Nos jornais: Cachoeira pagava contas de secretários, indicam grampos

Interceptações telefônicas da Polícia Federal sugerem que o bicheiro Carlos Augusto Ramos pagava contas de secretários do governador de Goiás, informa O Globo

O Globo

Cachoeira pagava contas de secretários

Interceptações telefônicas da Polícia Federal, gravadas com autorização judicial e às quais O GLOBO teve acesso, sugerem que o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, pagava contas de secretários do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e, para isso, valia-se da construtora Delta. Para membros da CPI do Cachoeira, os diálogos demonstram que várias áreas do governo do tucano estavam comprometidas com o grupo de contraventor. Os deputados e senadores da comissão já defendem a reconvocação de Perillo para falar da liberação de recursos para a Delta em troca da compra de sua casa.

Em 27 de abril do ano passado, irritado com o fato de encontrar dificuldades para emplacar algumas indicações no governo de Perillo, Cachoeira irrita-se com Wladmir Garcez, apontado pela Polícia Federal como o braço político do esquema, e critica Wilder Morais (DEM-GO), que assumiu a vaga de senador que se abriu com a cassação de Demóstenes Torres e que era, até a semana passada, secretário de Infraestrutura do governo. O telefonema foi gravado às 19h e durou 41 segundos.

- Eu não consigo pôr no Detran, o Wilder foi lá e emplacou. O Wilder não dá um centavo pra ninguém. Imagina só: o Wilder vai lá para o Palácio, consegue convencer o Marconi a colocar o cara e você tá lá todo dia e não fala nada. Você tá com o secretariado todo dia, todo dia você traz conta pra mim, levo pro Cláudio, e não consegue emplacar ninguém. Entendeu? - reclamou Cachoeira, fazendo referência a Cláudio Abreu, da Delta Construções.

- Escutei, chefe - admite Wladmir, encabulado.

Às 19h22m, Cachoeira volta a dizer que paga as contas dos secretários:

- Ô, Wladmir, eu tô fazendo a coisa. Esquece esse negócio de viagem, meu. Eu tô puto, porque vai enchendo o saco, vai caindo a gota, sabe, aí um bobão tá lá no trem lá, ele tá lá. O Edivaldo (Cardoso, presidente do Detran de Goiás) fala que não tem isso, não tem aquilo, que acabou com a CLT, que não sei o que que tem, que não vai fazer isso, não vai fazer aquilo, e o cara tá lá. Tá sendo empossado na nossa cara, rapaz. E nós aqui, ó. Você todo dia traz uma conta diferente pra mim. Todos os dias. Um cargo que a gente tinha, todo dia, esse bosta deste cara, esse malandro desse Rincón, todo dia você tá com ele, rapaz, nós tínhamos uma gerência, nós tínhamos uma diretoria forte. Não temos mais nada. Não temos uma pessoa nossa lá - irrita-se o bicheiro.

Rincón é Jayme Rincón, presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop).

Líder do PT defende impeachment de Marconi Perillo

O líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP), disse ser contra uma nova convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), para depor na CPI do Cachoeira.

Tatto disse que as ligações entre o governador do PSDB e Carlos Cachoeira já estão comprovadas e sugeriu que a Assembleia Legislativa de Goiás se reunisse para discutir o impeachment de Perillo, que nesta segunda-feira chamou de infames as acusações de acerto entre o governo de Goiás e a Delta Construções.

Relator da CPI quer mais investigações

O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou que os novos indícios contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), são graves, mas ainda não é possível dizer se ele será mesmo indiciado por suposto envolvimento com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e com dirigentes da Delta Construções. Cunha também não vê necessidade de reconvocação imediata de Perillo para depor na CPI. Para o deputado, antes da decisão sobre reconvocação e indiciamento seria importante aprofundar as investigações.

O relator entende que a CPI deve esclarecer alguns detalhes dos negócios da Delta e de Cachoeira em algumas áreas do governo Perillo.

- Há outros elementos que estabelecem vínculos entre a organização (de Cachoeira) com o governo de Goiás que precisam ser esclarecidos. Precisamos fazer uma análise total. Não adianta reconvocação agora. Se for convocado agora ele vai lá e diz o que quer. Temos que ter mais elementos. Também não posso adiantar meu relatório, que só será apresentado em outubro - afirmou Odair Cunha.

