Atos contra impeachment levam milhares às ruas em todo o país

Atos foram capitaneados por entidades como CUT, MTST e UNE contra o que é considerado "golpe" oposicionista contra a democracia. Mas os manifestantes também reclamaram do governo

Milhares de manifestantes foram às ruas em todo o país nesta quinta-feira (20) para protestar contra os rumores de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, como pauta comum, e na defesa de interesses que variam segundo cada categoria – desde reclamações contra o ajuste fiscal e a terceirização do trabalho até a reforma agrária. Os atos foram capitaneados por entidades como Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e União Nacional dos Estudantes (UNE), com apoio de diversas outras organizações sociais. Embora com número reduzido em relação aos protestos antigoverno do último domingo (16), as mobilizações de ontem também aconteceram em todas as capitais do país e no Distrito Federal.

Em São Paulo, um manifesto contra o ajuste fiscal executado pelo governo, que recebeu resistência do Congresso, também reuniu entre as bandeiras a defesa da democracia e o respeito aos direitos sociais e trabalhistas. Diversos movimentos sociais, além dos já citados, assinaram o documento. Segundo a Agência Brasil, uma passeata em direção ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) reuniu 75 mil pessoas, segundo os organizadores. A Secretaria de Segurança Pública não divulgou dados sobre a quantidade de manifestantes.

“Existe um posicionamento, do conjunto das organizações em defesa da democracia e de ser contra a postura golpista da direita. Mas existe igualmente um posicionamento claro de ser contra o ajuste fiscal, de ser contra a Agenda Brasil e de não ser em defesa do governo”, discursou um dos líderes do MTST, Guilherme Boulos, no mesmo ato a que compareceram militantes e políticos de partidos como PT, PCdoB, PDT e PCO.

“Considero este ato muito representativo dos movimentos sociais. Aqui há as centrais sindicais, entidades da juventude, movimentos sem-teto. Considero que é um ato que tem uma marca muito positiva, que é a defesa da democracia, e considero legítimo os movimentos sociais criticarem medidas do governo. É natural haver críticas ao ajuste econômico porque isso afeta a vida das pessoas. E a democracia se fortalece”, disse o ex-ministro do Esporte e atualmente deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP).

Fator petróleo

No Rio de Janeiro, principal produtor de petróleo do país, as manifestações contra o impeachment tiveram início em uma concentração de populares na Candelária, região histórica da capital fluminense. Entidades sindicais, estudantis e políticas promoveram os protestos, em passeata que cruzou a Avenida Rio Branco e chegou à Cinelândia, também na região central do Rio.

Diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Joacir Pedro pregou reação às tentativas da oposição em fragilizar o governo. Presidente do Fórum dos Trabalhadores da Indústria Naval do Petróleo, Joacir lembrou que o setor naval se desenvolveu significativamente a partir do primeiro governo Lula. Por meio de projetos de construção e navios e plataformas de petróleo no Brasil, afirmou o dirigente, o número de empregados no setor cresceu de três mil para 80 mil trabalhadores.

Ainda no Rio, gritos de “Fora, Cunha!” foram entoados pelos manifestantes nas cercanias do número 50 da Avenida Nilo Peçanha, prédio que abriga o escritório do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), principal opositor ao governo Dilma naquela Casa. Um dos políticos investigados na Operação Lava Jato, Cunha foi denunciado ontem (quinta, 20) ao Supremo Tribunal Federal (STF), por corrupção e lavagem de dinheiro, pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Como resposta ao boneco inflável de Lula vestido de presidiário, exibido no último domingo (16) na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, bonecos de Eduardo Cunha, com o mesmo traje, e de personagens como o ministro Joaquim Levy (Fazenda) também desfilaram entre os protestos. Como aconteceu no fim de semana, números desencontrados divulgados por organizadores e pela Polícia Militar levaram à indefinição sobre a quantidade estimada de manifestantes.

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