“Não sabemos se vazou e o que vazou”, diz Graça Foster

Em audiência no Senado, presidenta da Petrobras diz que suspeita de espionagem na empresa por parte de agentes norte-americanos causa desconforto. Mas, segundo ela, não há indícios de que o sistema tenha sido violado

A presidenta da Petrobras, Graça Foster, afirmou nesta quarta-feira (18) que, apesar de tentativas de ataque a bancos de dados da empresa, nenhuma invasão foi registrada recentemente. Graça participa de audiência pública conjunta da CPI da Espionagem e das comissões de Relações Exteriores (CRE) e de Assuntos Econômicos (CAE).

“Para saber que fomos invadidos temos que ter registro de invasão e a mostra do que invadido. Nós não temos essa informação. Nós não temos registros de que informações tenham sido acessadas, porque sistemas de informações bloqueiam e não permitem que haja acesso a banco de dados. Não há evidência dessa entrada no sistema e de terem sido capturadas informações do sistema Petrobras”, declarou Graça. Apesar disso, admitiu, a suspeita de que a empresa possa ter sido espionada por agentes do governo norte-americano causou preocupação. "No mínimo, desconforto, porque não sabemos se vazou e o que vazou”.

Segundo ela, as informações sobre exploração de petróleo e gás natural pela empresa não trafegam pela internet, mas, mesmo assim, a estatal pretende investir R$ 21,2 bilhões entre 2014 e 2017 na área de segurança da informação estratégica. Em 2013, os investimentos chegam a quase R$ 4 bilhões.

A CPI foi instalada para apurar as denúncias de que cidadãos brasileiros foram monitorados clandestinamente pelo governo norte-americano. A comissão vai investigar, entre outras coisas, quais empresas de telecomunicação que atuam no Brasil colaboraram na transferência de dados sigilosos para os Estados Unidos, de acordo com denúncia feita pelo ex-servidor terceirizado Edward Snowden. O programa Fantástico revelou que a presidenta Dilma Rousseff, ministros de Estado e a Petrobras foram monitorados pelos EUA.

Graça garantiu aos senadores que a Petrobras possui as tecnologias mais avançadas do mundo para garantir a seguranças de suas informações. Segundo ela, após as denúncias, a empresa não detectou qualquer sinal de ataque ou espionagem. "Não há nenhum registro, nenhum sinal de ataque e violação das informações. As tecnologias que nós temos não identificaram ataques", disse.

A presidenta da Petrobras informou que as informações estratégicas da empresa são armazenadas e criptografadas no Centro Integrado de Processamento de Dados da Petrobras, que fica no Rio de Janeiro. A própria estatal faz a gestão das informações. O acesso ao banco de dados, afirmou, é controlado e restrito a pessoas autorizadas. Para garantir a segurança, são utilizados mecanismos de alta tecnologia, como identificação biométrica e até mesmo o peso da pessoa.

"Atuamos preventivamente nos investimentos em segurança empresarial, mas temos que estar prontos para responder de forma imediata aos incidentes internos e externos, as emergências e as crises", disse. A preocupação dos senadores se dá em razão das denúncias de que o governo americano espionou e teve acesso a informações estratégicas da Petrobras, principalmente em relação ao leilão, que acontecerá em outubro, de um dos maiores campos de exploração, o Campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos. Segundo estimativas da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a área deve render R$ 900 bilhões ao longo de 30 anos.

Ontem, a diretora da ANP também participou de uma audiência pública no Senado para prestar esclarecimentos sobre as denúncias. Segundo Magda Chambriard, o banco de dados do órgão com informações sobre exploração e produção de petróleo e gás natural não está conectado à internet. Hoje, Graça esclareceu que as informações trocadas entre a agência e a estatal são feitas por meio físico e não passam por nenhuma rede. "Nós entregamos os dados em mãos, ou seja, esses dados não transitam pela internet de forma alguma", garantiu.

Ela admitiu, contudo, que o Centro de Informações da Petrobras conta com suporte de 36 empresas, das quais apenas 16 são brasileiras. As tecnologias estrangeiras são necessárias, segundo Graça, porque não há empresas brasileiras capazes de desenvolver os serviços específicos.

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