nos últimos 12 meses, dos 129 dias destinados a votações, foram apreciadas matérias em apenas 83, considerando as datas nas quais, ao menos na teoria, seriam realizadas sessões deliberativas, ordinárias ou extraordinárias, para a apreciação de projetos. Dessa maneira, 972 propostas continuam emperradas e aguardam para entrar em pauta.

Roteiro da tortura no DF

Ao contrário de outras capitais, Brasília desconhece os locais usados como centros de repressão no período militar. Mas essa história começa a ser revelada.

Pré-sal: leilão testa o governo

Às vésperas do primeiro leilão do pré-sal, o Campo de Libra, que acontecerá amanhã, no Rio de Janeiro, o governo tenta mostrar que não está interessado na quantidade de concorrentes que vão participar da licitação. O mais importante para a presidente Dilma Rousseff é que a operação aconteça, para tentar reverter a onda de desconfiança que mina a economia do país e, sobretudo, para engordar o caixa do Tesouro Nacional em pelo menos R$ 15 bilhões. “De nada nos servirá essa riqueza, se ela continuar deitada em berço esplêndido embaixo da terra”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Soldados da borracha em busca de reparação

O governo apresentou uma contraproposta à Proposta de Emenda à Constituição 556/2002, conhecida como PEC dos Soldados da Borracha, que equipara as pensões recebidas por nordestinos recrutados para a Amazônia, na Segunda Guerra Mundial, para extrair látex das seringueiras e, dessa forma, cumprir o acordo feito pelo Brasil com os Estados Unidos de fornecimento da matéria-prima, aos valores recebidos pelos ex-combatentes, os pracinhas. Pela proposta, o rendimento mensal dos soldados da borracha, como eram chamados na própria propaganda governamental da época, e seus dependentes passaria dos atuais R$ 1.356 para R$ 4,5 mil. Mas a ministra Ideli Salvatti, de Relações Institucionais da Presidência, deu um ultimato aos ex-seringueiros: uma indenização de R$ 50 mil somente para os que ainda estão vivos, sob a condição de que o aumento previsto na PEC seja de R$ 144, com a pensão chegando a R$ 1,5 mil.

O desafio de seduzir 55 milhões de eleitores

Um batalhão de 55 milhões de eleitores tira o sono dos candidatos à Presidência da República em 2014 e dos respectivos marqueteiros e estrategistas das campanhas. Esse contingente, maior que as populações da Espanha, do Canadá e da Argentina e quase do tamanho da Itália, corresponde aos 40% de eleitores brasileiros que não estão cristalizados em torno de um partido político ou de um candidato apoiado por grupos específicos. Eles migram de um nome para o outro, ou atrasam a definição sobre quem apoiarão, em busca do candidato que atenderá os anseios e as expectativas particulares.

A feira livre da compra de votos

Prática típica dos primeiros anos da República brasileira, a compra de votos atravessa séculos e continua em vigor até hoje no país, apesar das leis e da maior fiscalização por parte das autoridades e da sociedade civil. De norte a sul do Brasil, votos são comprados com uma extensa lista de benesses, em que o dinheiro vivo e às vezes até cheque são a principal moeda utilizada. São usados também material de construção, cesta básica, gasolina, comida e bebida, passagem de ônibus, pneus, televisão e até mesmo redução de carga horária no serviço público. Levantamento feito pela reportagem com base nas cassações em segunda instância publicadas pelos tribunais regionais eleitorais (TREs) de todo o país mostra que de janeiro a outubro foram cassados 112 prefeitos eleitos. Desse total, 46 perderam os cargos por “captação ilícita de sufrágio”, nome dado à compra de voto.

Dentadura como pagamento

Na compra de votos Brasil afora, as moedas são muitas. Vale tudo para conquistar de maneira ilícita a simpatia do eleitorado, até mesmo dentadura. É o caso do município de Frei Inocêncio (MG), com cerca de 9 mil habitantes. O prefeito reeleito, Carlos Vinício de Carvalho Soares (PR), teve o mandato cassado em agosto por distribuir dentaduras e dentes postiços, além de pagar cirurgias eletivas e exames médicos para os eleitores, com cheques da prefeitura. De acordo com a Justiça Eleitoral, Carlos Vinício criou um programa dentário faltando apenas dois meses para o pleito de outubro. Ele permanece no cargo porque ainda não houve decisão do plenário do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).

Costuras regionais

Passado o prazo de filiações, os partidos que dão sustentação aos principais postulantes ao Palácio do Planalto em 2014 começam a definir quais são os palanques estratégicos nos estados. Os principais continuam sendo os da Região Sudeste, onde se concentram o maior número de eleitores. Mas nessa conta entram outras particularidades, como a manutenção dos feudos locais ou a permanência nos governos que já comandam.

Evangélico busca apoio fora das igrejas

A reviravolta no cenário dos presidenciáveis, com o anúncio da aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva, do PSB, abriu uma fresta para atuação dos candidatos evangélicos. Isso porque a ex-senadora, ligada às denominações cristãs, está fora da disputa principal, com a possibilidade de ser vice do governador de Pernambuco. Com o rebanho solto, o pastor Everaldo Dias Pereira, vice-presidente do Partido Social Cristão (PSC) e um dos líderes do Ministério Madureira da Assembleia de Deus, já se lançou à cata de votos para chegar à Presidência da República. Embora pouco conhecido, mesmo dentro da própria igreja, o pastor abafou com facilidade a chamada popular para que o companheiro de legenda Marco Feliciano (PSC-SP), polêmico presidente da Comissão de Direito Humanos da Câmara dos Deputados, assumisse o posto de pré-candidato. “Se fosse pela lógica, Feliciano teria sido o indicado. Afinal, ele já é uma figura midiática”, diz uma fonte próxima ao partido.

Eterno presidenciável do jingle-chiclete

Eymael, “o democrata cristão”, quer ser mais do que o candidato de um dos jingles mais antigos de campanhas eleitorais brasileiras. O sonho, diz ele, é o mesmo: ser presidente do Brasil. Aclamado pelas lideranças do Partido Social Democrata Cristão (PSDC), o gaúcho de 73 anos pretende disputar o cargo pela quarta vez, no ano que vem. Como em 2010, quando conquistou 89,3 mil votos e ficou em quinto lugar na disputa, não terá mais do que 1 minuto para aparecer na tevê. No pouco tempo que lhe cabe, pretende explorar as propostas da legenda, sem deixar de lado, claro, a musiquinha-chiclete que o tornou conhecido.

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