Boletim do BC já aponta PIB abaixo de 2% este ano

Pela primeira vez, os analistas do mercado já preveem que a economia brasileira vai crescer menos do que 2% este ano. O Boletim Focus, pesquisa feita pelo Banco Central junto a esses especialistas, mostra que a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 recuou de 2,01% para 1,9%. Foi a décima semana seguida de redução as estimativas. O cenário aponta desemprego em alta, renda em baixa e queda do consumo. Também ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção para as economias no mundo e estimou que o Brasil deve crescer 2,5%. Antes, apostava em 3,1%. Para 2013, o FMI subiu a previsão de 4,1% para 4,6%;

Maioria dos estados descumpre lei de acesso

Dois meses depois da promulgação da Lei de Acesso à Informação, nem metade dos estados brasileiros regulamentou a lei. Segundo Fabiano Angélico, consultor da Controladoria Geral da União (CGU) e pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), apenas dez estados fizeram decretos regulamentando a nova legislação, que permite aos cidadãos consultar dados governamentais.

De acordo com o levantamento feito pelo pesquisador, além das regiões Sudeste e Sul, só Distrito Federal, Ceará e Pernambuco haviam encaminhado os trâmites para facilitar o acesso às informações em seus estados.

- Nos estados e municípios continua uma caixa preta, sem sinais de melhora. E é muito ruim quando as pessoas não conhecem seus direitos, procuram esses estados e ouvem a resposta de que eles não precisam dar acesso à informação porque ainda não fizeram os decretos. A lei tem abrangência nacional e deve valer mesmo para os estados que não a regulamentaram - queixou-se Fabiano Angélico, especialista em acesso a informações públicas.

Após ameaças, governo tem quorum para MPs

Na pressão pela liberação de mais verbas do Orçamento para as prefeituras, o PR, partido da base aliada, acusou o governo ontem de "dar o calote" nos deputados e prefeitos. À noite, mesmo sob pressão, o governo conseguiu virar o jogo e garantiu quorum para aprovação de duas medidas provisórias com ações para evitar os efeitos da crise financeira internacional. Para aprová-las, ameaçou cortar emendas de aliados e da oposição. À noite, foi aprovado o texto-base da MP 563, que desonera a folha de pagamento de setores industriais; as medidas ainda precisam ser votadas no Senado.

À tarde, o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), disse que o governo estava dando "o calote, o cano" nas prefeituras e nos deputados ao liberar um baixo percentual dos chamados restos a pagar de emendas de parlamentares já aprovadas e empenhadas (com autorização para pagamento) em orçamentos de anos anteriores. Com o DEM, o PR vinha obstruindo as votações desde semana passada.

Rosane, ex-Collor, tem dívidas de R$ 36 mil

A ex-primeira-dama Rosane Brandão Malta, ex-mulher de Fernando Collor de Mello, está com com o nome sujo na praça, apesar de negar que tenha qualquer dívida. No entanto, deve R$ 36.031, a maior parte dessa dívida se refere a uma pendência financeira com um fundo de investimentos, o PCG Brasil Multicarteira, no valor de R$ 24.031, reclamada em 4 de dezembro de 2008.

Os outros R$ 12 mil são devidos a uma empresa de serviços de Maceió, cobrados judicialmente no dia 13 de maio de 2009, conforme consta em registro no 2 Cartório de Protestos de Títulos e Letras da capital alagoana.

Nos dois casos, ela contraiu as dívidas ainda quando assinava Rosane Malta Collor de Mello. No último domingo, ela ressurgiu ao conceder uma entrevista ao "Fantástico", da Rede Globo, na qual revela que Fernando Collor realizava rituais de magia negra na Casa da Dinda, a residência oficial do casal em Brasília em seus tempos de presidente, entre 1989 e 1992, ano em que ele teve seu mandato cassado pelo Congresso l. Rosane cobra do ex-marido uma pensão maior. Hoje, ganha R$ 18 mil.

Clima de férias já vigora entre os senadores

Enquanto o governo se empenhava para aprovar ontem na Câmara duas medidas provisórias antes do recesso parlamentar, para votar hoje a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2013, os senadores já estavam de férias. Eles se desmobilizaram depois de aprovar a cassação de Demóstenes Torres na semana passada. Mas o líder do governo, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), afirmou que a base aliada no Senado pode ser convocada para votar as MPs com medidas econômicas para enfrentar a crise internacional.

Às vésperas do recesso, poucos senadores estão em Brasília, sendo que a maioria deles faz parte da Comissão Mista do Orçamento, que precisa votar a LDO. Oficialmente, o Congresso só pode entrar em recesso após votar a LDO.

Milícias: MP propõe vigiar verbas de candidatos

O procurador regional eleitoral do Ministério Público Federal (MPF), Maurício da Rocha Ribeiro, defendeu ontem o monitoramento sistemático da arrecadação e dos gastos de campanha de candidatos suspeitos de ligação com grupos paramilitares, como forma de evitar a utilização de recursos ilegais arrecadados pelas milícias para eleger seus aliados.

A estratégia, segundo o procurador, foi um dos principais pilares da Operação Mãos Limpas, posta em prática na Itália na década de 1990, que comprovou a ligação de partidos políticos com grupos mafiosos.

