Na ditadura, militares perseguiram até bailes black no Brasil

Segundo informações do jornal O Globo, relatórios de inteligência durante a ditadura militar descreviam que artistas queriam implantar regime de segregação racial

A Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro (CEV) levantou documentos que comprovam como os militares perseguiram até bailes black no Rio de Janeiro pela suspeita de que “um revolucionário americano estaria no Brasil recrutando militantes para implementar no país um regime de segregação racial”. As informações são do jornal O Globo deste sábado.

Documentos do Departamento da Ordem Política e Social (Dops) do antigo Estado da Guanabara indicavam que integrantes da repressão estavam investigando os bailes black por conta de vários informes do Dops com o assunto “Black power", expressão que simbolizou a luta do movimento negro norte-americano em busca de igualdades sociais.

“O texto [do Dops] alertava para a formação de ‘um grupo de jovens negros de nível intelectual acima da média, com pretensões de criar no Brasil um clima de luta racial’. Os militantes seriam liderados por um negro americano, que receberia dinheiro do exterior, e agiria na Portela, tradicional escola de samba carioca”, afirma o jornal carioca.

Segundo o informe do Dops, esse suposto grupo tinha por objetivo “sequestrar filhos de industriais brancos; criar um bairro só de negros; criar ambiente de aversão aos brancos". Os militares suspeitavam que essas reuniões ocorriam nos bailes black da periferia carioca.

Além disso, segundo informações do jornal, um relatório da Polícia Federal no Rio Grande do sul, datado de agosto de 1978, “chega a recomendar o uso da Lei de Segurança Nacional contra "tentativas subversivas de exploração de antagonismos raciais".

 

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