Manifestantes derrubam estátua de Lênin na Ucrânia

Eles pedem a demissão do presidente Viktor Ianukovitch por rejeitar acordo comercial com a União Europeia. Protestos duram mais de duas semanas

KIEV (Ucrânia) – Manifestantes que estão concentrados neste domingo (8) em frente à Praça da Independência, na capital da Ucrânia, para pedir a demissão do presidente Viktor Ianukovitch, derrubaram a estátua de Vladimir Lênin, o líder da Revolução Russa de 1917. De acordo com um porta-voz da polícia ucraniana, a estátua de Lenin foi derrubada por manifestantes com o rosto coberto, que empunhavam bandeiras do Partido Ultranacionalista Svoboda (Liberdade).

Cerca de 200 mil manifestantes pró-europeus estão concentrados desde a manhã em Kiev para cobrar a demissão de Ianukovitch, depois de o presidente ter rejeitado um acordo comercial com a União Europeia, optando por uma maior aproximação com a Rússia.

Empunhando bandeiras da Ucrânia e da União Europeia, os opositores ao atual governo enchem a Praça da Independência, onde foram instaladas várias tendas.

No local foram instaladas várias tendas. Os manifestantes pedem a reversão da decisão em relação aos negócios com a Europa, defendem um regime de governo mais justo e honesto e o fim da violência usada pela polícia durante os protestos. No dia 30 de novembro, uma ação feita para dispersar uma manifestação realizada no mesmo local resultou em várias pessoas feridas, sendo a maioria estudantes.

Sangue nas mãos

Durante os protestos, a ex-primeira-ministra da Ucrânia, Iulia Timochenko exigiu a saída imediata do presidente Yanukovych do poder. A declaração foi lida pela filha de Iulia Timochenko para os milhares de manifestantes reunidos na praça. Na mensagem, a ex-primeira-ministra pediu para que os ucranianos não recuem ou participem de negociações “com este poder que tem sangue nas mãos". Segundo ela, o momento coloca os ucranianos diante da escolha entre “cair numa ditadura corrupta e o regresso a casa, na Europa. As hipóteses de cair numa ditadura medieval são bastante maiores".

A oposição que defende eleições antecipadas espera mobilizar um milhão de manifestantes ainda hoje. Os protestos têm se tornado mais frequentes nos últimos dias, em torno de prédios do governo.

O temor do grupo que defende o acordo com os europeus é que Ianukovitch decida assinar o acordo de adesão da Ucrânia à União Aduaneira das Antigas Repúblicas Soviéticas. No dia 17 está prevista uma reunião da comissão interestadual russo-ucraniana. Hoje, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês disse que se vai encontrar oficialmente com o líder da oposição ucraniana, Vitali Klitschko. Os protestos na Ucrânia já duram mais de duas semanas.

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