Ribeiro admitiu que a realização deste tipo de trabalho depende de uma ação conjunta envolvendo representantes de diferentes órgãos de controle do estado, como foi proposto pelo presidente do TRE, desembargador Luiz Zveiter. Conforme O GLOBO noticiou ontem, a força-tarefa vai reunir representantes da Secretaria de Segurança Pública, da Polícia Federal, do Comando Militar do Leste (CML) e do Departamento de Polícia Rodoviária Federal. Apesar de favorável à proposta, o procurador disse não ter sido convidado a participar do grupo especial.

Candidatos pedem mais integração

Candidatos à prefeitura do Rio defenderam ontem mais integração no combate aos grupos que tentam transformar regiões da cidade em currais eleitorais. Para a candidata do PV, Aspásia Camargo, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, também deveria informar oficialmente aos candidatos as áreas sob domínio desses grupos, para evitar problemas:

- Estou circulando por vários pontos da cidade e, em alguns, foi possível notar a presença desses grupos, não apenas composto por milicianos, mas também por traficantes. Não negocio a compra de votos - disse Aspásia.

Para Marcelo Freixo (PSOL) a Justiça Eleitoral precisa ter um planejamento específico para o Rio, atuando de forma integrada com Secretaria de Segurança e Polícia Federal, para que os serviços de inteligência possam interagir e combater a esses currais eleitorais.

Petista lidera em Recife; PSB está em 4

Apesar da crise que rachou o PT, o candidato petista à prefeitura de Recife, senador Humberto Costa, está em primeiro na pesquisa do Ibope divulgada ontem, com 40% das intenções de voto. Ele é seguido pelo deputado José Mendonça Filho, do DEM, com 20%.

O deputado estadual Daniel Coelho, do PSDB, tem 9%, enquanto o candidato do governador Eduardo Campos, o ex-secretário estadual Geraldo Júlio de Mello (PSB), está na quarta colocação, com 5%.

Geraldo Júlio comanda a maior coligação, com 14 partidos, mas é um técnico e vai enfrentar as urnas pela primeira vez. Ele ainda é desconhecido pelo eleitor.

Professores rejeitam proposta feita pela União

Principal entidade representativa dos professores, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) rejeitou a proposta de reajuste anunciada pelo governo na última sexta-feira e decidiu não só manter a greve como ainda radicalizá-la.

O documento do sindicato foi encaminhado para os estados, onde entidades estaduais farão sua avaliação da oferta do governo. Na sexta, os ministros Aloizio Mercadante (Educação) e Miriam Belchior (Planejamento) apresentaram proposta de reajuste prevendo aumento de até 45% para professores titulares de universidades e de até 48% para os docentes dos institutos federais. O reajuste se daria de forma escalonada, em três anos, e um professor com doutorado e dedicação exclusiva receberia R$ 17 mil em 2015.

O comando de greve, em assembleia realizada na noite de domingo, entendeu que o reajuste proposto pelo governo não supera os índices inflacionários e beneficia somente quem está no topo da carreira, caso dos professores titulares, que, segundo o Andes, representam 5% da categoria. O Andes decidiu, então, reprovar a proposta do governo, mas manterá aberta a negociação. Na próxima segunda-feira acontecerá outra rodada de conversações.

Folha de S. Paulo

FMI e analistas do mercado rebaixam previsões para PIB

Os efeitos da crise externa e sinais de que a economia brasileira continua fraca levaram o FMI (Fundo Monetário Internacional) e os maiores bancos e consultorias do país a rever novamente para baixo suas projeções para o crescimento deste ano.

Pesquisa semanal do Banco Central, que reúne projeções de cem bancos e consultorias, mostra que os analistas já preveem crescimento de 1,9% neste ano.

A marca é inferior ao que estima o Banco Central (2,5%) e mais próxima de um cenário menosprezado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, há cerca de um mês.

No dia 20 de junho, o banco Credit Suisse reviu sua projeção para o crescimento do Brasil de 2% para 1,5%. Ao ser informado, Mantega afirmou que a projeção era "uma piada" e disse que o país vai crescer mais do que isso.

Planalto promete verba para aprovar incentivo à indústria

Após promessas de liberação de recursos e pressão sobre aliados, o governo conseguiu aprovar ontem na Câmara uma das duas MPs (medidas provisórias) de incentivo à indústria que compõem o Plano Brasil Maior.

A medida, que estabelece desoneração da folha de pagamento, ainda precisa passar pelo Senado para entrar em vigor. Hoje, o governo espera votar a segunda MP.

A análise da medida só foi possível porque o governo voltou a abrir o cofre e ampliou a cota de cada um dos 87 deputados oposicionistas em emendas parlamentares de R$ 2,5 milhões para R$ 3 milhões. No total, foram incorporados R$ 43 milhões aos R$ 217,5 milhões que já estavam previstos para eles.

