Nos jornais: após queda de Lupi, PT ambiciona Trabalho

Cúpula do PDT vai se reunir na tarde desta segunda, em Brasília, para discutir o 'day after' da crise e há quem defenda a saída do partido da base aliada, destaca O Estado de S. Paulo

O Estado de S. Paulo

Carlos Lupi pede demissão e PT já disputa o ministério

Vinte e sete dias após dizer que só sairia da Esplanada "abatido à bala", o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, antecipou-se neste domingo, 4, à demissão iminente – já decidida pela presidente Dilma Rousseff – e entregou o cargo. Trata-se do sétimo ministro que cai em quase um ano de governo.

Enredado em uma teia de denúncias, Lupi perdeu o apoio do PDT, entrou em rota de colisão com o PT – que está de olho na vaga – e não conseguiu explicar à Comissão de Ética da Presidência acusações de cobrança de propina na pasta.

Na tarde deste domingo, Lupi se encontrou com Dilma, no Palácio da Alvorada. A presidente havia chegado na véspera de uma viagem a Caracas, na Venezuela, e o ministro já recebera recados de que sua demissão eram "favas contadas". Para se antecipar ao gesto, acertou com Dilma a saída antes mesmo da reunião da Executiva Nacional do PDT, marcada para esta segunda-feira, 5. Os termos da carta foram combinados com auxiliares da presidente.

"Tendo em vista a perseguição política e pessoal da mídia, que venho sofrendo há dois meses sem direito de defesa e sem provas; levando em conta a divulgação do parecer da Comissão de Ética (...) – que também me condenou sumariamente (...), sem me dar direito de defesa – decidi pedir demissão do cargo que ocupo, em caráter irrevogável", escreveu Lupi. "Faço isto para que o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o trabalhismo não contagie outros setores do governo."

Foi o passivo de escândalos que selou o destino de Lupi e nem mesmo as juras de amor a Dilma adiantaram. Depois de desafiar a Comissão de Ética, que na quarta-feira recomendou a dispensa, ganhar tempo e anunciar que faria uma "análise objetiva" do caso, Dilma chegou à conclusão de que não seria possível segurar o auxiliar até a reforma ministerial, prevista para ocorrer no fim de janeiro de 2012.

O secretário executivo do ministério, Paulo Roberto dos Santos Pinto, assumirá o comando da pasta, interinamente, até o início do ano que vem. Ele é filiado ao PDT, mas não tem a simpatia do partido. Dilma, porém, não quer que o PDT indique um novo ministro agora. Motivo: ela pretende fazer um rodízio na partilha dos cargos e tirar o Trabalho do controle pedetista, na reforma da equipe.

Lupi é o sexto ministro que cai sob denúncia de corrupção. Pesaram contra ele, ainda, acusações de repasse de dinheiro do ministério para abastecer o caixa do PDT e patrocinar ONGs de fachada. Até agora, dos nomes abatidos na Esplanada, apenas Nelson Jobim (Defesa) não integrou a lista da "faxina". Foi dispensado por ter dado declarações consideradas "inconvenientes" sobre o governo.

A cúpula do PDT vai se reunir na tarde desta segunda, em Brasília, para discutir o day after da crise e há quem defenda a saída do partido da base aliada. "Para mim, o PDT não deve ter nenhum cargo no governo Dilma", afirmou senador Cristovam Buarque (PDT-DF). "Nós vamos continuar no governo, mesmo não sendo nesse ministério", resumiu o deputado André Figueiredo (CE), presidente interino do PDT.

Alckmin pede moderação com Kassab

Preocupado com a repercussão política da pré-campanha promovida pelos quatro pré-candidatos do PSDB à Prefeitura de São Paulo em 2012, o governador Geraldo Alckmin articulou uma reunião com os tucanos em que foi pedida moderação nos ataques ao atual prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD).

No encontro, feito ontem pela manhã numa padaria no bairro do Morumbi - no mesmo local em que Alckmin deu entrevista na semana passada após o encontro com os quatro postulantes ao cargo -, o presidente do PSDB municipal, Julio Semeghini, e o responsável pela comunicação do Palácio dos Bandeirantes, Márcio Aith, tentaram pautar o discurso dos tucanos, por orientação de Alckmin. Os pré-candidatos estão em campanha para disputar as prévias no PSDB, que podem ocorrer em março do ano que vem.

