MPF bloqueia R$ 87 milhões de investigados e quer ressarcir valores desviados da Petrobras

Os investigadores também pediram o ressarcimento de outros R$ 87 milhões. O procurador Deltan Dallagnol afirmou que o ex-presidente é “o grande general que determinou a realização e a continuidade da prática dos crimes”

Membros da Operação Lava Jato solicitaram o bloqueio de R$ 87 milhões ligados aos denunciados na ação penal que envolve o ex-presidente Lula e sua esposa, Marisa Letícia, e outras seis pessoas. Durante coletiva realizada pelos procuradores que integram a força-tarefa das investigações, Lula foi apontado como alvo central do esquema de corrupção instalado na Petrobras. Os investigadores também pediram o ressarcimento de outros R$ 87 milhões. O procurador Deltan Dallagnol afirmou que o ex-presidente é “o grande general que determinou a realização e a continuidade da prática dos crimes”.

Dados divulgados nesta tarde (quarta, 14), avaliam que o tríplex em Guarujá recebeu obras no valor de R$ 777 mil, móveis que somaram R$ 320 mil e eletrodomésticos que contabilizaram R$ 19 mil. De acordo com as investigações, Lula era o “comandante máximo do esquema de corrupção identificado no petrolão”, e recebeu R$ 3,7 milhões em propinas.

Ao todo, nas contas da Lava Jato, o esquema criminoso movimentou R$ 6,2 bilhões em propina, gerando à Petrobras um prejuízo estimado em R$ 42 bilhões. Para o Ministério Público Federal (MPF), Lula era o elo entre o esquema partidário e o esquema de governo.

“Lula estava no topo da pirâmide do poder. No período em que foi estruturado o esquema criminoso do petrolão, foi Lula quem deu provimento aos altos cargos da administração pública federal”, afirmou Dallagnol.

"Ilusionismo"

Enquanto os procuradores ligados à operação anunciavam os dados, advogados de defesa de Lula disseram, em nota, que a denúncia contra o petista é "truque de ilusionismo". Para eles, não existem provas que possam confirmar as acusações feitas pelo grupo. O texto, assinado pelos advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, classifica a coletiva concedida há pouco pelo procurador Deltan Dallagnol de “espetáculo deplorável”.

"O grosso do discurso de Dallagnol não tratou do objeto da real denúncia protocolada nesta data – focada fundamentalmente da suposta propriedade do imóvel 164-A do edifício Solaris, no Guarujá (SP). Sua conduta política é incompatível com o cargo de Procurador Geral da República e com a utilização de recursos públicos do Ministério Público Federal para divulgar suas teses. Para sustentar o impossível – a propriedade do apto 164-A, Edifício Solaris, no Guarujá – a Força Tarefa da Lava Jato valeu-se de truque de ilusionismo, promovendo um reprovável espetáculo judicial- midiático. O fato real inquestionável é que Lula e D. Marisa não são proprietários do referido imóvel, que pertence à OAS. Se não são proprietários, Lula e sua esposa não são também beneficiários de qualquer reforma ali feita. Não há artifício que possa mudar essa realidade", destacam os advogados.

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