Nas revistas: documentos indicam enriquecimento de ligados ao trensalão

Veja e Istoé destacam as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público sobre a evolução patrimonial de integrantes dos governos do PSDB em São Paulo durante a existência do cartel do metrô

Veja

Trilha de dinheiro

Nunca saiu da fase genérica a acusação de formação de cartel de companhias estrangeiras fornecedoras de equipamentos para governos de São Paulo comandados desde 1995 pelo PSDB. Sabe-se que houve combinação de preços entre as empresas de modo a encarecer a conta para os cofres do estado. Tanto assim que na qualidade de pane prejudicada, o Estado de São Paulo analisa processar uma das empresas a Siemens, cuja filial brasileira se autoincriminou por pressão da matriz, na Alemanha. Mas até a semana passada, faltava ao caso um elemento crucial: para que a cartelização funcionasse, muito provavelmente teria sido necessária a colaboração de altos funcionários do governo. O corolário disso é que tendo havido colaboração, os suspeitos deveriam ter tido algum benefício financeiro — e isso seria relativamente simples de comprovar. Uma investigação da Polícia Federal sobre a atuação da multinacional francesa Alstom, uma das parceiras da Siemens no arranjo, descobriu evidências, mesmo que indiretas, do pagamento de propina a servidores. Isso coloca o caso em um estágio superior ao que estava antes.

Os relatórios de inteligência e laudos da evolução patrimonial de funcionários do governo paulista aos quais VEJA teve acesso revelaram que ao menos quinze investigados, que ocuparam cargos nas áreas de transporte e energia, tiveram movimentações financeiras incompatíveis com seus rendimentos. Outros cinco, que não eram servidores, também apresentaram resultados considerados suspeitos pela Polícia Federal.

A política menor

Desde junho, quando milhões de brasileiros foram às mas para protestar contra a corrupção e a péssima qualidade dos serviços prestados à população, governantes e parlamentares passaram a entoar a mesma cantilena em defesa de uma "nova política". Da direita à esquerda, incluindo os partidos cuja única ideologia é beneficiar-se de recursos públicos, todos prometem fazer mais, fazer diferente e fazer de forma republicana. Até agora, nenhum político foi capaz de explicar como a eficiência e a moralidade serão, enfim, apresentadas à nação.

Não importa, não faz diferença. O acirramento da corrida presidencial já deixou claro que o discurso renovador não passa de balela e mero marketing eleitoral. No mundo real, é a "velha política" — movida a engodos oficiais, acordos de conveniência e troca de favores — que vai continuar a ditar as regras do jogo. Na semana passada, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, entregou à população, na Bahia, casas sem água nem luz. Já o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, favorito no PSB para concorrer ao Planalto, inaugurou uma escola que funcionava havia meses.

Sim, ele sabia

A ex-secretária Rosemary Noronha tornou-se alvo de uma investigação da Casa Civil no fim do ano passado, logo após ter sido flagrada pela polícia ajudando uma quadrilha especializada em vender facilidades no governo. A apuração mostrou que ela usava a intimidade com Lula para se locupletar do poder. A sindicância também reuniu provas de enriquecimento ilícito contra Rosemary, que acabou banida do serviço público. Antes desse desfecho, porém, Gilberto Carvalho foi outra vez acionado para tentar conter eventuais danos. O primeiro alvo foi a presidente da República. Os técnicos da pasta de Carvalho encaminharam ofício ao gabinete questionando Dilma Rousseff sobre a instauração da sindicância na Casa Civil, que, segundo eles, não teria competência para investigar Rosemary. Depois, juntaram ao processo um documento no qual listavam uma série de supostas falhas cometidas pelos investigadores e pediam que a apuração fosse transferida para a Secretaria-Geral — a senha para sepultar o trabalho.

O plano de Carvalho naufragou quando a própria presidente foi alertada por assessores da existência de uma investigação paralela. Dilma desconfiou que havia algo esquisito acontecendo e determinou que a sindicância prosseguisse. A tentativa de sabotar a investigação gerou um grande mal-estar no Palácio do Planalto. A ministra da Casa Civil. Gleisi Hoffmann, exigiu providências. E a corda arrebentou, mas apenas no lado mais frágil. O coordenador-geral de Correição, Torbi Rech, e seu superior, o secretário de Controle Interno, Jerri Coelho, foram exonerados no fim do mês passado. A explicação: os dois — por sua conta e risco — teriam decidido desafiar a presidente Dilma e Gleisi Hoffmann, Gilberto Carvalho, claro, não sabia de nada.

Bateu na trave

Para sediar a Copa do Mundo no ano que vem, o governo brasileiro aceitou uma série de exigências da Fifa. A lista de compromissos assumidos pelo Brasil inclui isenção de impostos e até despesas como o pagamento dos carpetes que vão revestir as áreas vips das arenas para receber as autoridades. A pouco mais de oito meses do início do evento, uma parte desse rol de obrigações será discutida judicialmente.