A ideia transmitida para os quatro pré-candidatos - os secretários Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente), José Aníbal (Energia) e o deputado federal Ricardo Tripoli - foi que o principal adversário do PSDB é o PT, e não Kassab, e que eles têm de
tomar cuidado com os ataques para não fecharem as portas nas negociações com o PSD, partido recém-criado pelo prefeito.

De olho na reforma, PR negocia apoio a Haddad em São Paulo

O PR quer aproveitar a montagem do palanque do ministro da Educação, Fernando Haddad, pré-candidato a prefeito de São Paulo, para voltar de vez à Esplanada. O partido encolheu depois que perdeu o Ministério dos Transportes, com a degola do senador e presidente da sigla, Alfredo Nascimento (AM), alvo de denúncias de corrupção.

O sucessor, Paulo Sérgio Passos, até estampa a carteirinha de filiado ao PR, mas os líderes da legenda não reconhecem sua paternidade por o considerarem cota pessoal da presidente Dilma.

Se frustrada a sonhada aliança com o PMDB, o PR do réu do mensalão Valdemar Costa Neto (SP) pode emergir como o principal aliado do PT na corrida para a Prefeitura de São Paulo, com o passe valorizado.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula nos bastidores a retirada da pré-candidatura do deputado Gabriel Chalita (PMDB), que poderia ganhar um ministério ou o cargo de vice na chapa encabeçada por Haddad.

O PMDB, porém, mostra-se disposto a bancar o nome de Chalita, até para recuperar espaço perdido com o falecimento do ex-governador Orestes Quércia, cardeal da legenda no Estado.

Desde 2008, 36 prefeitos paulistas foram cassados

Pelo menos 36 prefeitos do Estado de São Paulo tiveram os mandatos cassados sob a acusação de irregularidades administrativas ou eleitorais desde as eleições de 2008.

Embora a maioria tenha recuperado o cargo na Justiça, algumas cidades correm o risco de chegar ao novo pleito em 2012 sem prefeito ou com seu principal mandatário sub judice.

Em seis municípios - um número recorde no Estado - foi necessária a realização de novas eleições porque a cassação atingiu, além do prefeito, seu substituto natural, o vice-prefeito. São eles: Guarani D"Oeste, Lupércio, Igaraçu do Tietê, Aguaí, Tarabai e Araras.

Nos últimos meses dois casos ganharam os holofotes. Em Campinas, o prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), foi cassado pela Câmara por suposta omissão ou negligência na apuração de um esquema de corrupção e fraudes em contratos da prefeitura. Na vizinha Limeira os vereadores afastaram do cargo o prefeito Sílvio Félix (PDT) para que seja investigado por omissão ou possível envolvimento em esquema de desvios de verbas. Ambos alegam inocência.

Dilma planeja reforma ministerial mais enxuta e rodízio

Depois de demitir sete ministros, a presidente Dilma Rousseff planeja fazer uma reforma mais enxuta da equipe, no início de 2012. Por enquanto, ela pretende mexer em apenas 9 dos 38 ministérios e promover um rodízio de partidos no comando de algumas pastas. Mas Dilma ainda quer consultar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de bater o martelo.

Enquanto a reforma não vem, o PT faz o inventário dos cargos e traça estratégias para a campanha municipal de 2012. A cadeira mais cobiçada é a do ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), que sairá do governo para disputar a Prefeitura de São Paulo. Correntes do PT também querem retomar antigos feudos, como os ministérios do Trabalho e das Cidades, duas pastas alvejadas por acusações de corrupção.

Além de mexer em Educação e Trabalho - que estava com o PDT -, Dilma deve trocar Mário Negromonte (Cidades), Ana de Hollanda (Cultura), Iriny Lopes (Mulheres) e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário). Não é só: pretende fundir os ministérios de Agricultura e Pesca e pode substituir o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho.

Suspeita leva presidente a convocar Pimentel

No mesmo dia em que o titular do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), sucumbiu às denúncias e pediu demissão, a presidente Dilma Rousseff precisou agir para tentar evitar que a crise chegue também ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Dilma ordenou ontem que o ministro Fernando Pimentel voltasse a Brasília e detalhasse sua atuação como consultor entre 2009 e 2010.

