Moradores pedem prisão de diretores da ANTT

MPF diz que somente uma empresa explora serviço sem licitação há 50 anos. Demora na licitação virou piada entre servidores da agência de transportes. Governo silencia

Reprodução/TV Globo
Em Brasília, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) cuida do transporte público entre a capital e cidades de Goiás que formam o Entorno do Distrito federal. Após a agência deixar de cumprir ordem judicial para licitar as linhas até abril passado, um grupo de moradores da região chegou a pedir a prisão de cinco diretores do órgão regulador, entre eles o presidente da agência, Jorge Luiz Bastos.

Segundo ação do Ministério Público Federal obtida pelo Congresso em Foco, a empresa Viação Anapolina explora o serviço sem licitação há cerca de 50 anos. A Justiça Federal de Luziânia (GO) ainda analisa o pedido de prisão por desobediência, feito por meio de um abaixo-assinado entregue neste mês, em meio aos protestos em todo Brasil pela qualidade no transporte público e redução das tarifas de ônibus.

Na semana passada, moradores bloquearam rodovias que dão acesso à capital. Dias depois, passaram a queimar ônibus nas cidades ao redor de Brasília. Vídeo gravado pela professora Mirinha Leal mostra cenas de destruição em Valparaíso (GO), na noite de sexta-feira (22). O veículo foi queimado por volta das 22h em frente a um terminal de ônibus, segundo ela, em meio a protestos pela redução das passagens e melhora da qualidade no transporte. “Três pivetes renderam o motorista e colocaram fogo no ônibus”, contou ela ao Congresso em Foco.

A ANTT ainda cuida das linhas da região metropolitana de Teresina (PI), que faz divisa com cidades vizinhas do interior do Maranhão. Só uma empresa faz a ligação entre a capital e Timon (MA). Apesar de estar localizada no Maranhão, a cidade faz parte da região metropolitana da capital piauiense. Neste mês, estudantes protestaram contra o monopólio da empresa Dois Irmãos (Osvaldo Mendes & Cia. Ltda). Em esclarecimento à TV Globo do Maranhão, a empresa de ônibus admitiu problemas na qualidade do serviço, mas atribuiu-os às más condições das vias.

Vídeo: o protesto na Grande Teresina

Motivo de piadas

A reportagem apurou que, dentro da ANTT, a licitação dos ônibus que nunca sai virou motivo de piadas entre os servidores. Servidores técnicos reclama da forte influência das associação das empresas de ônibus (Abrati) sobre a agência. A concorrência estaria a cargo da Superintendência de Passageiros (Supas) da ANTT, hoje comandada por Sônia Haddad.

Procurada na segunda-feira (24), a Casa Civil da Presidência da República disse ao Congresso em Foco que o caso está agora sob responsabilidade do Ministério dos Transportes. A assessoria do Ministério disse que tentaria obter esclarecimentos com o ministro César Borges. Mas até o fechamento desta reportagem não houve retorno ao site. A ANTT não prestou nenhum esclarecimento ao site apesar de ter sido procurada desde segunda-feira.

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