Ministérios: é preciso saber para o que servem, diz Lula

Ex-presidente diz que reduzir número de pastas é um direito de Dilma. Em discurso, pediu atenção para movimentações contra Integração Racial e Direitos Humanos

O ex-presidente Lula afirmou nesta terça-feira (23) que, antes de discutir uma possível redução de ministérios, é preciso saber qual a função de cada um. Ao participar do 6º Festival Latinidades, em Brasília, disse acreditar que a presidenta Dilma Rousseff não vai aceitar a pressão para diminuir o número de pastas, proposta defendida especialmente pelo PMDB, principal aliado do PT na coalizão de governo.

"A gente não tem que diminiu ou aumentar, tem que saber para o que serve", disse Lula, durante o discurso. Ao chegar no Museu da República, onde ocorre o festival, ele inicialmente desconversou sobre o tema. Afirmou que não daria palpite na questão por ter saído do governo há dois anos e sete meses. Depois, em frente a aproximadamente 300 pessoas, voltou ao tema.

Em entrevista ao portal UOL e ao jornal Folha de S. Paulo, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), defendeu a redução das atuais 39 pastas para 25. O vice-presidente Michel Temer disse considerar a proposta razoável. Já o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), apresentou uma proposta para que o número de ministérios não seja maior do que 20.

Na visão de Lula, uma reforma para diminuir o número de ministérios não acabaria com pastas como a Fazenda ou a Defesa, que possuem mais visibilidade e orçamento. Seriam atingidas pelos cortes as que trabalham com segmentos ligados a direitos humanos e minorias. "Eles vão tentar mexer no Ministério da Igualdade Racial, no Ministério dos Direitos Humanos", disparou, acrescentando que os movimentos sociais deveriam "ficar espertos".

Para o ex-presidente, mudar o número de ministérios é "um direito de Dilma". Porém, ele acredita que a presidenta não vai ceder à pressão de aliados. Na semana passada, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, rejeitou a possibilidade de ocorrerem mudanças na estrutura do primeiro escalão do governo.

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