Ministro da Justiça critica cobertura de operações da PF

Em audiência no Senado, José Eduardo Cardozo reclama de cobranças distintas nas Operações Monte Carlo e Porto Seguro.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reclamou hoje (5), em audiência conjunta de três comissões do Senado, do tratamento que a imprensa tem dado a operações da Polícia Federal, instituição subordinada àquela pasta. Convidado a dar esclarecimentos sobre a Operação Porto Seguro, que revelou um esquema de venda de pareceres técnicos em órgãos públicos, Cardozo participa da reunião acompanhado do advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams, que tem um subordinado entre os suspeitos de participação no esquema – José Weber Holanda, advogado-geral adjunto, tido como braço direito de Adams na Advocacia Geral União (AGU).

 

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Cardozo criticou o fato de o mesmo procedimento da Polícia Federal – operações com autoridades entre os investigados – ser visto de diversas formas por políticos e demais figuras públicas, resultando em repercussão nos mesmos termos pela imprensa. O ministro fez um paralelo entre a Operação Monte Carlo – que investiga a quadrilha do contraventor Carlos Cachoeira e levou à cassação, entre outros desdobramentos, do ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) – e a Operação Porto Seguro, que indiciou a agora ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-assessora do ex-presidente Lula. Para o ministro, a Porto Seguro merece aplausos, “porque a lei foi cumprida”.

Segundo Cardozo, a oposição acusou – e jornalistas repercutiram “fartamente”, na avaliação dele – a Monte Carlo de exceder suas atribuições em relação a oposicionistas, enquanto agora o que se noticia é a “perda de controle” do ministro em relação às PF. “Um site publicou uma foto minha, senador Pedro Taques [PDT-MT] – e ela deve ser antiga, porque eu estava mais magro –, em que eu estava na praia, no Ceará, no dia em que a operação foi deflagrada. Nada disso é verdade”, bradou Cardozo, levando senadores aos risos com a menção à foto.

O ministro falou por cerca de 20 minutos e fez uma longa exposição sobre os limites da hierarquia do ministro da Justiça sobre os agentes da PF – a exemplo do que fez ontem (terça, 4), na Câmara, no mesmo tipo de audiência pública. Ao final da fala, garantiu que repassaria ao Senado todas as informações sobre os delitos praticados e enquadrados na Porto Seguro, bem como sobre os indiciados e demais envolvidos na operação.

Cardozo: PF não se submete a orientações políticas

Segundo o ministro, Rosemary Noronha está indiciada em “três delitos e dois fatos distintos”.  Tráfico de influência, falsidade ideológica e corrupção passiva são os motivos do indiciamento da ex-chefe de gabinete. Ainda segundo ele, Rosemary não participava do planejamento, da organização e da estrutura estável da quadrilha, que são as características de tipificação criminal definidas no Código Penal para grupos criminosos.

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