Esse mesmo acordo tinha sido rejeitado na semana passada pela oposição, quando a presença de aliados no Congresso era menor.

Ontem, diante da forte presença da base, os oposicionistas recuaram na obstrução das votações.

O governo teve que agir para garantir quórum ontem, pois, na semana passada, os deputados aliados já tinham retornado para suas bases eleitorais, abandonando a análise das medidas.

Governador tucano diz que CPI se tornou um 'tribunal de exceção'

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), disse ontem que a CPI do Cachoeira está se transformando em um "tribunal de exceção" cujo objetivo é condená-lo. Ele classificou de "infame e desleal" a reportagem da revista "Época" e disse que está sendo perseguido "por ser adversário do PT".

Citando relatório da Polícia Federal, a revista diz que houve um acerto para que o governo de Goiás pagasse em dia as faturas da empreiteira Delta.

A revista relacionou a liberação de verbas do governo goiano para a construtora com a compra de uma casa de Perillo por meio de cheques provindos do empresário Carlinhos Cachoeira -segundo a PF, sócio oculto da Delta. O governador contestou a afirmação.

"Os pagamentos mencionados pela revista referem-se a um contrato de locação de veículos, firmado pelo governo anterior, e são feitos de forma continuada, por se tratar de serviços regulares e pelo fato, também, de a atual administração cumprir rigorosa e pontualmente seus compromissos com fornecedores e prestadores de serviços", disse Perillo.

Perícia da PF reforçou suspeita sobre juízes

As investigações da Corregedoria do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) contra o desembargador Nery da Costa Júnior, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, e o juiz Gilberto Rodrigues Jordan foram reforçadas por uma perícia da Polícia Federal.

A suspeita recai sobre a elaboração de uma sentença que desbloqueou bens de um frigorífico do Grupo Torlim, acusado de crimes fiscais estimados em R$ 184 milhões.

A sindicância sigilosa do CNJ, que deve ser apreciada no dia 30, apura se os magistrados usaram os cargos para favorecer o grupo.

Em 14 de janeiro de 2011, Jordan foi enviado a Ponta Porã (MS) numa força-tarefa solicitada por Nery Júnior. Vinte e um dias depois, Jordan deu uma sentença liberando bens do Torlim bloqueados desde 2004.

O escritório que defendia o o grupo era do advogado Sandro Pissini, ex-assessor de Nery Júnior. Um mês depois da sentença, um ex-funcionário do escritório virou chefe de gabinete do magistrado.

O CNJ menciona ainda negócios entre Pissini e o desembargador.

Juiz e desembargador negam que empresa tenha sido favorecida

O desembargador Nery da Costa Júnior e o juiz federal Gilberto Rodrigues Jordan negam qualquer irregularidade ou favorecimento ao Grupo Torlim no episódio investigado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Em sua defesa na sindicância, o juiz disse que é "infundada" a suspeita da corregedoria do CNJ relativa ao arquivo de computador onde escreveu a sentença.

Ele afirmou ter sido isento e defendeu a força-tarefa pedida por Costa Júnior. "Foi oportuna e conveniente", disse. A Folha procurou o juiz para comentar a sindicância, mas ele não respondeu.

Câmara divulgará salários e benefícios no fim do mês

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), afirmou ontem que a página da Casa na internet passará a divulgar os salários dos servidores a partir do dia 31 de julho.

Ele assinou atos que regulamentam a divulgação das remunerações de parlamentares e servidores, inclusive inativos e pensionistas, de forma individualizada. A ação é resultado da Lei de Acesso à Informação.

Além do salário, também serão divulgadas informações referentes à cota parlamentar, que incluem os gastos dos deputados.

Segundo a Câmara, será possível acessar cópias digitais das notas fiscais apresentadas pelos parlamentares para justificar os gastos.

Juiz suspende intervenção de prefeito de SP em Minas

A Justiça Eleitoral em Belo Horizonte suspendeu ontem a intervenção no PSD de Belo Horizonte, que havia sido determinada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, presidente nacional da sigla.

A decisão, em caráter provisório, mantém o PSD aliado ao prefeito Marcio Lacerda (PSB), que tenta a reeleição.

O juiz Rogério Coutinho disse que houve "destituição sumária" e "sem direito de defesa" da comissão local do PSD que decidira apoiar Lacerda.

Após o PT romper a aliança que tinha com o PSB e o PSDB desde 2008, o PSD de Belo Horizonte decidiu em convenção se manter coligado a Lacerda, aliado do senador Aécio Neves (PSDB).

