Na reta final, Lula, Dilma e PT tentam reverter impeachment

Presidente vai visitar acampamento do MST em Brasília e grava pronunciamento à Nação para tentar sensibilizar a Câmara e se manter no cargo

Na reta final da votação do impeachment pela Câmara, o PT, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff decidiram buscar, nas ruas, o apoio que precisam para tentar barrar o pedido de impeachment em votação no Plenário da Câmara, em rito que teve início na manhã desta sexta-feira (15). Em Brasília, Lula continua recebendo parlamentares para convencê-los a barrar o impedimento da presidente, missão que cumpre em uma suíte do Royal Tulip, hotel em que está hospedado e que fica a cerca de 300 metros do Palácio da Alvorada. Dois dias antes da decisão final dos deputados, a presidente decidiu aceitar o convite de movimentos sociais e vai, às 10h deste sábado, visitar o acampamento armado no Parque da Cidade, em Brasília, de grupos contra o impeachment.

A decisão foi tomada nesta sexta-feira e apoiada pela maioria dos deputados e senadores do PT. Os parlamentares acreditam que o gesto da presidente vai aproximá-la ainda mais da fatia da população que é contra e elegeu Dilma. O principal grupo contrário ao impeachment é o MST.

“Não há receio de que ela pareça bolivariana ou radical. Mesmo sem ser, a presidente já é chamada de bolivariana”, disse o senador Paulo Rocha (PT-PA).

Além de Lula e da visita de Dilma ao acampamento dos movimentos sociais pró-governo, o Palácio do Planalto conta, ainda, com a atuação do ex-presidente Lula. Ela tem tentado convencer parlamentares do PSB, do PR, do PP e de outras legendas que até a semana passada apoiavam o governo a se ausentarem da sessão de domingo e não votarem. Esta estratégia ajuda o governo porque a ausência conta como se fosse voto contra o impeachment.

Governadores

O governo também mobilizou os cinco governadores do PT. Entre eles os petistas de Minas Gerais (Fernando Pimentel), Bahia (Rui Costa), Piauí (Wellington Dias), Acre (Tião Viana) e Ceará (Camilo Santana) – e os aliados do PC do B (Flávio Dino, do Maranhão), do PSB (Ricardo Coutinho, da Paraíba), e do PDT (Waldez de Góes, no Amapá). Este grupo está telefonando para deputados dos seus respectivos estados na tentativa de barrar o impeachment. Na manhã desta sexta-feira o governador baiano Rui Costa esteve no Palácio do Planalto e se reuniu com a bancada do PT na Câmara para uma manifestação contra o impeachment.

"Esta votação é a marcha da insensatez. Se o impeachment for aprovado a crise vai se agravar e o país estará em um perigo concreto", disse Flávio Dino (veja no vídeo exclusivo feito por este site).

O pedido dos governadores, agora, não é para que o deputado vote contra o impeachment. Mas apenas se ausente do plenário na votação marcada para domingo. O governo enfrenta dificuldades para conseguir apoio entre os deputados que ainda estão em dúvida. Entre as ações do PT e do Planalto está o pronunciamento que a presidente fará à Nação nesta noite e os pequenos apelos feitos em vídeo por Lula, via internet, para tentar barrar o impeachment.

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