Ministério Público italiano apoia extradição de Pizzolato

Promotores de Bolonha concluem que ex-diretor do Banco do Brasil não foi condenado em julgamento político e recomendam que ele cumpra pena do mensalão no Brasil, informa o Estadão

Único dos condenados no mensalão a fugir do país, o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato sofreu sua primeira derrota na Itália desde que foi preso, em fevereiro. Em parecer encaminhado no início de abril ao Tribunal de Bolonha, o Ministério Público italiano recomendou a extradição do brasileiro, condenado a 12 anos e sete meses de prisão. A informação é do jornal O Estado de S. Paulo.

 

O caso será avaliado pelo Tribunal de Bolonha em maio. A palavra final deve ser dada pelo Ministério da Justiça da Itália. De acordo com a reportagem de Jamil Chade e Andreza Matais, os promotores consideraram que Pizzolato não sofreu processo político, como alega, e que o julgamento foi adequado, mesmo tendo ocorrido em uma única instância, o Supremo Tribunal Federal (STF), por causa da prerrogativa de foro dos parlamentares envolvidos. O governo brasileiro encaminhou o pedido de extradição em março às autoridades italianas.

A posição dos promotores contraria o histórico do país europeu de recusar a extradição de nacionais. Pizzolato também tem cidadania italiana e entrou na Itália com passaporte falso de um irmão falecido em 1978. Ele foi preso em fevereiro na casa de um sobrinho em Maranello, norte do país, e levado para a prisão em Módena.

Prisão brasileira

Ainda segundo o Estadão, o Ministério Público de Bolonha também não considera um problema a situação precária das prisões brasileiras, pois as autoridades brasileiras se comprometem, uma vez concedida a extradição, a garantir as condições mínimas para o preso.

O Supremo Tribunal Federal e o Ministério da Justiça estudam em que estabelecimento Pizzolato poderá cumprir sua pena, conforme pediu o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na semana passada, atendendo a uma solicitação da Justiça italiana.

O ex-diretor do Banco do Brasil pede às autoridades da Itália para cumprir a pena e passar o resto da sua vida no país. Ele alega que foi condenado em um processo político por parte do Supremo e que, diferentemente do que prevê o ordenamento brasileiro, foi julgado por apenas uma instância. "Quero ficar na Itália até o fim da minha vida. Não tenho mais para onde ir", argumenta o brasileiro, de acordo com o Estadão.

Mais problemas

Este não é o único problema enfrentado por Pizzolato na Itália. Ele responde a processo por uso de passaporte e outros documentos falsos. Também é suspeito de lavagem em negócios de ValterLavitola, ex-aliado do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

Henrique Pizzolato foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão no julgamento do mensalão por ter recebido R$ 336 mil do empresário Marcos Valério e ter autorizado um adiantamento de R$ 73 milhões para uma das agências do mineiro, a DNA Propaganda, contratada pelo BB. Durante o julgamento, sua defesa argumentou que ele não tinha poder para decidir onde e como o dinheiro de publicidade do banco poderia ser gasto.

Veja a íntegra da reportagem do Estadão

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