Partidário de Chalita vai fazer campanha para Serra

O secretário municipal de Esportes de São Paulo, Bebetto Haddad (PMDB), deixará o cargo para entrar na campanha de José Serra (PSDB) à prefeitura.

Ele havia sido pressionado pelo PMDB a sair da secretaria em maio, para que o candidato do partido, Gabriel Chalita, ficasse livre para criticar a atual gestão, mas se recusou e sinalizava que apoiaria o tucano.

A Folha não conseguiu falar com Bebetto ontem, quando ele se reuniu com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) para acertar a mudança.

Na última sexta, Bebetto havia dito à reportagem que a decisão sobre sua permanência seria do prefeito e que faria campanha por Serra.

"Neutro eu não ficarei, vou fazer campanha. Não farei campanha para o Chalita. Vou ajudar o candidato do prefeito", disse. Ele era presidente municipal do PMDB até ser trocado por Chalita.

O Estado de S. Paulo

Aumento de despesas do governo dobra no semestre

As despesas federais praticamente dobraram no primeiro semestre em relação a 2011, mas os investimentos foram responsáveis por apenas 5% deste crescimento. As despesas correntes respondem pelo restante. Em termos nominais, o aumento é de R$ 40,6 bilhões, um pouco menos do que o total de recursos reservados para o PAC. O levantamento foi feito pelo economista Mansueto Almeida, para quem o crescimento das despesas é puxado pelas aposentadorias e pensões, em razão do reajuste de 14,1% do salário mínimo. O aumento das despesas de custeio ocorre por "causas bem intencionadas" e não por roubo, diz. O gasto com passagens aéreas diminuiu. Outro fator de aumento destas despesas são as subvenções econômicas e recursos do Minha Casa, Minha Vida. O governo, no entanto, desde o início do ano, considera investimento as despesas do programa habitacional

Tucanos já põem Perillo em xeque e admitem novo depoimento na CPI

A cúpula do PSDB começou a reavaliar a situação do governador de Goiás, Marconi Perillo, acusado em relatório da Polícia Federal entregue ao Superior Tribunal de Justiça de firmar um "compromisso" espúrio com a Delta Construções, por meio do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, quando assumiu o governo em 2011 .

Líderes tucanos que leram o documento admitem nos bastidores que as provas são robustas e consideram delicada a situação do governador. Na esfera interna, o PSDB já dá como provável a convocação de Perillo para novo depoimento à CPI do Cachoeira após o recesso do Congresso, de amanhã até 31 de julho, a fim de explicar contradições em torno da venda de uma casa em Goiânia - a PF afirma que Perillo recebia cheques do esquema de Cachoeira pela venda do imóvel e, simultaneamente, fazia pagamentos do governo à Delta.

Oficialmente, o PSDB saiu ontem em defesa de Perillo. "Não há razão para o partido reavaliar seu apoio ao governador, que continua merecedor de nossa total confiança", disse o presidente da sigla, deputado Sérgio Guerra (PE). Ele insistiu que a acusação sobre a casa foi explicada à CPI em junho. Para ele, a comissão deveria voltar-se a outros governadores, como Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Sérgio Cabral (PMDB), do Rio.

Mas o partido, diz, espera que Perillo se manifeste, "como fez em outras tantas vezes em que respondeu aos questionamentos de forma firme e convincente".

Brindeiro nega relacionamento com contador e Cachoeira

O ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro afirmou à CPI do Cachoeira que os depósitos feitos por Geovani Pereira da Silva, contador do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, ao escritório de advocacia do qual é sócio serviram para pagar uma consultoria jurídica. Ele negou ter tido qualquer relacionamento com Cachoeira ou com Geovani.

No dia 14 de junho, a CPI pediu explicações a Brindeiro sobre cinco repasses, no valor de R$ 161 mil, feitos por Geovani - que está foragido - ao escritório Morais, Castilho e Brindeiro.

Dados sugerem que Delta pagou por casa em Goiás

Cruzamento de dados bancários da CPI do Cachoeira, da Polícia Federal e do governo de Goiás indicam que a Delta Construções teria bancado a compra da casa do governador Marconi Perillo (PSDB) pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em troca da liberação de mais de R$ 9 milhões em créditos da empresa com o Estado. O tucano nega relação entre a transação imobiliária e os pagamentos do governo.

A PF acredita que a Delta firmou um "compromisso" com Perillo, intermediado por Cachoeira, após a posse no governo. A compra da casa teria sido a primeira negociação após o acerto.

Análise dos extratos bancários mostra o "Deltaduto" em cinco momentos: 1) o dinheiro que sai da empreiteira; 2) passa por duas empresas comandadas pelo esquema do contraventor, a Alberto e Pantoja e a Adércio e Rafael Construções; 3) recursos de ambas abastecem a conta da Excitant, controlada pelo sobrinho de Cachoeira, Leonardo Augusto de Almeida Ramos; 4) três cheques assinados por Leonardo pagam a compra da casa; 5) e a liberação de créditos à Delta.