Reportagem publicada ontem pelo jornal O Globo sugere tráfico de influência em licitações da prefeitura de Belo Horizonte e a não prestação de serviços pagos pela Federação das Indústrias do Estado de Minas (Fiemg). Segundo a reportagem, dirigentes da entidade disseram desconhecer o trabalho realizado pelo ministro.

A pedido da presidente, Pimentel compareceu a seu gabinete para informar sobre o trabalho da sua empresa, a P-21 Consultoria, e os contratos assinados nos últimos dois anos, período em que ficou afastado de cargos públicos. Pimentel deixou a prefeitura de BH no final de 2008 e assumiu o MDIC no início deste ano, com a eleição de Dilma.

Transposição tem prejuízo de R$ 8,6 milhões

Superfaturamento de preços, fiscalização omissa e atraso injustificável nas obras foram os principais problemas encontrados na última fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) no eixo leste do projeto de transposição do Rio São Francisco. A auditoria foi feita de junho/2010 a maio/2011 e os problemas, relatados ao Ministério da Integração Nacional, que até agora não adotou providências para ressarcir os prejuízos, estimados em R$ 8,6 milhões à época.

Principal vitrine do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que turbinou a votação da presidente Dilma Rousseff no Nordeste, o projeto exibe sinais de abandono em vários trechos, com estruturas de concreto estouradas, rachaduras e vergalhões de aço retorcidos, como mostrou reportagem do Estado ontem. Este é o quinto ano seguido em que o TCU encontra graves problemas na obra, que já excedeu o orçamento original em mais de 30% e, na melhor das hipóteses, será concluída com cinco anos de atraso.

O Globo

Cai o sétimo ministro de Dilma

Desgastado por denúncias de corrupção no Ministério do Trabalho, o ministro Carlos Lupi se antecipou a presidente Dilma - que, pressionada pela Comissão de Ética da Presidência, anunciaria hoje a saída do pedetista da pasta - e entregou ontem o cargo. Ele resistiu por apenas 28 dias, após afirmar que só sairia "abatido a bala". O secretário-executivo Paulo Roberto Pinto assumiu o ministério, pelo menos até a reforma prometida para janeiro. No entanto, não é certa a permanência do PDT no comando da pasta, e Dilma já pensa em fundir a Previdência e o Trabalho e entregá-los ao PMDB. Em nota, Lupi atribuiu sua saída a "perseguição política e pessoal da mídia". E reclamou do que chamou de condenação sumária da Comissão de Ética.

Dilma orienta Pimentel a explicar consultorias

O governo reagiu ontem à denúncia publicada no GLOBO de que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, recebeu R$2 milhões em serviços de consultoria entre 2009 e 2010. A presidente Dilma Rousseff recomendou a Pimentel que retornasse a Brasília ainda no domingo e se explicasse, apresentando documentos, para mostrar transparência e que não tem nada a temer. O objetivo do governo é destacar que a situação de Pimentel é diferente da situação do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, demitido por Dilma em meio à pressão para explicar a multiplicação de seu patrimônio.

- A presidenta me orientou a agir com transparência e tranquilidade. Não tenho nada a esconder, tudo que fiz foi dentro da lei - disse Pimentel.

Segundo o ministro, que recebeu O GLOBO em seu gabinete ontem à tarde em Brasília, pouco depois de chegar de Belo Horizonte, a orientação de Dilma foi a seguinte, após ler a reportagem: "Responda de forma transparente, seja objetivo e bastante explícito, mostre
tudo para dirimir qualquer dúvida, porque você não tem nada a esconder, não tem nada de errado nisso".

Ele disse que seu rendimento líquido com as consultorias foi entre R$1,2 milhão e R$1,3 milhão, menos do que os R$2 milhões brutos, considerando o desconto dos impostos e os gastos administrativos da empresa. E apresentou cópias dos contratos assinados com a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e com a QA Consulting, uma empresa de informática.

