Manifestantes pró e contra o impeachment acampam em Brasília

Separados por dois quilômetros e por esquema de segurança, grupos contrários e favoráveis ao afastamento da presidente chegam à capital e montam barraca

Grupos de manifestantes contrários e favoráveis à saída da presidente Dilma Rousseff chegam a Brasília e montam acampamentos na capital. Eles têm áreas determinadas pela Secretaria de Segurança Pública para armar suas barracas. Movimentos que apoiam a permanência de Dilma devem ficar no estacionamento do Teatro Nacional, já os militantes que defendem a saída da petista devem ocupar o Parque da Cidade. Os militantes estão separados por cerca de dois quilômetros, distância muito maior que os 80 metros que dividirão os manifestantes rivais no gramado do Congresso Nacional durante a votação na Câmara.

A partir desta segunda-feira (11) já estão previstos protestos diante do Congresso Nacional durante a análise do parecer do relator do processo na comissão do impeachment, Jovair Arantes (PTB-GO). A votação em plenário deve acontecer no próximo fim de semana, apesar do pedido do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), para que a análise ocorresse em dia útil.

O uso de grades para separar os manifestantes foi contestado pelo presidente da comissão especial do impeachment, Rogério Rosso (PSD-DF). "Se pensarmos numa simbologia histórica, cada vez que se ergue um muro, se segrega um povo. Este não é o momento de dividirmos o país ainda mais", disse Rosso.

Acampamentos

Os movimentos sociais contrários ao impeachment chegaram ao Teatro Nacional nesse domingo (10) em 20 ônibus. O grupo estendeu uma faixa com os dizeres "não ao golpe" e também trouxe bandeiras de organizações como o Movimento Sem Terra (MST) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Já o grupo pró-impeachment está instalado no Parque Ana Lídia, no Parque da Cidade. Até o momento, cerca de 25 pessoas já chegaram para se unir ao movimento. Eles têm autorização para ficar próximo à Catedral de Brasília, mas preferiram usar o parque.

Operação Esplanada

Além da SSP-DF e da PM, também participam da Operação Esplanada – como foi designada a ação – a Polícia Civil e o Departamento de Trânsito. A Polícia Civil contará com reforço de aproximadamente 700 homens por dia. O comandante-geral da PM, Marcos Antônio Nunes, informou que a ação começará com um contingente de 500 policias. Mas poderá reunir até 3 mil homens na rua se preciso for. O coronel Hamilton, do Corpo de Bombeiros, disse que a ação será gradativa, com 250 homens por dia, com capacidade de chegar a 500, no fim de semana.

O trânsito na Esplanada dos Ministérios será bloqueado na madrugada de sexta-feira (15) entre a Rodoviária do Plano Piloto e a Avenida das Bandeiras, podendo haver liberação de algumas faixas, após avaliação de cenários. A PM orienta que os manifestantes estacionem os carros nos anexos dos ministérios, seguindo a lógica de manifestantes contra o impeachment do lado norte e, pró-impeachment do lado sul da Esplanada.

Haverá linhas de revista da PM nas duas áreas, junto aos ministérios. Não é permitido portar objetos cortantes, garrafas de vidro, hastes de madeira ou fogos de artifício, além do uso de máscaras, megafones e objetos infláveis de cunho provocativo. Também será proibida a venda de bebidas alcoólicas.

A PM orienta aos manifestantes que não levem crianças. Também não é recomendado que idosos ou pessoas com problemas cardiovasculares frequentem o local.

Carros de som serão permitidos em quatro pontos específicos, dois para cada grupo. Eles estarão nas vias N1 e S1, no Museu da República e no Teatro Nacional. Haverá representantes da SSP-DF nos carros para orientar os manifestantes, sendo proibido o uso de palavras de ordem ou provocações.

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