MPF denuncia Dirceu, Vaccari e mais 15 por envolvimento na Lava Jato

De acordo com as investigações da PF, ficou comprovado o recebimento de vantagens ilícitas pelo grupo, que, segundo a investigação, era comandado por Dirceu

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta sexta-feira (4) o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e mais 15 investigados na 17ª fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Também estão na lista de denunciados a filha de Dirceu, Camila Ramos; o irmão do ex-ministro, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva; o ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco e os empresários Milton e José Adolfo Pascovicth.

De acordo com o MPF e a PF, o ex-ministro recebeu dinheiro desviado de obras da Petrobras por meio de sua empresa, a JD Consultoria. A JD foi beneficiada com o repasse de pelo menos R$ 60 milhões. Dirceu, sozinho, teria recebido R$ 11,8 milhões segundo a denúncia do MPF.

O MPF estima que, por sua participação no esquema, Dirceu pode receber pena superior a 30 anos de prisão. Ele pode ser considerado reincidente já que o ex-ministro também foi condenado por crimes de corrupção durante o julgamento do mensalão. Na época, ele recebeu pena de 7 anos e 11 meses. Ele já cumpriu aproximadamente um quarto da pena.

“É a pessoa número 2 do nosso país envolvida em um esquema de corrupção”, afirmou o procurador da República Deltan Dellagnol. “A Lava Jato revela um governo para fins particulares, com um capitalismo de compadrio, em que o empresário e o agente público buscam benefícios para o próprio bolso”, critica o procurador integrante da força-tarefa da Lava Jato.

Os pagamentos a Dirceu, conforme a denúncia do MPF, ocorreram durante um período de 10 anos, entre 2004 e 2014.  Segundo os investigadores, ele foi beneficiado com um “mensalinho” de R$ 96 mil durante dez anos e recebeu R$ 819 mil das empresas investigadas pela Lava Jato enquanto cumpria pena do mensalão.

As operações eram feitas por meio de uma espécie de “banco criminoso” dos empresários Milton e José Adolfo Pascovicth. Após receber recursos desviados da Petrobras por meio de contratos fraudulentos de terceirização de serviços com suas empresas, a Hope, Personal e Consist, parte do valor dos contratos eram repassados à JD Assessoria e, consequentemente, ao ex-ministro José Dirceu.

O ex-ministro também recebeu propina de obras da Petrobras de forma indireta, de acordo com o MPF. Uma reforma em sua residência, em Vinhedo, em São Paulo, no valor de R$ 1,8 milhão também teria sido paga com recursos desviados da estatal.

A denúncia do MPF foi feita com base nas afirmações feitas pelo empresário Milton Pascovicth em depoimentos de delação premiada. Dirceu está preso há um mês na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, em função das investigações da 17ª fase da Operação Lava Jato. Na segunda-feira (31), por orientação de seus advogados, o ex-ministro permaneceu em silêncio durante reunião da  Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, em Curitiba.

Até agora, o ex-ministro não se manifestou sobre as acusações do MPF.

 

Confira a lista de denunciados na 17ª fase da Operação Lava Jato

José Dirceu - ex-ministro da Casa Civil

Luiz Eduardo de Oliveira e Silva - irmão de Dirceu

Camila Ramos de Oliveira e Silva - filha de Dirceu

Roberto Marques - ex-assessor de Dirceu

Julio César dos Santos - sócio de Dirceu na JD Consultoria

Daniela Facchini - arquiteta que reformou a casa do ex-ministro.

João Vaccari Neto - ex-tesoureiro do PT

Renato Duque - ex-diretor da Petrobras

Pedro Barusco - ex-gerente da Petrobras

Fernando Moura – operador ligado ao PT

Olavo de Moura Filho - irmão de Fernando Moura

Gerson Almada - executivo da Engevix

Cristiano Kok - executivo da Engevix

José Antunes Sobrinho - executivo da Engevix

Júlio Camargo – empresário, ex-consultor da Toyo Setal

Milton Pascowitch - empresário

José Adolfo Pascowitch – empresário, irmão de Milton

 

Com informações da Agência Brasil

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