Para oposição, há indícios de tráfico de influência

Os partidos de oposição querem que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, explique ao Congresso os contratos de sua empresa, a P-21 Consultorias e Projetos Ltda. Como revelou O GLOBO ontem, o escritório de Pimentel faturou ao menos R$2 milhões em 2009 e 2010, período entre ele deixar a Prefeitura de Belo Horizonte e assumir o ministério, tendo atuado ainda como um dos homens-fortes da campanha da então candidata à Presidência Dilma Rousseff. Para parlamentares, suas atividades de consultoria têm indícios de tráfico de influência, e Pimentel precisa dissipá-los.

No Palácio do Planalto, a avaliação foi que a atividade de consultor de Pimentel é de amplo conhecimento e foi empreendida quando ele não ocupava cargo público. As cifras também não foram consideradas "tão astronômicas assim", não havendo razão para suspeitas.

Esta semana, o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), vai discutir com os demais líderes oposicionistas a apresentação de um pedido de convocação de Pimentel. O líder do PPS, Rubens Bueno (PR), disse que vai fazer um requerimento de informações ao ministro. Para
ele, o caso sugere que a expectativa de nomeação de Pimentel servia como "cartão de visitas para arregimentar clientes".

PT tentará evitar a convocação de Pimentel

A base de apoio ao Planalto minimizou a revelação sobre os ganhos de Pimentel. Para o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), as consultorias dizem respeito à vida privada do ministro, pois ele não ocupava cargos públicos à época:

- Ele não era deputado, senador, prefeito, ministro. Não pode trabalhar? É um assunto entre ele e as empresas para as quais prestou serviços.

Vaccarezza adiantou que o governo vai trabalhar para derrubar tentativas de convocar o ministro para se explicar no Congresso. Para ele, a suspeita de tráfico de influência não faz sentido, pois, à época, Dilma não era candidata.

- Não acredito que o PSDB pedirá (a convocação). Tem de haver razoabilidade no debate político - comentou.

Um dos principais aliados do ministro em Minas Gerais, o deputado federal Reginaldo Lopes, presidente do PT-MG, garante que Pimentel vai prestar esclarecimentos nos próximos dias:

- Fernando vai falar sobre isso, é evidente. Mas adianto que quando ele foi chamado para  ser ministro, paralisou suas consultorias. Não esperou nenhuma cobrança da sociedade.

Depois de largar a escola, o difícil recomeço

Depois de 29 anos longe dos bancos escolares - parou aos 14, na 4ª série do Ensino Fundamental - a alagoana Maria Marta dos Santos, de 43 anos, voltou a estudar este ano. Ela está matriculada na Escola Estadual Regueira Costa, em Recife, onde cursa a Educação de Jovens e Adultos (EJA), e orgulha-se de só ter faltado três vezes durante o ano. Assim como Maria, 2,8 milhões de pessoas com 15 anos ou mais estão matriculadas no Ensino Fundamental em turmas de EJA. No Ensino Médio, segundo dados do Censo Escolar 2010, 1,4 milhão está matriculado.

- Este ano, faltei duas vezes por problema de saúde e uma vez quando tive que trabalhar.

Fui para a aula até no dia do aniversário da minha patroa. Ela acabou indo me buscar e perdi as aulas finais, mas fui porque não queria mesmo faltar - conta Maria, que pretende fazer um curso técnico de enfermagem.

Além das turmas de EJA, um outro programa leva de volta à sala de aula aqueles que têm 15 anos ou mais: O Brasil Alfabetizado, que desde 2003, segundo o Ministério da Educação (MEC), atendeu 13.667.039 pessoas analfabetas. No ciclo 2010, de acordo com o MEC, 1,5 milhão está sendo alfabetizado. Desses, 18% têm entre 15 e 29 anos, 44% estão entre 30 e 49 anos, 25% possuem entre 50 e 64 e 13% possuem 65 anos ou mais. Os cursos podem durar entre seis e oito meses, dependendo da carga horária.

Mais R$ 40 bi para bancos públicos

O governo prepara uma capitalização de R$ 40 bilhões nos bancos públicos para aumentar a oferta de crédito e aquecer a economia. Só o BNDES vai receber R$ 25 bilhões. Serão destinados recursos ainda para Caixa, BB e Banco do Nordeste.

Câmara faz 10 homenagens a cada hora

Um levantamento feito pelo GLOBO revelou que a Câmara de Vereadores concedeu, no ano passado, 13.325 moções de aplausos, ou dez a cada hora. No mesmo período, 94 leis foram aprovadas, e mesmo assim só 13 são relevantes.

