Acampamento pró-impeachment tem de “Pixuleco” a periquito

Todos os 500 membros do acampamento querem saída de Dilma, mesmo ignorando o que viria em seguida. Uns defendem Temer, outros Bolsonaro. Há até quem queira intervenção militar

O acampamento do grupo pró-impeachment começou tímido, com 25 pessoas que se aglomeravam para pedir a saída da presidente Dilma e exaltar o juiz Sérgio Moro. Neste sábado (16), porém, o grupo cresceu e passou a contar com 500 manifestantes. Embalados pelos tambores da La Banda Loka Liberal e cantando músicas contra Lula e Dilma, jovens, idosos e até animais se misturam entre bandeiras do Brasil e roupas verdes e amarelas.

Edna Nunes trouxe o seu periquito verde, chamado Dick, para participar das manifestações. "Estou vindo com o Dick desde quinta-feira, mas no domingo vou sozinha. Acho que ele já fez o papel dele", brincou a moradora do entorno do Distrito Federal.

Os manifestantes se unem no discurso contra a presidente Dilma e a favor do impeachment. Porém, divergem sobre o que vai acontecer depois da eventual queda da presidente. Grande parte deles prevê que a saída de Dilma será o início de uma grande mudança no país e marcará o fim da corrupção. Outros apoiam o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) para presidente e ainda tem aqueles que esperam a volta da ditadura militar para "arrumar o país".

Dileta Corrêa está em Brasília desde o dia 19 de março e é a organizadora dos atos na capital, desde que o acampamento estava montado próximo ao Supremo Tribunal Federal (STF). A empresária catarinense afirma não acreditar em políticos e defende a intervenção "para unir o Brasil e arrumar a casa".

Apesar de grande parte dos brasilienses passar pelo parque apoiando os manifestantes, Dileta está sempre em contato com a Polícia Militar e se preocupa com a segurança dos presentes. "Nós não sabemos as intenções de quem está do outro lado e tememos que eles não aceitem a derrota", disse.

Aparente calmaria

Gabriel Pontes/Congresso em Foco
A semana dos manifestantes pró-impeachment foi menos agitada do que no acampamento a favor do governo. Durante o dia, eles atendiam jornalistas, preparavam comida ou iam a alguma restaurante próximo para almoçar. Muitos usam os banheiros do parque para tomar banho, outros preferem a casa de amigos. Todas as tardes, evitando contato com outros manifestantes, foram para o Congresso Nacional pressionar deputados a votar a favor da saída de Dilma.

 

 

 

 

A programação a partir deste sábado (16) foi mais intensa. Um grande "Pixuleco" do ex-presidente Lula foi inflado no acampamento, que também ganhou um palco em que artistas se apresentarão até domingo (17), dia da votação do impeachment na Câmara. No som, entre áudios de conversas de Lula e o hino nacional, tocam os sucessos como "chora petista", de La Banda Loka Liberal.

No domingo, a concentração começa às 9h no acampamento. Às 13h, os manifestantes seguem para a Esplanada dos Ministérios para acompanhar a votação em telões.

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