Na ONU, Dilma rebate protecionismo e critica guerra cambial

Na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, presidenta nega que o Brasil seja protecionista, critica uso de política monetária como única forma de enfrentar a crise e pede solução pacífica no Oriente Médio

A presidenta Dilma Rousseff abriu, nesta terça-feira (25), a 67ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que reúne líderes dos principais países, e criticou a política econômica dos países desenvolvidos, que classificou como prejudicial às exportações dos emergentes. A presidenta também reforçou o apelo de paz entre os países que estão em conflito, como a Síria, Palestina e Israel, e pediu novamente a reforma do Conselho de Segurança da organização, na qual o Brasil reivindica uma cadeira permanente.

 

Dilma rebateu as acusações feitas pelos Estados Unidos de que o país seria protecionista. A crítica americana foi feita depois que o Brasil aumentou os impostos para importação de 100 produtos. "Não podemos aceitar que iniciativas legítimas de defesa comercial por parte dos países em desenvolvimento sejam consideradas protecionismo", disse a presidenta.

Em alusão aos Estados Unidos, Dilma criticou o uso da política monetária como única alternativa para enfrentar o desemprego. "Os bancos centrais dos países desenvolvidos persistem numa política monetária expansionista que afeta os países emergentes", disse.

Há duas semanas, o Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve) anunciou nova rodada de estímulos à economia norte-americana. Dessa forma, mais dólares ficarão em circulação no mundo, e a moeda norte-americana deverá ter seu valor reduzido. A medida estimula o consumidor brasileiro a comprar produtos importados em detrimento dos nacionais, o que é ruim para a indústria brasileira que perde nas exportações.

Por isso, o governo tem adotado medidas para manter o dólar entre R$ 2 e R$ 2,10. Membros do Ministério da Fazenda, entre eles o ministro Guido Mantega, vem repetindo que tomarão as medidas necessárias para que o dólar não caia demais.

Conflitos

Em relação aos conflitos no mundo, Dilma afirmou que não há solução militar para a crise na Síria e defendeu o diálogo e a diplomacia como únicas alternativas de solução. Na Síria, o conflito já dura 18 meses e cerca de 20 mil pessoas já morreram vítimas dos conflitos entre o regime de Bashar al-Assad e grupos rebeldes.

Em tom mais leve, a presidenta criticou o atual funcionamento da ONU com relação aos conflitos internacionais. Para ela, “a comunidade internacional tem dificuldade para lidar com as crises internacionais” e, muitas vezes, o uso da força é aprovado sem a autorização da instituição ou do Conselho de Segurança, 'reflexo da necessidade de mudanças". “As guerras e os conflitos regionais cada vez mais intensos demonstram a imperiosa urgência da reforma institucional da ONU e a reforma de seu Conselho de Segurança”, afirmou.

A presidenta condenou ainda a produção de armas de destruição em massa e disse que sua produção está em curso em vários países e que, por isso, é necessário aumentar a fiscalização.

Em seu discurso, Dilma ainda falou dos resultados da Rio+20 e da importância de se criar medidas para frear o aumento no número de morte de jovens vítimas de acidentes de trânsito.

Obama

Depois de Dilma, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez seu último discurso antes do fim do seu primeiro mandato. Ele concorre à reeleição para a presidência. O pleito acontece em 6 de novembro. Obama relembrou os recentes ataques à embaixadas dos Estados Unidos após a divulgação de um filme que ridiculariza o islamismo."Queimar uma bandeira americana não educa uma criança", disse Obama ao criticar a reação violenta da comunidade muçulmana, que resultou nos ataques. O embaixador Christopher Stevens, na Líbia, morreu em um dos ataques. Ele foi lembrado pelo presidente logo no início do discurso.

Dilma também repudiou a onda de violência e afirmou que o Brasil repudia tais atos. Lembrando que milhares de brasileiros são islâmicos, ela criticou o que chamou de "islamofobia".

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