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Ministério Público abre investigação criminal contra brasileiros que assediaram mulher na Copa

 

O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) instaurou inquérito criminal para investigar a ocorrência de crime de injúria cometido contra uma estrangeira por turistas brasileiros em viagem à Rússia, onde está em curso a Copa do Mundo 2018. Com camisas da seleção brasileira (vídeo abaixo), seis homens abordam uma mulher loira e a fazem repetir um termo chulo para a genitália feminina, em expressão dita em língua portuguesa – razão pela qual, infere-se, a vítima não se recusou repeti-la.

No filme de poucos segundos, os homens brasileiros simulam algo como um festejo de torcedor em tempos de copa, aos risos, de forma que a estrangeira cai na armadilha. A gravação mostra o rosto de cinco dos investigados, além do que está filmando. O filmete, feito há cerca de uma semana, ganhou as redes sociais e, tornado viral, agora repercute na imprensa internacional.

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Segundo o MPF, as investigações foram "requisitadas em regime de urgência e prioridade" e permitirão a identificação dos brasileiros envolvidos com detalhes. "O MPF entende que a conduta dos brasileiros denegriu a dignidade e expôs a estrangeira a humilhação pública, diante do cunho nitidamente machista e discriminatório percebido nas imagens", diz o órgão.

 

Veja o vídeo:

 

Ainda segundo o MPF, a investigação está fundamentada nos artigos 1, 3 e outros dispositivos da Convenção Internacional sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher, documento promulgado em setembro de 2002. O conjunto normativo define o conceito de discriminação contra a mulher e estabelece em acordo multilateral que os signatários têm que preservar os direitos humanos e as liberdades fundamentais da mulher em igualdade de condições com o homem.

Alguns dos homens já foram identificados e receberam punições ou viraram alvo de investigação em outras instituições. Um deles é o advogado pernambucano Diego Jatobá, ex-secretário de Turismo de Ipojuca (Grande Recife). Ele já é investigados por malversação de dinheiro público. Outro é o tenente catarinense Eduardo Nunes, que virou alvo de processo administrativo disciplinar na Polícia Militar de Santa Catarina.

Também aparece no vídeo o engenheiro piauiense Luciano Gil Mendes Coelho. Ele foi secretário estadual de Saúde e Educação no Piauí, e é ex-membro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí (CREA-PI). Luciano já foi preso pela Polícia Federal, em 2015, durante a Operação Paradise, que apurou esquema de desvio de dinheiro público na Prefeitura de Araripina, município de Pernambuco. O esquema, segundo a PF, causou danos à construção de creches, instituições de ensino e quadras poliesportivas.

Diversos órgãos e instituições, ligados ou não às causas dos direitos humanos e do feminismo, manifestaram repúdio à ação dos brasileiros. No Brasil e no exterior. No Congresso, diversos foram os deputados e senadores que protestaram publicamente contra o episódio.

 

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