Morto integrante de quadrilha suspeita de ter financiado o ex-governador Eduardo Campos

De acordo com a Polícia Federal, Paulo Cesar de Barros Morato participou de esquema criminoso que movimentou mais de R$ 600 milhões

As investigações sobre o petrolão podem ter produzido, na noite desta quarta-feira (22), o primeiro caso de “queima de arquivo”. Foi encontrado morto em um motel de Olinda (PE), horas atrás, o empresário Paulo Cesar de Barros Morato, que era considerado foragido pela Polícia Federal (PF).

Inquérito conduzido pela PF o apontou como integrante de uma quadrilha que em seis anos movimentou mais de R$ 600 milhões. Parte desse dinheiro tem como origem operações com a Petrobras.

Morato morreu um dia depois de a Polícia Federal deflagrar a Operação Turbulência, na qual são investigadas as ligações dessa quadrilha com o ex-governador Eduardo Campos (PSB). Os policiais suspeitam que a organização criminosa, especializada em lavagem de dinheiro, financiou a campanha dele ao governo de Pernambuco em 2010.

Outra suspeita é que a quadrilha adquiriu o avião no qual Eduardo Campos e outras seis pessoas morreram, em agosto de 2014, quando ele disputava a Presidência da República tendo Marina Silva (Rede) como candidata a vice-presidente. Uma das linhas de investigação perseguidas é que o político pernambucano era o proprietário de fato da aeronave.

Na Agência Nacional de Avião Civil (Anac), o jatinho estava em nome da empresa AF Andrade. Ela alegou, porém, ter vendido o avião – muito antes do acidente – ao empresário João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, preso ontem pela Operação Turbulência. A explicação coincide com a versão dada pelo PSB, de que João Carlos Lyra e outro empresário – Apolo Santana Vieira, também preso na terça-feira – haviam autorizado o uso da aeronave.

Divulgação/PF
Foram presos ainda Eduardo Freire Bezerra Leite e Arthur Lapa Rosal. A PF obteve mandado de prisão contra Paulo Morato, mas não conseguiu localizá-lo.

 

 

 

Segundo a blogueira pernambucana Noelia Brito, o cerco contra a quadrilha aumentou depois que Aldo Guedes, que era sócio de Eduardo Campos, aderiu à delação premiada.

As investigações em andamento indicam entre as principais fontes de financiamento da organização criminosa as obras da refinaria Abreu e Lima, construída em Pernambuco pela Petrobras, e da transposição do Rio São Francisco. Parte da investigação deverá ser remetida ao Supremo Tribunal Federal por envolver autoridade com foro exclusivo naquela corte, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), já indiciado na Operação Lava Jato.

Reação do PSB

Segue nota divulgada pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) ontem (terça, 21), após a deflagração da Operação Turbulência, sobre o envolvimento do ex-presidente nacional do partido, Eduardo Campos, com a quadrilha investigada pela Polícia Federal:

“A direção nacional do Partido Socialista Brasileiro – PSB, em face da Operação Turbulência, da Polícia Federal, noticiada hoje pela imprensa, informa à sociedade brasileira ter plena confiança na conduta do nosso querido e saudoso Eduardo Campos, ex-presidente e ex-governador de Pernambuco.

O Partido apoia a apuração das investigações e reafirma a certeza de que, ao final, não restarão quaisquer dúvidas de que a Campanha de Eduardo Campos não cometeu nenhum ato ilícito.

Brasília-DF, 21 de junho de 2016.

CARLOS SIQUEIRA

Presidente Nacional do Partido Socialista Brasileiro-PSB”

 

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