Na semana passada, o Ministério Publico entrou com seis ações em que pede que a entidade devolva 216 milhões de reais gastos pelas cidades-sede com as chamadas estruturas temporárias montadas para a Copa das Confederações, realizada em junho como teste para o Mundial de 2014. A fatura envolve os megacomplexos provisórios instalados no entorno das arenas, que incluíram tendas para patrocinadores, áreas reservadas para convidados e salas para transmissão dos jogos. Por exigência da Fifa, essas estruturas tiveram de ser custeadas pelos governos locais. Brasília, por exemplo, que sediou uma partida apenas, gastou 49 milhões de reais.

Mandato alugado

O deputado federal Saraiva Felipe (PMDB-MG) foi ministro da Saúde de Lula entre 2005 e 2006. Nenhuma realização significativa marcou sua passagem pelo cargo. Para Saraiva, no entanto, não foi um tempo perdido. Incorporou contatos valiosos que fez na burocracia — e os tomou rentáveis, segundo ele mesmo diz, Presidente do PMDB mineiro, Saraiva transformou seu quinto mandato num dos mais chocantes balcões de negócios de que se tem notícia. Seu foco de atuação é a indústria farmacêutica.

VEJA teve acesso a uma gravação em que Saraiva, com toda a sem-cerimônia possível, abre o jogo a um interlocutor que o procurou, supostamente, para que ele ajudasse um laboratório que queria fornecer medicamentos para o Programa Farmácia Popular: "Tem dois tipos (de trabalho): "Você me ajuda e, se der certo, eu te dou não sei o quê; e a outra forma é como eu trabalho para a Interfarma e a Hypermarcas; "Nós damos uma ajuda mensal e você, diante das demandas, encaminha aqui e ali ". Numa palavra, Saraiva assume sem meias palavras que topa um mensalão.

É preciso muita fé

A oito meses da largada oficial da campanha, o palanque para a disputa do governo fluminense já está sendo armado dentro dos templos evangélicos. Todo fim de semana, o senador e pré-candidato do PT Lindbergh Fatias, ex-comunista e católico não praticante, percorre o circuito completo da fé: assiste a cultos, abraça fiéis e se deixa fotografar com as mãos espalmadas em oração. Já apareceu em 63 igrejas. Aniversário de pastor ele não perde um. O rival Luiz Fernando Pezão, vice do governador Sérgio Cabral, do PMDB, foi com tanto apetite aos redutos evangélicos que no mês passado chegou a ser condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a pagar multa por campanha antecipada. Pezão bateu recorde em participações na rádio gospel de maior audiência do estado: 29 aparições em quatro, meses, ou uma a cada quatro dias. A agenda dos postulantes ao governo do Rio é apenas a face mais visível da acirrada gueixa travada nos bastidores por um quinhão desse eleitorado decisivo. Conquistá-lo é questão de sobrevivência política em 2014.

A libertação dos cachorrinhos

Na madrugada de quinta para sexta-feira da semana passada, uma centena de pessoas invadiu a sede do Instituto Royal, laboratório de pesquisas instalado em São Roque, a 62 quilômetros de São Paulo. Numa ação rápida, elas arrombaram os portões, depredaram as instalações e libertaram 250 cães da raça beagle e cinquenta coelhos, usados em testes de produtos cosméticos e farmacêuticos. Há três anos ONGs de defesa dos animais tentam impedir que o Royal continue a trabalhar com cobaias. No ano passado, uma denúncia feita pelos militantes levou o Ministério Público a abrir uma investigação e visitar o local, mas nenhuma irregularidade foi encontrada. O Brasil faz pane de um grupo cada vez menor de países que autorizam testes em animais, inclusive a dissecação deles vivos.

Istoé

R$ 1,8 milhão sacado dos trilhos

As investigações sobre o esquema de corrupção que operou nos trilhos paulistas avançam na direção de agentes públicos das gestões tucanas de São Paulo. Integrantes do Ministério Público e da Polícia Federal dizem que "mais de uma dezena" de executivos de estatais que passaram pelos sucessivos governos do PSDB não só foi omissa como também participou das fraudes e do superfaturamento de contratos firmados com o Metrô paulista e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Documentos e depoimentos obtidos nas últimas semanas já apontam os nomes de servidores estaduais que se beneficiaram financeiramente das tramoias. É o caso de João Roberto Zaniboni, diretor de operações da CPTM entre 1999 e 2003 (gestões Mário Covas e Geraldo Alckmin). De acordo com provas enviadas por autoridades suíças, uma conta de Zaniboni na Suíça foi abastecida com US$ 836 mil, o equivalente a R$ 1,8 milhão, no período em que ele era dirigente da estatal. Ao menos US$ 200 mil foram pagos a título de propina pelas empresas do cartel em troca da obtenção da conquista de certames ou aditamentos.

