Marta: Dilma nega gravidade de crise e responsabilidade de seu governo

Senadora petista vê presidenta cada vez mais isolada e distante da sociedade a cada ato de seu governo. Prestes a trocar o PT pelo PSB, ex-prefeita de São Paulo diz que cidade assistiu "atônita" e "perplexa" ao pronunciamento de Dilma

Prestes a deixar o PT, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) atacou o pronunciamento feito pela presidenta Dilma Rousseff, em rede nacional de rádio e TV nesse domingo (8). Segundo ela, São Paulo assistiu “atônita e “perplexa” às declarações da presidenta, em meio a gritos de protesto, buzinaço e panelaço. Para a senadora, Dilma desconhece as proporções da atual crise política e econômica e não assume as responsabilidades de seu governo, atribuindo os atuais problemas à “ultrapassada justificativa da crise internacional”. “Dilma negou, mais uma vez, a gravidade e dimensão da atual crise econômica, as responsabilidades de seu governo e as consequências de seus desdobramentos para o povo brasileiro”, escreveu a ainda petista em sua página no Facebook.

 

Na avaliação de Marta, tão grave quanto os problemas econômicos é a crise política vivida pelo país, com o aprofundamento da falta de confiança e credibilidade. “O que mais me preocupa, neste momento, é que, a cada ação de seu governo, assistimos ao aumento do grau de seu isolamento e a ampliação de seu distanciamento da sociedade”, acrescentou.

Marta foi ministra de Dilma entre setembro de 2012 e dezembro de 2014. Ao entregar o cargo no Ministério da Cultura, divulgou uma carta com críticas à presidenta. A intensidade dos ataques cresceu este ano. Lideranças do PSB já dão como praticamente certa a filiação da senadora, que tende a ser a candidata do partido à prefeitura de São Paulo em 2016 contra o prefeito petista Fernando Haddad.

No início de fevereiro, a ex-prefeita da capital paulista atribuiu a derrota de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na disputa à presidência da Câmara ao “intervencionismo do governo, indevido e atrapalhado”.

Em janeiro, Marta criticou a volta de Juca Ferreira ao Ministério da Cultura. Ela encaminhou à Controladoria-Geral da União (CGU) documentos que sugerem irregularidades em contratos de R$ 105 milhões firmados por ele em sua primeira passagem pela pasta. Antes disso, na segunda semana do ano, Marta disparou contra Dilma e o Partido dos Trabalhadores. “Ou o PT muda ou acaba”, afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

Veja a íntegra da nota de Marta publicada no Facebook:

“Em meio a gritos de protestos, buzinas e panelaço, São Paulo assistiu, atônita e perplexa, o pronunciamento da Presidenta Dilma nesta noite de 8 de março.

Tentando se apoiar na ultrapassada justificativa da crise internacional, Dilma negou, mais uma vez, a gravidade e dimensão da atual crise econômica, as responsabilidades de seu governo e as consequências de seus desdobramentos para o povo brasileiro.

O que mais me preocupa, neste momento, é que, a cada ação de seu governo, assistimos ao aumento do grau de seu isolamento e a ampliação de seu distanciamento da sociedade.

Tão séria e grave quanto os problemas econômicos é a crise política e o consequente aprofundamento da falta de confiança e credibilidade."

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