Folha de S. Paulo

Lupi é sexto ministro de Dilma a cair sob suspeita

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), pediu demissão do cargo após se reunir ontem com a presidente Dilma Rousseff. Para o Planalto, as suspeitas de irregularidades tornaram insustentável sua permanência. No cargo desde 2007, no governo Lula, Lupi é o sexto ministro de Dilma a cair por suspeita de irregularidades.

73% das vagas cortadas em faculdades pelo MEC são ociosas

O corte de vagas anunciado pelo Ministério da Educação em cursos superiores da área de saúde com desempenho insatisfatório na última avaliação nacional vão atingir sobretudo postos ociosos – 73% do total cortado já não era preenchido.

O MEC diz que a medida controla expansão de cursos mal avaliados.

Governo de SP prepara plano de novo aeroporto

O governo estadual esboça uma parceria público-privada para construção de um aeroporto voltado à aviação executiva e voos regionais. A localização ainda não está definida.

Folha de S. Paulo

PDT se reúne hoje para discutir novo nome para governo

O secretário-geral do PDT, Manoel Dias, disse ontem que a Executiva do partido se reúne hoje para discutir a substituição de Carlos Lupi. É possível que o partido perca a pasta do Trabalho na reforma ministerial prevista para janeiro.

Apesar de não haver uma vaga, nos bastidores, a legenda cita como os mais cotados para a Esplanada o ex-senador Osmar Dias (PDT) e o deputado Vieira da Cunha (RS).

A reunião de hoje já estava prevista para debater a crise do ministério.

Atraso deve livrar ex-ministro de punição pelo valerioduto

O ex-ministro Walfrido dos Mares Guia (PSB) deverá se beneficiar da lentidão da tramitação do processo do valerioduto tucano e se livrar da denúncia de peculato e lavagem de dinheiro.

Como o ex-ministro de Relações Institucionais do governo Lula fará 70 anos em novembro de 2012, seus advogados poderão pedir a prescrição dos crimes. Normalmente, esses crimes prescrevem em 16 anos, mas para quem atinge 70 anos o prazo cai pela metade.

O valerioduto tucano é um suposto esquema de desvio de recursos públicos e financiamento irregular de campanha eleitoral.

Governo concede status de anistiado político a Marighella

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concederá hoje o status de anistiado político ao guerrilheiro comunista Carlos Marighella (1911-1969), que foi líder da ALN (Ação Libertadora Nacional) e um dos principais opositores à ditadura militar.

A homenagem acontecerá em Salvador, no dia dos cem anos de seu nascimento. Seus familiares não pediram reparação econômica.

Crise ameaça meta de Dilma de crescer 5%

A perda de dinamismo da economia brasileira neste fim de ano deve contaminar seu desempenho em 2012 e atrapalhar os planos da presidente Dilma Rousseff para fazer o país voltar a crescer a uma taxa próxima de 5% ao ano.

A anemia do setor industrial no início do quarto trimestre, revelada na semana passada pelo IBGE, reforçou o diagnóstico de que a economia caminha lentamente.

Correio Braziliense

Caso Lupi - Demissão por justa causa

Na sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff prometeu que iria resolver a situação do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, tão logo chegasse da Venezuela. Ontem, no início da noite, cumpriu o que disse e aceitou a carta de demissão dele. A causa foi justa: o pedetista não conseguiu explicar os convênios com organizações não governamentais nem o aparelhamento partidário do ministério. O secretário executivo, Paulo Pinto, assume interinamente.

Contagem regressiva na pauta de votações

A poucos dias do fim do ano legislativo, em 22 de dezembro, parlamentares se organizam para votar temas prioritários. Na Câmara dos Deputados, com a pauta trancada por seis medidas provisórias (MPs), o objetivo é aprovar pelo menos a previdência complementar dos servidores públicos. No Senado, a prioridade é a Desvinculação de Receitas da União (DRU).

A pauta prioritária na Câmara estabelece que servidores contratados depois da aprovação do projeto terão a aposentadoria limitada pelo teto previdenciário, atualmente de R$ 3,6 mil. Quem quiser receber acima disso terá de contribuir com o Fundo de Previdência Complementar do Servidor Público da União (Funpresp), a ser criado pelo projeto. O debate sobre o assunto está marcado para a próxima quarta-feira, às 15h.

