Nos jornais: a economia mundial em pânico com a crise americana

Todos os principais jornais brasileiros destacam em suas manchetes o dia nervoso nas bolsas do mundo com o rebaixamento da nota dos Estados Unidos pela agência Standart&Poor’s, que mede risco de investimentos

CORREIO BRAZILIENSE

Crise atinge bolsas, servidor e ameaça Natal do brasileiro
O ataque de nervos que tomou conta dos mercados intriga economistas. Seria mera especulação ou investidores voltaram a levar a sério a Standard & Poor's? Sem credibilidade, desde os erros capitais que empurraram o mundo para o abismo em 2008, a companhia de classificação de risco pôs o planeta em pânico outra vez após declarar que os Estados Unidos já não seriam, pela primeira vez na história, o país mais confiável para se investir. O impacto do anúncio, feito na sexta-feira à noite, foi sentido com toda força ontem. Desde 2008, as bolsas não caíam tanto. A de São Paulo, que chegou a desabar quase 10%, fechou o dia em baixa de 8,08%. A presidente Dilma pediu cautela e observação, mas incentivou o brasileiro a não deixar de consumir, repetindo o conselho dado por Lula três anos atrás quando ocorreu o crash do subprime americano. Com receio de um Natal fraco, o comércio cobra do governo a redução da taxa de juros e a garantia de crédito. Na indústria, é grande o temor de que o setor seja afetado por uma queda no volume de encomendas. Quem também deve sentir no bolso o impacto da crise são os servidores públicos. "Pedir aumento de salário não adianta", avisou o ministro Guido Mantega, ao sair de encontro com Dilma.

À flor da pele
Quando Dilma começou a falar sobre a crise, a Bovespa ensaiou uma recuperação, mas voltou a desabar após o discurso de Obama. O dólar subiu 1,96% e fechou cotado a R$ 1,612, maior valorização em um dia desde 6 de maio de 2010.

O Mercado em vermelho
No mundo inteiro, bolsas viveram o pior dia desde 2008. No Brasil, a Bovespa chegou a cair quase 10% e encerrou o dia em -8,08%.

Londres sob o domínio do caos
Bombeiros apagam incêndio no subúrbio de Croyton: os motins e os confrontos entre manifestantes e polícia se alastram pela capital inglesa.

Presidente quer Defesa sem ideologia
Para acalmar militares, Dilma garante que o respeito à Constituição pautará Celso Amorim no ministério.

Rebelião em marcha no Dnit
Diretores do órgão incitam os servidores a pararem de trabalhar em protesto contra nomeações do Planalto.

O GLOBO

Alerta global - Bolsas assombram mundo
Bovespa tem a maior queda. Vale e Petrobras, juntas, perdem quase R$ 43 bilhões

No primeiro dia útil após o rebaixamento da nota dos EUA pela Standard & Poor's, os mercados financeiros derreteram. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a cair 9,73% e, por muito pouco, os negócios não foram interrompidos no circuit breaker - acionado quando a queda chega a 10%. Entre as principais bolsas do mundo, a Bovespa foi a que mais caiu: 8,08% no fim do dia. Só perdeu para a da Argentina, bem menor. O desastre arrastou bolsas na Ásia, na Europa e nos EUA. As baixas se acentuaram após o fraco discurso do presidente Obama, que se limitou a desafiar as agências de risco e dizer que o país é e sempre será “AAA". Só Vale e Petrobras perderam juntas o equivalente a R$ 43 bilhões ou duas CSNs. As empresas do império X, de Eike Batista, viram R$ 7,4 bi virarem pó.

Efeito bumerangue
Mesmo rebaixados, títulos do Tesouro dos EUA acabaram, por ironia, virando porto seguro para os investidores, assustados com a queda forte no resto do mundo. No Brasil, o dinheiro também migrou para renda fixa e até dólar, que foi a R$ 1,61. O ouro subiu 3,7%, batendo US$ 1.713,20 a onça troy.