A movimentação ocorreu de fevereiro a maio de 2011. Em sete depósitos, a Delta transferiu às duas empresas de fachada R$ 5,4 milhões. Elas repassaram à Excitant R$ 1,4 milhão, em cinco transações. Perillo recebeu esse valor pela casa, em três cheques assinados pelo sobrinho de Cachoeira. A fatura da Delta foi paga em três prestações de cerca de R$ 3,2 milhões.

Por campanha de Serra, Kassab faz minirreforma

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), prepara mais uma minirreforma no primeiro escalão de seu secretariado para ajudar a campanha de José Serra (PSDB) na sucessão municipal. Kassab reuniu-se ontem com titulares de pastas para avisá-los de que passarão a integrar o núcleo da equipe do tucano. Bebetto Haddad (Esportes), do PMDB, e Antonio Carlos Malufe (Relações Governamentais), do PSD, deixarão os cargos em data a ser definida.

Além deles, o ex-vice-presidente da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), Ricardo Montoro, que havia deixado o posto para se candidatar a vereador, também vai integrar o staff da campanha serrista.

Raupp, do PMDB, 'exclui' Chalita de disputa paulistana

O presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), disse ontem que a disputa pela Prefeitura de São Paulo será polarizada entre PT e PSDB, sem mencionar o potencial do candidato de seu próprio partido, o deputado federal Gabriel Chalita.

Raupp participou de um evento em Belo Horizonte ao lado do candidato do PT, o ex-ministro Patrus Ananias, e admitiu que as campanhas em São Paulo e Belo Horizonte estão nacionalizadas. "São Paulo é uma disputa do PT, que é o partido no governo, com o PSDB. E em Minas, não é com o PSDB, mas acabou sendo uma disputa nacional com as forças do PSDB, contra PT e PMDB". Na capital mineira, Patrus disputa contra o prefeito Marcio Lacerda (PSB), que tenta a reeleição com apoio tucano. Em São Paulo, o PT tem o ex-ministro Fernando Haddad (PT) e o PSDB, o ex-governador José Serra.

Empresa do Paraná vende perfil no Twitter para candidatos

"Seja eleito em 2012: contrate agora consultoria para o seu Twitter por 3 meses e fique entre os 200 primeiros mais seguidos do Brasil." A propaganda, veiculada numa conta do microblog, tem destino certo: candidatos que disputarão as eleições municipais este ano. Ser um dos políticos mais seguidos do País, porém, requer colocar a mão no bolso. Comprar um perfil com 300 mil seguidores custa R$ 6 mil. Se o candidato estiver interessado na consultoria, paga R$ 7 mil mais três parcelas de R$ 1 mil. A venda de perfis no Twitter, porém, é prática ilegal, proibida nos Termos de Uso da rede social.

O serviço é oferecido por uma empresa de Londrina (PR). Procurado pelo Estado, o proprietário, que se identifica como Marcio Aurelio, não quis falar. O perfil mantido por ele no Twitter, porém, fornece várias informações, inclusive e-mail e número de telefone para contato. Num dos tweets, há um exemplo da "vantagem" em contratar a empresa: o candidato poderia virar manchete nos jornais ao se tornar o "prefeito mais seguido do Twitter". Há também "promoções relâmpago" e pacotes mais baratos, nos quais são oferecidos "10 mil seguidores por R$ 500" ou "50 mil por R$ 1,5 mil".

Comissão da Verdade vai seguir busca de ossadas

A Comissão Nacional da Verdade vai acompanhar os trabalhos do Grupo de Trabalho Araguaia, encarregado de localizar e identificar os desaparecidos na Guerrilha do Araguaia, ocorrida entre 1972 e 1974, no sul do Estado do Pará. Familiares dos desaparecidos serão ouvidos nos próximos dias, em São Paulo.

"Queremos que trabalhem conosco", disse ontem, ao fim da reunião semanal da comissão, a advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha. "Eles têm informações e nós não podemos depender apenas dos documentos que existem nessa área."

O trabalho do Grupo de Trabalho Araguaia, que reúne especialistas dos ministérios da Justiça, Defesa e Direitos Humanos, está sendo criticado pela maior parte dos familiares dos desaparecidos. Em abril, um grupo de 43 famílias recorreu à Corte Interamericana de Direitos Humanos, vinculada à OEA, com uma longa lista de reclamações. Disseram que o governo desperdiça recursos com expedições que, desde 2009, não conseguiram identificar os restos mortais de nenhum guerrilheiro.

