Maia dá aval para que deputados vistoriem prisão de Lula. Senadores já fizeram inspeção

Ricardo Stuckert

Senadores conseguem se encontrar com Lula, mas quatro deles foram barrados

 

Com aval do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), correligionários e apoiadores do ex-presidente Lula, preso desde o último dia 7, conseguiram formar uma comissão externa para vistoriar a situação carcerária em que se encontra o cacique petista. A exemplo de um grupo de senadores que hoje (terça, 17) visitou Lula com o mesmo propósito, a ida dos parlamentares à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde o petista começou a cumprir pena, tem caráter oficial, mas não será custeada com dinheiro público.

Líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS) registrou no Twitter a aprovação da demanda pró-Lula. "Foi criada a comissão externa da Câmara que vai inspecionar as condições em que o presidente Lula está detido como preso político em Curitiba. Serei o coordenador da comissão que terá vários companheiros valorosos", escreveu o deputado.

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Além de Paulo Pimenta, estão listados para compor a comissão externa os deputados André Figueiredo (PDT-CE), Bebeto (PSB-BA), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), José Guimarães (PT-CE), Ivan Valente (Psol-SP), Orlando Silva (PCdoB-SP), Paulo Teixeira (PT-SP), Wadih Damous (PT-RJ) e Weverton Rocha (PDT-MA). "Nos termos do artigo 38 do Regimento Interno, esta Presidência decide criar Comissão Externa, sem ônus para a Câmara dos Deputados, destinada a verificar in loco as condições em que se encontra o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba-PR, conforme requerimento nº 8397, de 2018, do Sr. Weverton Rocha e outros [...]", diz Maia no ofício com data de 17 de abril de 2018.

Em nome da Depois da visita a Lula, senadores relataram que, apesar do isolamento absoluto – é o único detento de uma "sala do Estado-Maior" com 15 metros quadrados –, o ex-presidente está recebendo tratamento adequado. Aos 72 anos, o petista tem passado as horas lendo, segundo seu advogado, e tem uma televisão à sua disposição.

"As fotos falam por si só: indignação. Acabo de sair da Superintendência da PF, onde pude ver quais as condições do confinamento político de Lula. Apesar do isolamento Lula está bem! Ele acredita que a democracia e a justiça o trarão de volta à liberdade", registrou o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), ao lado de uma foto no Twitter.

A sala especial é assegurada por lei a autoridades e consta da Ficha Individual N.º 700004553820. Assinado pelo juiz Sérgio Moro, que condenou o petista no âmbito da Operação Lava Jato, o documento foi enviado à 12ª Vara Federal de Curitiba em 9 de abril e marca, formalmente, o início do processo de execução penal de Lula. O tratamento especial já havia sido sinalizado na própria ordem de prisão expedida por Moro, com prazo de 24h para apresentação à PF.

 

Reprodução

Documento assinado por Maia viabiliza o encontro de deputados com Lula

 

Nas mais de 48 horas de mobilização, em que a resistência de Lula à prisão chegou a ser cogitada, o petista fez discurso, participou de missa em homenagem à sua ex-esposa, Marisa Letícia, e foi carregado pela militância em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Durante a vigília, artistas, dirigentes partidários e políticos do campo da esquerda se reuniram com o ex-presidente e lhe manifestaram solidariedade, dando início ao movimento informalmente intitulado “Lula livre”.

No momento mais tenso da jornada de dois dias, militantes chegaram a quebrar um dos portões do sindicato na tentativa de impedir Lula de deixar o prédio rumo à prisão (veja o vídeo). Àquela altura, em que as negociações entre a PF e a defesa do petista eram tensas e não previram a reação popular, temeu-se confronto físico com consequências imprevisíveis. Ao final, diante da impossibilidade de saída do carro do ex-presidente, Lula deixou o sindicato a pé e foi acompanhado por um cordão humano até uma das viaturas da PF.

 

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