Marconi vai vender área do heliporto do Cachoeira

Lote está avaliado em R$ 100 milhões, segundo integrantes governo de Goiás, e projeto para autorizar alienação sai no ano que vem. A informação contrasta com o que diz Jayme Rincón, que afirma que terreno não está à venda

O diretor da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Rincón, garante que não há projeto de se construir um heliporto em Goiânia. Garante também que o terreno onde o tal heliporto seria construído não está sendo negociado. As afirmações de Rincón, porém, contrastam com o que apurou o Congresso em Foco. A área na qual o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, pretendia fazer um heliporto, numa Parceria Público Privada (PPP) com o governo de Goiás e os empresários do ramo farmacêutico Walterci de Melo e Marcelo Limírio, está, sim, à venda.

Como revelou o Congresso em Foco, conversas telefônicas interceptadas na Operação Monte Carlo mostram que Cachoeira estava interessado em fazer uma parceria para explorar um heliporto em Goiânia. A área onde tal obra seria construída é um terreno do estado de Goiás ao lado do estádio Serra Dourada (veja aqui a localização).

Cachoeira queria heliporto em parceria com Perillo
Tudo sobre o caso Cachoeira

Embora o governo de Goiás negue a existência do projeto para fazer o heliporto e a possível parceria com Cachoeira e os empresários, o fato é que o terreno cobiçado pelo bicheiro está, sim, em vias de ser comercializado. Em setembro e novembro deste ano, Marconi Perillo enviou à Assembleia Legislativa de Goiás duas listas de imóveis num projeto de lei para autorizar a alienação de várias áreas. Em 2013, o governador vai enviar a venda do terreno de interesse do bicheiro. “Essa área vai pro ano que vem porque está com problema de documentação”, disse o superintendente de Gestão e Finanças da Secretaria de Planejamento, Wagner Portela, um dos responsáveis pelo programa de alienação de terras, em entrevista ao site, na segunda-feira (26). Por enquanto, a área tem problemas de documentação. “A gente vai recuperar essas terras e vender no que realmente interessa”, esclarece Portela.

O superintendente não é o único integrante do governo a revelar isso. O primeiro anúncio da venda deste terreno e de outros lotes do governo foi feito em 24 de agosto pelo chefe de Portela, o secretário de Planejamento de Goiás, Giuseppe Vecchi, em entrevista ao jornal O Popular. Depois, o governador Marconi Perillo enviou as duas mensagens à Assembleia Legislativa, que integram o projeto de lei 4327/2012.

Programa de investimentos

Em 3 de novembro, a Secretaria de Planejamento reafirmou a intenção de alienar mais áreas no ano que vem. No total, o governo quer arrecadar R$ 720 milhões para financiar o PAI, um programa de investimentos do estado. Agora, depois da reportagem sobre a intenção de Cachoeira construir um heliporto naquele local, o governo reafirma que o terreno ao lado do estádio está prestes a ser vendido.

A área de interesse do bicheiro fica no Jardim Goiás, o bairro mais valorizado de Goiânia, e a cinco minutos do Alphaville, condomínio de luxo onde moram os próprios Cachoeira, Marconi e Walterci. Nesta área residencial, são proibidos helipontos.

De acordo com Portela, os lotes ao lado do Serra Dourada somam cerca de 30 mil metros quadrados e valem mais de R$ 100 milhões – cerca de R$ 3.500 por metro quadrado. Nos grampos, Cachoeira e Walterci imaginam ficar com um terreno ainda maior ao lado do estádio, de 470 mil metros quadrados. “Ele é grande pra nós e pequena pro governo. Dá certinho”, afirmou o bicheiro em telefonema de 15 de junho do ano passado. Na mesma conversa, Walterci diz que Perillo havia indicado até uma outra área na cidade, “depois do Flamboyant”, que pode ser o parque ou o shopping nas proximidades do estádio de futebol.

Ouça aqui a conversa entre Cachoeira e Walterci

A área será vendida por licitação, na modalidade de leilão ou de concorrência pública. O dono do terreno poderá fazer o que quiser com ele – heliporto, prédio ou clube, por exemplo. Só deverá respeitar as leis municipais de uso do solo, como o Plano Diretor de Goiânia.

Perillo mantém silêncio sobre reuniões

Nada definido

Em entrevista ao site, o presidente da Agência Goiânia de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Rincón, garantiu que não existe parceria público-privada entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e os dois amigos do governador, Walterci de Melo e Marcelo Limírio. Ele admitiu, porém, que Perillo poderia ter tratado do assunto com os empresários, mas que isso não teria prosperado.

Na sexta-feira (23), depois da reportagem revelando os planos de Cachoeira, Walterci e Limírio de construir um heliporto naquele local, Rincón negou ao Congresso em Foco o que afirmam, desde agosto, Vecchi, Portela e técnicos da Secretaria de Planejamento do governo que ele integra. Disse que as terras dali não estão à venda. “Não estamos vendendo. Temos um projeto de expansão”. Qual o projeto? “Não tem nada definido ainda não. O Estado vai destinar essas áreas para levar órgãos públicos pra lá. Já foi o fórum”, disse Rincón.

Cobiça

Do grupo de áreas que seriam alienadas, o terreno ao lado do estádio era o segundo “mais cobiçado pelo mercado imobiliário” do estado, conforme noticiou o jornal O Popular em 24 de agosto passado, após entrevistar Giuseppe Vecchi.

Comunicados da Assembleia Legislativa de Goiás informam que o projeto 4.327/2012 ainda não foi votado pelos deputados estaduais. O valor de venda dos imóveis contidos neles chega a R$ 380 milhões. Portela acredita que o projeto seja votado nesta ou na próxima semana. O restante dos imóveis, de valor R$ 340 milhões, incluindo o terreno que interessa a Cachoeira, ficará para o ano que vem.

*Colaborou Edson Sardinha

Saiba mais sobre o Congresso em Foco (2 minutos em vídeo)

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