Saques e incêndios põem Londres em pânico
A capital britânica viveu um novo dia de tensão, pânico e muita violência, nos mais graves distúrbios em 25 anos. Jovens mascarados saquearam lojas, incendiaram prédios e carros, e várias estações de metrô foram fechadas. Mais de 300 foram presos. Os protestos, ordenados através das redes sociais se espalharam por diferentes regiões, chegando a Hackney, a apenas seis quilômetros do parque onde será aberta a Olimpíada de 2012. Atingiram ainda mais três cidades do país. Autoridades pediram aos londrinos que evitem sair às ruas.

Quem é o pivô da onda de revolta
Para a família, o britânico Mark Duggan, de 29 anos, cuja morte desencadeou os protestos, era um pai amoroso, embora em fotos no Facebook faça pose de gângster. A polícia diz que ele reagiu a tiros ao ser abordado.

Ministério da Agricultura é alvo de devassa
A Controladoria Geral da União (CGU) recolheu ontem computadores usados no Ministério da Agricultura por servidores suspeitos de integrar um esquema de fraude em licitações e pedidos de propina. Milton Ortolan, ex-secretário executivo da pasta, que pediu demissão após a divulgação das denúncias, terá que se explicar à Comissão de Ética da Presidência. Ortolan era homem de confiança do ministro Wagner Rossi, elogiado ontem pela presidente Dilma. "Não é ele que está em questão", disse ela.

FOLHA DE S.PAULO

Investidor foge para papéis dos EUA e derruba Bolsas
Apesar do rebaixamento da nota de risco dos EUA pela agência de risco Standard & Poor's, investidores buscaram refúgio nos títulos do Tesouro americano. A fuga de capital das Bolsas derrubou índices pelo mundo. A Bovespa caiu 8,08%, e o dólar subiu para R$ l,61. O Dow Jones teve queda de 5,6%, a mais expressiva desde 2008. Em reação ao rebaixamento da nota dos EUA, Barack Obama disse que o país ainda é um investimento seguro. "Sempre fomos e seremos nação AAA".

Em um dia, Vale e Petrobras perdem R$ 42,6 bi do valor
Em um dia de pânico, a Vale e a Petrobras, as principais empresas do Ibovespa, perderam R$ 42,6 bilhões em valor de mercado. As ações da Vale caíram 9,4%; as da Petrobras, 7,8%. A Marfrig, dona da marca Seara, liderou as perdas, com queda de 24,8%. Eike Batista, que nos últimos dias perdeu R$ 2 bilhões, diz manter o sangue "geladérrimo".

Mantega pede cautela fiscal; Dilma, consumo sem excessos

Conflitos e saques se espalham em Londres
A onda de saques e conflito com policiais iniciada sábado em Londres se espalhou ontem por toda a cidade. Lojas, casas, carros e ônibus foram incendiados. Os distúrbios começaram em Hackney, bairro perto de onde será a Olimpíada-12. Depois, eles se espalharam por outras regiões.

Isolamento sírio aumenta entre os países árabes
Além da Arábia Saudita, Kuait e Bahrein retiraram seus embaixadores da Síria, aumentando o isolamento do ditador Bashar Assad. Representantes do Brasil, da Índia e da África do Sul levarão amanhã a Damasco documento em que pedem o fim da violência.

Chefe do Exército favoreceu firmas, diz análise do TCU
Análise do TCU diz que o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, beneficiou firmas ligadas a militares ao dispensá-las de licitação entre 2003 e 2007. Há também casos de duplicidade de pagamento. O Exército apurará possível dano ao erário.

Motorista não respeita pedestre em 1º dia de multa
A lei que dá preferência a pedestres estreou no centro com desrespeito generalizado e fiscais insuficientes. A CET não tinha o total de multas ministradas. Houve ao menos 20 atropelamentos. Kassab anunciou que, em um mês, toda a cidade será fiscalizada.