Das seis medidas provisórios na Câmara, o governo já desistiu de votar duas, que perdem vigência nos próximos dias. Entre as que ainda estão na pauta estão a que cria regime especial tributário e de financiamentos para o setor de defesa e a que cria o cadastro nacional de áreas com risco de deslizamento.

Dirceu sai das sombras

A ausência de Luiz Inácio Lula da Silva como a grande referência do PT em debates públicos — forçado ao resguardo pelo tratamento contra um câncer de laringe — levou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu a intensificar sua produção de análises políticas. O aumento da evidência de Dirceu ocorreu tanto no blog pessoal, que mantém desde maio de 2007, quanto em eventos públicos nos quais é convidado como palestrante.

Nos últimos 15 dias, Dirceu criticou as declarações dadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre as ONGs que desviam recursos públicos, atacou o PSB, pedindo ao PT "que tome cuidado com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos" e afirmou, em um encontro do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, que "PSDB e DEM estão em vias de extinção".

No encontro organizado pelo PT para discutir a regulamentação da mídia, o ex-chefe da Casa Civil dissociou a proposta à censura da mídia. "O PT sempre defendeu a regulação da mídia como sempre defendeu a liberdade de imprensa", disse Dirceu, durante o seminário promovido na capital paulista pela direção nacional do Partido dos Trabalhadores. "Estamos propondo o que há no mundo inteiro, uma regulamentação dos meios de comunicação", completou.

Sem a presença constante de Lula como interlocutor político do partido, o PT precisa se reinventar. A legenda, acostumada a amparar-se nas opiniões do ex-presidente, busca novo porta-voz. Petistas consultados apontam um fortalecimento de um colegiado interno. Mas Dirceu antecipa-se e exerce, até o momento, plenamente tal papel.

Valor Econômico

Indenização a elétricas pode custar R$ 47 bilhões

Se as concessões de energia elétrica que expiram em 2015 não forem renovadas, o governo terá de pagar indenizações que podem atingir R$ 47,1 bilhões, segundo informação transmitida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ao Tribunal de Contas da União.

O valor dos investimentos sem amortização foi repassado à Aneel pelas próprias empresas. O cálculo foi feito com base em critérios contábeis, que podem não ser adotados para fins de indenização, conforme alerta um diretor da agência. Segundo ele, no momento em que a Aneel fizer uma auditoria nas contas, o montante tende a despencar. Esse processo será necessário tanto na hipótese de renovação quanto na de relicitação das concessões.

Baixar o juro é prioridade de Dilma

A presidente Dilma Rousseff elegeu a economia como prioridade absoluta de sua gestão. Ela tem duas obsessões: criar as condições para o Banco Central (BC) reduzir a taxa de juros e evitar que o Brasil, em meio à crise internacional, cresça abaixo de 3% ao ano.

Para atingir esses objetivos, no primeiro ano de mandato, a presidente pôs a política em segundo plano. Cortou emendas de parlamentares ao orçamento e deixou claro que repetirá a dose em 2012. Nos últimos meses, aproximou-se do vice-presidente Michel Temer, com quem tem se reunido a sós antes das reuniões semanais de coordenação política. Após a saída de

Antônio Palocci do governo, Temer passou a cumprir, discretamente, missões políticas, fazendo a ponte entre o Palácio do Planalto e as lideranças partidárias e negociando apoios.

Lupi deixa o Ministério do Trabalho

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, pediu demissão, na noite de ontem. Lupi é o sétimo ministro a deixar o cargo antes de o governo Dilma completar um ano. A pasta será ocupada interinamente pelo secretário-executivo, Paulo Roberto Pinto. Presidente licenciado do PDT, Lupi convocou uma reunião hoje para a comissão executiva do partido discutir se abre mão de cargos no governo e mantém o apoio a Dilma.

Lupi ocupava a pasta do Trabalho desde março de 2007, no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e continuou no posto com Dilma, por indicação do PDT. Mas, nas últimas semanas, uma série de denúncias de irregularidades que teria cometido tornou sua posição insustentável.

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!