Na ONU, Temer diz que impeachment de Dilma é exemplo de democracia para o mundo

“O Brasil acaba de atravessar processo longo e complexo, regrado e conduzido pelo Congresso Nacional e pela Suprema Corte brasileira, que culminou em um impedimento. Tudo transcorreu dentro do mais absoluto respeito à ordem constitucional”, discursou

Beto Barata/PR
Beto Barata/PR
 

Na abertura da 71ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente Michel Temer disse que o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi um exemplo do país para o mundo. Ao final de seu discurso, que durou 20 minutos, Temer rebateu a tese do golpe, que resultou em uma série de protestos contra ele, inclusive na chegada aos Estados Unidos. Segundo ele, a cassação de Dilma respeitou a Constituição e todas as instituições brasileiras funcionam plenamente.

“O Brasil acaba de atravessar processo longo e complexo, regrado e conduzido pelo Congresso Nacional e pela Suprema Corte brasileira, que culminou em um impedimento. Tudo transcorreu dentro do mais absoluto respeito à ordem constitucional. Temos um Judiciário independente, um Ministério Público atuante, e órgãos do Executivo e do Legislativo que cumprem seu dever. Não prevalecem vontades isoladas, mas a força das instituições, sob o olhar atento de uma sociedade plural e de uma imprensa inteiramente livre”, discursou.

O presidente afirmou que o Brasil vive hoje um “processo de depuração” do seu sistema político. “Não há democracia sem Estado de direito. É o que o Brasil mostra ao mundo. E o faz por um processo de depuração de seu sistema político”, disse. “Nossa tarefa é retomar o crescimento econômico”, acrescentou.

Por tradição, cabe ao Brasil abrir a reunião anual da ONU. Em sua estreia, Temer também abordou a crise dos refugiados e o cenário econômico mundial. Ele chamou o protecionismo na economia de “perversa barreira ao desenvolvimento”  e disse que o país tem compromisso “inequívoco” com o meio ambiente.

Leia a íntegra do discurso de Temer

Diálogo

Em seu discurso, Temer falou brevemente sobre diversos assuntos, como a crise dos refugiados, o retorno da xenofobia, a importância do desarmamento nuclear e o respeito ao meio ambiente. O presidente, porém, destacou a importância do diálogo para sanar os problemas, e citou alguns exemplos de negociações em que houve, a seu ver, a “vitória da diplomacia”, como o acordo entre o governo colombiano e as Farc, e o restabelecimento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba. “Desejamos que o reatamento seja seguido do fim do embargo econômico que pesa sobre Cuba”, disse Temer.

Ao falar sobre o cenário político latino-americano, Temer afirmou que “coexistem hoje em nossa região governos de diferentes inclinações políticas. Isso é natural e salutar”. O peemedebista enfrentou a oposição de países como Venezuela, Bolívia, Cuba e Equador, que se posicionaram contra o impeachment de Dilma Rousseff.

Temer também falou sobre a importância da defesa da igualdade de gênero – aspecto amplamente criticado logo quando assumiu interinamente o governo, em função da ausência de mulheres nos cargos no primeiro escalão.

O peemedebista também aproveitou a oportunidade para destacar a realização dos jogos olímpicos e paralímpicos no país. “Num mundo ainda tão marcado por ódios e sectarismos, os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio mostraram que é possível o encontro entre as nações em atmosfera de paz e harmonia. Pela primeira vez, uma delegação de refugiados competiu nos Jogos. Por meio do esporte, pudemos promover a paz, lutar contra a exclusão e combater o preconceito”, disse Temer, que também foi alvo de protestos durante os eventos.

O presidente também falou sobre a necessidade de “reformas no Conselho de Segurança da ONU”, órgão ao qual o país historicamente ambiciona um posto.

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