Judiciário pode perder juros de precatórios

Os tribunais em todo o País poderão perder uma renda extraordinária que engorda seus cofres graças aos precatórios - títulos em favor de credores da administração pública sempre quitados com muitos anos de atraso. O conselheiro Bruno Dantas, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), estuda proposta para modificação da Resolução 123, do próprio conselho, que assegura aos tribunais o rateio do montante equivalente aos rendimentos sobre valores depositados em contas judiciais.

"Tribunais estão se apropriando de recursos que não lhes pertencem", avalia Dantas. "Esse dinheiro não é do tribunal. Definitivamente, não pertence ao tribunal. Isso é um dado concreto. O sistema precatório já é um modelo suficientemente perverso para o credor para que seja imposta a ele uma nova desvantagem."

Correio Braziliense

Câmara vai mostrar tudo sobre salários

O acesso aos contracheques via internet será liberado no dia 31 deste mês. Além dos vencimentos dos deputados, qualquer cidadão poderá saber quanto do dinheiro que os brasileiros pagam de impostos é destinado à remuneração dos mais de 10 mil secretários parlamentares, dos 2,9 mil servidores do quadro e dos 1,4 mil comissionados. Os dados estarão detalhados por renda bruta e eventual (como horas extras), benefícios fixos e gratificações, auxílios (como vale-alimentação) e descontos obrigatórios, que incluem o abate-teto, a contribuição para a Previdência Social e o Imposto de Renda. Não serão publicados descontos particulares ou pessoais dos servidores, como pagamento de pensão alimentícia. O Senado informou que seguirá o modelo anunciado pela Câmara.

Agrado à oposição para salvar MPs

Ameaçado com a possibilidade de rebelião pela oposição e parte da base aliada, o Palácio do Planalto entrou em campo para pressionar o Congresso a colocar em votação — e aprovar — as duas Medidas Provisórias (MPs) do Plano Brasil Maior, que concedem incentivos fiscais ao setor de industrial. Ao fim da sessão, vitória do governo. Um acordo firmado entre oposicionistas e o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), resultou na aprovação de uma delas (MP 563) e na garantia de que a outra (MP 564) será apreciada hoje, assim como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Caso isso não ocorresse, as duas MPs perderiam a validade, acarretando prejuízos de R$ 10 bilhões aos cofres públicos e uma iminente crise institucional com o parlamento.

Articulação desafinada

A demora para a aprovação de duas medidas provisórias essenciais para as ações econômicas do governo acirrou as desavenças entre a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Como o risco de as MPs caducarem surgiu por problemas de articulação política na Casa, a presidente Dilma Rousseff busca o responsável pelo desastre, colocando tanto o deputado como a ministra na berlinda e exibindo o problema reincidente da falta de articulação entre Planalto e Congresso.

A disputa começou na primeira semana do mês, quando Chinaglia negociou a liberação de emendas com a oposição para evitar que as votações no plenário fossem paralisadas. Para garantir o acerto, o líder colocou a ministra no viva-voz durante a reunião — irritando Ideli.

Prazo expira na sexta-feira

Os tribunais de todo o país têm até a sexta-feira para divulgar na internet as remunerações de seus servidores e magistrados nominalmente. Até agora, entretanto, com exceção do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST), nenhuma instituição do Judiciário cumpriu a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No início do mês, o CNJ determinou, por meio de resolução, a publicação dos contracheques.

"Eu não recebi qualquer informação, de nenhum tribunal, de que há dificuldades para se publicar os dados. Acredito que os tribunais estão se preparando para fazê-lo. Isso demanda uma série de projetos da área de internet", afirma o conselheiro Wellington Saraiva, ouvidor do CNJ e responsável pelo grupo de trabalho que regulamentou a Lei de Acesso à Informação no âmbito do Judiciário.

Servidores fazem curso de arapongagem nos EUA

O Senado enviou três servidores aos Estados Unidos para um curso de especialização em contravigilância e operação de equipamento destinado à captação de escutas telefônicas. Apesar de ter anunciado, em novembro, que recuaria no projeto de comprar um dos dispositivos mais modernos do mercado para rastrear grampos, na sexta-feira, o diretor da Polícia Legislativa do Senado, Pedro Ricardo Araújo Carvalho, o diretor do Serviço de Tecnologia e Projetos da Polícia do Senado (Septro), Jacinto Murowaniecki, e o chefe do gabinete administrativo da Polícia do Senado, Rauf de Andrade Mendonça embarcaram para a cidade de Algood, no Tennessee, para participar de um treinamento de contraespionagem que começou ontem e terminará dia 27.

"Os alunos serão introduzidos a técnicas de testes de telefone, técnicas de pesquisa de rastreamento, bem como os procedimentos de investigação. Esse curso é projetado para introduzir e familiarizar o especialista em segurança técnica com diversos produtos de contravigilância e seus procedimentos básicos de varredura", informa a ementa do curso que os policiais do Senado estão fazendo.

