“Não quero que a Dilma volte”, diz novo líder do governo no Senado

Em vídeo, Aloysio Nunes diz que sua prioridade é ajudar a aprovar medidas econômicas que, segundo ele, são "fundamentais para a recuperação do país". Assista ao pronunciamento do tucano

Oficialmente escolhido como líder do governo Michel Temer no Senado, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) afirmou que vai trabalhar para o que chamou de "bom desfecho" do processo de impeachment, de maneira a consolidar definitivamente o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Em vídeo divulgado em suas redes sociais, o senador tucano ressaltou: "Não quero que a Dilma volte". Disse ainda que "Temer talvez seja a única saída para nos livrarmos da crise brutal que o governo Dilma nos legou, com 11 milhões de desempregados" (assista no vídeo abaixo).

O novo líder disse que a prioridade é ajudar o governo no Senado a aprovar as medidas econômicas, segundo Aloysio, "fundamentais para a recuperação do país". O senador explicou que tem o dever político de auxiliar o governo Temer, já que ele e seu partido, o PSDB, contribuíram para o afastamento da presidente Dilma.

A indicação de Aloysio frustrou as expectativas que apontavam para os nomes de Ana Amélia (PP-RS) ou Simone Tebet (PMDB-MS) para ocupar a função – e amenizar as críticas ao governo sobre a ausência de mulheres nos cargos de primeiro escalão.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), elogiou a escolha de Temer por Aloysio. “Eu acho que essa escolha do presidente Michel foi uma escolha acertada. O Aloysio é uma referência, é um grande senador, tem trânsito com todo mundo aqui na casa, sem dúvida nenhuma vai qualificar a liderança do governo no Senado Federal”, opinou o presidente.

Veja o depoimento de Aloysio em vídeo:

 

Aloysio Nunes foi candidato à vice-presidência na chapa com Aécio Neves, nas eleições de 2014. É um dos principais apoiadores do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O senador é investigado por caixa-dois em inquérito cujo número não é divulgado na página do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação foi aberta com base em depoimentos de delação premiada do presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, investigado na Operação Lava Jato. O tucano reconheceu ter recebido R$ 200 mil da UTC para sua campanha eleitoral ao Senado, em 2010, mas ressaltou que o dinheiro foi legalmente declarado à Justiça Eleitoral. O senador disse que não conhece o empreiteiro e que não tem nada a esconder.

No último dia 17, Temer anunciou o deputado André Moura (PSC-SE), aliado de Eduardo Cunha, como líder do governo na Câmara. O deputado é réu no Supremo Tribunal Federal, onde responde por assassinato e formação de quadrilha, e também é um dos investigados na Operação Lava Jato. André Moura disse que não se sente constrangido pela situação de réu no STF e nega quer Eduardo Cunha tenha tido influência sobre a indicação do seu nome como líder do governo.

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