No Palácio do Planalto, Dilma comenta a decisão de Maranhão e pede cautela

Em meio a gritos de euforia do público que acompanhava a cerimônia no Palácio do Planalto, a presidente pediu cautela. "Por favor tenham cautela, vivemos uma conjuntura de manhas e artimanhas"

A notícia sobre a decisão do deputado Waldir Maranhão (PP-MA) surpreendeu o público que acompanhava a cerimônia de anúncio de criação de novas universidades no Palácio do Planalto. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que discursava no momento em que a novidade se espalhava pelos celulares do Salão Nobre e o burburinho logo deu lugar a gritos de ordem como "Não vai ter golpe, vai ter luta!" e "Fica, querida". Mercadante teve que interromper sua fala para pedir calma aos presentes. "Prometo que estou concluindo", pediu o ministro.

Em seguida foi a vez da presidente Dilma discursar. Em meio à uma rápida apresentação de números relacionados à educação na gestão petista e das novas universidades, Dilma logo comentou a decisão do presidente interino da Câmara. "Não tem clima para falar a nominata", admitiu. "Da mesma forma que vocês souberam, apareceu nos celulares de todo mundo, um recurso foi aceito e portanto o processo está suspenso", disse a presidente, que precisou interromper sua fala diversas vezes em função da euforia do público. "Eu não tenho essa informação oficial, estou falando aqui porque não podia de maneira alguma fingir que eu não estava sabendo da mesma coisa que vocês", afirmou, e pediu cautela ao público. "Não sei as consequências, por favor tenham cautela, vivemos uma conjuntura de manhas e artimanhas".

A presidente também fez um apelo aos parlamentares que acompanhavam a cerimônia, e pediu que mantenham a tranquilidade neste momento. "Temos pela frente uma disputa dura, cheia de dificuldades, peço encarecidamente aos senhores parlamentares e a todos nós uma certa tranquilidade para lidar com isso", declarou Dilma, enfatizando que ainda haverá muita disputa pela frente.

O líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE) estava na cerimônia e disse que a bancada do partido defenderá junto à Mesa Diretora da Casa que, caso a denúncia contra a presidente seja aceita novamente pela Câmara, no Senado o processo deve iniciar do zero, inclusive com a formação de uma nova Comissão Especial do Impeachment. "Nós estamos denunciado desde o início que não há crime configurado, nós temos dito que foi um processo movido pela vingança de Eduardo Cunha, que o senhor Eduardo Cunha não tinha qualquer autoridade moral para tocar um processo como esse.  Baseados nisso nós acreditamos que podemos sim conseguir uma decisão de anulação definitiva", disse o senador pernambucano, que também destacou que o momento é de cautela. "É preciso confirmar a decisão, é preciso confirmar os desdobramentos da decisão, é preciso confirmar quais são as nossas ações possíveis de serem realizadas, então vamos ver, vamos analisar isso com calma".

"A decisão do Waldir respeita a Constituição, respeita o regimento, e acima de tudo é democrática", defendeu o vice-líder do governo na Câmara, Silvio Costa (PTdoB-PE), e disse que agora a bola está com o Senado. "Agora é com o Senado. O Waldir encaminhou o requerimento ao Senado pedindo para o senador Renan suspender, porque o Senado não tem a prerrogativa de começar o impeachment, ele tem a prerrogativa de continuar o impeachment que começa na Câmara, na hora que a Câmara anula evidentemente o Senado vai ter que anular", avaliou o deputado

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