Perillo é isolado pelo PSDB

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB-GO), deve se explicar novamente na CPI do Cachoeira. A reconvocação só vai ocorrer após o recesso parlamentar, que se inicia amanhã e só termina em 2 de agosto. Até partidários do governador reconhecem, reservadamente, que a situação de Perillo ficou insustentável depois de reportagem publicada pela revista Época durante o fim de semana. Uma corrente do PSDB já defende que ele se afaste do partido até que todos os questionamentos sejam esclarecidos. De acordo com a denúncia, a construtora Delta, no foco do esquema comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, teria pago R$ 500 mil de propina ao governador para que ele liberasse R$ 9 milhões em faturas atrasadas da empreiteira. Segundo relatório da Polícia Federal, logo após Perillo receber o dinheiro, o governo de Goiás pagou a dívida. A transação foi camuflada por meio da venda da casa onde ele morava. O imóvel foi comprado por Cachoeira e pago com recursos de empresas fantasmas abastecidas pela Delta.

O requerimento de reconvocação de Marconi Perillo foi apresentado ontem pelos senadores Randolfe Rodrigues (PSol-AP) e Pedro Taques (PDT-MT). Por problemas de horário, a documentação foi protocolada apenas no fim do dia. Ontem à noite, um jantar com alguns integrantes da CPI do Cachoeira definiu a estratégia a ser adotada.

Demóstenes no Twitter

Entre centenas de mensagens de apoio e críticas ferozes, o ex-senador Demóstenes Torres tenta seguir a vida normalmente, pelo menos nas redes sociais na internet. Entre a noite de domingo e o começo da madrugada de segunda-feira, o ex-parlamentar postou pelo menos 130 mensagens no Twitter, ora se explicando ora tentando mudar o principal assunto abordado pelos seus seguidores: a cassação no Senado e o seu envolvimento com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

São várias as críticas enviadas diretamente para o perfil do ex-parlamentar no microblog. Coisas do tipo: "O Brasil agradece a sua saída", "o Demóstenes passa o dia no Twitter tentando se justificar e se desculpar, chega a ser hilário" e "seria mais digno e honroso da sua parte assumir os erros e ser o delator dos crimes dos seus cúmplices", são respondidas pelo ex-senador de polida.

PMDB costura fusão com seis partidos

Tentando se fortalecer para 2014, o PMDB iniciou uma série de conversas com outras legendas para propor fusões com o partido. O intuito é reforçar a dependência do Palácio do Planalto com a legenda do vice presidente Michel Temer e evitar a sombra do PSB. O PMDB já conversou com seis partidos e não exclui nem legendas de oposição. O DEM, por exemplo, faz parte das siglas de interesse.

O senador Valdir Raupp (RO), presidente em exercício do PMDB, critica o alto número de partidos no Brasil e acredita que a fusão pode fortalecer a democracia. "Tem alianças hoje de 19 partidos, isso é fim do mundo", avalia. Segundo Raupp, a necessidade de fazer grandes coligações prejudica a governabilidade, gera necessidade de distribuir cargos para mais partidos e ainda divide parlamentares. "Com 20 bancadas, é difícil fazer reforma. Seja ela qual for, política, tributária...", dispara.

A movimentação ampliaria a musculatura do partido tanto no Congresso quanto nas prefeituras, onde a legenda já lidera, mas Raupp nega a preocupação. "A gente está fechando 2.992 candidaturas às prefeituras, mais de 500 na frente do segundo, o PT. Não vamos perder a liderança", aposta. Mas questionado, admite que as fusões "ajudam sim" a fortalecer o partido diante do avanço de outros.

Mais R$ 6,2 bi para a Saúde

A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem um pacote de R$ 6,2 bilhões para a saúde, que inclui a meta de construir, até 2014, 900 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), ao custo de R$ 2,7 bilhões. Essas UPAs se somarão às 200 que já estão em funcionamento e atendem mais de 2 milhões de pessoas por mês. Para a presidente, essas unidades de atendimento rápido têm ajudado a desafogar o Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, o custo é salgado: segundo cálculos do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), o governo terá que desembolsar anualmente R$ 10,8 bilhões para manter essas novas UPAs em funcionamento.

O diretor do Cebes, José Noronha, ressalta que, para melhorar o atendimento à saúde, não basta aumentar o ritmo de inaugurações: "Para exercer bem sua função, uma UPA custa quatro vezes o que foi gasto para sua construção. Difícil não é colocá-la em pé, mas mantê-la. É colocar profissionais para atender o público". Só neste mês, o governo inaugurou oito UPAs, uma delas em São Bernardo do Campo (SP), que contou com a presença da presidente Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o segundo semestre, o plano é habilitar outras 766.

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