Mulheres vítimas de violência estão há mais de um mês sem atendimento na CMB de Brasília

Atendimento Casa da Mulher Brasileira (CMB), que acolhe mulheres em situação de vulnerabilidade social, está paralisado desde setembro, quando o local foi atingido por uma forte chuva. Na última semana, secretaria prometeu solução em 20 dias

 

Brasília Capital (*)

Não bastasse serem vítimas de agressões, violências domésticas, assédio sexual e até mesmo estupros, as mulheres de Brasília estão desassistidas. Inaugurada na Asa Norte pelo Governo Federal, em junho de 2015, a Casa da Mulher Brasileira – CMB, pouco mais de um ano depois, já está sucateada.

O espaço destina-se a acolher as mulheres vítimas de violência com apoio psicossocial; delegacia; Juizado; Ministério Público, Defensoria Pública, dentre outros serviços. A gestão foi repassada ao Governo do Distrito Federal (GDF) e em pouco mais d eum ano de um ano, as instalações estão em más condições de operação.

O local, segundo o Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural do Distrito Federal (Sindsasc), que representa os profissionais que lá atuam, apresenta problemas estruturais, como rachaduras nas paredes. Com a chuva recente, os problemas se agravaram com infiltrações. Depois de ser atingida por forte chuva, parte do teto de uma sala desabou, desencadearam problemas elétricos e o atendimento na Casa foi interrompido em meados de setembro.

Chico Sant'anna/Brasília Capital
Um auditório virou depósito de um amontoado de cadeiras e equipamentos de informática. O atendimento se limita a recepção do prédio, onde é feito a triagem. O abrigo das mulheres vítimas de violência, que era de até 48 horas, não funciona. As crianças dessas mulheres perderam sua brinquedoteca. Além disso, a CMB, que deveria funcionar 24 horas por dia, por falta de pessoal, está funcionando em horário reduzido.

Atualmente, o atendimento está sendo feito em um prédio anexo ao Palácio do Buriti, sede do governo local. A estrutura, porém, não atende às exigências para receber pessoas em situação de vulnerabilidade social. "Faltam salas para atendimento individualizado e um local próprio paras mulheres deixarem as crianças enquanto são assistidas, como há na CMB", afirma o presidente do Sindsac, Clayton Avelar.

Para denunciar essa realidade, o Sindsasc promoveu, na semana passada, um abraço à CMB. A manifestação que atraiu autoridades do governo, que se comprometeram em resolver os problemas até o final de novembro. "A Secretaria de Políticas para Mulheres do Governo Federal já autorizou a realização da reforma do espaço danificado pela chuva. Em um prazo de 20 dias, os serviços de atendimento da CMB retornarão ao seu espaço original", afirmou a secretária adjunta da Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Raíssa Rossiter.

Segundo a secretária adjunta, ficou definido também que será composto um grupo de gestão e de acompanhamento das condições de trabalho da Casa da Mulher Brasileira, formado por representantes dos serviços da CMB, da Rede Social de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos do DF e de representantes do sindicato. O objetivo é acompanhar o andamento das reformas do espaço e de outros reparos necessários na estrutura da Casa.

CMB

A Casa da Mulher Brasileira faz parte do programa do Governo Federal "Mulher, Viver Sem Violência". A ideia é que cada estado tenha uma Casa da Mulher Brasileira. Até o momento, está em funcionamento apenas em Campo Grande (MS), Brasília (DF) e Curitiba (PR). Em Brasília, a CMB fica no início da L2 Norte, quadra 601 Norte, atrás do Serpro.

(*) Leia a íntegra da reportagem de Chico Sant'anna, do Brasília Capital

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