Ministro indicado por Temer quer acesso ao relatório de Benjamin Herman antes de assumir no TSE

Admar Gonzaga afirma que não pretende pedir vista para adiar julgamento e classifica como “fofocas” especulações sobre seu voto. “Cada um pode ter suas impressões, exercer seu direito à futurologia. Mas eu acho que é uma especulação”

O início do julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, na manhã desta terça-feira (4), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contou com a presença do advogado Admar Gonzaga, indicado pelo presidente Michel Temer para substituir o ministro Henrique Neves, que deixará a corte no dia 16 de abril. Ao deixar o julgamento, que foi adiado pelos magistrados atendendo pedidos da defesa de Dilma, Admar afirmou que pedirá ao relator da ação, ministro Herman Benjamin, acesso ao relatório antes mesmo de sua posse. Ele declarou ainda que não pretende pedir adiamento do julgamento, por meio do chamado pedido de vista.

“Vou pedir para ele [Herman Benjamin] o quanto antes. Vou ver com ele. Talvez a corte já até compreenda a possibilidade real da minha participação [no julgamento da chapa Dilma-Temer] e aí vou ver com os colegas a partir de quando eu teria acesso a isso”, ressaltou o ministro-substituto, que assumirá a vaga de titular logo após a saída de Henrique Neves.

Durante a sessão realizada nesta manhã, a maioria dos ministros aceitou o pedido feito pelos advogados da ex-presidente e garantiu mais cinco dias para as alegações finais da defesa. Eles também autorizaram a realização de novos depoimentos. Nesse caso, o prazo só contará após os novos depoimentos e novo relatório final por parte do Ministério Público Federal. A previsão é que o julgamento seja retomado no final de abril ou em meados de maio. Na ocasião, Admar já estará no TSE como ministro titular.

Apesar das sondagens sobre sua nomeação e a possibilidade de um pedido de vista com objetivo de protelar o julgamento, o jurista afirma que “não é sua intenção”. “Eu não estou preocupado com o pedido de vista. Na verdade, não é uma intenção pedir vista. Não é algo que qualquer ministro queira fazê-lo. Tem que confiar no trabalho dos outros colegas. A minha posição é de não pedir vista. A não ser que isso seja necessário para formação de um juízo responsável e completo a respeito da causa”, destacou.

O ministro chamou de "fofoca" as ilações de que votará contra a cassação de Temer por ter sido indicado pelo presidente. “Cada um pode ter suas impressões, exercer seu direito à futurologia. Mas eu acho que é uma especulação. Podem fazer a especulação que for. Poderia ser ao contrário. Eu vou fazer o meu juízo com a maior tranquilidade, sem atentar para esse tipo de fofoca”, afirmou.

Ao nomear Admar Gonzaga antes do início do julgamento do caso, Temer avaliou que o impacto negativo seria menor do que se a indicação fosse realizada após o início do julgamento. Já que, neste segundo caso, poderia ser interpretado como se quisesse interferir no resultado final do julgamento – com a escolha do ministro que o julgaria. Em maio, outra cadeira da advocacia ficará vaga no TSE, com a saída da ministra Luciana Lóssio, e o presidente Temer deverá fazer nova nomeação.

Assista ao vídeo em que o ministro fala sobre suas novas responsabilidades na corte e diz que especulações sobre seu voto são “fofocas”:

 

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