Maia quer trocar secretários aliados de Cunha

Novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia negocia a saída de deputados que ocupam cargos administrativos e foram nomeados pelo antecessor. Mas há quem manifeste apego ao posto. Veja quem está ameaçado

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), quer se livrar de aliados do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que estão em postos administrativos e compõem a direção da Casa. São cinco cargos ocupados por parlamentares que não foram eleitos pelos colegas para comandar a Secretaria da Mulher, a Secretaria de Relações Internacionais, a Ouvidoria, a Corregedoria e até a Procuradoria Parlamentar da instituição. Primeiro deputado a exercer a função de secretário de Comunicação da Câmara, Cleber Verde (PRB-MA), amigo de Cunha, já avisou que deixará o posto.

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Os parlamentares estão dispostos nesses cargos administrativos por escolha pessoal de Cunha, que preencheu as vagas logo depois da sua eleição como presidente da Câmara, em fevereiro do ano passado. Na ocasião, ele conseguiu aprovar projetos que criaram uma nova estrutura administrativa para acomodar aliados da sua campanha interna – como é o caso da própria nomeação de Cleber Verde. Agora, com a nova configuração de poder na Câmara, Maia pretende substituir os aliados do ex-presidente.

Maia está negociando a saída dos deputados Nelson Marquezelli (PB-SP), ouvidor, Carlos Manato (SD-ES), corregedor, Átila Lins (PSD-AM), secretário de Relações Internacionais, e Flávia Morais (PDT-GO), que ocupa a Secretaria da Mulher. O deputado Cláudio Cajado (DEM-BA), que atua como procurador da Câmara desde janeiro de 2013 e foi reconduzido por Cunha, deve ficar no cargo por ser do mesmo partido de Maia e ter apoiado sua candidatura à Presidência da Casa.

Marquezelli, Átila e Flávia Morais apoiaram outros candidatos derrotados por Maia, no primeiro turno na disputa, e são identificados como aliados de Cunha. No segundo turno, essa agremiação de secretários aderiu à candidatura de Rogério Rosso (PSD-DF), um dos líderes do grupo conhecido como “centrão”, que servia de base de apoio ao ex-presidente Cunha.

O deputado Carlos Manato também quer permanecer como corregedor. Alega que tem mandato e não pode ser trocado, como pretende Maia. O parlamentar capixaba foi candidato ao posto hoje ocupado por Maia e, depois de sair da disputa já no primeiro turno, garante que votou no colega do DEM na segunda votação. Na negociação para permanecer como corregedor, argumentou com Maia que teve bom desempenho como “polícia” da Câmara. Ele se vangloria de ter dado a primeira punição por escrito a um deputado – um dos principais adversários de Cunha na Câmara, Silvio Costa (PTN-PE) foi censurado por ter acusado, em discurso, o peemedebista de “proteger bandido”.

Assessoria vip

Os cargos de secretários são administrativos e não compõem o colegiado que define as pautas da Câmara – o chamado “colégio de líderes”. Prestam uma espécie de assessoria gerencial ao presidente da Casa.

A Secretaria de Relações Internacionais, por exemplo, é responsável pela organização do cerimonial institucional. Já a de Comunicação trata da imagem dos deputados junto à sociedade. A Secretaria da Mulher, por sua vez, tem função indefinida, mas obviamente relacionada às causas femininas, e a Procuradoria se encarrega da defesa externa dos deputados.

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