Mello espera julgamento em breve do mensalão mineiro

Ministro mais antigo do STF diz que muitos colegas trabalharam nas férias. Porém, novo relator do caso, Roberto Barroso, afirma que ainda não estudou o valerioduto do PSDB

O ministro mais antigo do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, afirmou acreditar que o caso do mensalão mineiro seja julgado logo pelo plenário do Supremo. Um simples recurso para remeter o caso para a Justiça de Minas Gerais está pendente de julgamento há oito anos, apesar de ter entrado duas vezes em votação no plenário da corte em 2012, como mostrou a Revista Congresso em Foco com exclusividade. No final da tarde de quinta-feira (1º), depois da primeira sessão do STF após a reportagem, Celso de Mello disse ao site esperar um julgamento em breve do recurso. “Esse é um processo que logo, logo deverá ser julgado, eu suponho”, imaginou ele, sem dar maiores detalhes.

Em 2003, o Ministério Público denunciou o deputado e ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) e o senador e ex-vice-governador Clésio Andrade (PR) junto com o empresário Marcos Valério e outros suspeitos por desvios de mais de R$ 3 milhões dos cofres mineiros, durante a campanha eleitoral de 1998. Em 23 de maio do passado, o então relator do caso Carlos Ayres Britto chegou a anunciar seu voto, mas por ser “longo”, deixou para depois do lanche da tarde. O caso não voltou mais ao plenário, nem mesmo depois do julgamento do mensalão do PT.

Políticos do PT criticaram suposto desequilíbrio entre o mensalão de José Dirceu e o do PSDB. “O Supremo, sabendo o impacto político desses dois julgamentos, não poderia ter desequilibrado o processo político do país julgando um e não julgando o outro”, afirmou o vice-líder do governo na Câmara, Henrique Fontana. Juristas como o subprocurador geral da República Eugênio Aragão comparou a velocidade do mensalão petista com o tucano. “Deu-se tratamento célere e simbólico a um caso que na verdade foge completamente ao comportamento que o Supremo tem em relação a matérias criminais, de improbidade, que são matérias que o Supremo deixa para o final da fila sempre”, afirmou Aragão.

Vizinhos

Recém-chegado à corte e substituto de Ayres Britto, o ministro Luís Roberto Barroso disse ao Congresso em Foco que ainda não está a par do tema. “Eu não trabalhei nesse caso”, afirmou ele ontem, após sua primeira sessão na corte.

Pouco depois, Celso de Mello chegou a brincar com Barroso ao ser questionado sobre o assunto. Disse que ele deveria ter estudado o mensalão mineiro, assim como outros processos durante o recesso forense. “Tenho certeza que ele trabalhou nas férias porque somos vizinhos de prédio”, afirmou.

No STF, o mensalão mineiro é investigado pelo em duas ações criminais e uma cível. A última é a mais antiga, protocolada em 2003. Há oito anos, a ação civil depende do julgamento de um recurso para voltar a tramitar na Justiça de Minas Gerais.

O ex-procurador geral da República Cláudio Fonteles chegou a responsabilizar Ayres Britto por "deitar em cima" do processo. Em resposta, o ex-ministro disse que jamais fez isso. Afirmou que retirou o processo de pauta depois do intervalo por algum problema detectado na hora do lanche. "Seu eu não coloquei [o recurso em votação], é porque eu não obtive condições", disse ele à revista.

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