Carro da TV Record é virado por manifestantes em frente ao Congresso. Veja o vídeo

Grupo de black blocs resolve partir para o confronto com a polícia e, em um momento de maior tensão, virou um automóvel da TV Record. Concentrada no gramado em frente às duas cúpulas do Legislativo, a maioria protesta pacificamente contra o teto de gastos públicos por 20 anos e pede o impeachment do presidente Temer

Fábio Góis/Congresso em Foco
 

Um grupo de manifestantes virou um carro da TV Record em frente ao prédio do Congresso há pouco. Concentrada no gramado em frente às duas cúpulas do Legislativo (Câmara e Senado), a maioria protesta pacificamente contra a proposta de emenda à Constituição (PEC 55/2016) que limita o teto de gastos públicos por 20 anos e pede o impeachment do presidente Michel Temer, mas um grupo de black blocs resolveu partir para o confronto com a polícia e, em um momento de maior tensão, capotou o automóvel. Em seguida, um carro particular preto também foi virado na Espalanada, estacionado em uma rua em frente ao Ministério da Justiça. A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal estimou em cerca de dez mil o número de pessoas reunidas nos protestos no início da noite desta terça-feira (29).

Assista ao vídeo:

Outro motivo da revolta popular é o pacote de medidas anticorrupção encampado pelo Ministério Público Federal (MPF) com o apoio de mais de 2,4 milhões de assinaturas. Em tramitação na Câmara, a matéria pode receber emenda de plenário que, em resumo, promove uma anistia àqueles políticos que, durante campanhas eleitorais, beneficiaram-se de dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral, o chamado “caixa dois” – uma das principais causas da corrupção na política e da relação de promiscuidade entre empresas privadas e  a administração pública.

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Entre os anistiados estariam presos e investigados na Operação Lava Jato, embora o governo tenha ensaiado com o comando do Congresso o discurso sobre o veto presidencial a uma eventual aprovação do pacote com a emenda da anistia. Como a Constituição determina, quem dá a última palavra sobre o assunto é o Legislativo, que vota todo e qualquer veto presidencial. No último fim de semana, mergulhado na crise provocada pelo agora ex-ministro e braço-direito Geddel Vieira Lima, o presidente Temer chegou a convocar coletiva de imprensa em pleno domingo (27) e, ao lados dos presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), prometeu vetar a anistia.

Durante o ato, não só Temer e a classe política como um todo foi alvo dos protestos, bem como a própria Polícia Militar convocada para ajudar as força de segurança no cinturão formado no Congresso. Ao chegar correndo à linha de frente dos policiais, enfileirados em frente ao espelho d´água, populares entoavam palavras de ordem como “não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar”.

Confira o momento em que uma onda humana ocupa o gramado do Congresso:

Além de estudantes de diversos cantos do país, representados por entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a manifestação contou com militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e outras entidades sindicais. No começo, o ato transcorria pacificamente, mas um grupo de manifestantes mais exaltados começou a provocação às forças de segurança e, no momento mais agudo do protesto, destruir o automóvel. Uma verdadeira operação de guerra foi montada pelo comando do Congresso para conter o avanço da massa rumo ao espelho d'água em frente ao prédio.

Universo paralelo

Alheios à revolta popular, senadores começaram a leitura do relatório da proposta no Plenário do Senado. A tarefa coube ao relator da matéria, Eunício Oliveira (CE), líder do PMDB na Casa. Entre outras coisas, a matéria altera o regime fiscal da União pelas próximas duas décadas, ao limitar as despesas primárias da União, estados e municípios com base na inflação do ano anterior.

Mas a proposição vai além, e também impõe uma das mais importantes alterações no modelo de Estado desenhado pela Constituição de 1988, obrigando modificações em diversos artigos constitucionais e leis ordinárias que regem programas de governo e suas metas. As mudanças nas leis nacionais, estaduais e municipais serão obrigatórias para enquadrar na nova regra os orçamentos de todas as instâncias de poder.

Como este site mostrou ontem (segunda, 28), a proposição vai a voto em primeiro turno imersa em uma atmosfera de crise política e com reação já anunciada da oposição e de movimentos sociais, como hoje foi confirmado. Nesse contexto, Temer agora é vítima da mesma situação que provocou a queda de Dilma Rousseff, de quem era vice: ontem (segunda, 28), o Psol protocolou um pedido de impeachment contra o peemedebista.

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