Ministro da Aviação Civil faz lobby junto à Eletrobras, diz revista

No início dos anos 2000, Eliseu Padilha arrendou terras para venda de energia de um parque eólico no Rio Grande do Sul. Anos depois, já como ministro, ainda estaria a beneficiar multinacional

O ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, age em conjunto com o diretor de Geração da Eletrobras, Valter Cardeal, para beneficiar negócios de uma empresa estrangeira e, segundo reportagem da revista Época deste fim de semana, dele mesmo. Com foto e detalhes do encontro em que se deu uma das negociatas, a publicação mostra como Padilha e Cardeal agiram em favor da multinacional portuguesa de energia elétrica EDP Renováveis.

“Padilha não caiu de paraquedas na história. A EDP tem interesse em ampliar a geração e a venda de energia de um parque eólico no Rio Grande do Sul, o Cidreira I, para a estatal Eletrobras. Trata-se de um negocião, que inclui Padilha. A EDP tem com o ministro umaparceria comercial escamoteada por um emaranhado de empresas e laranjas, que garante a Padilha rendimentos de R$ 30 milhões ao longo da vigência do contrato”, diz trecho da reportagem.

A revista informa que essa trama é “antiga”. Quando Padilha era deputado federal pelo PMDB, no início da década de 2000, percebeu que a falta de energia provocada em diversos pontos do país em 2001, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), seria uma oportunidade de ganhar muito dinheiro. Época lembra que o governo havia acabado de anunciar um programa de estímulo ao uso de enegia renovável, o Proinfa, por meio de subsídio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Padilha arrendou então propriedades no litoral gaúcho, em região de baixo valor imobiliário, a um investidor que queria gerar energia eólica, aproveitando os fortes ventos do local.

“O passo seguinte foi vender a energia à Eletrobras, a executora do Proinfa. Padilha passou a ganhar uma quantia fixa, pelo arrendamento da terra, e outra variável, em razão da quantidade de energia vendida à estatal. Em 2009, a gigante portuguesa EDP adquiriu a empresa que originalmente era sócia de Padilha no projeto e vira parceira do ministro. Dois anos depois, a EDP obteve um financiamento de R$ 227 milhões do BNDES, valor suficiente para cobrir a maior parte das despesas com a operação da usina capaz de abastecer uma cidade de 200 mil habitantes com a energia gerada em Cidreira I”, acrescenta a reportagem.

A revista informa ainda que o Proinfa assegurou o pagamento em valores três vezes mais alto do que aqueles negociados em leilões de energia, justamente na época em que o parque eólico começou suas operações. Com o arrendamento das terras no litoral gaúcho para a EDP – R$ 250 mil fixos anuais e mais 1,8% de toda a energia vendida à Eletrobras – estima-se que Padilha tenha recebido cerca de R$ 1,6 milhão por ano. “O prazo de concessão do parque termina em 2032, podendo ser renovado”, arremata a reportagem.

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