Nível dos reservatórios cai e tarifa da água sobe 25% no Distrito Federal

Quantidade de chuvas não aumenta, reservatórios chegam a 25% de volume e população pagará mais caro pela água no Distrito Federal. Cerca de 60% dos imóveis residenciais serão atingidos pela medida

A partir desta segunda-feira (24), a Companhia de Saneamento do Distrito Federal (Caesb) está autorizada a cobrar a tarifa de contingência, que aumenta em até 20% a conta de água para quem gastar mais de 10 mil litros por mês. Segundo a Agência Reguladora de Águas (Adasa), o objetivo é incentivar o uso racional da água.

Na última quinta-feira (20), pela primeira vez, a Barragem do Descoberto, que abastece 70% da população da capita, atingiu 25% de volume. Acarretado pela escassez de chuvas e também pelo aumento no consumo. Segundo a Caesb, 60% dos imóveis residenciais serão atingidos pelo tarifa de contingência, porque consomem mais de 10 mil litros de água por mês.

A tarifa é adotada até que o nível dos reservatório suba e deve durar, pelo menos, até novembro, caso não aumente a quantidade de chuvas - os índices pluviométricos não atingiram a quantidade desejada em outubro. A previsão da Adasa é que a tarifa de contingência gere uma economia mensal de 15%, ou seja, 2,4 bilhões de litros.

Economia

Na prática, o consumidor que ultrapassar o consumo mensal de 10 metros cúbicos (10 mil litros) estará sujeito à taxa. Quem utilizar abaixo disso (o que representa 45% dos imóveis do DF) ficará automaticamente isento de pagar o valor sobressalente. Prestadores de serviços de caráter essencial, como os ligados a hospitais, hemocentros, centros de diálise, prontos-socorros, casas de saúde e estabelecimentos de internação coletiva — a exemplo de presídios — ficam isentos. Os efeitos da resolução vão durar até os reservatórios atingirem estabilidade.

Essa é mais uma tentativa do governo do DF de minimizar os efeitos da escassez hídrica. Em 21 de setembro, o governador Rodrigo Rollemberg assinou o Decreto nº 37.644, de 2016, determinando redução de 10% no consumo de água nos órgãos que compõe a administração pública. No mesmo dia, a Adasa anunciou a interrupção temporária no fornecimento em seis regiões administrativas: Brazlândia, São Sebastião, Sobradinho, Sobradinho II, Planaltina e Jardim Botânico.

Crise hídrica

O risco de racionamento de água em Brasília, que foi antecipado pela Revista Congresso em Foco, tornou-se realidade nas últimas semanas. Desde então, diariamente, algumas regiões do DF têm o fornecimento cortado para o restabelecimento do nível em reservatórios. O baixo nível de captações, o aumento do consumo de água e a escassez de chuva são os principais motivos.

O nível dos principais reservatórios de água do Distrito Federal (Descoberto e Santa Maria) chegou ao menor percentual desde 1987, ano em que começou a ser medido. As bacias são responsáveis pelo abastecimento de 85% da população do Planalto Central.

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