Ministério Público investiga queima de arquivo antes de operação na Câmara Legislativa

Investigadores analisam imagens do circuito interno da Casa para saber se houve retirada de computadores e documentos horas antes das buscas e apreensões realizadas na manhã desta terça-feira

Investigadores do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e da Polícia Civil suspeitam que computadores e documentos da Câmara Legislativa foram retirados antes das buscas e apreensões realizadas na manhã desta terça-feira (23) na Casa. Segundo o promotor Clayton Germano, serão analisadas imagens do circuito interno de câmeras para investigar a suspeita de subtração de provas.

As ações do MP fazem parte da Operação Drácon, que cumpriu 14 mandados de busca e apreensão e oito de condução coercitiva contra deputados distritais e assessores da cúpula do Legislativo Local. Além da presidente da Casa, Celina Leão (PPS), foram alvos o primeiro-secretário, Raimundo Ribeiro (PPS), o segundo-secretário, Júlio César (PRB), e o terceiro-secretário, Bispo Renato Andrade (PR). Todos estão afastados dos cargos na Mesa Diretora até o fim das investigações. A operação também mira o deputado Cristiano Araújo (PSD). Mesmo com o afastamento dos cargos de direção, eles mantêm o mandato parlamentar.

A denúncia da retirada de provas da Câmara Legislativa foi apresentada pelo deputado Chico Vigilante (PT), que afirmou ter sido procurado por um servidor da Câmara, que lhe fez a denúncia. Segundo o funcionário da Casa, que não teve a identidade revelada, um dos assessores de Celina foi visto colocando computadores no porta-malas de um carro particular estacionado na garagem da Casa, por volta das 14h de ontem (22).

Segundo o Ministério Público do Distrito Federal, o objetivo da Operação Drácon é buscar provas dos crimes de corrupção ativa, passiva ou concussão envolvendo os distritais e servidores. Os investigadores, porém, reclamaram do vazamento precoce de informações. "O princípio da investigação é a oportunidade. A fase ostensiva teve que se dar pela divulgação dos dados pela imprensa. Exigiu tomada de decisões breves", afirmou Clayton Germano.

Entre os assessores investigados estão Valério Neves Campos, ex-secretário-geral da Câmara Legislativa, o ex-presidente do Fundo de Saúde do DF Ricardo Cardoso e o servidor Alexandre Braga Cerqueira. Valério chegou a ser preso na Operação Lava Jato acusado de ser operador do esquema envolvendo o ex-senador Gim Argello (PTB). Na quinta-feira, Celina chamou Liliane de “mau-caráter” e “invejosa”. “As gravações são uma armação de uma parlamentar da base do governo que responde a um processo por quebra de decoro e está prestes a ter o mandato cassado”, disse a presidente da Câmara Legislativa. “A emenda da acusação foi feita pela própria Liliane Roriz. E esta não foi a única emenda dela para a saúde”, rebateu em entrevista coletiva.

Em discurso no plenário da Câmara Legislativa nesta terça-feira (23), Celina Leão disse que já pediu para a Polícia Legislativa analisar as imagens do circuito interno de segurança e nenhum movimento suspeito foi detectado. "É muito grave levantar uma suspeição dessa sem provar", afirmou a deputada. "Colegas levantam este tipo de acusação para ganharem cinco minutos de fama", acusou. "Vamos interpelar judicialmente o responsável por este falso testemunho", completou referindo-se ao deputado Chico Vigilante (PT).

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