A convite de Lula, Fernando Morais escreverá história do seu governo

O ESTADO DE S.PAULO

Bolsas repetem queda de 2008 e Brasil promete aperto fiscal
O mercado global viveu ontem o dia mais turbulento desde o auge da crise que eclodiu em setembro de 2008. A queda foi generalizada, com exceção dos títulos do Tesouro dos EUA e do ouro. O motivo imediato foi o rebaixamento da nota dos EUA pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, na sexta-feira à noite. O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que "o Brasil está preparado, mas não está imune à crise". Ele disse que o governo vai apertar as contas públicas: “Prometo a cada mês uma surpresa fiscal". O foco do problema é a dúvida dos investidores sobre a capacidade dos países ricos de honrar dívidas. Em alguns casos (Espanha, Grécia, Portugal e Itália), a desconfiança aparece já no curto prazo. Em outros, o temor está no médio e no longo prazo, como nos EUA e na França.
Impacto nas empresas
A perda de valor de mercado das empresas brasileiras com a turbulência somou R$ 146,98 bilhões - Petrobras, Vale e Itaú são quase 40% desse total. Em porcentual, a maior queda foi da Marfrig (25,75%).

CGU apreende computadores da Agricultura
Apesar do apoio da presidente Dilma Rousseff ao ministro Wagner Rossi (Agricultura), a Controladoria-Geral da União recolheu computadores e abriu nova investigação sobre corrupção na pasta.

Missão brasileira dialoga com Síria, mas cobra 'limite'
A missão liderada pelo Brasil para dialogar com o regime sírio desembarca hoje em Damasco para manter os canais de negociação abertos, mas deixará claro que há “limite" para a repressão, relata Jamil Chade.

Onda de violência toma Londres
Loja é saqueada em Hackney, na parte leste de Londres; onda de violência desencadeada pela morte de um jovem negro completou ontem três dias, com saldo de 215 presos e 35 policiais feridos. Também houve confrontos em Birmingham, no norte do país.

SP amplia multa por desrespeito ao pedestre
A partir de setembro, a aplicação de multas para motoristas que não pararem na faixa de pedestre será expandida para toda a cidade de São Paulo. Ontem começaram as sanções na região central.

VALOR ECONÔMICO

Resposta inicial à crise no país deve ser monetária, e não fiscal
O desastre de ontem nos mercados financeiros, consequência do rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos, pôs a economia definitivamente na segunda rodada da crise global - a primeira começou em 2008. Com isso, segundo a totalidade dos especialistas entrevistados pelo Valor, o Banco Central brasileiro deveria interromper imediatamente o ciclo de alta dos juros e até começar a cortá-los em caso de agravamento da situação internacional. Se necessário, os depósitos compulsórios dos bancos, que hoje somam R$ 420 bilhões, também deveriam ser reduzidos para estimular o crédito. Em resumo, para os economistas, a resposta imediata deve ser monetária, e não fiscal. Em 2008, a crise trouxe a paralisia do crédito, o que os financistas chamam de empoçamento de liquidez. Hoje, a situação é diferente e não há interrupção nas operações do interbancário. Nesse quadro, não haveria motivos para respostas apressadas.

Os investidores que estão comprando mais ações na Bolsa
No dia mais nervoso para os mercados desde a crise de 2008, investidores com visão de longo prazo e fundos de ações aproveitaram para ir às compras, repetindo a estratégia das últimas semanas. Os fundos de pensão, por exemplo, não têm diminuído sua posição em bolsa. A Funcef, dos funcionários da Caixa, deve repetir a política de 2008, quando ganhou dinheiro aumentando sua carteira de ações a partir momento em que o Ibovespa caiu a 35 mil pontos.

EUA se preparam para crédito mais caro
O rebaixamento da dívida americana não vai causar de imediato muitos cortes na classificação de crédito de empresas dos EUA, mas a expectativa é de que haja um aumento nos custos dos empréstimos para todo tipo de companhia. A crise tem ampliado a ânsia das empresas por mais dinheiro no caixa.

