Ministro é exonerado da Saúde para votar em aliado na Câmara

Marcelo Castro reassume mandato de deputado para votar no governista Leonardo Picciani como líder do PMDB. Oposição critica decisão e quer convocar o ministro para explicar ingerência do Planalto em eleição na Câmara e prejuízo no combate ao Aedes aegypti

No dia em que o PMDB escolhe o novo líder na Câmara, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, que é peemedebista, pediu exoneração do cargo e deverá retomar o mandato de deputado federal para  participar da eleição. O decreto está publicado na edição de hoje (17) do Diário Oficial da União. O ministro retorna à Casa para votar a favor da recondução do atual líder, Leonardo Picciani (RJ), aliado do Planalto, na disputa contra Hugo Motta (PB), candidato apoiado por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e pela ala oposicionista do PMDB.

Marcelo Castro deverá retornar ao cargo amanhã, mas, ainda hoje, tem reunião com a presidenta Dilma Rousseff às 18h. Enquanto isso, assume interinamente o secretário executivo José Agenor Álvares da Silva. A decisão do ministro de voltar à Câmara, ainda que por um dia, para participar da escolha do novo líder peemedebista, foi criticada pela oposição, que apresentou requerimento para convocá-lo a se explicar na Casa. De acordo com os oposicionistas, o ato de Marcelo Castro mostra interferência indevida do governo na eleição de um líder partidário e causa prejuízo ao combate ao mosquito Aedes aegypti.

Os líderes do PSDB, do DEM, do PPS e do Solidariedade apresentaram requerimento conjunto para convocar o ministro da Saúde para depor sobre o prejuízo à campanha do governo de combate ao vírus da zika com a saída dele do cargo para apoiar Picciani e retornar ao posto. “Nós vamos constranger o governo, que aceita trocar o comando da campanha contra a zika para interferir na disputa interna de uma bancada na Câmara. É uma vergonha”, disse o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM).

Uma vitória de Picciani representará alívio para a presidente Dilma. Ex-aliado de Cunha, ele se aproximou do Palácio do Planalto desde a reforma ministerial promovida pela presidente no ano passado e assumiu publicamente discurso contra o impeachment da petista. Embora tente se descolar da imagem de que, na liderança será um opositor de Dilma, Hugo Motta é a aposta de Cunha para se contrapor ao governo e levar adiante o processo de impedimento da presidente. A eleição do PMDB está marcada para as 15h. A reunião vai ocorrer a portas fechadas.

Com informações da Agência Brasil

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