Lupi afasta assessor e pede investigação à PF

Ministro anunciou o afastamento do coordenador de Qualificação do Ministério do Trabalho, apontado como suspeito de operar esquema de cobrança de propina

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), anunciou hoje (5) o afastamento de um assessor suspeito de envolvimento com um esquema de cobrança de propina. Lupi também informou que pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que a Polícia Federal investigue o caso. De acordo reportagem publicada neste sábado pela revista Veja, assessores de Lupi exigiam o pagamento de propina de organizações não governamentais contratadas para realizar cursos de capacitação profissional. Segundo a publicação, pedetistas lotados no ministério pediam dinheiro às ONGs para resolver pendências criadas por eles mesmos.

Apesar de ter afastado o coordenador-geral de Qualificação, Anderson Alexandre dos Santos, apontado pela reportagem como operador do esquema, Lupi qualificou a reportagem da Veja como “denúncia vazia”. Em entrevista à Agência Brasil, o ministro afirmou que o PDT “nunca compactuou com esse tipo de esquema”. "A quem interessam essas denúncias? Mas não tem problema, eu sou osso duro de roer", declarou o pedetista à agência.

Em nota divulgada à imprensa, Lupi defendeu a apuração dos fatos e cobrou o aparecimento de provas. "Se tem alguém usando a estrutura do Ministério para desviar dinheiro público, que seja devidamente enquadrado e responda por isso. Tanto o corrupto quanto o corruptor. Mas é preciso que as provas apareçam", afirmou.

O Instituto Êpa, sediado no Rio Grande do Norte, e a ONG Oxigênio, são apontados como dois alvos dos achaques. No caso da entidade potiguar, o ministério determinou três fiscalizações e ordenou que não fosse feito mais repasse após o pagamento da segunda parcela do convênio para qualificação de trabalhadores no Vale do Açu, conta a reportagem. De acordo com Veja, para resolver o problema, o instituto teria de entrar em contato com o então assessor especial de Lupi, Weverton Rocha, ou Anderson Alexandre dos Santos, coordenador-geral de qualificação. Os dois respondiam ao então chefe de gabinete do ministro, Marcelo Panella, também tesoureiro do partido. Um dos dirigentes da Oxigênio diz ter desembolsado R$ 50 mil com o pagamento de propina.

Segundo a revista, o caso passou a ser monitorado pelo Planalto depois que parlamentares do próprio PDT relataram a existência do esquema ao chefe de gabinete da presidenta Dilma.  Panella deixou o cargo em agosto, mas alega que se afastou da função por não ter se adaptado à vida na capital federal. Na Câmara desde outubro, quando assumiu uma vaga como suplente pelo Maranhão, o hoje deputado Weverton Rocha também nega a ocorrência de irregularidades em sua gestão. “Quando uma entidade te procura, é porque ela tem problema, mas nossa equipe sempre foi muito profissional”, disse o pedetista à revista.

Desde o início do ano, cinco ministros já perderam o emprego após denúncias de envolvimento em irregularidades: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte).

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