A batalha nordestina

Debruçados sobre o mapa do Nordeste, com seus nove Estados, 37 milhões de habitantes e 26% do total de eleitores que irão às urnas em outubro de 2014, estrategistas de Dilma Rousseff e Eduardo Campos preparam-se para uma batalha decisiva. Em sua primeira disputa presidencial, Eduardo tem obrigação de exibir um bom desempenho na região que é seu berço político. Para a reeleição de Dilma Rousseff, a conservação do eleitorado do Nordeste, que favorece o PT desde a vitória de Lula em 2002, é ainda mais essencial. O quadro agora é outro.

Aécio chama o jogo

Depois de voltar casado dos Estados Unidos, na última semana o senador Aécio Neves (PSDB-MG) reafirmou a posição de principal candidato da oposição na sucessão presidencial. Em almoço na quarta-feira 16, o senador se reuniu com 44 dos 46 deputados federais tucanos e traçou a estratégia para os próximos meses. As últimas pesquisas mostram que a inesperada união de Marina Silva com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), permitiu um crescimento na candidatura do socialista, mas revelam também que a saída de Marina da disputa direta eleva Aécio à condição de mais forte adversário da presidenta Dilma Rousseff, com 21% das intenções de voto contra 15% do pernambucano.

A musa do bicho entra na política

Dona de uma loja de lingeries e biquínis, a desinibida empresária Andressa Mendonça, 31 anos, não hesita em exibir seus atributos físicos para fazer propaganda dos produtos que vende. Andressa adora mesmo os holofotes. Casada com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, ela sempre fez questão de dar demonstrações explícitas de afeto. Ao visitar o marido na cadeia, costumava mimá-lo com afagos – diante dos próprios agentes penitenciários. Numa ocasião, enquanto o contraventor prestava depoimento, chamou a atenção dos policiais por passar longos minutos conferindo fotos em um tablet. Detalhe: eram sempre retratos dela própria, em situações das mais diversas. Vaidosa, bonita e dona de um corpão, Andressa agora quer entrar na política. Há alguns dias, filiou-se ao PSL de sua terra natal, Goiatuba, cidade a 150 km de Goiânia. Seu objetivo é candidatar-se a deputada federal em 2014. Mas a nova e surpreendente empreitada da "musa do bicho", apelido que ganhou depois de casar com Cachoeira, não tem nada a ver com o apreço dela pelas câmeras de tevê. O que está por trás de sua candidatura é um plano elaborado pelo bicheiro para se reaproximar do centro do poder.

Carta Capital

Programa blindado

Apontado pela Organização das Nações Unidas corno um exemplo mundial de combate à fome e apoio à agricultura familiar, o programa federal de compra de alimentos fornecidos por pequenos produtores sofrerá reformulações. O governo vai adotar regras mais rígidas a partir do próximo ano para tentar coibir fraudes que colocaram o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) na mira da Polícia Federal.

Integrado inicialmente ao antigo Fome Zero, o PAA compra a produção de agricultores familiares e a direciona à merenda escolar, restaurantes populares, hospitais, asilos e cestas básicas doadas em áreas pobres. É uma tentativa de garantir ao agricultor um mercado e o acesso a um pagamento justo, pois ele não precisa negociar com grandes varejistas capazes de baixar os preços em demasia. Foi projetado para enfrentar a fome tanto do produtor, que passa a ter renda, quanto do consumidor final.

Antídoto contra o reacionarismo

De olho em 2014, o governo tentou emplacar um projeto alternativo à redução da maioridade penal. Com o temor de que o assunta contamine o debate eleitoral, a exemplo do ocorrido com a discussão sobre o aborto cm 2010, a ministra dos Direitos 1 lumanos. Maria do Rosário, surpreendeu o Conselho Nacional de Direitos da Criança edo Adolescente com um projeto, de ampliação dn tempo de internação dos jovens in tratores. A iniciativa despertou forte oposição dos conselheiros do órgão deliberativo, que votaram pelo arquivamento da proposta.

Rosário acatou a decisão, mas entidades da sociedade civil representadas no Conanda mantém a dcsconfiança em relação à postura vacilante do governo, sobretudo após a formação da Frente Parlamentar pela Redução da Maioridade Penal na Câmara dos Deputados, que conta com mais de 200 adesões em menos de um mês de criação).
Época

Jair Bolsonaro: Chico, Caetano e Gil estão defendendo minha tese

Poucos são tão radicais na política brasileira quanto o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Mais raros ainda os que, como ele, assumem posições de direita. No Congresso, ninguém faz sombra a Bolsonaro. Ex-capitão do Exército, ele defende não só o regime militar, como os acusados de comandar torturas. Cita a presidente Dilma Rousseff como responsável por atos violentos nos anos 1970. Está também no centro dos debates para punir a homofobia - do lado contrário, claro. Na semana passada, passou a liderar os deputados que pretendem aprovar uma lei proibindo a publicação de biografias não autorizadas. A mesma tese que defendem Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

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