Negromonte: “Não fico de joelhos por cargos”

Discussão entre Francisco Dornelles e Vilson Covatti na reunião do PP mostra como o partido está dividido quanto ao apoio ao ministro das Cidades

Hoje (13) pela manhã, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, afirmou não estar preocupado com a possibilidade de ter que deixar o cargo, por causa de denúncias envolvendo a pasta. “Não estou preocupado se vou ficar ou se vou sair. Cargo não me comove. Dou muito valor ao meu mandato e gosto muito do Parlamento. Não tenho apego e não fico de joelhos para ninguém por causa de cargo. E quando falo ninguém, é todo mundo”, disse. Para quem era exatamente o recado, Negromonte não disse. Sobre a presidenta Dilma, ele disse ser "parceiro, aliado e fiel".

O ministro esteve na Câmara dos Deputados para participar de uma reunião da executiva do Partido Progressista. O objetivo da reunião era apresentar o cenário partidário para as eleições do ano que vem e discutir estratégias. Mas as divisões no partido acabaram ficando evidentes. O deputado Vilson Covatti (PP-RS), na intenção de defender Negromonte e o partido, tocou no assunto. “Se não tivéssemos um ministro como o Mário [Negromonte], teríamos perdido o cargo e o ministério”, disse, mas não conseguiu concluir sua fala porque foi interrompido pelo senador Francisco Dornelles (RJ), que presidia a mesa de discussão. "O senhor está causando constrangimento para todos", reclamou o senador. Dornelles pertence ao grupo do PP contrário a Negromonte.

Irritado com a intervenção, Covatti reclamou da intervenção e disse, se dirigindo a Dornelles, que ele lhe devia respeito. “Quando um deputado fala, ele tem história. Tem que respeitar”. Dornelles pediu desculpas e se explicou dizendo que estava apenas tentando prosseguir com o objetivo do encontro. E brincou: "Não há reunião política sem bêbado e doido: dá sorte". Se Dornelles se referia a ele próprio ou a Covatti, porém, não disse.

Apesar da confusão, o ministro minimizou a polêmica. "Esse ministério é muito cobiçado. Tem gente de outro partido querendo, tem fogo amigo dentro do ministério. Se você for identificar é muita coisa. Mas não dou bola para isso", reiterou. Negromonte disse que sua saída “está apenas na cabeça da imprensa”. “A presidenta nunca me chamou para falar sobre isso. Ideli [Salvatti, ministra das Relações Institucionais] e Gilberto [Carvalho, secretário-geral da Presidência] me ligam dando força. Eu sou o ministro provado e aprovado”, afirmou. Negromonte é alvo de denúncias sobre um suposto esquema que teria forjado um parecer de obra de mobilidade urbana para a Copa de 2014 em Cuiabá (MT). Primeiro, havia um parecer técnico favorável ao BRT, (ônibus que trafega em corredores exclusivos), que foi trocado por outro estudo que defendeu o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Com a mudança, a obra passaria a custar R$ 1,2 bilhão, o que acrescentaria R$ 700 milhões ao valor inicial. De acordo com o jornal, a diretora de Mobilidade Urbana do ministério, Luiza Gomide, estaria envolvida na fraude.

Na semana passada, o ministro esteve no Senado e negou qualquer envolvimento pessoal no caso. O ministro informou também, que abriu sindicância para apurar a denúncia. No entanto, Negromonte afirmou que ainda não deu ordens para alteração no parecer de mudanças da obra e afirmou que os técnicos responsáveis têm autonomia. “Eu não determinei à diretora, não pedi ao chefe de gabinete [que alterasse o parecer]. Eles têm autonomia, são técnicos. Houve um impasse, o técnico deu um parecer, e ela, como diretora, deu outro parecer”, afirmou o ministro.

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