Bolsas sofrem fortes quedas em todo o mundo
O mercado financeiro cedeu à percepção de que a crise global vai afetar o desempenho da economia brasileira. Diante da turbulência pelo inédito rebaixamento da nota de crédito dos EUA, ajustou suas apostas para o rumo da política monetária local. No mercado de juros futuros, as taxas dos contratos de DI despencaram e passaram a projetar corte da taxa Selic já neste ano. Nas Bolsas de Valores, inclusive na Bovespa, o dia foi de quedas significativas. Em Nova York, o Dow Jones recuou 5,55%, para 10.809 pontos, e a Nasdaq caiu 6,9%, aos 2.357 pontos. O Índice Bovespa chegou a cair 9,74%, mas depois apresentou uma pequena melhora e fechou o dia em baixa de 8,08%, a maior queda desde 22 de outubro de 2008.

Indígenas ameaçam estrada da OAS na Bolívia
A construção por uma empresa brasileira, a OAS, de uma rodovia na Bolívia com financiamento de US$ 332 milhões do BNDES é causa de desentendimento entre o presidente Evo Morales e líderes indígenas. A estrada, que ligará os Departamentos de Cochabamba e Santa Cruz, atravessa uma reserva onde vivem cerca de 12 mil nativos. Após semanas de debates, líderes indígenas decidiram impedir que a estrada corte seu território. "Nós realizamos um encontro, uma assembleia, e a decisão foi negar a passagem do trecho 2 da estrada porque ele atenta contra a integridade do parque", disse ao Valor Adolfo Moye, que representa 64 comunidades indígenas. "Não vamos aceitar."

Cardozo fica com 'Comissão da Verdade'
A presidente Dilma Rousseff aproveitou a troca de comando no Ministério da Defesa e passou para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a negociação sobre a criação da Comissão Nacional da Verdade para investigar a prática de crimes contra os direitos humanos na ditadura. A expectativa é de que o trânsito do ministro no Congresso facilite a negociação do projeto. Uma das primeiras iniciativas de Cardozo será a discussão da proposta com os ministros Celso Amorim, empossado ontem na Defesa, e Maria do Rosário Nunes, da Secretaria de Direitos Humanos.

Perto de superar a economia argentina, Colômbia vive fase de otimismo

Walmart volta a se interessar por ativos do Carrefour no Brasil

Rendição ao câmbio
Tradicionais setores exportadores de Santa Catarina, como a indústria têxtil, de vestuário, moveleira e de cerâmica, reagem à queda nas exportações e se transformam em importadoras de produtos acabados.

Disputa societária na Norsul
A venda de parte das ações da Norsul, um dos maiores armadores privados do Brasil, levou à Justiça os controladores da família Lorentzen e o ex-presidente da empresa, Hugo Figueiredo.

Conjunção de mídias
Pesquisa internacional feita pela Motorola mostra que 61% dos brasileiros entrevistados já usaram redes sociais, e-mail ou serviços de mensagem instantânea enquanto assistiam TV.

Ânimo na cadeia produtiva
Pouco conhecidos do consumidor final, fabricantes de equipamentos para a indústrias de eletroeletrônicos, computadores e equipamentos de telecomunicações comemoram os bons resultados no Brasil.

Discovery na escola
O Discovery, canal de TV a cabo, está em negociações com escolas públicas para venda de seu conteúdo educacional em formato de DVDs. Cada coleção, com 18 títulos, será vendida por aproximadamente R$ 1,1 mil.

Light mira motos elétricas
A distribuidora fluminense de energia Light comprou 20% da CR Zongshen E-Power, empresa controladora da fabricante de motocicletas Kasinski, que tem como sócios o grupo chinês Zongshen e o empresário Cláudio Rosa.

Usina São João deixa a Allicom
Após três anos, o grupo sucroalcooleiros São João (USJ) está deixando a parceria com Santa Cruz e São Martinho no consórcio de comercialização Allicom. A razão seria mudança no perfil produtor da USJ, mais focado em açúcar para o mercado interno.

 

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